Seu estresse e "Por Que As Zebras Não Tem Ulceras?"

Em psicologia, especialmente nos estudos da psicologia evolutiva, existe a ideia de que o ser humano precisa de narrativas para sobreviver.


Não é “pode usar”, ou “tem a capacidade”... é PRECISA!

Nosso cérebro, diferentemente do de muitos outros mamíferos, desenvolveu uma habilidade singular: antecipar a realidade.

Ele extrapola informações do presente para imaginar riscos e possibilidades, criando narrativas que não apenas acompanham a observação do mundo, mas chegam a ser percebidas como uma realidade própria.

Um exemplo simples ajuda a ilustrar a utilidade dessa capacidade. Imagine um humano primitivo diante de um conjunto de árvores cobertas por cipós. Ele não via apenas os cipós; via também a possibilidade de haver cobras entre eles, mesmo que nenhuma estivesse presente. Essa possibilidade era tão concreta que determinava seu comportamento: atravessava o espaço com extrema cautela ou até evitava o caminho. Assim, sobrevivia mais um dia. Se não houvesse cobra alguma, sua imaginação não deixava de ser útil, pois o preparava para o risco. Mas se houvesse, essa antecipação poderia salvar sua vida. Já aqueles que não possuíam essa habilidade de projetar cenários além do que estava visível ficavam vulneráveis, pois só enxergavam o que estava diante de seus olhos. Sem prever o perigo, muitos não resistiam.

Essa condição evolutiva, que garantiu a sobrevivência da espécie, também deu origem à neurose. Em termos evolutivos, a neurose pode ser entendida como uma ferramenta de autopreservação, ajustada aos ambientes hostis da humanidade primitiva.

Dois psicólogos evolucionistas, Martie Haselton e David Buss, estudaram profundamente essa questão. Eles são conhecidos pela formulação da TEORIA DA GESTÃO DE ERROS, que propõe que mecanismos psicológicos foram moldados pela evolução para gerar vieses previsíveis quando os custos de erros são assimétricos. Em outras palavras, quando errar de um lado pode ser muito mais perigoso do que errar de outro, nossa mente tende a se inclinar para o erro “mais seguro”.

E isso é extremamente importante! 

Entenda, a capacidade humana de criar narrativas as quais acredite sem avaliar se são reais ou não… a capacidade de introjetar uma crença sobre a sua realidade não é apenas uma característica cultural ou um erro: é um traço evolutivo que moldou nossa sobrevivência e continua influenciando nossas emoções e decisões até hoje.

A crença, ou narrativa, não é um desvio da realidade, mas sim sua ferramenta mais poderosa, a capacidade humana de contar histórias para si mesma e imaginar cenários pode ser entendida como uma sofisticada simulação virtual.


Os primeiros indivíduos que puderam "rodar" esses possíveis futuros em suas mentes – perguntando "e se?" – ganharam uma vantagem decisiva. Eles testaram perigos, traçaram estratégias e exploraram consequências sem arriscar sua integridade física. Dessa forma, a narrativa transcende o mero entretenimento; ela é um mecanismo fundamental de antecipação e preparação, uma engrenagem cognitiva projetada para nos manter vivos em um mundo imprevisível.


Contudo, esse mesmo dom TEM UM CUSTO, que se manifesta no que chamamos de neurose.

Em termos evolucionários, a neurose pode ser compreendida como um descompasso entre nossa herança biológica e o ambiente moderno. Nossos cérebros foram forjados em um mundo de ameaças concretas e imediatas, onde o medo súbito de uma cobra escondida na vegetação era uma resposta adaptativa e vital.

Esse sistema de alarme antecipatório, que é hipereficiente, porém, não foi substituído. Hoje, ele dispara com a mesma intensidade diante de uma incerteza profissional, de uma interação social ambígua ou da ansiosa espera por uma resposta virtual. Operamos um software ancestral em um hardware contemporâneo.


Como o cérebro não consegue distinguir com precisão entre uma ameaça física e uma ameaça social ou psicológica, ele generaliza o alerta.

A neurose surge, então, como o estado constante de vigília por perigos que, frequentemente, não são reais no presente, mas residem nas narrativas que criamos para preencher as lacunas da realidade incerta.

A mesma máquina que nos permitiu sobreviver à savana, simulando os passos do predador, agora nos mantém em tensão, simulando as possíveis intenções do outro. Pagamos, assim, o preço da nossa própria genialidade adaptativa: a capacidade de imaginar o perigo tornou-se, ela mesma, uma fonte inesgotável de apreensão.


A capacidade de imaginar o invisível nos salvou da extinção, mas nos condenou à ansiedade.

Somos a única espécie que sofre por coisas que ainda não aconteceram — e que talvez nunca aconteçam — simplesmente porque nossos ancestrais que não sofriam assim acabaram virando lanche de predador.

O que nos leva ao livro “Why Zebras Don't Get Ulcers” (, de Robert Sapolsky, é referência fundamental para entender a fisiologia do estresse e seu impacto sobre a saúde. O autor utiliza uma comparação esclarecedora: a zebra e o ser humano.



Para a zebra, o estresse é agudo e passageiro. Quando perseguida por um leão, seu corpo ativa uma reação intensa de luta ou fuga. Essa crise dura minutos. Se sobrevive, ela retorna rapidamente à calma, sem permanecer em alerta. Seu corpo se recupera.


Os humanos possuem o mesmo mecanismo biológico. No entanto, ativamos essa resposta de forma crônica por causas psicológicas. Enquanto a zebra reage a uma ameaça real e presente, nós a ativamos pela antecipação mental. Ficamos ruminando sobre problemas passados ou futuros, mantendo o sistema de alerta constantemente ligado.



É essa duração prolongada que causa doenças. Durante o estresse, o corpo suprime funções não essenciais, como digestão e imunidade, para priorizar a fuga imediata. Na zebra, essa suspensão é breve. No ser humano, como o estado de alarme é quase permanente, esses sistemas ficam cronicamente debilitados.


O resultado são as chamadas doenças psicossomáticas: úlceras, hipertensão e transtornos imunológicos. O preço de nossa capacidade cognitiva — de simular cenários, lembrar do passado e antecipar o futuro — é justamente essa vulnerabilidade. Nossa inteligência nos permite criar narrativas complexas, mas também nos condena a sofrer por perigos que, muitas vezes, existem apenas em nossa mente.


CONVERSAS ANÔNIMAS! - Explicar a diferença entre depressão e ansiedade!



Considerando que estamos em ambiente informal e que aqui todos procuram resumir as informações com o foco mais no uso de frases de efeito, como dizer que "depressão é excesso de passado" ou que "ansiedade é excesso de futuro", na intenção de ajudar a facilitar o entendimento… E considerando que sou apenas um acadêmico quero colaborar em diminuir a chance de se passar impressões muito genéricas ou gerar interpretações muito equivocadas…

É comum ouvirmos que 'depressão é excesso de passado' e 'ansiedade é excesso de futuro'. Essas frases até ajudam a ilustrar para onde o foco da mente tende, mas não definem essas condições. Tratá-las apenas como 'jogos de palavras' ou estados de espírito banaliza um sofrimento real e complexo, que envolve biologia, genética e contexto de vida. Pior: pode afastar pessoas do tratamento que realmente importa.


A DEPRESSÃO clínica, ou Transtorno Depressivo Maior, funciona como um interruptor que diminui (⇩) a nossa energia e o nosso humor.

O núcleo aqui não é apenas a tristeza, mas sim a apatia e a falta de sentido. É aquele estado onde atividades que antes eram prazerosas perdem a cor (o que chamamos de anedonia).

O corpo sente o impacto: o sono desregula, o apetite muda e surge um cansaço que não passa com uma noite de descanso. A sensação predominante é a de que "não há forças para nada".

Já a ANSIEDADE PATOLÓGICA (como no Transtorno de Ansiedade Generalizada) é um sistema de alarme defeituoso, que dispara sem perigo real. É um medo antecipatório e constante de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento. A mente fica presa num ciclo de preocupações incontroláveis que saltam de um tema para outro. O corpo reage como se estivesse em perigo real: coração acelerado, respiração curta, músculos tensionados – uma preparação constante para uma luta ou fuga que nunca vem.


Diferente de um medo passageiro, a ansiedade patológica é aquela preocupação difícil de controlar que pula de um assunto para outro, deixando os nervos "à flor da pele".

Fisicamente, ela é muito barulhenta: o coração acelera, a respiração fica curta e os músculos vivem tensos, como se o corpo estivesse sempre pronto para fugir ou lutar.

Apesar de parecerem opostas — uma que paralisa e outra que acelera —, é muito comum que as duas caminhem juntas. Muitas pessoas sofrem do que chamamos de TRANSTORNO MISTO, onde o esgotamento da ansiedade acaba levando à depressão, ou vice-versa.

O ponto principal é entender que nenhuma das duas é "frescura" ou falta de vontade. São condições legítimas de saúde que impactam a rotina, o trabalho e as relações.

Para um diagnóstico real, o tempo e a intensidade contam muito. Enquanto a depressão é observada por períodos de pelo menos duas semanas, a ansiedade generalizada costuma ser avaliada em um horizonte de seis meses. Se você sente que "nada faz sentido" ou que "não consegue desligar a mente", O CAMINHO NÃO É TENTAR RESOLVER SOZINHO.

Buscar um psicólogo ou psiquiatra é a escolha mais inteligente. Com terapia e, se necessário, medicação, é possível retomar o controle e encontrar o equilíbrio.



 


O Trauma e a Construção da Identidade: Na Visão de Gabor Maté

O Trauma e a Construção da Identidade: Na Visão de Gabor Maté

Você já parou para se perguntar por que você é como é? Por que repete certos padrões nos relacionamentos, sente medos aparentemente sem explicação ou se sabota quando está prestes a alcançar algo importante? E se eu te dissesse que parte da sua personalidade pode não ser realmente sua? Pode soar estranho, mas essa é uma das ideias centrais do trabalho do médico húngaro-canadense Gabor Maté. Ele nos convida a encarar uma hipótese profunda: aquilo que chamamos de "nosso jeito de ser" pode, na verdade, ser uma adaptação inconsciente a experiências traumáticas da infância.

De acordo com Maté, o trauma não é apenas o que nos acontece, mas o que ocorre dentro de nós como resultado desses eventos. Não se trata apenas de situações extremas como abuso ou violência; muitas vezes, o trauma é sutil. Ele se instala nos silêncios, nas ausências e nas emoções reprimidas — na forma como fomos ensinados a esconder quem realmente somos para sermos aceitos, amados ou simplesmente tolerados. Desde cedo, aprendemos a nos moldar para sobreviver emocionalmente. Essa moldagem, embora essencial em dado momento, transforma-se em uma prisão com o passar do tempo.

Passamos a viver como se essas máscaras fossem nossa identidade verdadeira. É por isso que tantos adultos se sentem perdidos, desconectados de si mesmos e vivendo no piloto automático. A verdade é que a personalidade pode ser, em grande parte, o resultado de mecanismos de defesa criados para lidar com dores não resolvidas. Para iniciar um processo de cura e reconectar com nossa essência, precisamos redefinir o trauma: ele é uma ferida emocional que pode surgir de eventos comuns, como a sensação de não ser visto ou ouvido por pais emocionalmente indisponíveis.

Quando somos crianças, somos vulneráveis e dependentes de segurança e afeto. Na ausência desses elementos, desenvolvemos estratégias como o perfeccionismo, o distanciamento emocional ou a necessidade de controle. Com o tempo, essas respostas se consolidam como traços de personalidade. Assim, a criança que aprendeu a não incomodar torna-se o adulto com dificuldade de se impor. Esses padrões não são aleatórios; são adaptações que fizeram sentido no passado, mas que agora nos aprisionam em um ambiente que já não existe mais.


Gabor Maté propõe uma mudança de perspectiva poderosa: em vez de perguntar "o que há de errado com você?", devemos perguntar "o que aconteceu com você?". Essa visão substitui a culpa pela compreensão.
A cura não acontece apenas pelo entendimento intelectual, mas através do corpo e da presença. O trauma está inscrito no sistema nervoso e nos músculos, por isso práticas somáticas e espaços de vulnerabilidade são fundamentais. A cura é um processo de integração, não de "conserto".


O caminho de volta para si exige coragem para enfrentar o vazio e a dor que tentamos anestesiar com distrações ou produtividade. No entanto, o que resistimos, persiste. A liberdade começa quando olhamos para nossas feridas com compaixão. Ao resgatar nossa essência — aquilo que somos antes das máscaras e das adaptações — descobrimos que não estamos sozinhos. Essa jornada de despertar individual contribui para uma cura coletiva, permitindo que criemos relações mais conscientes e um mundo mais humano.

 

*ESTE TEXTO NÃO FOI ESCRITO POR GABOR MATÉ, mas inspirado no seu processo e teoria.

 

CONVERSAS ANÔNIMAS: Tudo o meu marido pesquisa na IA...

 




Cara Membro Anônima, notei que em nenhuma frase você usou interrogação... portanto não são perguntas, de fato.

São afirmativas de condições que você observa e vive.

Você percebeu o efeito que fez a ausência de um simples ponto de interrogação para os outros leitores? O modo que as outras pessoas (que realmente leram teu texto) reagiram ao teu texto?

Isso (o modo que escreve) revela tanto sobre o que alguém quer realmente dizer (ou sobre o seu inconsciente) quanto realmente o que precisa encarar (interpretações possíveis de cada leitor atento)!

Quando alguém chega com uma queixa, fazendo apenas “afirmações categóricas” (no seu caso você não fez pergunta alguma! Mas afirma (inconscientemente) que é uma pessoa que “Gostaria de um esclarecimento”!

Você não está em busca de uma aula teórica ou uma explicação.

Está, no fundo, sinalizando: "preciso ser ouvida, validada e compreendida nesta minha frustração".

Do meu olhar psicológico, esse tipo de relato é como um sinal de alerta! Quero desmontar essa situação não para dar conselhos rasos, mas para você entender as camadas que estão em jogo — seja para sua própria reflexão, seja para entender sua relação com seu marido!

No centro do SEU texto existe um choque sobre o que significa "saber" algo.

De um lado, temos quem acredita que conhecimento é construção — aquelas 7-8 horas diárias de estudo têm valor em si mesmas, são um ritual de dedicação e sacrifício.

Do outro, quem vê o conhecimento como um "produto final": o que importa é a resposta, a autoridade, o resultado.

Claramente a “IA” se torna uma "prótese cognitiva" instantânea.

MAS VOCÊS NÃO ESTÃO COMPETINDO!



Mas o seu incômodo profundo aí não é só sobre a "cola digital". É a sensação de que “seu” esforço metódico está sendo desvalorizado por alguém que monta um palco intelectual com alicerces de isopor.

Há, para você, uma injustiça cognitiva que dói. Quando seu marido fala "como se soubesse profundamente" algo que acabou de perguntar ao ChatGPT, estamos diante de um clássico mecanismo de defesa. A onipotência intelectual é uma armadura contra a vulnerabilidade. "Não saber" é angustiante para algumas pessoas, então elas constroem uma persona de mestre usando ferramentas que suprimem essa angústia.

O problema é que essa persona que ele usa exige plateia e admiração — e invalida, a seu ver, quem está construindo conhecimento tijolo por tijolo.

Paralelo a isso seu marido PARECE usar um “locus de controle externo”. Na sua frase "Tudo o que não dá certo pra ele, adora culpar coisas, pessoas e a mim" é a tradução perfeita disso!

Se nada é responsabilidade das escolhas dele, não há necessidade de introspecção, autoanálise ou paciência para processos.

O erro sempre mora fora.

E quando "você" é parte do "fora" "dele" mais próximo, vira bode expiatório.

Viu como não é uma competição sobre conhecimento ser valido ou não?!

O que parece uma briga sobre uso de tecnologia é, na verdade, um jogo de posições.

E isso é uma situação onde todos perdem… você e ele. Dividir entre polos é uma forma de sustentar a divisão... e não uma forma de solução qualquer...

Perseguidor x vítima… “Quem detém o "conhecimento" (mesmo que emprestado) x quem "se esforça". Quem culpa x quem carrega a culpa...

A IA é só a ferramenta nova numa dinâmica antiga: a fuga da introspecção e a busca por atalhos que mantêm o poder desequilibrado.

O seu texto fala para nós leitores avaliarmos a sua situação…

E você merece ser ouvida e entendida. Seu argumento é valido.
Dito isso, como você quer lidar com essa situação?

Como você não fez perguntas, depositou nos leitores um peso emocional, uma responsabilidade de concordar ou não com essa situação!

Meu papel não é dar respostas!

Mas posso devolver a sua percepção para que você mesma comece a conectar os pontos!

Você precisa ser a fonte para o seu insight.

Notei que você descreve com clareza um padrão que parece invalidar seu esforço pessoal. Como é para você ocupar esse lugar de quem “'estuda de verdade'” enquanto seu marido assume o papel de 'mestre' com respostas prontas?

Percebo um cansaço enorme descrito no seu curto texto em carregar a culpa imposta por ele… pelas coisas que dão errado para ele. Qual o peso real dessa dinâmica na sua saúde mental hoje?

Repito, essas perguntas não são sobre ele. Nem um julgamento. Estou perguntando sobre o que seu texto traz!

São sobre como essa experiência está te afetando nessa dinâmica.
Você fez um desabafo com material de autoanálise.

No fundo, o que seu texto diz é que você está precisando ouvir (sem que seja dito diretamente) é:

"Seu esforço tem valor. Sua frustração é legítima. E a forma como ele usa o conhecimento diz mais sobre as defesas dele do que sobre a sua competência."

E isso eu posso afirmar: Sim. O aprendizado lento é mais significativo que a resposta pronta que será esquecida ou nunca linkada a realidade de uma vida…

Bom, só me resta desejar que você: Fique bem!


CONVERSAS ANÔNIMAS: Alguém que desiste facilmente dos empregos ou da faculdade... O que pode ser isso?



Caro Autor Anônimo: Acredito que o ponto não seja a questão de "desistir" ou “persistir mais”, mas entender o que realmente faz sentido para você e, talvez, trabalhar a tolerância à frustração.

Entenda... todo ser humano é uma pessoa que viveu em uma soma de ambientes sociais e emocionais e que aprendeu a "reagir" a estes ambientes!!! A Psicoterapia pode te ajudar a explorar a memória destes ambientes e entender essas raízes que construíram as estratégias que tu usa hoje para lidar com a sua vida desde então!!! Percebe? A ansiedade, a falta de motivação ou o vazio existencial são formas de reagir a algum ambiente emocional que existiu na sua vida!

Não te conheço nem sei a sua historia... mas GENÉRICAMENTE pessoas que tendem a desistir rápido das coisas podem ter construído uma estratégia de "baixo investimento" por terem vivido em ambientes inseguros, incertos, e em lugares assim pode ter sido "adaptativo" não gastar energia em coisas que não trouxeram "retorno" a forças investidas...

Isso se conecta à ideia de impulsividade e de busca por recompensas rápidas, que em certos contextos psicológicos aumentava a "sobrevivência"... ou seja... crianças que não recebiam nenhum retorno de seus investimentos emocionais acabam se tornando adultos que evitam gastar temo e atenção a coisas que elas acreditam que não vão adiantar investir...

A questão é que essas pessoas não são mais crianças... elas podem MUDAR as receitas de enfrentamento de suas vidas aprendendo novas ferramentas emocionais e psicológicas... Se no passado tudo era inseguro... e justificava a falta de esforço, hoje, porém, esse padrão pode gerar instabilidade em carreiras e relacionamentos!

Às vezes, desistir pode ser um reflexo de ansiedade, falta de sentido ou busca por gratificação imediata, mas isso não define quem você é.

Uma maneira diferente de enfrentar esse padrão é aprender a valorizar "o processo"!


Em vez de se concentrar apenas no resultado final, estabeleça metas pequenas e observe cada pequena conquista ao longo do caminho.

Quando surgir a vontade de abandonar, pare para refletir sobre o que realmente está te incomodando — o ambiente, a tarefa ou a expectativa — e busque ajustar o que for possível, em vez de sair por completo.

Esse tipo de enfrentamento ajuda a desenvolver resiliência, fortalece a tolerância à frustração e abre espaço para que você encontre sentido nas experiências, mesmo quando não são perfeitas.

Mas se possível PROCURE AJUDA REAL de um terapeuta.

Fique bem!



Conversas Anônimas: é normal? Vontade de ir pro deserto e chora, acho que estou apaixonado em mim mesmo ou carente não sei. detalhe não é nada de depressão

normal? Vontade de ir pro deserto e chorar, acho que estou apaixonado em mim mesmo ou carente não sei. Detalhe não é nada de depressão!"



Bhá.... vou me permitir uns devaneios aqui...

Então, querido Autor Anônimo, vamos por partes....

O que você descreve — a vontade de ir ao deserto e chorar — é a sua metáfora pessoal do seu estado emocional interno! Por óbvio!

Lembrando que é o "SEU" deserto.... e o "seu espaço interno".

Para mim, um "deserto" vem com uma ideia de vastidão silenciosa e ausência de testemunhas, um espaço onde um sujeito pode se encontrar consigo mesmo sem interferências externas. É um cenário que reflete a busca por autenticidade e por um contato cru com a própria emoção.

Ao desejar esse ambiente isolado, você revela uma necessidade de neutralidade: um lugar que não julga, não responde, não consola. Esse silêncio externo permite que o som do próprio choro seja ouvido em sua forma mais pura. É como se o deserto fosse um espelho que devolve apenas o que você já carrega dentro de si, sem distorções.

Isso me faz pensar que você tem lidado com muitas opiniões diversas sobre a sua vida ou suas emoções...

E isso tem sido invasivo...

A forma que você descreve sobre estar "apaixonado por si mesmo" ou "carente" também tem subtexto...

Note que se apaixonar por si pode significar descobrir uma nova profundidade interna, um fascínio por camadas de si que antes estavam ocultas.

Ao mesmo tempo a "carência", nesse caso, não é dirigida ao outro ou aos outros, mas a uma parte "sua" mesmo que pede atenção, reconhecimento, compreensão e acolhimento!!!

Assim, o deserto torna-se palco de um ritual: você é ao mesmo tempo ator e espectador de sua própria dor e beleza.

Nisso faz sentido não se tratar de depressão!!!

É a descrição de um movimento ativo de desejo por auto-encontro!

Uma descrição de uma "crise" poética da alma no exercício do mais profundo existencialismo humanista... que busca purificação e clareza.

O calor árido e a austeridade de um deserto espelhariam a intensidade desse processo, exigindo resistência e coragem para atravessar o vazio e encontrar o essencial.

Do ponto de vista clínico, esse impulso pode ser visto como uma tentativa de elaborar emoções intensas em um espaço simbólico seguro. É um gesto de auto-encontro, onde o isolamento não é fuga, mas condição para que o diálogo interno aconteça.

Em síntese, sua paisagem interna encontra no deserto uma metáfora viva: um espaço de silêncio e vastidão que acolhe o drama pessoal sem julgamentos, permitindo que o choro se torne não apenas descarga, mas também revelação.

........

Isso quer dizer que você precisa ir par um deserto?

Não.

Mas que se um profissional de psicologia ou um amigo te for ouvir... esta pessoa deve se tornar esse deserto... testemunhando sem interferir na sua experiencia para que a sua descoberta e encontro sejam realmente sobre você e com você!

Oque você acha?


Carl Sagan: “Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos!"

 Em 1995, um ano antes de sua morte, Carl Sagan escreveu uma reflexão inquietante sobre o futuro da sociedade em seu livro: "O Mundo Assombrado pelos Demônios". 


É impressionante como essas palavras, escritas há trinta anos, ressoam com tanta força hoje em dia.

Sagan não estava fazendo uma profecia mística, mas sim um diagnóstico baseado na tendência social que ele observava na época.

No trecho ele descreve um cenário onde:

 * A base industrial e manufatureira encolhe, concentrando a riqueza e o poder em pouquíssimas mãos;

 * O conhecimento científico é esquecido, e as pessoas perdem a capacidade de questionar quem detém a autoridade ou o capital;

 * A "mistificação" e a superstição retornam, com as pessoas buscando conforto em horóscopos ou pseudociências por não conseguirem mais distinguir o que é verdade do que é fabricado;

 * O debate público se torna superficial, resumido a frases de efeito (click bites) e entretenimento de baixa qualidade.


Muitos leitores atuais sentem um "arrepio" ao ler esse capítulo porque ele parece descrever exatamente a era da desinformação e da polarização digital.


Sagan temia que, se a população perdesse a alfabetização científica e o pensamento crítico, ela se tornaria incapaz de governar a si mesma, ficando à mercê de demagogos.


-> "A queda na inteligência e no espírito crítico começará a ser sentida no momento em que as pessoas não conseguirem mais distinguir o que as faz sentir-se bem daquilo que é verdadeiro."


Embora Sagan falasse especificamente sobre os EUA, essa análise se aplica perfeitamente ao contexto global e brasileiro. Onde a educação falha e o ceticismo saudável morre, o "mundo assombrado pelos demônios" da ignorância ganha espaço.


"O Mundo Assombrado pelos Demônios".


“Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos: quando o país for uma economia de serviços e informação; quando quase todas as principais indústrias manufatureiras tiverem se mudado para outros países; quando um poder tecnológico assombroso estiver nas mãos de poucos e ninguém que represente o interesse público for capaz de compreender os problemas; quando as pessoas tiverem perdido a capacidade de definir suas próprias prioridades ou de questionar com conhecimento de causa as autoridades; quando, agarrados aos nossos cristais e consultando nervosamente nossos horóscopos, com nossas faculdades críticas em declínio, incapazes de distinguir entre o que nos faz sentir bem e o que é verdade, deslizaremos, quase sem perceber, de volta à superstição e à ignorância.


Essa banalização é mais evidente no lento declínio do conteúdo substancial nos meios de comunicação de grande influência: mensagens de 30 segundos, agora reduzidas a 10 ou menos; programação voltada para o público menos exigente; apresentações crédulas de pseudociência e superstição; mas, acima de tudo, uma espécie de celebração da ignorância.”




Embora o alerta mencione especificamente os Estados Unidos, não é segredo que essa previsão parece se aplicar ao mundo inteiro.

Ciclos Repetitivos de Sofrimento.

Você já teve a sensação de que está vivendo o mesmo dia, com os mesmos problemas e os mesmos dramas, apenas com personagens diferentes? Como se a vida fosse um disco riscado? Na psicologia, chamamos isso de: "Ciclos Repetitivos de Sofrimento".

Pois então… acredite, isso não é falta de sorte; é o seu cérebro tentando ser um herói, mas usando um manual de instruções desatualizado. Imagine uma criança crescendo em um ambiente onde as coisas são confusas, onde falta carinho ou onde a crítica é constante. Ela não nasce com um "manual de instruções" sobre como enfrentar a vida. Então, o que o cérebro dela faz?


Ele cria ferramentas de sobrevivência!

Digamos que fosse um ambiente conflituoso, inadequado ou insuficiente…

- Se nesse ambiente, para ser notada essa criança precisou gritar ou chorar muito, ela desenvolve a ferramenta da “hiperexpressão”.

- De outra forma, se para não ser machucada ela precisou se calar, não chamar a atenção, para não ser agredida, ela cria ferramentas de “escudo” e de “isolamento”.

Então, essas ferramentas não são defeitos!

Foram as soluções mais geniais que aquela criança encontrou para sobreviver àquele caos em que se viu presa! O problema é que, em geral, a criança cresce, mas continua carregando a mesma caixa de ferramentas pesada para todos os lugares!

Com o tempo, acontece algo perigoso: uma forma de CICATRIZAÇÃO acontece... a cristalização. A ferramenta deixa de ser algo que você usa e passa a ser algo que você "é".

Você para de dizer "estou desconfiado neste momento" e começa a dizer "eu sou uma pessoa desconfiada". A dor vira seu RG. O sofrimento deixa de ser um alerta de que algo vai mal e passa a ser o seu estado natural. É como se você se sentisse estranho se as coisas estivessem indo bem, porque a sua identidade foi construída em cima da luta e da ferida.


Sabe aquele momento em que uma pequena crítica no trabalho ou um vácuo no WhatsApp te faz sentir um desespero profundo? Isso é um gatilho.


O gatilho não é um exagero; é um ponto de acesso. Naquele segundo, você não está reagindo ao presente. Você viajou no tempo. Sua mente acessou o abandono ou a humilhação lá da infância e ativou o "programa de sobrevivência" automático. Você reencena o passado esperando que, desta vez, o final seja diferente. Mas, usando as mesmas ferramentas velhas, o resultado costuma ser a mesma solidão de sempre.


A boa notícia é que você não precisa "apagar" o seu passado, mas pode mudar a sua relação com as ferramentas que criou.

  • Olhe para suas ferramentas como peças de museu: Entenda que aquela desconfiança ou aquela autocrítica foram úteis no "deserto" da sua infância. Mas hoje, talvez você esteja em uma "floresta" e precise de outras habilidades.

  • Pratique a desfusão: Assim como o artista é diferente de sua arte você não é igual a seus pensamentos... eles são partes suas... não o contrario! Você não é o seu pensamento. Em vez de "eu sou insuficiente", tente "estou tendo o pensamento de que não sou bom o suficiente". Isso cria um espaço para respirar.

  • Seja um adulto para a sua criança: Abrace essa parte sua que sofreu. Em vez de se culpar por ser "intenso" ou "fechado", agradeça a essa parte por ter te mantido vivo até aqui. Agora, como adulto, você pode assumir o controle.

A cura não é sobre esquecer que você foi ferido. É sobre perceber que você pode carregar sua história de vida sem deixar que ela seja a única coisa que te define.

O grande salto acontece quando você deixa de ser o prisioneiro que reage aos mesmos dramas e se torna o narrador da sua jornada. Você pode reconhecer a dor, mas também pode abrir espaço para a alegria, para novos experimentos e para vínculos saudáveis.

O seu passado é um capítulo, mas a caneta para escrever o resto do livro sempre esteve ao alcance das suas mãos.

Viver ciclos repetitivos, sofrer tristezas recorrentes na vida, não é uma sina, mas sim um sinal – um sinal de que partes suas ainda clamam por serem ouvidas e cuidadas da maneira correta.

Romper esses padrões não exige que você despreze quem você foi, mas que honre a coragem daquela criança que sobreviveu, enquanto assume, com compaixão, o leme do adulto que você se tornou. A transformação acontece quando trocamos o medo de abandonar nossa identidade de sofrimento pela coragem de descobrir quem podemos ser além dela. Você não precisa apagar o disco riscado; pode aprender a tocar uma música nova com os mesmos instrumentos, ou até mesmo compor uma sinfonia inteiramente própria. A jornada da cura é a passagem de vítima das circunstâncias para autor da própria história – uma história onde a dor tem seu lugar, mas não mais o papel principal.



Seu estresse e "Por Que As Zebras Não Tem Ulceras?"

Em psicologia, especialmente nos estudos da psicologia evolutiva, existe a ideia de que o ser humano precisa de narrativas para sobreviver. ...