Como o Capitalismo MODELA seu psiquismo? ou: A Engenharia do Controle: Capital, Ansiedade e a Elite Transnacional

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Transcrição da aula, Jiang Xueqin discute como as elites utilizam mecanismos psicológicos e econômicos para extrair energia da população, transformando a ansiedade em uma ferramenta de controle.


A evolução histórica do capital revela uma transição deliberada da substância física para a abstração absoluta, visando não apenas o acúmulo de riqueza, mas o direcionamento da energia humana. Originalmente, o capital manifestava-se em bens tangíveis, como o grão. Contudo, o grão possuía um limite de utilidade: uma vez satisfeitas as necessidades de subsistência, o trabalhador tendia ao lazer. A introdução do ouro trouxe a ganância, mas sua finitude geográfica impedia que a totalidade da massa produtiva dedicasse a vida à sua busca. A grande inovação da modernidade foi a ascensão do dinheiro como uma entidade abstrata e onipresente — o "Deus" contemporâneo —, permitindo que indivíduos dediquem existências inteiras à busca de algo que é, simultaneamente, tudo e nada.
Para maximizar a extração de valor dessa força de trabalho, o sistema utiliza a ansiedade como ferramenta de controle primária. Isso se concretiza através de três mecanismos fundamentais.
  • O primeiro é a institucionalização da dívida, que cria um estado de servidão perpétua; ao contrair um empréstimo com juros, o indivíduo é impelido a trabalhar indefinidamente para quitar um passivo que raramente desaparece, gerando um estresse crônico.
  • O segundo mecanismo é a manutenção da desigualdade e da pobreza, que servem como um alerta constante para a classe média, incentivando-a a produzir mais pelo medo da decadência social.
  • Por fim, utiliza-se a destruição da riqueza, seja por meio de guerras ou crises econômicas artificiais. Ao destruir o excedente acumulado pelos "camponeses" modernos, a elite garante que a sociedade nunca se torne autossuficiente ou ociosa, forçando-a a reiniciar o ciclo produtivo sob pressão máxima.
Diferente da visão clássica que prega o acúmulo estático, o objetivo central deste capitalismo é o movimento e o foco da energia social. Quando a pressão interna de uma nação torna-se insustentável, surge a figura do capital transnacional. A elite proprietária, sem lealdade a fronteiras ou povos, desloca-se para centros financeiros globais, aguardando que o conflito social exaura as bases trabalhadoras para, então, retornar e coordenar a reconstrução. Esse capital move-se com agilidade por redes de confiança fechadas, que operam de forma distinta da moralidade das massas.
Enquanto a classe trabalhadora é regida por religiões e sistemas éticos que pregam a bondade e a convivência harmônica, a classe dirigente opera sob uma lógica de controle que frequentemente exige atos que desafiam as inibições humanas comuns. O fenômeno da obediência cega, ilustrado pelo Experimento de Milgram na Universidade de Yale, demonstra como indivíduos podem cometer atos cruéis quando a responsabilidade é transferida para uma autoridade superior. No contexto do poder global, essa despersonalização da culpa permite que a elite execute estratégias predatórias, justificando o sacrifício do bem-estar coletivo em prol da manutenção de um sistema de energia e produtividade incessantes.

......................................................................................................................................... Eis a transcrição desta aula:
**Então, a abstração do capital, vamos usar um exemplo, beleza?** O grão era inicialmente capital, só que o problema do grão é que você só precisa de uma certa quantidade. Então, como camponês, você só quer trabalhar o suficiente para cultivar grãos para alimentar sua família e talvez um pouco mais para guardar. Mas na maior parte do tempo você só quer aproveitar a vida. **Mas depois passamos pro ouro, certo?** E o ouro, sim, as pessoas estão mais gananciosas, mas o problema com o ouro é que ele existe em quantidade finita. Tudo bem, é difícil de localizar. Assim, apenas uma minoria dedicaria toda a sua energia tentando encontrar ouro. **E agora o que fizemos foi passar para a ideia de dinheiro.** Como demonstrarei, a grande inovação dos últimos 100 anos foi convencer as pessoas de que o dinheiro é Deus. O dinheiro é, ao mesmo tempo, nada e tudo. Assim, você pode dedicar a vida inteira a ganhar dinheiro, ok? **Essa é, portanto, a segunda grande inovação e a terceira grande técnica que mudou a economia.** É preciso entender que se você realmente quer que as pessoas concentrem suas energias, precisa criar ansiedade nelas, ok? Ansiedade. **E como se cria ansiedade? Bem, a melhor maneira de fazer isso, na verdade é criar ideia de dívida, não é verdade?** Então, vou te emprestar 1 milhão de dólares hoje e você aproveita, mas depois tem que passar o resto da vida pagando a dívida. O problema com isso, claro, é que existe juro e assim você nunca consegue realmente pagar a dívida, o que causa ansiedade. Assim, a ideia de dívida me permite extrair muito mais valor de você do que se você não estivesse endividado, OK? **Essa é a primeira ferramenta.** **Em segundo lugar, temos a ideia de desigualdade e pobreza,** onde uma determinada classe de pessoas é pobre e eles sempre serão pobres. E isso incentiva, encoraja a classe média a trabalhar ainda mais. Tudo bem? **O terceiro mecanismo de ansiedade é a destruição da riqueza.** O que é destruição de riqueza? Simples, guerra ou depressão, certo? Quando a economia entra em colapso, quando toda a sua riqueza desaparece. **A ideia aqui é a seguinte.** Olha, se os camponeses trabalham muito e armazenam muito grão, tem um enorme celeiro, eles nem precisam mais trabalhar. Certo? Então, como senhor de terras, o que você faz? Bem, você vai lá e queima o celeiro, certo? Então, a guerra não é só um mecanismo para expandir o capitalismo, mas também uma forma de deixar as pessoas mais ansiosas, porque você destruiu a riqueza delas e por isso elas têm que trabalhar muito mais, certo? **Então, de novo, naquela aula, talvez tenham te ensinado que o objetivo do capitalismo é acumular mais capital.** Não, não, não, gente. O objetivo do capitalismo é direcionar as energias dos camponeses, certo? Porque a tensão, o foco é o que faz a sociedade ser muito mais enérgica e esse é o objetivo final, certo? **Então, se a sociedade é rica, isso na verdade é uma coisa ruim, porque faz as pessoas ficarem preguiçosas e acomodadas.** E, portanto, a maneira de resolver esse problema está constantemente envolvida em guerras e também com ciclo de expansão e recessão que você pode aprender numa aula de economia, certo? **Então, um economista pode aprender que o ciclo de expansão e recessão é natural do capitalismo.** Não é natural do capitalismo, é artificial. Os poderosos destróem artificialmente as economias, destróem a riqueza para fazer os camponeses trabalharem muito mais. OK? **Então vocês estão acompanhando? OK.** **Essa é a estratégia que aprendemos estes últimos séculos.** E é por isso que na sociedade atual somos a sociedade mais rica da história da humanidade e ao mesmo tempo somos a mais miserável, a mais ansiosa e a mais endividada. Entendeu? **Porque a classe dos proprietários, o capitalista, a elite, o que eles descobriram foram três mecanismos para extrair o máximo de energia possível de nós.** **O primeiro** é nos dar a ilusão de que temos liberdade sobre nossas vidas, que temos liberdade de escolha, que com equidade na sociedade podemos botar em nossos líderes, quando na verdade tudo isso é só uma ilusão. **O segundo** é transformar o dinheiro em Deus, o fim, o tudo e o nada ao mesmo tempo. O próprio foco da sua vida. E como o dinheiro é algo tão abstrato, você pode passar a vida inteira tentando conquistar cada vez mais e ao mesmo tempo não conquistar nada, absolutamente nada. Entendeu? Então pense em alguém como Jack Ma, que tem mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar. E o que ele quer? Ele quer mais dinheiro, entendeu? **E o terceiro** é criar ansiedade na sociedade para que a existência das pessoas seja totalmente baseada no estresse. E como resultado, as pessoas estão muito mais focadas no trabalho e na criação de riqueza. E isso se faz por meio de um processo constante de destruição de riqueza. **Tudo bem? Mas o problema, claro, é que quando você pressiona as pessoas demais, quando fica tão óbvio que você tá explorando-as, elas eventualmente se revoltarão contra você.** **Então, a solução que descobrimos é que podemos nos mudar, OK?** A classe proprietária de imóveis pode de fato mudar-se para outro lugar. E então, quando a ansiedade se torna insuportável, o que acontece é que os camponeses acabam se destruindo entre si. E o proprietário se muda para outro lugar, para a capital. E eles só voltam quando a classe camponesa tiver completamente exaurida e disposta a reconstruir a sociedade, certo? **E esse processo é o que deveria reger. O mundo de hoje é o que chamamos de capital transnacional.** Em outras palavras, as pessoas ricas do mundo, na verdade não têm lealdade à nação, nem ao povo, nem ao lugar. Elas só têm lealdade ao seu capital e estão dispostas a se mudar para onde puderem, para onde for necessário, para manter seu capital seguro e fazê-lo crescer. E é por isso que muita gente hoje tá se mudando para Dubai, Hong Kong ou Singapura. Elas não se importam. Elas podem nem gostar tanto desses lugares, mas vão para onde precisarem ir, para pagar menos impostos, para evitar o conflito social criado por suas políticas, para encontrar melhores oportunidades de investimento. E é esse sistema que governa o mundo hoje. **Mas aí a pergunta é: OK, em termos concretos, o que realmente é o capital transnacional?** O que permite que o capital transnacional funcione, que consiga se mover de um lugar para outro. Porque lembre-se, quando você se muda de um lugar para outro, há muitos custos envolvidos. Por exemplo, você realmente não conhece ninguém lá, então como pode confiar nas pessoas, certo? **E uma solução com a qual lidamos ao longo dos séculos é a ideia das sociedades secretas.** E daí o que você vai aprender é que sociedades secretas e capital transnacional são essencialmente a mesma coisa. E essa é a força que governa o mundo hoje. **Muito bem. Agora que discutimos o capital transnacional, vamos analisar as sociedades secretas, sua origem e funcionamento.** Bem, as sociedades secretas existem porque a classe credora e a classe camponesa são fundamentalmente diferentes. Hum. As motivações, as crenças e a visão de mundo dessas duas classes devem ser diferentes. **Então, o que querem os camponeses?** Eles querem viver uma vida simples. Eles querem ganhar dinheiro. Eles querem formar uma família. Eles querem se divertir. Eles querem acreditar em Deus. Assim, pra classe camponesa temos a religião organizada, seja o islamismo ou o cristianismo. Cristandade. Jesus. Jesus diz para você ser uma boa pessoa. Confúcio diz para você ser bom, para ser uma boa pessoa. **Mas a classe *lender* [credora] é diferente.** Eles têm uma responsabilidade, têm a obrigação de controlar a classe camponesa e extrair o máximo de energia possível para manter a sua sociedade. Por isso, as práticas religiosas deles precisam ser muito diferentes. Então, enquanto os camponeses podem rezar para Deus, a classe *Lenard* [credora] deve fundamentalmente rezar para Satanás. **Agora vamos analisar porque a classe *Helena* [elite] precisa rezar para Satanás.** Isso é verdade para todas as sociedades ao longo da história humana. Antes a classe *Lenar* [credora] era escancarada quanto a isso, certo? Agora eles precisam ser mais hipócritas, mais secretos em relação a isso. Certo? **Então vamos olhar pra classe *Lemar* [elite].** Para ser da classe *Lenard* [elite], para ser da elite, você tem que fazer coisas terríveis. Mas na verdade isso é difícil, fazer coisas terríveis. **Muito bem. Deixa me dar um exemplo.** Digamos que eu diria para você, muito bem, vou te dar 10 milhões de dólares americanos. Dólares. O que você precisa fazer é o seguinte. O que você precisa fazer é pegar uma arma e ir tarde da noite e matar um estranho aleatório. Você pensa: "Nossa, que ótimo negócio! Se eu matar um estranho aleatório tarde da noite, ninguém vai saber que fui eu e eu saio com 10 milhões de dólares." E você pensa que consegue fazer isso. Mas adivinha só? Quando realmente te mandam fazer isso, você simplesmente não consegue, porque existem muitas, hum, restrições sobre o seu comportamento. **Então, pense em suicídio.** Se eu te desse 100 milhões de dólares e prometesse um caminho pro céu, você se mataria? Provavelmente não. Então o suicídio, tirar a própria vida de muitas formas não é diferente de matar outra pessoa. A gente não consegue fazer isso. **Mas na verdade existem jeitos de burlar isso.** Tem maneiras de fazer você matar alguém de um jeito que não te faça se sentir tão culpado por isso. **Então, para entender o porquê, vou te apresentar dois experimentos de ciências sociais que foram realizados nos Estados Unidos no final do século XX.** **O primeiro é algo chamado experimento de Milgram.** E esse experimento foi feito em Yale por um psicólogo chamado Stanley Milgram. E o experimento era muito simples. O que ele fazia era montar um ator, certo? Um ator, o que a gente chama de cúmplice. E a pessoa era conectada a uma cadeira elétrica, certo? E havia um botão, um botão que aumentava a voltagem dessa cadeira elétrica, certo? E tinha um máximo e o mínimo, certo? E de repente Milgram ficava ali no canto dele frio e ele convidava um participante, certo? que basicamente era um estudante para vir e ser um assistente, OK? E o trabalho do assistente era apertar o botão. **E Stanley Milgram queria saber, antes de tudo, se esse voluntário, esse assistente concordaria em dar um choque em outro ser humano, mesmo vendo a pessoa sentindo dor.** **E em segundo lugar, Stanley Milgram queria ver quanta dor o voluntário estava disposto a causar.** E acabou que com a ideia de autoridade, certo, as pessoas ficam muito mais dispostas a deixar de lado suas inibições, porque o que você faz é tirar a responsabilidade de si mesmo e passar para outra pessoa. *Eu não fiz, eu só obedeci ordens.* E surpreendentemente as pessoas estão dispostas a infligir muita dor a outras pessoas porque conseguem se eximir da responsabilidade por seus atos individuais. OK? M.

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