Você já se pegou organizando a agenda do seu parceiro, lembrando-o de compromissos ou resolvendo problemas que eram exclusivamente dele?Já teve aquela sensação de que, se você não fizer, ninguém fará, e tudo vai desmoronar?
Se você se identifica com isso, talvez esteja vivendo o Dilema de Wendy.
Calma... deixa eu explicar:
A pessoa que vive o Dilema de Wendy sente uma necessidade imperativa, algo como uma obrigação “natural” de cuidar, proteger e decidir pelo outro. Ela acredita que, sem o seu sacrifício e vigilância constante, as pessoas ao seu redor (especialmente o parceiro) fracassariam.
Há também um sentimento constante de culpa e responsabilidade excessiva. A mulher nesse papel tende a sentir-se responsável pelos erros, fracassos e frustrações do parceiro, mesmo quando eles são consequência direta das escolhas dele. Essa internalização da culpa reforça o ciclo, pois ela acredita que precisa fazer mais, corrigir mais e tolerar mais para que tudo funcione.
Fecha um ciclo disfuncional complementar. Enquanto Wendy assume decisões, organização e estabilidade, o “Peter Pan” sente-se autorizado a permanecer imaturo e irresponsável, já que existe uma rede de segurança garantida. Quando ela se cansa e reclama, encontra dificuldade em abrir mão do controle, pois é justamente esse controle que sustenta sua sensação de utilidade e valor.
A longo prazo, essa estrutura gera exaustão emocional, ressentimento e possível depressão. A saída envolve reconhecer o padrão, estabelecer limites claros e compreender que amar não significa viver pelo outro. Relações saudáveis não se organizam na lógica de “cuidador e paciente”, mas na parceria entre dois adultos capazes de assumir responsabilidades por si mesmos.
Para ajudar a superer a sua posição de Wendy a mulher precisa entender os contextos que fundamentaram sua posição diante da vida e dos parceiros! Entender que quando criança aprendeu que o amor é condicionado ao desempenho, à maturidade precoce ou da capacidade de cuidar emocionalmente do próprio cuidador. (Esse processo é conhecido como parentificação?)
Assim, o comportamento da “Wendy” na vida adulta não seria uma escolha consciente de submissão, mas uma adaptação antiga que garantiu vínculo e sobrevivência emocional. O problema é que aquilo que foi funcional na infância torna-se disfuncional na vida adulta, especialmente em relações afetivas entre iguais.
Reconhecer-se no Dilema de Wendy não é um diagnóstico, mas pode ser um ponto de partida.
O primeiro passo para entender que o cuidado excessivo com os outros, muitas vezes, é uma armadura que construímos na infância para nos sentirmos amadas e seguras. O problema é que essa armadura, que antes nos protegia, hoje pode nos aprisionar em relações desgastantes, nos afastando de quem realmente somos.
A boa notícia é que esses padrões não são definitivos ou imutáveis!
Podem ser transformados ao longo de um processo de autoconhecimento e facilitado com a ajuda capacitada!
Através da psicoterapia, é possível resgatar sua própria história, compreender as origens dessas necessidades de cuidar em detrimento de si mesma e, gradualmente, construir uma nova forma de se relacionar.
O objetivo não é parar de cuidar, mas sim aprender a cuidar sem se anular, estabelecendo limites saudáveis e construindo relações baseadas na parceria e no respeito mútuo, e não na dependência. É uma jornada de volta para si mesma.
O que o “Dilema de Wendy” nos mostra é que um padrão relacional onde o amor se confunde com sacrifício e a autoestima é terceirizada para o outro, a mulher, muitas vezes, carrega uma crença profunda de que só será amada se for desta maneira... quando esta maneira de viver não é exatamente amor… Nenhum amor de verdade existe onde se precisa da anulação de si mesma! Isso, na verdade, é uma prisão disfarçada.
Sair dessa posição exige coragem para olhar para dentro e questionar as raízes destas velhas crenças. A psicoterapia oferece o espaço acolhedor e profissional para essa reconstrução. É um processo de aprender a validar as próprias necessidades, a dizer "não" sem culpa e a confiar que você é digna de amor simplesmente por existir, e não pelo que faz pelos outros. O caminho é deixar de ser a Wendy que sustenta o mundo do outro para, finalmente, construir o seu próprio.
"Marque aquela amiga que precisa ler isso hoje! 💖"
"Salve este post para ler com calma e refletir depois."
