Você é uma "Wendy" ??? Ou: Quando cuidar do outro significa esquecer de si mesma!

Você já se pegou organizando a agenda do seu parceiro, lembrando-o de compromissos ou resolvendo problemas que eram exclusivamente dele?

Já teve aquela sensação de que, se você não fizer, ninguém fará, e tudo vai desmoronar?

Se você se identifica com isso, talvez esteja vivendo o Dilema de Wendy.

Calma... deixa eu explicar:
O Dilema de Wendy, ou "Síndrome de Wendy", é um jargão psicológico que descreve mais um padrão de comportamento ou um perfil de personalidade do que um diagnóstico ou alguma doença propriamente dita.

O termo está frequentemente associado ao “Complexo de Peter Pan”, onde o homem é aquele que “se recusa” a crescer e assumir responsabilidades, Wendy representa a pessoa (geralmente a parceira, mãe ou amiga) que viabiliza esse comportamento.


A pessoa que vive o Dilema de Wendy sente uma necessidade imperativa, algo como uma obrigação “natural” de cuidar, proteger e decidir pelo outro. Ela acredita que, sem o seu sacrifício e vigilância constante, as pessoas ao seu redor (especialmente o parceiro) fracassariam.


O termo foi cunhado por Dan Kiley no livro “The Wendy Dilemma” onde ele descreve um padrão relacional em que a mulher assume excessivamente o papel de cuidadora, responsável e emocionalmente sustentadora do parceiro, muitas vezes imaturo ou dependente — dinâmica inspirada na personagem Wendy da obra Peter Pan, de J. M. Barrie.

Ele criou o conceito a partir de observações clínicas que foram desenvolvidas no início da década de 1980 na sua prática clínica com terapia de casais e da ampliação destas ideias em estudos sobre imaturidade emocional masculina, sendo a obra publicada oficialmente em 1984.

Nesse padrão, a pessoa aprende desde a tenra idade que seu valor está em cuidar, agradar e sustentar os outros, mesmo às custas das próprias necessidades emocionais. De outra forma ela não será digna de amor ou carinho dos outros… Assim, ela tende a se envolver com parceiros mais dependentes ou imaturos, reforçando um modo de funcionamento em que assume responsabilidade excessiva pela relação, evita conflitos e mantém a dinâmica por medo de rejeição, culpa ou abandono.

Nesse padrão, a mulher coloca de forma recorrente as necessidades do outro acima das próprias, assumindo responsabilidades emocionais, práticas e até financeiras que não seriam exclusivamente suas. Com o tempo, essa postura pode levar à anulação da própria identidade, pois sua autoestima passa a depender do quanto ela consegue sustentar o parceiro.

Isso leva a outro traço central desse padrão, que é o medo da rejeição ou do abandono. A motivação profunda do comportamento cuidador não é apenas amor, mas a crença de que, se deixar de ser indispensável, perderá o vínculo. Assim, manter-se necessária torna-se uma estratégia inconsciente de segurança emocional, ainda que isso custe sua liberdade e espontaneidade dentro da relação.

Há também um sentimento constante de culpa e responsabilidade excessiva. A mulher nesse papel tende a sentir-se responsável pelos erros, fracassos e frustrações do parceiro, mesmo quando eles são consequência direta das escolhas dele. Essa internalização da culpa reforça o ciclo, pois ela acredita que precisa fazer mais, corrigir mais e tolerar mais para que tudo funcione.

Fecha um ciclo disfuncional complementar. Enquanto Wendy assume decisões, organização e estabilidade, o “Peter Pan” sente-se autorizado a permanecer imaturo e irresponsável, já que existe uma rede de segurança garantida. Quando ela se cansa e reclama, encontra dificuldade em abrir mão do controle, pois é justamente esse controle que sustenta sua sensação de utilidade e valor.

A longo prazo, essa estrutura gera exaustão emocional, ressentimento e possível depressão. A saída envolve reconhecer o padrão, estabelecer limites claros e compreender que amar não significa viver pelo outro. Relações saudáveis não se organizam na lógica de “cuidador e paciente”, mas na parceria entre dois adultos capazes de assumir responsabilidades por si mesmos.

Para ajudar a superer a sua posição de Wendy a mulher precisa entender os contextos que fundamentaram sua posição diante da vida e dos parceiros! Entender que quando criança aprendeu que o amor é condicionado ao desempenho, à maturidade precoce ou da capacidade de cuidar emocionalmente do próprio cuidador. (Esse processo é conhecido como parentificação?)

Assim, o comportamento da “Wendy” na vida adulta não seria uma escolha consciente de submissão, mas uma adaptação antiga que garantiu vínculo e sobrevivência emocional. O problema é que aquilo que foi funcional na infância torna-se disfuncional na vida adulta, especialmente em relações afetivas entre iguais.


Reconhecer-se no Dilema de Wendy não é um diagnóstico, mas pode ser um ponto de partida.


O primeiro passo para entender que o cuidado excessivo com os outros, muitas vezes, é uma armadura que construímos na infância para nos sentirmos amadas e seguras. O problema é que essa armadura, que antes nos protegia, hoje pode nos aprisionar em relações desgastantes, nos afastando de quem realmente somos.


A boa notícia é que esses padrões não são definitivos ou imutáveis!

Podem ser transformados ao longo de um processo de autoconhecimento e facilitado com a ajuda capacitada!

Através da psicoterapia, é possível resgatar sua própria história, compreender as origens dessas necessidades de cuidar em detrimento de si mesma e, gradualmente, construir uma nova forma de se relacionar.

O objetivo não é parar de cuidar, mas sim aprender a cuidar sem se anular, estabelecendo limites saudáveis e construindo relações baseadas na parceria e no respeito mútuo, e não na dependência. É uma jornada de volta para si mesma.


O que o “Dilema de Wendy” nos mostra é que um padrão relacional onde o amor se confunde com sacrifício e a autoestima é terceirizada para o outro, a mulher, muitas vezes, carrega uma crença profunda de que só será amada se for desta maneira... quando esta maneira de viver não é exatamente amor… Nenhum amor de verdade existe onde se precisa da anulação de si mesma! Isso, na verdade, é uma prisão disfarçada.


Sair dessa posição exige coragem para olhar para dentro e questionar as raízes destas velhas crenças. A psicoterapia oferece o espaço acolhedor e profissional para essa reconstrução. É um processo de aprender a validar as próprias necessidades, a dizer "não" sem culpa e a confiar que você é digna de amor simplesmente por existir, e não pelo que faz pelos outros. O caminho é deixar de ser a Wendy que sustenta o mundo do outro para, finalmente, construir o seu próprio.



"Marque aquela amiga que precisa ler isso hoje! 💖"


"Salve este post para ler com calma e refletir depois."



CONVERSAS ANÔNIMAS: Sir Erik e O cavaleiro preso na armadura!

Sir Erik e O cavaleiro preso na armadura

Alguém escreveu um texto e achou por bem apagá-lo... mas sua escrita me comoveu!

Me vi estimulado a escrever sobre seu testemunho...

Lhe dizer que muitas vezes, o que SENTIMOS como "VERDADE" é apenas o nosso cérebro celebrando a AUSÊNCIA DE CONFLITO INTERNO.

A congruência ou consonância cognitiva é um estado de “equilíbrio” que acontece quando “seus pensamentos”, “suas crenças” e “seus comportamentos” estão alinhados!

E isso passa uma sensação gostosa de:  "Esta tudo bem!!!"

Digamos que SE EU ACREDITO que "pessoas ricas são gananciosas", e eu encontrar um rico mesquinho pelo caminho ou na mídia... isso gera essa sensação de “congruência”. E eu me sinto bem e em equilíbrio… mesmo que minha generalização esteja tecnicamente errada, afinal EXISTE a possibilidade de que alguns ricos não sejam gananciosos! Mas, dane-se. O que vale é essa sensação de que "Isso faz sentido"!

Então, Pense em Sir Erik,

Toda vez que encontra pessoas que ele define como sendo "rasas", no seu caminho isso confirma o seu “esquema” de crenças... E, apesar de qualquer desconforto que isso seja, ainda assim estes encontros endossam suas crenças e faz você se sentir seguro e com algum "conforto" de “estar certo” sobre o mundo ser um lugar ruim, mesmo que isso o condene à solidão.


É uma congruência que mantém uma rotina emocional viva.

Sua postagem não era sobre uma verdade social, mas a apresentação da sua Verdade Subjetiva.

Para ele, hoje esta é a única realidade possível porque seu ego organizou a narrativa de sua vida de forma a não deixar frestas para a dúvida.

SINAL DE QUE: a dúvida lhe gera angústia!

E a sua "certeza" (mesmo que amarga, mesmo que artificial) gera estabilidade psíquica!

ISTO É seu SINTOMA!

Quando alguém descreve um mundo dividido entre sua própria perspectiva e a suposta superficialidade alheia, esta construindo para si uma narrativa onde ocupa o lugar de quem vê com clareza aquilo que os outros não conseguem perceber.

Há nesse enredo uma coerência interna que parece inabalável!

Mas ela é uma NECESSIDADE e não uma verdade.

A recusa de se expor aquilo que ele classifica como trocas vazias é ANTES DE TUDO a NEGAÇÃO DA ALTERIDADE.

A alteridade é o reconhecimento de que o "Outro" é um ser distinto, com desejos, subjetividades e vontades que fogem ao nosso controle E COM DIREITO DE SER ASSIM! No seu texto Sir Erik substitui o "Outro real" por uma caricatura projetiva.

Então, o que se apresenta como sendo sua “escolha deliberada”, na verdade, é uma armadura, uma proteção cuidadosamente elaborada contra aquilo que mais se teme: investir em algo que não se pode controlar.

Não dá pra negar que, psicologicamente, essa arquitetura de isolamento revela uma forma sofisticada de lidar com a vulnerabilidade.

Ao longo de sua história, a crença de que não será compreendido ou acolhido em suas necessidades mais genuínas foi ganhando força baseado nas experiências mais antigas, provavelmente na infância ainda.

Essa convicção foi transformada em uma espécie de escudo ético: não é que ele não possa encontrar quem corresponda à sua profundidade, é que os outros é que não estão à altura.

O que antes poderia ter sido experiência de frustração converteu-se em critério TÃO EXIGENTE QUE PRATICAMENTE GARANTE A SOLIDÃO, agora vivida não como perda, mas como integridade mantida.

A imersão em jornadas exaustivas de trabalho, por exemplo, oferece uma justificativa socialmente inquestionável para a indisponibilidade afetiva.

Não se trata de fingimento, mas de um arranjo psíquico onde a produtividade contínua substitui a necessidade de se expor à imprevisibilidade do outro.

Da mesma forma, a análise meticulosa das intenções alheias opera como um sistema de vigilância que antecipa qualquer possibilidade de decepção: se é possível identificar precocemente o interesse interesseiro ou a abordagem superficial, torna-se desnecessário arriscar-se verdadeiramente.

Na clínica tropeçamos em narrativas onde a sustentação da autonomia é levada à condição de autossuficiência total que costuma esconder o temor de precisar de alguém e não ter correspondência.

Quando alguém afirma que não procura ninguém, é possível escutar também O CANSAÇO DE TER PROCURADO muito E NÃO ENCONTRADO, ou mesmo a antecipação defensiva de uma nova frustração.

A valorização daqueles que seriam seus valores nobres — lealdade, presença, fidelidade — é genuína, mas a forma como são rigidamente posicionados como condição inegociável para qualquer aproximação sugere menos uma exigência legítima do que um teste no qual o outro já está fadado a falhar.

Eu realmente sinto muito por toda essa tristeza e isolamento que não é nomeada...

Ser obrigado a transformar a “ausência de conexões significativas” em uma espécie de “paz conquistada”, quando claramente parece se tratar de uma resignação disfarçada de escolha... deve ser exaustivo!

Não há demérito algum em desejar relações que fujam ao superficial, nem em estabelecer padrões elevados de convivência. O sofrimento silencioso reside em ter criado um sistema tão eficaz para evitar a decepção que também impede a chegada daquilo que se deseja.

A questão que fica, e que talvez valha a pena ser acolhida, não é se você deve abandonar seus valores ou sua busca por profundidade, mas se a maneira como tem se protegido ainda permite que algo de fato chegue até você??

Aceitar a alteridade significa aceitar que o outro pode nos decepcionar, nos ferir ou nos pedir algo que não queremos dar. Ao encerrar conversas abruptamente e se isolar, ele nega a "falta" no outro e em si mesmo.

A maturidade psíquica acontece quando nos permitimos sustentar a alegria, reconhecendo nossas próprias faltas e abraçando as imperfeições nossas e a dos outros, como o único lugar onde o amor real pode florescer!


O que me leva a jornada do protagonista de O Cavaleiro Preso na Armadura, de Robert Fisher.

Assim como o cavaleiro que, convencido de sua bondade e nobreza, permanece aprisionado em uma armadura que um dia deveria apenas protegê-lo, mas que com o tempo o isola completamente do mundo e de si mesmo, o sujeito descrito no texto ergue uma sofisticada fortificação de certezas e julgamentos que, sob o disfarce de integridade e autossuficiência, o condena à solidão.

A "congruência cognitiva" que celebra a ausência de conflito, ecoa a recusa do cavaleiro em retirar a armadura: ambos os personagens transformam o medo da vulnerabilidade em uma suposta virtude, confundindo proteção com identidade.

É somente quando o cavaleiro aceita percorrer o caminho do autoconhecimento, reconhecendo suas próprias faltas e a necessidade do outro, que ele começa, literalmente, a despir a sua couraça. Da mesma forma, a maturidade psíquica apontada no texto exige exatamente isso: abandonar a segurança fria da armadura conceitual para se arriscar no território incerto, porém vivo, da alteridade, onde o amor e a conexão real só podem florescer a partir da imperfeição compartilhada.



Há 217 anos nascia Charles Darwin!

 Há 217 anos nascia Charles Darwin.


De aluno de medicina em Edimburgo e depois da formação para se tornar pastor da Igreja Anglicana, mas se voltando e dedicando à ciências se tornando um pioneiro da biologia e da psicologia evolucionista, ele mudou para sempre a forma como olhamos para o espelho e para o mundo.

Um dos pensadores mais corajosos da história, cuja capacidade de observação e a curiosidade insaciável transformaram nossa compreensão sobre o lugar que ocupamos na natureza.

Sua contribuição à humanidade é imensurável, pois ele não apenas apontou o mecanismo da vida através da seleção natural, mas também lançou as bases para a psicologia verdadeiramente científica.

Pouca gente sabe, mas Charles Darwin, em 1872, publicou 'A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais', uma obra pioneira que trouxe as “emoções” para o campo da ciência. Ele demonstrou que, por exemplo, nosso “sorriso” ou como expressamos nosso medo não são apenas frutos da cultura, mas tem como base biologia pura e herança evolutiva. B.F. Skinner e Charles Darwin é profunda e estrutural. Skinner não apenas admirava Darwin, mas construiu a Análise do Comportamento como uma extensão direta da lógica seletiva da biologia para o campo das ações humanas. Skinner frequentemente afirmava que a Análise do Comportamento era, essencialmente, um ramo da biologia.

"A seleção natural é para a filogênese o que o reforçamento é para a ontogênese." — B.F. Skinner

Hoje, depois de 217 anos de seu nascimento, celebramos o Darwin que também foi, na essência, um dos primeiros grandes pesquisadores em psicologia da história!

Darwin nos reconectou profundamente a todos os seres vivos, ensinando-nos que a mente humana, em toda a sua complexidade, é um fruto brilhante de um processo que ainda não terminou!


Como o Capitalismo MODELA seu psiquismo? ou: A Engenharia do Controle: Capital, Ansiedade e a Elite Transnacional

Fazendo upload: 89377 de 89377 bytes. A Engenharia do Controle: Capital, Ansiedade e a Elite Transnacional
Transcrição da aula, Jiang Xueqin discute como as elites utilizam mecanismos psicológicos e econômicos para extrair energia da população, transformando a ansiedade em uma ferramenta de controle.


A evolução histórica do capital revela uma transição deliberada da substância física para a abstração absoluta, visando não apenas o acúmulo de riqueza, mas o direcionamento da energia humana. Originalmente, o capital manifestava-se em bens tangíveis, como o grão. Contudo, o grão possuía um limite de utilidade: uma vez satisfeitas as necessidades de subsistência, o trabalhador tendia ao lazer. A introdução do ouro trouxe a ganância, mas sua finitude geográfica impedia que a totalidade da massa produtiva dedicasse a vida à sua busca. A grande inovação da modernidade foi a ascensão do dinheiro como uma entidade abstrata e onipresente — o "Deus" contemporâneo —, permitindo que indivíduos dediquem existências inteiras à busca de algo que é, simultaneamente, tudo e nada.
Para maximizar a extração de valor dessa força de trabalho, o sistema utiliza a ansiedade como ferramenta de controle primária. Isso se concretiza através de três mecanismos fundamentais.
  • O primeiro é a institucionalização da dívida, que cria um estado de servidão perpétua; ao contrair um empréstimo com juros, o indivíduo é impelido a trabalhar indefinidamente para quitar um passivo que raramente desaparece, gerando um estresse crônico.
  • O segundo mecanismo é a manutenção da desigualdade e da pobreza, que servem como um alerta constante para a classe média, incentivando-a a produzir mais pelo medo da decadência social.
  • Por fim, utiliza-se a destruição da riqueza, seja por meio de guerras ou crises econômicas artificiais. Ao destruir o excedente acumulado pelos "camponeses" modernos, a elite garante que a sociedade nunca se torne autossuficiente ou ociosa, forçando-a a reiniciar o ciclo produtivo sob pressão máxima.
Diferente da visão clássica que prega o acúmulo estático, o objetivo central deste capitalismo é o movimento e o foco da energia social. Quando a pressão interna de uma nação torna-se insustentável, surge a figura do capital transnacional. A elite proprietária, sem lealdade a fronteiras ou povos, desloca-se para centros financeiros globais, aguardando que o conflito social exaura as bases trabalhadoras para, então, retornar e coordenar a reconstrução. Esse capital move-se com agilidade por redes de confiança fechadas, que operam de forma distinta da moralidade das massas.
Enquanto a classe trabalhadora é regida por religiões e sistemas éticos que pregam a bondade e a convivência harmônica, a classe dirigente opera sob uma lógica de controle que frequentemente exige atos que desafiam as inibições humanas comuns. O fenômeno da obediência cega, ilustrado pelo Experimento de Milgram na Universidade de Yale, demonstra como indivíduos podem cometer atos cruéis quando a responsabilidade é transferida para uma autoridade superior. No contexto do poder global, essa despersonalização da culpa permite que a elite execute estratégias predatórias, justificando o sacrifício do bem-estar coletivo em prol da manutenção de um sistema de energia e produtividade incessantes.

......................................................................................................................................... Eis a transcrição desta aula:
**Então, a abstração do capital, vamos usar um exemplo, beleza?** O grão era inicialmente capital, só que o problema do grão é que você só precisa de uma certa quantidade. Então, como camponês, você só quer trabalhar o suficiente para cultivar grãos para alimentar sua família e talvez um pouco mais para guardar. Mas na maior parte do tempo você só quer aproveitar a vida. **Mas depois passamos pro ouro, certo?** E o ouro, sim, as pessoas estão mais gananciosas, mas o problema com o ouro é que ele existe em quantidade finita. Tudo bem, é difícil de localizar. Assim, apenas uma minoria dedicaria toda a sua energia tentando encontrar ouro. **E agora o que fizemos foi passar para a ideia de dinheiro.** Como demonstrarei, a grande inovação dos últimos 100 anos foi convencer as pessoas de que o dinheiro é Deus. O dinheiro é, ao mesmo tempo, nada e tudo. Assim, você pode dedicar a vida inteira a ganhar dinheiro, ok? **Essa é, portanto, a segunda grande inovação e a terceira grande técnica que mudou a economia.** É preciso entender que se você realmente quer que as pessoas concentrem suas energias, precisa criar ansiedade nelas, ok? Ansiedade. **E como se cria ansiedade? Bem, a melhor maneira de fazer isso, na verdade é criar ideia de dívida, não é verdade?** Então, vou te emprestar 1 milhão de dólares hoje e você aproveita, mas depois tem que passar o resto da vida pagando a dívida. O problema com isso, claro, é que existe juro e assim você nunca consegue realmente pagar a dívida, o que causa ansiedade. Assim, a ideia de dívida me permite extrair muito mais valor de você do que se você não estivesse endividado, OK? **Essa é a primeira ferramenta.** **Em segundo lugar, temos a ideia de desigualdade e pobreza,** onde uma determinada classe de pessoas é pobre e eles sempre serão pobres. E isso incentiva, encoraja a classe média a trabalhar ainda mais. Tudo bem? **O terceiro mecanismo de ansiedade é a destruição da riqueza.** O que é destruição de riqueza? Simples, guerra ou depressão, certo? Quando a economia entra em colapso, quando toda a sua riqueza desaparece. **A ideia aqui é a seguinte.** Olha, se os camponeses trabalham muito e armazenam muito grão, tem um enorme celeiro, eles nem precisam mais trabalhar. Certo? Então, como senhor de terras, o que você faz? Bem, você vai lá e queima o celeiro, certo? Então, a guerra não é só um mecanismo para expandir o capitalismo, mas também uma forma de deixar as pessoas mais ansiosas, porque você destruiu a riqueza delas e por isso elas têm que trabalhar muito mais, certo? **Então, de novo, naquela aula, talvez tenham te ensinado que o objetivo do capitalismo é acumular mais capital.** Não, não, não, gente. O objetivo do capitalismo é direcionar as energias dos camponeses, certo? Porque a tensão, o foco é o que faz a sociedade ser muito mais enérgica e esse é o objetivo final, certo? **Então, se a sociedade é rica, isso na verdade é uma coisa ruim, porque faz as pessoas ficarem preguiçosas e acomodadas.** E, portanto, a maneira de resolver esse problema está constantemente envolvida em guerras e também com ciclo de expansão e recessão que você pode aprender numa aula de economia, certo? **Então, um economista pode aprender que o ciclo de expansão e recessão é natural do capitalismo.** Não é natural do capitalismo, é artificial. Os poderosos destróem artificialmente as economias, destróem a riqueza para fazer os camponeses trabalharem muito mais. OK? **Então vocês estão acompanhando? OK.** **Essa é a estratégia que aprendemos estes últimos séculos.** E é por isso que na sociedade atual somos a sociedade mais rica da história da humanidade e ao mesmo tempo somos a mais miserável, a mais ansiosa e a mais endividada. Entendeu? **Porque a classe dos proprietários, o capitalista, a elite, o que eles descobriram foram três mecanismos para extrair o máximo de energia possível de nós.** **O primeiro** é nos dar a ilusão de que temos liberdade sobre nossas vidas, que temos liberdade de escolha, que com equidade na sociedade podemos botar em nossos líderes, quando na verdade tudo isso é só uma ilusão. **O segundo** é transformar o dinheiro em Deus, o fim, o tudo e o nada ao mesmo tempo. O próprio foco da sua vida. E como o dinheiro é algo tão abstrato, você pode passar a vida inteira tentando conquistar cada vez mais e ao mesmo tempo não conquistar nada, absolutamente nada. Entendeu? Então pense em alguém como Jack Ma, que tem mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar. E o que ele quer? Ele quer mais dinheiro, entendeu? **E o terceiro** é criar ansiedade na sociedade para que a existência das pessoas seja totalmente baseada no estresse. E como resultado, as pessoas estão muito mais focadas no trabalho e na criação de riqueza. E isso se faz por meio de um processo constante de destruição de riqueza. **Tudo bem? Mas o problema, claro, é que quando você pressiona as pessoas demais, quando fica tão óbvio que você tá explorando-as, elas eventualmente se revoltarão contra você.** **Então, a solução que descobrimos é que podemos nos mudar, OK?** A classe proprietária de imóveis pode de fato mudar-se para outro lugar. E então, quando a ansiedade se torna insuportável, o que acontece é que os camponeses acabam se destruindo entre si. E o proprietário se muda para outro lugar, para a capital. E eles só voltam quando a classe camponesa tiver completamente exaurida e disposta a reconstruir a sociedade, certo? **E esse processo é o que deveria reger. O mundo de hoje é o que chamamos de capital transnacional.** Em outras palavras, as pessoas ricas do mundo, na verdade não têm lealdade à nação, nem ao povo, nem ao lugar. Elas só têm lealdade ao seu capital e estão dispostas a se mudar para onde puderem, para onde for necessário, para manter seu capital seguro e fazê-lo crescer. E é por isso que muita gente hoje tá se mudando para Dubai, Hong Kong ou Singapura. Elas não se importam. Elas podem nem gostar tanto desses lugares, mas vão para onde precisarem ir, para pagar menos impostos, para evitar o conflito social criado por suas políticas, para encontrar melhores oportunidades de investimento. E é esse sistema que governa o mundo hoje. **Mas aí a pergunta é: OK, em termos concretos, o que realmente é o capital transnacional?** O que permite que o capital transnacional funcione, que consiga se mover de um lugar para outro. Porque lembre-se, quando você se muda de um lugar para outro, há muitos custos envolvidos. Por exemplo, você realmente não conhece ninguém lá, então como pode confiar nas pessoas, certo? **E uma solução com a qual lidamos ao longo dos séculos é a ideia das sociedades secretas.** E daí o que você vai aprender é que sociedades secretas e capital transnacional são essencialmente a mesma coisa. E essa é a força que governa o mundo hoje. **Muito bem. Agora que discutimos o capital transnacional, vamos analisar as sociedades secretas, sua origem e funcionamento.** Bem, as sociedades secretas existem porque a classe credora e a classe camponesa são fundamentalmente diferentes. Hum. As motivações, as crenças e a visão de mundo dessas duas classes devem ser diferentes. **Então, o que querem os camponeses?** Eles querem viver uma vida simples. Eles querem ganhar dinheiro. Eles querem formar uma família. Eles querem se divertir. Eles querem acreditar em Deus. Assim, pra classe camponesa temos a religião organizada, seja o islamismo ou o cristianismo. Cristandade. Jesus. Jesus diz para você ser uma boa pessoa. Confúcio diz para você ser bom, para ser uma boa pessoa. **Mas a classe *lender* [credora] é diferente.** Eles têm uma responsabilidade, têm a obrigação de controlar a classe camponesa e extrair o máximo de energia possível para manter a sua sociedade. Por isso, as práticas religiosas deles precisam ser muito diferentes. Então, enquanto os camponeses podem rezar para Deus, a classe *Lenard* [credora] deve fundamentalmente rezar para Satanás. **Agora vamos analisar porque a classe *Helena* [elite] precisa rezar para Satanás.** Isso é verdade para todas as sociedades ao longo da história humana. Antes a classe *Lenar* [credora] era escancarada quanto a isso, certo? Agora eles precisam ser mais hipócritas, mais secretos em relação a isso. Certo? **Então vamos olhar pra classe *Lemar* [elite].** Para ser da classe *Lenard* [elite], para ser da elite, você tem que fazer coisas terríveis. Mas na verdade isso é difícil, fazer coisas terríveis. **Muito bem. Deixa me dar um exemplo.** Digamos que eu diria para você, muito bem, vou te dar 10 milhões de dólares americanos. Dólares. O que você precisa fazer é o seguinte. O que você precisa fazer é pegar uma arma e ir tarde da noite e matar um estranho aleatório. Você pensa: "Nossa, que ótimo negócio! Se eu matar um estranho aleatório tarde da noite, ninguém vai saber que fui eu e eu saio com 10 milhões de dólares." E você pensa que consegue fazer isso. Mas adivinha só? Quando realmente te mandam fazer isso, você simplesmente não consegue, porque existem muitas, hum, restrições sobre o seu comportamento. **Então, pense em suicídio.** Se eu te desse 100 milhões de dólares e prometesse um caminho pro céu, você se mataria? Provavelmente não. Então o suicídio, tirar a própria vida de muitas formas não é diferente de matar outra pessoa. A gente não consegue fazer isso. **Mas na verdade existem jeitos de burlar isso.** Tem maneiras de fazer você matar alguém de um jeito que não te faça se sentir tão culpado por isso. **Então, para entender o porquê, vou te apresentar dois experimentos de ciências sociais que foram realizados nos Estados Unidos no final do século XX.** **O primeiro é algo chamado experimento de Milgram.** E esse experimento foi feito em Yale por um psicólogo chamado Stanley Milgram. E o experimento era muito simples. O que ele fazia era montar um ator, certo? Um ator, o que a gente chama de cúmplice. E a pessoa era conectada a uma cadeira elétrica, certo? E havia um botão, um botão que aumentava a voltagem dessa cadeira elétrica, certo? E tinha um máximo e o mínimo, certo? E de repente Milgram ficava ali no canto dele frio e ele convidava um participante, certo? que basicamente era um estudante para vir e ser um assistente, OK? E o trabalho do assistente era apertar o botão. **E Stanley Milgram queria saber, antes de tudo, se esse voluntário, esse assistente concordaria em dar um choque em outro ser humano, mesmo vendo a pessoa sentindo dor.** **E em segundo lugar, Stanley Milgram queria ver quanta dor o voluntário estava disposto a causar.** E acabou que com a ideia de autoridade, certo, as pessoas ficam muito mais dispostas a deixar de lado suas inibições, porque o que você faz é tirar a responsabilidade de si mesmo e passar para outra pessoa. *Eu não fiz, eu só obedeci ordens.* E surpreendentemente as pessoas estão dispostas a infligir muita dor a outras pessoas porque conseguem se eximir da responsabilidade por seus atos individuais. OK? M.

Seu estresse e "Por Que As Zebras Não Tem Ulceras?"

Em psicologia, especialmente nos estudos da psicologia evolutiva, existe a ideia de que o ser humano precisa de narrativas para sobreviver.


Não é “pode usar”, ou “tem a capacidade”... é PRECISA USAR!

Nosso cérebro, diferentemente do de muitos outros mamíferos, desenvolveu uma habilidade singular: antecipar a realidade.

Ele extrapola informações do presente para imaginar riscos e possibilidades, criando narrativas que não apenas acompanham a observação do mundo, mas chegam a ser percebidas como uma realidade própria.

Um exemplo simples ajuda a ilustrar a utilidade dessa capacidade. Imagine um humano primitivo diante de um conjunto de árvores cobertas por cipós. Ele não via apenas os cipós; via também a possibilidade de haver cobras entre eles, mesmo que nenhuma estivesse presente. Essa possibilidade era tão concreta que determinava seu comportamento: atravessava o espaço com extrema cautela ou até evitava o caminho. Assim, sobrevivia mais um dia.
Se não houvesse cobra alguma, sua imaginação não deixava de ser útil, pois o preparava para o risco. Mas se houvesse, essa antecipação poderia salvar sua vida. Já aqueles que não possuíam essa habilidade de projetar cenários além do que estava visível ficavam vulneráveis, pois só enxergavam o que estava diante de seus olhos. Sem prever o perigo, muitos não resistiam.

Essa condição evolutiva, que garantiu a sobrevivência da espécie, também deu origem à neurose. Em termos evolutivos, a neurose pode ser entendida como uma ferramenta de autopreservação, ajustada aos ambientes hostis da humanidade primitiva.

Dois psicólogos evolucionistas, Martie Haselton e David Buss, estudaram profundamente essa questão. Eles são conhecidos pela formulação da TEORIA DA GESTÃO DE ERROS, que propõe que mecanismos psicológicos foram moldados pela evolução para gerar vieses previsíveis quando os custos de erros são assimétricos. Em outras palavras, quando errar de um lado pode ser muito mais perigoso do que errar de outro, nossa mente tende a se inclinar para o erro “mais seguro”.

E isso é extremamente importante! 

Entenda, a capacidade humana de criar narrativas as quais acredite sem avaliar se são reais ou não… a capacidade de introjetar uma crença sobre a sua realidade não é apenas uma característica cultural ou um erro: é um traço evolutivo que moldou nossa sobrevivência e continua influenciando nossas emoções e decisões até hoje.

A crença, ou narrativa, não é um desvio da realidade, mas sim sua ferramenta mais poderosa, a capacidade humana de contar histórias para si mesma e imaginar cenários pode ser entendida como uma sofisticada simulação virtual.


Os primeiros indivíduos que puderam "rodar" esses possíveis futuros em suas mentes – perguntando "e se?" – ganharam uma vantagem decisiva. Eles testaram perigos, traçaram estratégias e exploraram consequências sem arriscar sua integridade física. Dessa forma, a narrativa transcende o mero entretenimento; ela é um mecanismo fundamental de antecipação e preparação, uma engrenagem cognitiva projetada para nos manter vivos em um mundo imprevisível.


Contudo, esse mesmo dom TEM UM CUSTO, que se manifesta no que chamamos de neurose.

Em termos evolucionários, a neurose pode ser compreendida como um descompasso entre nossa herança biológica e o ambiente moderno. Nossos cérebros foram forjados em um mundo de ameaças concretas e imediatas, onde o medo súbito de uma cobra escondida na vegetação era uma resposta adaptativa e vital.

Esse sistema de alarme antecipatório, que é hipereficiente, porém, não foi substituído. Hoje, ele dispara com a mesma intensidade diante de uma incerteza profissional, de uma interação social ambígua ou da ansiosa espera por uma resposta virtual. Operamos um software ancestral em um hardware contemporâneo.


Como o cérebro não consegue distinguir com precisão entre uma ameaça física e uma ameaça social ou psicológica, ele generaliza o alerta.

A neurose surge, então, como o estado constante de vigília por perigos que, frequentemente, não são reais no presente, mas residem nas narrativas que criamos para preencher as lacunas da realidade incerta.

A mesma máquina que nos permitiu sobreviver à savana, simulando os passos do predador, agora nos mantém em tensão, simulando as possíveis intenções do outro. Pagamos, assim, o preço da nossa própria genialidade adaptativa: a capacidade de imaginar o perigo tornou-se, ela mesma, uma fonte inesgotável de apreensão.


A capacidade de imaginar o invisível nos salvou da extinção, mas nos condenou à ansiedade.

Somos a única espécie que sofre por coisas que ainda não aconteceram — e que talvez nunca aconteçam — simplesmente porque nossos ancestrais que não sofriam assim acabaram virando lanche de predador.

O que nos leva ao livro “Why Zebras Don't Get Ulcers” (, de Robert Sapolsky, é referência fundamental para entender a fisiologia do estresse e seu impacto sobre a saúde. O autor utiliza uma comparação esclarecedora: a zebra e o ser humano.



Para a zebra, o estresse é agudo e passageiro. Quando perseguida por um leão, seu corpo ativa uma reação intensa de luta ou fuga. Essa crise dura minutos. Se sobrevive, ela retorna rapidamente à calma, sem permanecer em alerta. Seu corpo se recupera.


Os humanos possuem o mesmo mecanismo biológico. No entanto, ativamos essa resposta de forma crônica por causas psicológicas. Enquanto a zebra reage a uma ameaça real e presente, nós a ativamos pela antecipação mental. Ficamos ruminando sobre problemas passados ou futuros, mantendo o sistema de alerta constantemente ligado.



É essa duração prolongada que causa doenças. Durante o estresse, o corpo suprime funções não essenciais, como digestão e imunidade, para priorizar a fuga imediata. Na zebra, essa suspensão é breve. No ser humano, como o estado de alarme é quase permanente, esses sistemas ficam cronicamente debilitados.


O resultado são as chamadas doenças psicossomáticas: úlceras, hipertensão e transtornos imunológicos. O preço de nossa capacidade cognitiva — de simular cenários, lembrar do passado e antecipar o futuro — é justamente essa vulnerabilidade. Nossa inteligência nos permite criar narrativas complexas, mas também nos condena a sofrer por perigos que, muitas vezes, existem apenas em nossa mente.


Você é uma "Wendy" ??? Ou: Quando cuidar do outro significa esquecer de si mesma!

Você já se pegou organizando a agenda do seu parceiro, lembrando-o de compromissos ou resolvendo problemas que eram exclusivamente dele? Já ...