"Freud descobriu algo que ninguém queria admitir"

Assisti o vídeo "Freud descobriu algo que ninguém queria admitir", da DW Brasil, que passeia pelo impacto histórico, pelas teorias centrais, pelas ferramentas terapêuticas e também pelos pontos mais controversos do legado de Freud.

Freud foi o meu primeiro autor psicólogo que li na vida... e por conta dele comecei a me interessar em psicologia. Comecei por "A Interpretação dos Sonhos" da coleção L&PM Pocket. Eu tinha uns 15 anos. Mesmo hoje esta é considerada uma das obras mais importantes, se não fundamental e divisora de águas na carreira de Sigmund Freud e da psicologia em geral.

A ideia de fundo deste vídeo já é conhecida, mas ele explica bem: Freud revolucionou a psicologia ao comparar a psique a um iceberg — a mente consciente é só a ponta que aparece, enquanto o inconsciente guarda a maior parte dos processos mentais e impulsos que de fato comandam nosso comportamento. Pra dar corpo a essa ideia, entra o modelo estrutural: Id (os impulsos e desejos inconscientes), Ego (a parte consciente e racional) e Superego (a moral, as regras sociais que internalizamos).


O documentário passa pela Berggasse 19, em Viena, onde Freud morou e atendeu por quase 50 anos e que hoje é o Museu Sigmund Freud, para contar como o método psicanalítico nasceu e foi se transformando. A psicanálise se firmou como uma abordagem baseada na fala e na escuta ativa do analista. Entre as técnicas, aparecem a associação livre — paciente relaxado no divã, fora do campo de visão do terapeuta — e a interpretação dos sonhos, que Freud chamava de "via régia para o inconsciente".


O vídeo também não foge das críticas: entra nas visões freudianas sobre feminilidade, com conceitos hoje bastante questionados como a "inveja do pênis" e a leitura que ele fazia da histeria, reconhecendo o quanto isso carrega de linguagem sexista e patriarcal, típica da época. Como ilustração, retoma o caso clínico da paciente "Dora" e traz o relato da bisneta dela sobre a decisão da jovem de interromper o tratamento.



No fim, especialistas e visitantes do museu refletem sobre o que ainda resta do pensamento freudiano. Mesmo com todas as revisões e críticas — e elas são muitas —, fica a ideia de que Freud inaugurou um jeito moderno de entender a autopercepção humana, dando espaço às motivações inconscientes e mostrando o peso da infância na formação de quem a gente é.

Em vários aspectos Freud está, além de atual, sendo constantemente revisitado!

A historiadora francesa Élisabeth Roudinesco, uma das maiores especialistas em história da psicanálise, dedicou-sea resgatar essa atualidade em sua biografia "Freud em seu tempo e no nosso", escrita justamente para tirar Freud da caricatura em que ele foi reduzido nas últimas décadas — nem o gênio inquestionável, nem o charlatão que certos críticos gostam de anunciar.


No Brasil, o psicanalista Christian Dunker, professor da USP, vem usando as ferramentas freudianas para ler o mal-estar contemporâneo — não mais a histeria vitoriana, mas a ansiedade, a depressão e o esgotamento de uma vida cada vez mais regida por diagnósticos e gestão de si. E há ainda uma frente que talvez surpreenda quem pensa a psicanálise como algo puramente especulativo: a neuropsicanálise, campo iniciado por Mark Solms, que retoma o Freud neurologista — aquele que existia antes da psicanálise — para dialogar com a neurociência contemporânea e buscar bases empíricas para conceitos como o inconsciente. Freud, portanto, não é só um capítulo fechado na história das ideias; segue sendo ferramenta viva para pensar tanto o sujeito quanto a cultura em que ele vive.

Mesmo eu não sendo um psicanalista sou um profundo admirador.

Sugiro o vídeo para quem não conhece o velho Sig!

 

  


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