O cuidado como virilidade: outros roteiros possíveis de ser homem!
"Somos aquilo que fazemos repetidamente. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito." — Aristóteles Há uma cena que qualquer mulher que foi adolescente no início dos anos 2000 reconhece de imediato: a banca de revista. Capas coloridas, letras garrafais, um galã de novela declarando com naturalidade que "ser fiel é muito difícil". Ao lado, uma matéria de comportamento ensinando "como segurar um pegador" ou "como domar o garanhão da escola". Ninguém achava estranho. Era, simplesmente, o script vigente do desejo. A mensagem por trás disso nunca foi dita abertamente, mas foi absorvida por uma geração inteira: homem desejável é imprevisível, um pouco infantil em seus afetos, emocionalmente pouco acessível . Cabia à mulher administrar essa equação — entender, tolerar, "dar um jeito". O sofrimento virava pedágio. O preço a pagar por ter um homem por perto. Passaram-se vinte anos. Trocamos a banca de revista pelo feed, mas o enredo b...