Alain Ehrenberg, em O Cansaço de Ser Si Mesmo (1998)
Alain Ehrenberg, em O Cansaço de Ser Si Mesmo (1998), dialoga diretamente com o conceito foucaultiano de biopolítica, mas desloca o diagnóstico sobre o perfeccionismo. Enquanto Foucault vê o perfeccionismo como fruto da internalização de normas externas que o sujeito aplica sobre si mesmo (lógica disciplinar), Ehrenberg argumenta que, na atual sociedade do desempenho, o problema não é exatamente a norma externa, mas sim a ausência de limites claros e a exigência paradoxal de que o indivíduo seja livre para se aperfeiçoar sem jamais atingir um ponto de descanso. Em outras palavras: se em Foucault o perfeccionismo é disciplinar (regras rígidas internalizadas), em Ehrenberg ele é pós-disciplinar — um perfeccionismo sem regras fixas, mas com expectativas infinitas, que gera esgotamento, depressão e a sensação crônica de insuficiência. https://www.instagram.com/reel/DChxwkUSUx1/