Você é uma "Wendy" ??? Ou: Quando cuidar do outro significa esquecer de si mesma!

Você já se pegou organizando a agenda do seu parceiro, lembrando-o de compromissos ou resolvendo problemas que eram exclusivamente dele?

Já teve aquela sensação de que, se você não fizer, ninguém fará, e tudo vai desmoronar?

Se você se identifica com isso, talvez esteja vivendo o Dilema de Wendy.

Calma... deixa eu explicar:
O Dilema de Wendy, ou "Síndrome de Wendy", é um jargão psicológico que descreve mais um padrão de comportamento ou um perfil de personalidade do que um diagnóstico ou alguma doença propriamente dita.

O termo está frequentemente associado ao “Complexo de Peter Pan”, onde o homem é aquele que “se recusa” a crescer e assumir responsabilidades, Wendy representa a pessoa (geralmente a parceira, mãe ou amiga) que viabiliza esse comportamento.


A pessoa que vive o Dilema de Wendy sente uma necessidade imperativa, algo como uma obrigação “natural” de cuidar, proteger e decidir pelo outro. Ela acredita que, sem o seu sacrifício e vigilância constante, as pessoas ao seu redor (especialmente o parceiro) fracassariam.


O termo foi cunhado por Dan Kiley no livro “The Wendy Dilemma” onde ele descreve um padrão relacional em que a mulher assume excessivamente o papel de cuidadora, responsável e emocionalmente sustentadora do parceiro, muitas vezes imaturo ou dependente — dinâmica inspirada na personagem Wendy da obra Peter Pan, de J. M. Barrie.

Ele criou o conceito a partir de observações clínicas que foram desenvolvidas no início da década de 1980 na sua prática clínica com terapia de casais e da ampliação destas ideias em estudos sobre imaturidade emocional masculina, sendo a obra publicada oficialmente em 1984.

Nesse padrão, a pessoa aprende desde a tenra idade que seu valor está em cuidar, agradar e sustentar os outros, mesmo às custas das próprias necessidades emocionais. De outra forma ela não será digna de amor ou carinho dos outros… Assim, ela tende a se envolver com parceiros mais dependentes ou imaturos, reforçando um modo de funcionamento em que assume responsabilidade excessiva pela relação, evita conflitos e mantém a dinâmica por medo de rejeição, culpa ou abandono.

Nesse padrão, a mulher coloca de forma recorrente as necessidades do outro acima das próprias, assumindo responsabilidades emocionais, práticas e até financeiras que não seriam exclusivamente suas. Com o tempo, essa postura pode levar à anulação da própria identidade, pois sua autoestima passa a depender do quanto ela consegue sustentar o parceiro.

Isso leva a outro traço central desse padrão, que é o medo da rejeição ou do abandono. A motivação profunda do comportamento cuidador não é apenas amor, mas a crença de que, se deixar de ser indispensável, perderá o vínculo. Assim, manter-se necessária torna-se uma estratégia inconsciente de segurança emocional, ainda que isso custe sua liberdade e espontaneidade dentro da relação.

Há também um sentimento constante de culpa e responsabilidade excessiva. A mulher nesse papel tende a sentir-se responsável pelos erros, fracassos e frustrações do parceiro, mesmo quando eles são consequência direta das escolhas dele. Essa internalização da culpa reforça o ciclo, pois ela acredita que precisa fazer mais, corrigir mais e tolerar mais para que tudo funcione.

Fecha um ciclo disfuncional complementar. Enquanto Wendy assume decisões, organização e estabilidade, o “Peter Pan” sente-se autorizado a permanecer imaturo e irresponsável, já que existe uma rede de segurança garantida. Quando ela se cansa e reclama, encontra dificuldade em abrir mão do controle, pois é justamente esse controle que sustenta sua sensação de utilidade e valor.

A longo prazo, essa estrutura gera exaustão emocional, ressentimento e possível depressão. A saída envolve reconhecer o padrão, estabelecer limites claros e compreender que amar não significa viver pelo outro. Relações saudáveis não se organizam na lógica de “cuidador e paciente”, mas na parceria entre dois adultos capazes de assumir responsabilidades por si mesmos.

Para ajudar a superer a sua posição de Wendy a mulher precisa entender os contextos que fundamentaram sua posição diante da vida e dos parceiros! Entender que quando criança aprendeu que o amor é condicionado ao desempenho, à maturidade precoce ou da capacidade de cuidar emocionalmente do próprio cuidador. (Esse processo é conhecido como parentificação?)

Assim, o comportamento da “Wendy” na vida adulta não seria uma escolha consciente de submissão, mas uma adaptação antiga que garantiu vínculo e sobrevivência emocional. O problema é que aquilo que foi funcional na infância torna-se disfuncional na vida adulta, especialmente em relações afetivas entre iguais.


Reconhecer-se no Dilema de Wendy não é um diagnóstico, mas pode ser um ponto de partida.


O primeiro passo para entender que o cuidado excessivo com os outros, muitas vezes, é uma armadura que construímos na infância para nos sentirmos amadas e seguras. O problema é que essa armadura, que antes nos protegia, hoje pode nos aprisionar em relações desgastantes, nos afastando de quem realmente somos.


A boa notícia é que esses padrões não são definitivos ou imutáveis!

Podem ser transformados ao longo de um processo de autoconhecimento e facilitado com a ajuda capacitada!

Através da psicoterapia, é possível resgatar sua própria história, compreender as origens dessas necessidades de cuidar em detrimento de si mesma e, gradualmente, construir uma nova forma de se relacionar.

O objetivo não é parar de cuidar, mas sim aprender a cuidar sem se anular, estabelecendo limites saudáveis e construindo relações baseadas na parceria e no respeito mútuo, e não na dependência. É uma jornada de volta para si mesma.


O que o “Dilema de Wendy” nos mostra é que um padrão relacional onde o amor se confunde com sacrifício e a autoestima é terceirizada para o outro, a mulher, muitas vezes, carrega uma crença profunda de que só será amada se for desta maneira... quando esta maneira de viver não é exatamente amor… Nenhum amor de verdade existe onde se precisa da anulação de si mesma! Isso, na verdade, é uma prisão disfarçada.


Sair dessa posição exige coragem para olhar para dentro e questionar as raízes destas velhas crenças. A psicoterapia oferece o espaço acolhedor e profissional para essa reconstrução. É um processo de aprender a validar as próprias necessidades, a dizer "não" sem culpa e a confiar que você é digna de amor simplesmente por existir, e não pelo que faz pelos outros. O caminho é deixar de ser a Wendy que sustenta o mundo do outro para, finalmente, construir o seu próprio.



"Marque aquela amiga que precisa ler isso hoje! 💖"


"Salve este post para ler com calma e refletir depois."



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