quarta-feira, 30 de maio de 2018

Bossa Zen: A Ignorância é o calo no sapato do despertar



Por Jeane Dal Bo 30 abril, 2018


O Dharma não tem partidos, mas pessoas tem. E pessoas precisam agir de acordo com sua consciências e não se esconder por trás de dogmas. Dogmas nos engessam. O Budismo não é para satisfazer nossas preferencias é para nos tirar da ignorância e quem defende abertamente injustiças, seja de que lado for, muito possivelmente não deveria se declarar Budista. Deveria olhar para a sua ignorância e se envergonhar de ainda estar no nível raso dos animais. Há um longo caminho para dissolver essa ignorância. Caminho que talvez, só o Buda Shakiamuni o tenha feito. Então vejam só como estamos atrasados e perdendo tempo dando trela a nosso ego, teimando em ter razão, causando sofrimentos sem fim.



Há sanseis que preferem não se manifestar para não dividir a sangua. Acho que são covardes. Mesmo dentro do Budismo há uma profunda divisão. Sempre houve desde os tempos do Buda. Porque as pessoas estão mais preocupadas em alcançar seu rabo do que em despertar. E os sanseis talvez estejam mais preocupados em não ter problemas a ensinar o Caminho do Buda. É duro, é chato, é uma luta de enfrentamento, mas essas pessoas que fingem serem budistas, os budistas fashion, não devem ser poupados de reprimendas quando agem como crianças tampouco os conservadores ou fascistas que atacam seu semelhante, seja com palavras ou com força física. O professor que se omite é corresponsável.


Por isso estamos ainda aqui no Sansara sofrendo e sofrendo por causa dessa profunda ignorância que nos afunda cada vez mais e nos afasta do despertar.


Parem de ser egoístas, de pensar só em seu beneficio e em seu ganho. Pensem no que Buda ensinou: que todos precisamos nos dar as mãos e caminhar juntos. Se um ficar para trás não haverá todos. Enquanto um não puder despertar, ninguém irá despertar.


Temos que trabalhar para diminuir a ignorância e esse é um trabalho não só dos monges e monjas. mestres e sacerdotes mas de todos nós. Somos responsáveis pelo que fazemos e pelo o que não fazemos. Melhor fazer errado do que não fazer nada. Mas virar as costas e deixar de fazer porque aquele não é do meu time, do meu partido, isso não é humano. Se vc. não é humano vista-se com pele de animal para que possam te identificar.


Há tantas pessoas, principalmente de gerações passadas, que acreditam em coisas falsas, memes com inverdades e se dedicam a espalhar essas falsidades como verdades pétreas. Brigam com todo mundo por causa de fake news, com família. Vejo isso todo dia, com pessoas próximas que nem sabem o quão toxicas são. 

São pessoas que se recusam a evoluir, a sair da sua zona de conforto. Todos passarão. O mundo seguirá seu rumo com outras gerações progressistas ou conservadoras porque há aqueles que olham para frente e há os que olham para trás.

Quem não entendeu a lição básica do Budismo, que todos somos Buda. Eu você os odiados do momento, Lula, quem você gosta ou não gosta. Todos sem exceção. Se você ainda não entendeu isso e não está a fim de por em pratica. Se vc. não sabe o que é se por na pele do outro, melhor pegar sua almofada e ir fazer algo de útil pelo outro do que ficar fazendo posse de Budista. 

A minha fotoAs causas do Budismo são as causas de todos os seres, sem exceção. Qualquer coisa que você pense ou diga ao contrário é fruto de seu padrão mental. Quando vc. quebrar ou dissolver esses padrões que causam tanto sofrimento no mundo vc. dará um passo para o lado dos que são verdadeiramente discípulos do Buda. Antes disso, o silêncio pode ser um bom remédio.




Busque o despertar incessantemente.

Postado por Jeane Dal Bo

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Pobreza e escolhas ruins...

Psicologia e filosofia são meus passatempos prediletos... O que quer dizer que, se tenho tempo livre, eu dedico a ler e aprender sobre psicologia e filosofia em vez de assistir futebol ou praticar um esporte. Ontem eu assisti uma matéria legal sobre “Pobreza”. Assisti a apresentação do historiador e jornalista holandês Rutger Bregman, no TED com uma ideia provocadora: o rendimento mínimo garantido.

Rutger Bregman é autor de "Utopia para Realistas" (2014) e defende ideias como o rendimento básico universal, a semana de trabalho de 15 horas e a liberdade de circulação para todos. A motivação não é “psicológica”, é econômica. Mas a argumentação é o efeito psocológico da pobreza e como supera-la.

Some os fatos... Apesar de lucros recorde na iniciativa privada, sobre tudo dos bancos, a maioria da população (de qualquer país) não se beneficia em NADA com isso.

No mundo o que se vê são salários estagnados, a taxa de desemprego cada ano mais alta, as dívidas para financiar estudos e com cuidados com a saúde crescem a olhos vistos, e o mercado de trabalho não recompensa bem aqueles já empregados com dinheiro o bastante para viver decentemente. A tal uberização da mão-de-obra – em que os trabalhadores são pagos por tarefa realizada e não um salário ou taxa estabelecida por hora – aumenta a precariedade das relações de trabalho. Sem contar a informatização e os avanços tecnológicos da produção, os robôs e a inteligência artificial que cada vez mais tomam empregos ou extingue outros tantos. Enquanto os Governos discutem conceitos de atendimento médico universal, manutenção ou não de salários mínimo, discussões sobre repensar, terminar ou expandir a previdência social em todos os países sem nenhuma solução exemplar poder nortear as opiniões.

A perspectiva não é boa.

Mas Islan... é a psicologia? Cadê? Bregman apresenta dados como os levantados alguns psicólogos americanos que tinham realizado um estudo fascinante na Índia. Foi um experimento com fazendeiros de cana-de-açúcar. Esses fazendeiros recebem em torno de 60% da sua renda anual de uma só vez, logo depois da colheita e precisavam gerenciar o resto do ano com uma renda insignificante. Isso significa que eles são relativamente pobres durante uma parte do ano e “ricos” em outra.

Os pesquisadores fizeram testes de QI antes e depois da colheita nos fazendeiros e o que eles descobriram foi surpreendente. Os fazendeiros mesmos fazendeiros tiveram pontuação DIFERENTE nos períodos anteriores e posteriores as colheitas. Detalhe: Os valores eram significativamente piores antes da colheita, ou seja, nos períodos de pobreza do ano.

Os efeitos de viver na pobreza, na verdade, correspondem a perder 14 pontos de QI.

Para vocês terem uma ideia, isto é comparável aos efeitos do alcoolismo em uma pessoa.

Bregman falou também do trabalho de Eldar Shafir, um professor da Universidade de Princeton e um dos autores de uma nova teoria sobre a pobreza. Resumidamente ele estuda a “mentalidade de escassez”.

As pessoas se comportam de forma diferente quando “percebem” a escassez de alguma coisa. E não importa o que seja, pode ser falta de tempo, dinheiro ou comida. Elas tomam decisões ERRADAS quando em percepção de escassez.

Compare isto a um computador novo rodando dez programas pesados de uma vez. Ele fica mais lento, dá erro. Até que ele trava, não por ser um computador ruim, mas porque tem que fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

Pobres têm o mesmo problema. Eles não estão tomando decisões burras porque são burros, mas porque estão vivendo em um contexto no qual todos tomariam decisões burras.

Escassez gera respostas ruins.

Rutger Bregman aponta que por este motivo os programas “antipobreza” das inúmeras nações não funcionam.

Investimentos em educação, por exemplo, são frequentemente ineficazes porquê “Pobreza” não é falta de conhecimento. É um estado de mente congesto.

Uma análise recente de 201 estudos sobre a eficácia de treinamentos em gestão financeira para pobres concluiu que eles quase não têm efeito prático algum.

Não quer dizer que os pobres não aprendem nada, eles podem ganhar sabedoria, é claro. Mas isso não é suficiente. Ou, como o professor Shafir me disse: "É como ensinar alguém a nadar e jogá-lo em um mar revolto".

Rutger Bregman disse :”Na verdade, percebi que já tinha lido sobre a psicologia da pobreza. George Orwell, um dos maiores escritores que já existiu, viveu a pobreza de fato na década de 1920. "A essência da pobreza", ele escreveu na época, é que ela "aniquila o futuro". E ele ficou admirado: "As pessoas assumem que têm o direito de pregar e rezar para você quando sua renda cai abaixo de um certo nível". Estas palavras ressoam até hoje.”

Então ele falou da experiência em “Dauphin”, Canadá, em 1974.

Durante o experimento, todos na cidade tiveram uma renda básica garantida, para que ninguém ficasse abaixo da linha de pobreza. No início um exército de pesquisadores aportou na cidade. Por quatro anos tudo deu certo. Mas aí um novo governo foi eleito e não viu muito motivo para continuar um "experimento social" caro. Quando ficou claro que não havia mais dinheiro para analisar os resultados, os pesquisadores decidiram guardar seus arquivos em 2 mil caixas. Vinte e cinco anos se passaram, e uma professora canadense, Evelyn Forget, encontrou os arquivos. Por três anos ela submeteu os dados a todo tipo de análise estatística, e de todas as formas que tentava, os resultados eram os mesmos: o experimento tinha sido um sucesso tremendo.

Evelyn Forget descobriu que as pessoas em Dauphin não só ficaram mais ricas, mas mais inteligentes e saudáveis. O desempenho escolar das crianças melhorou substancialmente. A taxa de hospitalização diminuiu em 8,5%. Havia poucos incidentes de violência doméstica e reclamações de saúde mental. E as pessoas não largaram seus empregos. Os únicos que trabalharam um pouco menos foram as novas mães e os estudantes, que ficavam mais tempo na escola. Resultados semelhantes foram encontrados em diversos outros experimentos em todo mundo, dos EUA à Índia.

Então... o que eu aprendi foi: quando se trata de pobreza, os ricos, precisam parar de achar que sabem mais que os pobres. Se um rico conseguiu um dia sair da “zona” de pobreza e progredir não foram suas “oportunidades” ou receitas que os retiraram dali. Mas foi uma complexa e intrincada cadeia de eventos e decisões que nunca vão se repetir.

Precisamos parar de mandar sapatos e ursinhos para pessoas que nunca conhecemos. E deveríamos nos livrar da vasta indústria de burocratas paternalistas.

Poderíamos simplesmente dar um salário “mínimo” aos pobres.

Isto geraria o ambiente mental que desestruturaria a cadeia de bloqueios que sustentam a pobreza.


Pense nisso.