terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quando praticamos zazen...

...nossa mente sempre segue a respiração.

Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior.

Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior.

O mundo interior não tem Limites e o mundo exterior também é ilimitado.

Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo.

Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém.

O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém.

Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais.Não há um você para dizer "eu".

O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos.

Ela simplesmente se move, eis tudo.

Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo.

Só uma porta que vai e vem.

Assim, quando praticamos zazen, tudo o que existe é o movimento da respiração e, no entanto, estamos cônscios desse movimento.

Não devemos nunca nos distrair.

Mas estar consciente do movimento não significa estar consciente do eu pequeno, e sim da nossa natureza universal, ou natureza de Buddha.

Esta consciência é muito importante porque em geral somos unilaterais.

Nossa compreensão habitual da vida é dualista: você e eu, isto e aquilo, bom e mau.

Na realidade, tais discriminações são, elas próprias, a consciência da existência universal.

"Você" significa estar consciente do universo na forma de você, e "eu" significa estar consciente do universo na forma de eu.

Você e eu somos portas de vaivém.

E necessário este tipo de compreensão; porém, nem sequer deveria chamar-se compreensão já que é, isto sim, a verdadeira experiência da vida através da prática do Zen.


Shunryu Suzuki Postado por Monge Genshô