Como o Capitalismo MODELA seu psiquismo? ou: A Engenharia do Controle: Capital, Ansiedade e a Elite Transnacional

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Transcrição da aula, Jiang Xueqin discute como as elites utilizam mecanismos psicológicos e econômicos para extrair energia da população, transformando a ansiedade em uma ferramenta de controle.


A evolução histórica do capital revela uma transição deliberada da substância física para a abstração absoluta, visando não apenas o acúmulo de riqueza, mas o direcionamento da energia humana. Originalmente, o capital manifestava-se em bens tangíveis, como o grão. Contudo, o grão possuía um limite de utilidade: uma vez satisfeitas as necessidades de subsistência, o trabalhador tendia ao lazer. A introdução do ouro trouxe a ganância, mas sua finitude geográfica impedia que a totalidade da massa produtiva dedicasse a vida à sua busca. A grande inovação da modernidade foi a ascensão do dinheiro como uma entidade abstrata e onipresente — o "Deus" contemporâneo —, permitindo que indivíduos dediquem existências inteiras à busca de algo que é, simultaneamente, tudo e nada.
Para maximizar a extração de valor dessa força de trabalho, o sistema utiliza a ansiedade como ferramenta de controle primária. Isso se concretiza através de três mecanismos fundamentais.
  • O primeiro é a institucionalização da dívida, que cria um estado de servidão perpétua; ao contrair um empréstimo com juros, o indivíduo é impelido a trabalhar indefinidamente para quitar um passivo que raramente desaparece, gerando um estresse crônico.
  • O segundo mecanismo é a manutenção da desigualdade e da pobreza, que servem como um alerta constante para a classe média, incentivando-a a produzir mais pelo medo da decadência social.
  • Por fim, utiliza-se a destruição da riqueza, seja por meio de guerras ou crises econômicas artificiais. Ao destruir o excedente acumulado pelos "camponeses" modernos, a elite garante que a sociedade nunca se torne autossuficiente ou ociosa, forçando-a a reiniciar o ciclo produtivo sob pressão máxima.
Diferente da visão clássica que prega o acúmulo estático, o objetivo central deste capitalismo é o movimento e o foco da energia social. Quando a pressão interna de uma nação torna-se insustentável, surge a figura do capital transnacional. A elite proprietária, sem lealdade a fronteiras ou povos, desloca-se para centros financeiros globais, aguardando que o conflito social exaura as bases trabalhadoras para, então, retornar e coordenar a reconstrução. Esse capital move-se com agilidade por redes de confiança fechadas, que operam de forma distinta da moralidade das massas.
Enquanto a classe trabalhadora é regida por religiões e sistemas éticos que pregam a bondade e a convivência harmônica, a classe dirigente opera sob uma lógica de controle que frequentemente exige atos que desafiam as inibições humanas comuns. O fenômeno da obediência cega, ilustrado pelo Experimento de Milgram na Universidade de Yale, demonstra como indivíduos podem cometer atos cruéis quando a responsabilidade é transferida para uma autoridade superior. No contexto do poder global, essa despersonalização da culpa permite que a elite execute estratégias predatórias, justificando o sacrifício do bem-estar coletivo em prol da manutenção de um sistema de energia e produtividade incessantes.

......................................................................................................................................... Eis a transcrição desta aula:
**Então, a abstração do capital, vamos usar um exemplo, beleza?** O grão era inicialmente capital, só que o problema do grão é que você só precisa de uma certa quantidade. Então, como camponês, você só quer trabalhar o suficiente para cultivar grãos para alimentar sua família e talvez um pouco mais para guardar. Mas na maior parte do tempo você só quer aproveitar a vida. **Mas depois passamos pro ouro, certo?** E o ouro, sim, as pessoas estão mais gananciosas, mas o problema com o ouro é que ele existe em quantidade finita. Tudo bem, é difícil de localizar. Assim, apenas uma minoria dedicaria toda a sua energia tentando encontrar ouro. **E agora o que fizemos foi passar para a ideia de dinheiro.** Como demonstrarei, a grande inovação dos últimos 100 anos foi convencer as pessoas de que o dinheiro é Deus. O dinheiro é, ao mesmo tempo, nada e tudo. Assim, você pode dedicar a vida inteira a ganhar dinheiro, ok? **Essa é, portanto, a segunda grande inovação e a terceira grande técnica que mudou a economia.** É preciso entender que se você realmente quer que as pessoas concentrem suas energias, precisa criar ansiedade nelas, ok? Ansiedade. **E como se cria ansiedade? Bem, a melhor maneira de fazer isso, na verdade é criar ideia de dívida, não é verdade?** Então, vou te emprestar 1 milhão de dólares hoje e você aproveita, mas depois tem que passar o resto da vida pagando a dívida. O problema com isso, claro, é que existe juro e assim você nunca consegue realmente pagar a dívida, o que causa ansiedade. Assim, a ideia de dívida me permite extrair muito mais valor de você do que se você não estivesse endividado, OK? **Essa é a primeira ferramenta.** **Em segundo lugar, temos a ideia de desigualdade e pobreza,** onde uma determinada classe de pessoas é pobre e eles sempre serão pobres. E isso incentiva, encoraja a classe média a trabalhar ainda mais. Tudo bem? **O terceiro mecanismo de ansiedade é a destruição da riqueza.** O que é destruição de riqueza? Simples, guerra ou depressão, certo? Quando a economia entra em colapso, quando toda a sua riqueza desaparece. **A ideia aqui é a seguinte.** Olha, se os camponeses trabalham muito e armazenam muito grão, tem um enorme celeiro, eles nem precisam mais trabalhar. Certo? Então, como senhor de terras, o que você faz? Bem, você vai lá e queima o celeiro, certo? Então, a guerra não é só um mecanismo para expandir o capitalismo, mas também uma forma de deixar as pessoas mais ansiosas, porque você destruiu a riqueza delas e por isso elas têm que trabalhar muito mais, certo? **Então, de novo, naquela aula, talvez tenham te ensinado que o objetivo do capitalismo é acumular mais capital.** Não, não, não, gente. O objetivo do capitalismo é direcionar as energias dos camponeses, certo? Porque a tensão, o foco é o que faz a sociedade ser muito mais enérgica e esse é o objetivo final, certo? **Então, se a sociedade é rica, isso na verdade é uma coisa ruim, porque faz as pessoas ficarem preguiçosas e acomodadas.** E, portanto, a maneira de resolver esse problema está constantemente envolvida em guerras e também com ciclo de expansão e recessão que você pode aprender numa aula de economia, certo? **Então, um economista pode aprender que o ciclo de expansão e recessão é natural do capitalismo.** Não é natural do capitalismo, é artificial. Os poderosos destróem artificialmente as economias, destróem a riqueza para fazer os camponeses trabalharem muito mais. OK? **Então vocês estão acompanhando? OK.** **Essa é a estratégia que aprendemos estes últimos séculos.** E é por isso que na sociedade atual somos a sociedade mais rica da história da humanidade e ao mesmo tempo somos a mais miserável, a mais ansiosa e a mais endividada. Entendeu? **Porque a classe dos proprietários, o capitalista, a elite, o que eles descobriram foram três mecanismos para extrair o máximo de energia possível de nós.** **O primeiro** é nos dar a ilusão de que temos liberdade sobre nossas vidas, que temos liberdade de escolha, que com equidade na sociedade podemos botar em nossos líderes, quando na verdade tudo isso é só uma ilusão. **O segundo** é transformar o dinheiro em Deus, o fim, o tudo e o nada ao mesmo tempo. O próprio foco da sua vida. E como o dinheiro é algo tão abstrato, você pode passar a vida inteira tentando conquistar cada vez mais e ao mesmo tempo não conquistar nada, absolutamente nada. Entendeu? Então pense em alguém como Jack Ma, que tem mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar. E o que ele quer? Ele quer mais dinheiro, entendeu? **E o terceiro** é criar ansiedade na sociedade para que a existência das pessoas seja totalmente baseada no estresse. E como resultado, as pessoas estão muito mais focadas no trabalho e na criação de riqueza. E isso se faz por meio de um processo constante de destruição de riqueza. **Tudo bem? Mas o problema, claro, é que quando você pressiona as pessoas demais, quando fica tão óbvio que você tá explorando-as, elas eventualmente se revoltarão contra você.** **Então, a solução que descobrimos é que podemos nos mudar, OK?** A classe proprietária de imóveis pode de fato mudar-se para outro lugar. E então, quando a ansiedade se torna insuportável, o que acontece é que os camponeses acabam se destruindo entre si. E o proprietário se muda para outro lugar, para a capital. E eles só voltam quando a classe camponesa tiver completamente exaurida e disposta a reconstruir a sociedade, certo? **E esse processo é o que deveria reger. O mundo de hoje é o que chamamos de capital transnacional.** Em outras palavras, as pessoas ricas do mundo, na verdade não têm lealdade à nação, nem ao povo, nem ao lugar. Elas só têm lealdade ao seu capital e estão dispostas a se mudar para onde puderem, para onde for necessário, para manter seu capital seguro e fazê-lo crescer. E é por isso que muita gente hoje tá se mudando para Dubai, Hong Kong ou Singapura. Elas não se importam. Elas podem nem gostar tanto desses lugares, mas vão para onde precisarem ir, para pagar menos impostos, para evitar o conflito social criado por suas políticas, para encontrar melhores oportunidades de investimento. E é esse sistema que governa o mundo hoje. **Mas aí a pergunta é: OK, em termos concretos, o que realmente é o capital transnacional?** O que permite que o capital transnacional funcione, que consiga se mover de um lugar para outro. Porque lembre-se, quando você se muda de um lugar para outro, há muitos custos envolvidos. Por exemplo, você realmente não conhece ninguém lá, então como pode confiar nas pessoas, certo? **E uma solução com a qual lidamos ao longo dos séculos é a ideia das sociedades secretas.** E daí o que você vai aprender é que sociedades secretas e capital transnacional são essencialmente a mesma coisa. E essa é a força que governa o mundo hoje. **Muito bem. Agora que discutimos o capital transnacional, vamos analisar as sociedades secretas, sua origem e funcionamento.** Bem, as sociedades secretas existem porque a classe credora e a classe camponesa são fundamentalmente diferentes. Hum. As motivações, as crenças e a visão de mundo dessas duas classes devem ser diferentes. **Então, o que querem os camponeses?** Eles querem viver uma vida simples. Eles querem ganhar dinheiro. Eles querem formar uma família. Eles querem se divertir. Eles querem acreditar em Deus. Assim, pra classe camponesa temos a religião organizada, seja o islamismo ou o cristianismo. Cristandade. Jesus. Jesus diz para você ser uma boa pessoa. Confúcio diz para você ser bom, para ser uma boa pessoa. **Mas a classe *lender* [credora] é diferente.** Eles têm uma responsabilidade, têm a obrigação de controlar a classe camponesa e extrair o máximo de energia possível para manter a sua sociedade. Por isso, as práticas religiosas deles precisam ser muito diferentes. Então, enquanto os camponeses podem rezar para Deus, a classe *Lenard* [credora] deve fundamentalmente rezar para Satanás. **Agora vamos analisar porque a classe *Helena* [elite] precisa rezar para Satanás.** Isso é verdade para todas as sociedades ao longo da história humana. Antes a classe *Lenar* [credora] era escancarada quanto a isso, certo? Agora eles precisam ser mais hipócritas, mais secretos em relação a isso. Certo? **Então vamos olhar pra classe *Lemar* [elite].** Para ser da classe *Lenard* [elite], para ser da elite, você tem que fazer coisas terríveis. Mas na verdade isso é difícil, fazer coisas terríveis. **Muito bem. Deixa me dar um exemplo.** Digamos que eu diria para você, muito bem, vou te dar 10 milhões de dólares americanos. Dólares. O que você precisa fazer é o seguinte. O que você precisa fazer é pegar uma arma e ir tarde da noite e matar um estranho aleatório. Você pensa: "Nossa, que ótimo negócio! Se eu matar um estranho aleatório tarde da noite, ninguém vai saber que fui eu e eu saio com 10 milhões de dólares." E você pensa que consegue fazer isso. Mas adivinha só? Quando realmente te mandam fazer isso, você simplesmente não consegue, porque existem muitas, hum, restrições sobre o seu comportamento. **Então, pense em suicídio.** Se eu te desse 100 milhões de dólares e prometesse um caminho pro céu, você se mataria? Provavelmente não. Então o suicídio, tirar a própria vida de muitas formas não é diferente de matar outra pessoa. A gente não consegue fazer isso. **Mas na verdade existem jeitos de burlar isso.** Tem maneiras de fazer você matar alguém de um jeito que não te faça se sentir tão culpado por isso. **Então, para entender o porquê, vou te apresentar dois experimentos de ciências sociais que foram realizados nos Estados Unidos no final do século XX.** **O primeiro é algo chamado experimento de Milgram.** E esse experimento foi feito em Yale por um psicólogo chamado Stanley Milgram. E o experimento era muito simples. O que ele fazia era montar um ator, certo? Um ator, o que a gente chama de cúmplice. E a pessoa era conectada a uma cadeira elétrica, certo? E havia um botão, um botão que aumentava a voltagem dessa cadeira elétrica, certo? E tinha um máximo e o mínimo, certo? E de repente Milgram ficava ali no canto dele frio e ele convidava um participante, certo? que basicamente era um estudante para vir e ser um assistente, OK? E o trabalho do assistente era apertar o botão. **E Stanley Milgram queria saber, antes de tudo, se esse voluntário, esse assistente concordaria em dar um choque em outro ser humano, mesmo vendo a pessoa sentindo dor.** **E em segundo lugar, Stanley Milgram queria ver quanta dor o voluntário estava disposto a causar.** E acabou que com a ideia de autoridade, certo, as pessoas ficam muito mais dispostas a deixar de lado suas inibições, porque o que você faz é tirar a responsabilidade de si mesmo e passar para outra pessoa. *Eu não fiz, eu só obedeci ordens.* E surpreendentemente as pessoas estão dispostas a infligir muita dor a outras pessoas porque conseguem se eximir da responsabilidade por seus atos individuais. OK? M.

Seu estresse e "Por Que As Zebras Não Tem Ulceras?"

Em psicologia, especialmente nos estudos da psicologia evolutiva, existe a ideia de que o ser humano precisa de narrativas para sobreviver.


Não é “pode usar”, ou “tem a capacidade”... é PRECISA USAR!

Nosso cérebro, diferentemente do de muitos outros mamíferos, desenvolveu uma habilidade singular: antecipar a realidade.

Ele extrapola informações do presente para imaginar riscos e possibilidades, criando narrativas que não apenas acompanham a observação do mundo, mas chegam a ser percebidas como uma realidade própria.

Um exemplo simples ajuda a ilustrar a utilidade dessa capacidade. Imagine um humano primitivo diante de um conjunto de árvores cobertas por cipós. Ele não via apenas os cipós; via também a possibilidade de haver cobras entre eles, mesmo que nenhuma estivesse presente. Essa possibilidade era tão concreta que determinava seu comportamento: atravessava o espaço com extrema cautela ou até evitava o caminho. Assim, sobrevivia mais um dia.
Se não houvesse cobra alguma, sua imaginação não deixava de ser útil, pois o preparava para o risco. Mas se houvesse, essa antecipação poderia salvar sua vida. Já aqueles que não possuíam essa habilidade de projetar cenários além do que estava visível ficavam vulneráveis, pois só enxergavam o que estava diante de seus olhos. Sem prever o perigo, muitos não resistiam.

Essa condição evolutiva, que garantiu a sobrevivência da espécie, também deu origem à neurose. Em termos evolutivos, a neurose pode ser entendida como uma ferramenta de autopreservação, ajustada aos ambientes hostis da humanidade primitiva.

Dois psicólogos evolucionistas, Martie Haselton e David Buss, estudaram profundamente essa questão. Eles são conhecidos pela formulação da TEORIA DA GESTÃO DE ERROS, que propõe que mecanismos psicológicos foram moldados pela evolução para gerar vieses previsíveis quando os custos de erros são assimétricos. Em outras palavras, quando errar de um lado pode ser muito mais perigoso do que errar de outro, nossa mente tende a se inclinar para o erro “mais seguro”.

E isso é extremamente importante! 

Entenda, a capacidade humana de criar narrativas as quais acredite sem avaliar se são reais ou não… a capacidade de introjetar uma crença sobre a sua realidade não é apenas uma característica cultural ou um erro: é um traço evolutivo que moldou nossa sobrevivência e continua influenciando nossas emoções e decisões até hoje.

A crença, ou narrativa, não é um desvio da realidade, mas sim sua ferramenta mais poderosa, a capacidade humana de contar histórias para si mesma e imaginar cenários pode ser entendida como uma sofisticada simulação virtual.


Os primeiros indivíduos que puderam "rodar" esses possíveis futuros em suas mentes – perguntando "e se?" – ganharam uma vantagem decisiva. Eles testaram perigos, traçaram estratégias e exploraram consequências sem arriscar sua integridade física. Dessa forma, a narrativa transcende o mero entretenimento; ela é um mecanismo fundamental de antecipação e preparação, uma engrenagem cognitiva projetada para nos manter vivos em um mundo imprevisível.


Contudo, esse mesmo dom TEM UM CUSTO, que se manifesta no que chamamos de neurose.

Em termos evolucionários, a neurose pode ser compreendida como um descompasso entre nossa herança biológica e o ambiente moderno. Nossos cérebros foram forjados em um mundo de ameaças concretas e imediatas, onde o medo súbito de uma cobra escondida na vegetação era uma resposta adaptativa e vital.

Esse sistema de alarme antecipatório, que é hipereficiente, porém, não foi substituído. Hoje, ele dispara com a mesma intensidade diante de uma incerteza profissional, de uma interação social ambígua ou da ansiosa espera por uma resposta virtual. Operamos um software ancestral em um hardware contemporâneo.


Como o cérebro não consegue distinguir com precisão entre uma ameaça física e uma ameaça social ou psicológica, ele generaliza o alerta.

A neurose surge, então, como o estado constante de vigília por perigos que, frequentemente, não são reais no presente, mas residem nas narrativas que criamos para preencher as lacunas da realidade incerta.

A mesma máquina que nos permitiu sobreviver à savana, simulando os passos do predador, agora nos mantém em tensão, simulando as possíveis intenções do outro. Pagamos, assim, o preço da nossa própria genialidade adaptativa: a capacidade de imaginar o perigo tornou-se, ela mesma, uma fonte inesgotável de apreensão.


A capacidade de imaginar o invisível nos salvou da extinção, mas nos condenou à ansiedade.

Somos a única espécie que sofre por coisas que ainda não aconteceram — e que talvez nunca aconteçam — simplesmente porque nossos ancestrais que não sofriam assim acabaram virando lanche de predador.

O que nos leva ao livro “Why Zebras Don't Get Ulcers” (, de Robert Sapolsky, é referência fundamental para entender a fisiologia do estresse e seu impacto sobre a saúde. O autor utiliza uma comparação esclarecedora: a zebra e o ser humano.



Para a zebra, o estresse é agudo e passageiro. Quando perseguida por um leão, seu corpo ativa uma reação intensa de luta ou fuga. Essa crise dura minutos. Se sobrevive, ela retorna rapidamente à calma, sem permanecer em alerta. Seu corpo se recupera.


Os humanos possuem o mesmo mecanismo biológico. No entanto, ativamos essa resposta de forma crônica por causas psicológicas. Enquanto a zebra reage a uma ameaça real e presente, nós a ativamos pela antecipação mental. Ficamos ruminando sobre problemas passados ou futuros, mantendo o sistema de alerta constantemente ligado.



É essa duração prolongada que causa doenças. Durante o estresse, o corpo suprime funções não essenciais, como digestão e imunidade, para priorizar a fuga imediata. Na zebra, essa suspensão é breve. No ser humano, como o estado de alarme é quase permanente, esses sistemas ficam cronicamente debilitados.


O resultado são as chamadas doenças psicossomáticas: úlceras, hipertensão e transtornos imunológicos. O preço de nossa capacidade cognitiva — de simular cenários, lembrar do passado e antecipar o futuro — é justamente essa vulnerabilidade. Nossa inteligência nos permite criar narrativas complexas, mas também nos condena a sofrer por perigos que, muitas vezes, existem apenas em nossa mente.


CONVERSAS ANÔNIMAS! - Explicar a diferença entre depressão e ansiedade!



Considerando que estamos em ambiente informal e que aqui todos procuram resumir as informações com o foco mais no uso de frases de efeito, como dizer que "depressão é excesso de passado" ou que "ansiedade é excesso de futuro", na intenção de ajudar a facilitar o entendimento… E considerando que sou apenas um acadêmico quero colaborar em diminuir a chance de se passar impressões muito genéricas ou gerar interpretações muito equivocadas…

É comum ouvirmos que 'depressão é excesso de passado' e 'ansiedade é excesso de futuro'. Essas frases até ajudam a ilustrar para onde o foco da mente tende, mas não definem essas condições. Tratá-las apenas como 'jogos de palavras' ou estados de espírito banaliza um sofrimento real e complexo, que envolve biologia, genética e contexto de vida. Pior: pode afastar pessoas do tratamento que realmente importa.


A DEPRESSÃO clínica, ou Transtorno Depressivo Maior, funciona como um interruptor que diminui (⇩) a nossa energia e o nosso humor.

O núcleo aqui não é apenas a tristeza, mas sim a apatia e a falta de sentido. É aquele estado onde atividades que antes eram prazerosas perdem a cor (o que chamamos de anedonia).

O corpo sente o impacto: o sono desregula, o apetite muda e surge um cansaço que não passa com uma noite de descanso. A sensação predominante é a de que "não há forças para nada".

Já a ANSIEDADE PATOLÓGICA (como no Transtorno de Ansiedade Generalizada) é um sistema de alarme defeituoso, que dispara sem perigo real. É um medo antecipatório e constante de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento. A mente fica presa num ciclo de preocupações incontroláveis que saltam de um tema para outro. O corpo reage como se estivesse em perigo real: coração acelerado, respiração curta, músculos tensionados – uma preparação constante para uma luta ou fuga que nunca vem.


Diferente de um medo passageiro, a ansiedade patológica é aquela preocupação difícil de controlar que pula de um assunto para outro, deixando os nervos "à flor da pele".

Fisicamente, ela é muito barulhenta: o coração acelera, a respiração fica curta e os músculos vivem tensos, como se o corpo estivesse sempre pronto para fugir ou lutar.

Apesar de parecerem opostas — uma que paralisa e outra que acelera —, é muito comum que as duas caminhem juntas. Muitas pessoas sofrem do que chamamos de TRANSTORNO MISTO, onde o esgotamento da ansiedade acaba levando à depressão, ou vice-versa.

O ponto principal é entender que nenhuma das duas é "frescura" ou falta de vontade. São condições legítimas de saúde que impactam a rotina, o trabalho e as relações.

Para um diagnóstico real, o tempo e a intensidade contam muito. Enquanto a depressão é observada por períodos de pelo menos duas semanas, a ansiedade generalizada costuma ser avaliada em um horizonte de seis meses. Se você sente que "nada faz sentido" ou que "não consegue desligar a mente", O CAMINHO NÃO É TENTAR RESOLVER SOZINHO.

Buscar um psicólogo ou psiquiatra é a escolha mais inteligente. Com terapia e, se necessário, medicação, é possível retomar o controle e encontrar o equilíbrio.



 


O Trauma e a Construção da Identidade: Na Visão de Gabor Maté

O Trauma e a Construção da Identidade: Na Visão de Gabor Maté

Você já parou para se perguntar por que você é como é? Por que repete certos padrões nos relacionamentos, sente medos aparentemente sem explicação ou se sabota quando está prestes a alcançar algo importante? E se eu te dissesse que parte da sua personalidade pode não ser realmente sua? Pode soar estranho, mas essa é uma das ideias centrais do trabalho do médico húngaro-canadense Gabor Maté. Ele nos convida a encarar uma hipótese profunda: aquilo que chamamos de "nosso jeito de ser" pode, na verdade, ser uma adaptação inconsciente a experiências traumáticas da infância.

De acordo com Maté, o trauma não é apenas o que nos acontece, mas o que ocorre dentro de nós como resultado desses eventos. Não se trata apenas de situações extremas como abuso ou violência; muitas vezes, o trauma é sutil. Ele se instala nos silêncios, nas ausências e nas emoções reprimidas — na forma como fomos ensinados a esconder quem realmente somos para sermos aceitos, amados ou simplesmente tolerados. Desde cedo, aprendemos a nos moldar para sobreviver emocionalmente. Essa moldagem, embora essencial em dado momento, transforma-se em uma prisão com o passar do tempo.

Passamos a viver como se essas máscaras fossem nossa identidade verdadeira. É por isso que tantos adultos se sentem perdidos, desconectados de si mesmos e vivendo no piloto automático. A verdade é que a personalidade pode ser, em grande parte, o resultado de mecanismos de defesa criados para lidar com dores não resolvidas. Para iniciar um processo de cura e reconectar com nossa essência, precisamos redefinir o trauma: ele é uma ferida emocional que pode surgir de eventos comuns, como a sensação de não ser visto ou ouvido por pais emocionalmente indisponíveis.

Quando somos crianças, somos vulneráveis e dependentes de segurança e afeto. Na ausência desses elementos, desenvolvemos estratégias como o perfeccionismo, o distanciamento emocional ou a necessidade de controle. Com o tempo, essas respostas se consolidam como traços de personalidade. Assim, a criança que aprendeu a não incomodar torna-se o adulto com dificuldade de se impor. Esses padrões não são aleatórios; são adaptações que fizeram sentido no passado, mas que agora nos aprisionam em um ambiente que já não existe mais.


Gabor Maté propõe uma mudança de perspectiva poderosa: em vez de perguntar "o que há de errado com você?", devemos perguntar "o que aconteceu com você?". Essa visão substitui a culpa pela compreensão.
A cura não acontece apenas pelo entendimento intelectual, mas através do corpo e da presença. O trauma está inscrito no sistema nervoso e nos músculos, por isso práticas somáticas e espaços de vulnerabilidade são fundamentais. A cura é um processo de integração, não de "conserto".


O caminho de volta para si exige coragem para enfrentar o vazio e a dor que tentamos anestesiar com distrações ou produtividade. No entanto, o que resistimos, persiste. A liberdade começa quando olhamos para nossas feridas com compaixão. Ao resgatar nossa essência — aquilo que somos antes das máscaras e das adaptações — descobrimos que não estamos sozinhos. Essa jornada de despertar individual contribui para uma cura coletiva, permitindo que criemos relações mais conscientes e um mundo mais humano.

 

*ESTE TEXTO NÃO FOI ESCRITO POR GABOR MATÉ, mas inspirado no seu processo e teoria.

 

CONVERSAS ANÔNIMAS: Tudo o meu marido pesquisa na IA...

 




Cara Membro Anônima, notei que em nenhuma frase você usou interrogação... portanto não são perguntas, de fato.

São afirmativas de condições que você observa e vive.

Você percebeu o efeito que fez a ausência de um simples ponto de interrogação para os outros leitores? O modo que as outras pessoas (que realmente leram teu texto) reagiram ao teu texto?

Isso (o modo que escreve) revela tanto sobre o que alguém quer realmente dizer (ou sobre o seu inconsciente) quanto realmente o que precisa encarar (interpretações possíveis de cada leitor atento)!

Quando alguém chega com uma queixa, fazendo apenas “afirmações categóricas” (no seu caso você não fez pergunta alguma! Mas afirma (inconscientemente) que é uma pessoa que “Gostaria de um esclarecimento”!

Você não está em busca de uma aula teórica ou uma explicação.

Está, no fundo, sinalizando: "preciso ser ouvida, validada e compreendida nesta minha frustração".

Do meu olhar psicológico, esse tipo de relato é como um sinal de alerta! Quero desmontar essa situação não para dar conselhos rasos, mas para você entender as camadas que estão em jogo — seja para sua própria reflexão, seja para entender sua relação com seu marido!

No centro do SEU texto existe um choque sobre o que significa "saber" algo.

De um lado, temos quem acredita que conhecimento é construção — aquelas 7-8 horas diárias de estudo têm valor em si mesmas, são um ritual de dedicação e sacrifício.

Do outro, quem vê o conhecimento como um "produto final": o que importa é a resposta, a autoridade, o resultado.

Claramente a “IA” se torna uma "prótese cognitiva" instantânea.

MAS VOCÊS NÃO ESTÃO COMPETINDO!



Mas o seu incômodo profundo aí não é só sobre a "cola digital". É a sensação de que “seu” esforço metódico está sendo desvalorizado por alguém que monta um palco intelectual com alicerces de isopor.

Há, para você, uma injustiça cognitiva que dói. Quando seu marido fala "como se soubesse profundamente" algo que acabou de perguntar ao ChatGPT, estamos diante de um clássico mecanismo de defesa. A onipotência intelectual é uma armadura contra a vulnerabilidade. "Não saber" é angustiante para algumas pessoas, então elas constroem uma persona de mestre usando ferramentas que suprimem essa angústia.

O problema é que essa persona que ele usa exige plateia e admiração — e invalida, a seu ver, quem está construindo conhecimento tijolo por tijolo.

Paralelo a isso seu marido PARECE usar um “locus de controle externo”. Na sua frase "Tudo o que não dá certo pra ele, adora culpar coisas, pessoas e a mim" é a tradução perfeita disso!

Se nada é responsabilidade das escolhas dele, não há necessidade de introspecção, autoanálise ou paciência para processos.

O erro sempre mora fora.

E quando "você" é parte do "fora" "dele" mais próximo, vira bode expiatório.

Viu como não é uma competição sobre conhecimento ser valido ou não?!

O que parece uma briga sobre uso de tecnologia é, na verdade, um jogo de posições.

E isso é uma situação onde todos perdem… você e ele. Dividir entre polos é uma forma de sustentar a divisão... e não uma forma de solução qualquer...

Perseguidor x vítima… “Quem detém o "conhecimento" (mesmo que emprestado) x quem "se esforça". Quem culpa x quem carrega a culpa...

A IA é só a ferramenta nova numa dinâmica antiga: a fuga da introspecção e a busca por atalhos que mantêm o poder desequilibrado.

O seu texto fala para nós leitores avaliarmos a sua situação…

E você merece ser ouvida e entendida. Seu argumento é valido.
Dito isso, como você quer lidar com essa situação?

Como você não fez perguntas, depositou nos leitores um peso emocional, uma responsabilidade de concordar ou não com essa situação!

Meu papel não é dar respostas!

Mas posso devolver a sua percepção para que você mesma comece a conectar os pontos!

Você precisa ser a fonte para o seu insight.

Notei que você descreve com clareza um padrão que parece invalidar seu esforço pessoal. Como é para você ocupar esse lugar de quem “'estuda de verdade'” enquanto seu marido assume o papel de 'mestre' com respostas prontas?

Percebo um cansaço enorme descrito no seu curto texto em carregar a culpa imposta por ele… pelas coisas que dão errado para ele. Qual o peso real dessa dinâmica na sua saúde mental hoje?

Repito, essas perguntas não são sobre ele. Nem um julgamento. Estou perguntando sobre o que seu texto traz!

São sobre como essa experiência está te afetando nessa dinâmica.
Você fez um desabafo com material de autoanálise.

No fundo, o que seu texto diz é que você está precisando ouvir (sem que seja dito diretamente) é:

"Seu esforço tem valor. Sua frustração é legítima. E a forma como ele usa o conhecimento diz mais sobre as defesas dele do que sobre a sua competência."

E isso eu posso afirmar: Sim. O aprendizado lento é mais significativo que a resposta pronta que será esquecida ou nunca linkada a realidade de uma vida…

Bom, só me resta desejar que você: Fique bem!


CONVERSAS ANÔNIMAS: Alguém que desiste facilmente dos empregos ou da faculdade... O que pode ser isso?



Caro Autor Anônimo: Acredito que o ponto não seja a questão de "desistir" ou “persistir mais”, mas entender o que realmente faz sentido para você e, talvez, trabalhar a tolerância à frustração.

Entenda... todo ser humano é uma pessoa que viveu em uma soma de ambientes sociais e emocionais e que aprendeu a "reagir" a estes ambientes!!! A Psicoterapia pode te ajudar a explorar a memória destes ambientes e entender essas raízes que construíram as estratégias que tu usa hoje para lidar com a sua vida desde então!!! Percebe? A ansiedade, a falta de motivação ou o vazio existencial são formas de reagir a algum ambiente emocional que existiu na sua vida!

Não te conheço nem sei a sua historia... mas GENÉRICAMENTE pessoas que tendem a desistir rápido das coisas podem ter construído uma estratégia de "baixo investimento" por terem vivido em ambientes inseguros, incertos, e em lugares assim pode ter sido "adaptativo" não gastar energia em coisas que não trouxeram "retorno" a forças investidas...

Isso se conecta à ideia de impulsividade e de busca por recompensas rápidas, que em certos contextos psicológicos aumentava a "sobrevivência"... ou seja... crianças que não recebiam nenhum retorno de seus investimentos emocionais acabam se tornando adultos que evitam gastar temo e atenção a coisas que elas acreditam que não vão adiantar investir...

A questão é que essas pessoas não são mais crianças... elas podem MUDAR as receitas de enfrentamento de suas vidas aprendendo novas ferramentas emocionais e psicológicas... Se no passado tudo era inseguro... e justificava a falta de esforço, hoje, porém, esse padrão pode gerar instabilidade em carreiras e relacionamentos!

Às vezes, desistir pode ser um reflexo de ansiedade, falta de sentido ou busca por gratificação imediata, mas isso não define quem você é.

Uma maneira diferente de enfrentar esse padrão é aprender a valorizar "o processo"!


Em vez de se concentrar apenas no resultado final, estabeleça metas pequenas e observe cada pequena conquista ao longo do caminho.

Quando surgir a vontade de abandonar, pare para refletir sobre o que realmente está te incomodando — o ambiente, a tarefa ou a expectativa — e busque ajustar o que for possível, em vez de sair por completo.

Esse tipo de enfrentamento ajuda a desenvolver resiliência, fortalece a tolerância à frustração e abre espaço para que você encontre sentido nas experiências, mesmo quando não são perfeitas.

Mas se possível PROCURE AJUDA REAL de um terapeuta.

Fique bem!



Conversas Anônimas: é normal? Vontade de ir pro deserto e chora, acho que estou apaixonado em mim mesmo ou carente não sei. detalhe não é nada de depressão

normal? Vontade de ir pro deserto e chorar, acho que estou apaixonado em mim mesmo ou carente não sei. Detalhe não é nada de depressão!"



Bhá.... vou me permitir uns devaneios aqui...

Então, querido Autor Anônimo, vamos por partes....

O que você descreve — a vontade de ir ao deserto e chorar — é a sua metáfora pessoal do seu estado emocional interno! Por óbvio!

Lembrando que é o "SEU" deserto.... e o "seu espaço interno".

Para mim, um "deserto" vem com uma ideia de vastidão silenciosa e ausência de testemunhas, um espaço onde um sujeito pode se encontrar consigo mesmo sem interferências externas. É um cenário que reflete a busca por autenticidade e por um contato cru com a própria emoção.

Ao desejar esse ambiente isolado, você revela uma necessidade de neutralidade: um lugar que não julga, não responde, não consola. Esse silêncio externo permite que o som do próprio choro seja ouvido em sua forma mais pura. É como se o deserto fosse um espelho que devolve apenas o que você já carrega dentro de si, sem distorções.

Isso me faz pensar que você tem lidado com muitas opiniões diversas sobre a sua vida ou suas emoções...

E isso tem sido invasivo...

A forma que você descreve sobre estar "apaixonado por si mesmo" ou "carente" também tem subtexto...

Note que se apaixonar por si pode significar descobrir uma nova profundidade interna, um fascínio por camadas de si que antes estavam ocultas.

Ao mesmo tempo a "carência", nesse caso, não é dirigida ao outro ou aos outros, mas a uma parte "sua" mesmo que pede atenção, reconhecimento, compreensão e acolhimento!!!

Assim, o deserto torna-se palco de um ritual: você é ao mesmo tempo ator e espectador de sua própria dor e beleza.

Nisso faz sentido não se tratar de depressão!!!

É a descrição de um movimento ativo de desejo por auto-encontro!

Uma descrição de uma "crise" poética da alma no exercício do mais profundo existencialismo humanista... que busca purificação e clareza.

O calor árido e a austeridade de um deserto espelhariam a intensidade desse processo, exigindo resistência e coragem para atravessar o vazio e encontrar o essencial.

Do ponto de vista clínico, esse impulso pode ser visto como uma tentativa de elaborar emoções intensas em um espaço simbólico seguro. É um gesto de auto-encontro, onde o isolamento não é fuga, mas condição para que o diálogo interno aconteça.

Em síntese, sua paisagem interna encontra no deserto uma metáfora viva: um espaço de silêncio e vastidão que acolhe o drama pessoal sem julgamentos, permitindo que o choro se torne não apenas descarga, mas também revelação.

........

Isso quer dizer que você precisa ir par um deserto?

Não.

Mas que se um profissional de psicologia ou um amigo te for ouvir... esta pessoa deve se tornar esse deserto... testemunhando sem interferir na sua experiencia para que a sua descoberta e encontro sejam realmente sobre você e com você!

Oque você acha?


Carl Sagan: “Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos!"

 Em 1995, um ano antes de sua morte, Carl Sagan escreveu uma reflexão inquietante sobre o futuro da sociedade em seu livro: "O Mundo Assombrado pelos Demônios". 


É impressionante como essas palavras, escritas há trinta anos, ressoam com tanta força hoje em dia.

Sagan não estava fazendo uma profecia mística, mas sim um diagnóstico baseado na tendência social que ele observava na época.

No trecho ele descreve um cenário onde:

 * A base industrial e manufatureira encolhe, concentrando a riqueza e o poder em pouquíssimas mãos;

 * O conhecimento científico é esquecido, e as pessoas perdem a capacidade de questionar quem detém a autoridade ou o capital;

 * A "mistificação" e a superstição retornam, com as pessoas buscando conforto em horóscopos ou pseudociências por não conseguirem mais distinguir o que é verdade do que é fabricado;

 * O debate público se torna superficial, resumido a frases de efeito (click bites) e entretenimento de baixa qualidade.


Muitos leitores atuais sentem um "arrepio" ao ler esse capítulo porque ele parece descrever exatamente a era da desinformação e da polarização digital.


Sagan temia que, se a população perdesse a alfabetização científica e o pensamento crítico, ela se tornaria incapaz de governar a si mesma, ficando à mercê de demagogos.


-> "A queda na inteligência e no espírito crítico começará a ser sentida no momento em que as pessoas não conseguirem mais distinguir o que as faz sentir-se bem daquilo que é verdadeiro."


Embora Sagan falasse especificamente sobre os EUA, essa análise se aplica perfeitamente ao contexto global e brasileiro. Onde a educação falha e o ceticismo saudável morre, o "mundo assombrado pelos demônios" da ignorância ganha espaço.


"O Mundo Assombrado pelos Demônios".


“Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos: quando o país for uma economia de serviços e informação; quando quase todas as principais indústrias manufatureiras tiverem se mudado para outros países; quando um poder tecnológico assombroso estiver nas mãos de poucos e ninguém que represente o interesse público for capaz de compreender os problemas; quando as pessoas tiverem perdido a capacidade de definir suas próprias prioridades ou de questionar com conhecimento de causa as autoridades; quando, agarrados aos nossos cristais e consultando nervosamente nossos horóscopos, com nossas faculdades críticas em declínio, incapazes de distinguir entre o que nos faz sentir bem e o que é verdade, deslizaremos, quase sem perceber, de volta à superstição e à ignorância.


Essa banalização é mais evidente no lento declínio do conteúdo substancial nos meios de comunicação de grande influência: mensagens de 30 segundos, agora reduzidas a 10 ou menos; programação voltada para o público menos exigente; apresentações crédulas de pseudociência e superstição; mas, acima de tudo, uma espécie de celebração da ignorância.”




Embora o alerta mencione especificamente os Estados Unidos, não é segredo que essa previsão parece se aplicar ao mundo inteiro.

Como o Capitalismo MODELA seu psiquismo? ou: A Engenharia do Controle: Capital, Ansiedade e a Elite Transnacional

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