domingo, 31 de outubro de 2010

Lançamento de livro: “A vida compassiva – Compaixão” pela editora Pragmatha

 

outubro 30, 2010 às 1:42 pm | Publicado em Compaixão Zen Budista, Cultura de Paz, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | Deixe um comentário
 

 


Sessão de lançamento, pela editora Pragmatha, do livro “A vida compassiva – Compaixão”, da Monja Isshin, acontece no dia 03 de novembro, com palestra, a partir das 19 hs, na Livraria Palavraria, em Porto Alegre.


A monja zen budista americana e naturalizada brasileira Isshin Havens, em Porto Alegre há quatro anos, ingressa no mercado editorial pela gaúcha Pragmatha. A obra “A vida compassiva – Compaixão”, em formato ecológico (papel recicladoe apenas grampeado, sem a utilização de cola), aborda questões como o que écompaixão, o valor dela na sociedade contemporânea e como podemos cultivá-la. A perspectiva da abordagem, segundo a monja, é a de que a prática da compaixão constitui um caminho espiritual independente de religiões.


O primeiro de uma série de cinco sobre o tema, o livro está dividido nos capítulos A noite escura da alma, Surfar nas ondas da vida, O Ego, e Compaixão é sentir com amor, e pode ser adquirido na Livraria Palavraria, em Porto Alegre, ou pelo e-mail e-mail (através da caixa de mensagem abaixo).


A monja Isshin Havens é orientadora espiritual das Sangas Águas da Compaixão, Aikikai e Energia Harmoniosaa, em Porto Alegre, e da Sanga Soto Zen de Pelotas. É palestrante da Universidade Falada, colaboradora/palestrante da Unipaz-Sul, membro-colaboradora do Colegiado Buddhista Brasileiro e parceira no Charter for Compassion (grupo interreligioso internacional) através da Sanga Águas da Compaixão.


Seu treinamento como monja da tradição japonesa de Soto Zen Budismo iniciou em São Paulo, onde recebeu ordenação de sua professora, Monja Coen, dando continuidade à sua prática em mosteiros do Japão e Estados Unidos. Atualmente é também aluna do Dôshô Saikawa Roshi, Superintendente (Sôkan) da Escola Soto Zen para a América do Sul.


Lançamento
 
A sessão de lançamento acontece no dia 03 de novembro, a partir das 19hs, na Livraria Palavraria, em Porto Alegre (Vasco da Gama, 165). Durante o lançamento, a monja fará uma pequena palestra sobre o tema do livro.

SERVIÇO

Título: A vida compassiva – Compaixão
 
Editora: Pragmatha
 
ISBN: 978-85-62310-20-1
 
Site: http://monjaisshin.wordpress.com/
 
Preço: R$ 10,00
 
Lançamento: 03/11/2010
 
Endereço: Vasco da Gama, 165, Porto Alegre/RS
 
Telefone (51) 3268 42 60




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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Para a vida após a Vida

A Arte de Aprender com as Dificuldades

De Carlos Cardoso Aveline







Uma velha fábula indiana conta que, há milhares de anos, vivia em um templo abandonado uma grande cobra venenosa. Seu nome era Naga. Em geral, Naga tinha bons sentimentos, mas despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque –  quando incomodada –  atacava as pessoas.
 
 

Certo dia, um sábio desconhecido apareceu misteriosamente no local.  Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida é, na verdade,  uma grande  escola espiritual, e que aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “Mas o aprendizado é muito mais rápido ― e muito mais difícil ― quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou. 


A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que desejava trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado.


“O primeiro passo é o autocontrole”, disse ele. “O processo sagrado começa à medida que o aprendiz deixa de obedecer aos instintos animais”.

E acrescentou, antes de prosseguir viagem: “Ao mesmo tempo, há uma outra condição. É preciso ser fraterno e pacífico em relação a todos os seres”. 



Impressionada pela força das palavras do mestre, a cobra Naga deixou de lado as preocupações mundanas. Praticou meditação, aproximou-se da sua alma imortal e experimentou a paz do universo infinito. Ela também tomou uma decisão: “De agora em diante, vou controlar os meus instintos e não morderei mais ninguém”.



A lei da evolução estabelece que todo conhecimento deve ser testado na prática, e o caso de Naga não foi uma exceção.


Seu novo comportamento chamou atenção das crianças da aldeia. Por que razão ela ficava o dia todo imóvel, em jejum, recitando mantras e meditando sob o calor do sol? Quando todos compreenderam que o animal não atacava, começaram os risos, o desprezo e as agressões à base de paus e pedras. Com o tempo, Naga  emagreceu.  Adoeceu. Sua pele começou a cair.

Mas ela perseverava.  


Um ano depois, o animal está sem forças e à beira da morte, quando o mestre desconhecido aparece outra vez e senta-se para conversar. A cobra conta ao sábio tudo o que aconteceu e fala – feliz – da sua lealdade ao caminho espiritual.  Surpreso, o mestre explica que tamanha dor não era necessária:


“Amiga, eu disse para você não atacar. Não disse que não ameaçasse morder. Não disse que não preparasse o bote. Não deixe de impor respeito: não faça mal a ninguém, mas – quando necessário – defenda-se sem violência.”


Qual foi, então, o erro de Naga?


Ela idealizou o caminho da sabedoria de maneira ingênua e  ignorou o fato de que conflitos e contradições fazem parte da vida.

Os exemplos são muitos.

A cada momento temos de tomar decisões, e antes de cada decisão há uma certa luta entre diferentes tendências em nosso interior.

As pessoas vivem conflitos psicológicos dentro de si, e se isso é verdade, é também natural que haja discordâncias nas relações humanas e sociais.


Contraste é vida, e vida é movimento.

A uniformidade imobilista não é saudável.

Quando as pessoas têm medo das discordâncias naturais, elas passam a reprimir as suas diferenças de opinião na esperança de  preservar a paz.

Assim, a sinceridade é substituída pela cortesia.

Gradualmente, a confiança mútua desaparece, abrindo espaço para a má-vontade, os sentimentos hipócritas e a deslealdade.



Por isso a sinceridade é sempre melhor que a harmonia forçada.

Naturalmente, é agradável estar rodeado de pessoas que concordam conosco em todos os aspectos.  Mas, se fosse possível viver desse modo o tempo todo, nossa evolução correria grave risco de ser interrompida.



Assim como as pedras dos rios ficam redondas após longos anos de atrito, também os seres humanos necessitam de suas dificuldades e  contradições para aperfeiçoar-se. 


É certo que devemos evitar as desarmonias, mas em muitos casos elas são inevitáveis, e então o melhor que podemos fazer é aprender com elas.


Para o pensador grego Plutarco (46. d.C.- 120 d.C.) os inimigos são comparáveis às dificuldades naturais que a vida coloca diante de nós.


Um velejador experiente não se desespera com o vento contrário, mas sabe usá-lo para avançar no rumo certo.


Do mesmo modo, devemos aproveitar as inimizades e outros desafios para aumentar nosso autoconhecimento.


“O fogo queima quem o toca, mas também fornece luz e calor e serve a uma infinidade de usos para aqueles que sabem utilizá-lo”, explica Plutarco.


A situação é idêntica com os adversários ou invejosos: “O que é mais prejudicial na inimizade pode tornar-se o mais proveitoso”, diz ele. “É que teu inimigo, continuamente atento, espia tuas ações na expectativa da menor falha, e fica à espreita em torno da tua vida”.


Na tarefa de identificar nossos erros, os inimigos são mais úteis que os amigos. Os adversários aumentam o perigo e, com isso, não nos deixam adormecer na rotina. Para Plutarco, necessitamos amigos sinceros e inimigos ardentes: “uns nos afastam do mal por suas advertências, os outros, por sua censura”.


Porém, os amigos geralmente evitam falar com franqueza. Além disso, o amor pode ser cego em relação a aquilo que ele ama.  Mas o rancor consegue revelar as manias e os fracassos de qualquer um.

Quando o invejoso mente em suas críticas, podemos lembrar que, seja como for, nós ainda estamos longe da perfeição. É verdade que ele vê erros em nós que não existem. Mas talvez haja erros em nós que ele não vê. Devemos aproveitar a oportunidade de uma crítica contra nós para exercer vigilância e aumentar nossa força interior. 


A confiança no bem e a autoconfiança nos darão tranqüilidade para observar os erros do ponto de vista do nosso potencial divino. E, sobretudo, para valorizar nossos acertos.


Segundo Plutarco, a melhor maneira de defender-nos dos inimigos é aumentar nossas virtudes. O taoísmo e a filosofia esotérica ensinam a mesma coisa. O escritor Carlos Castaneda (1925-1998) reforça esse ponto ao explicar que “o guerreiro deve ser impecável”.


Como se pode, então, tirar proveito das injustiças que sofremos? Castaneda aprendeu com seu mestre Don Juan a técnica do pequeno tirano.  O método  funciona melhor quando há alguém que não só está  situado em uma posição de poder ou de superioridade  em relação a nós, mas tem, também, a séria intenção de causar-nos profundo mal-estar.
 

É claro que nenhum tirano externo tem real importância em si mesmo. 



Nosso único verdadeiro inimigo é nossa própria ignorância diante da vida.



Os adversários mais desagradáveis do mundo exterior são apenas projeções e materializações daquelas lições que ainda não aprendemos e, por isso, são todos de pequeno porte.

sábado, 16 de outubro de 2010

Invictus - Por monja Isshin

Por monja Isshintus

outubro 15, 2010 às 10:14 am | Publicado em Compaixão Zen Budista, Meditação em Porto Alegre, Prática Zen Budista, Zen Budismo em Porto Alegre | 1 comentário

 
 


No colégio (ufa! quantos anos atrás… ), tive que decorar um poema da era vitoriana inglesa que acabou marcando fortemente a minha alma e serviu de inspiração durante muitos momentos difíceis da minha vida. (Obrigada, Profa. Gillingham!).

Possivelmente, devo o meu aspecto “Fudô-myô” a este poema, que, numa determinada época, cheguei a colar na parede do meu quarto.

Não tinha consciência até recentemente do fato que o mesmo poema havia sido igualmente inspirador para uma das maiores figuras de nossa era, o Nelson Mandala, retratado no filme excelente, dirigido pelo Clint Eastwood, do mesmo título: “Invictus”.

Aqui, reproduzo uma tradução do poema completo, encontrado no site Culturifique, na esperança que ele possa servir de inspiração para os meus alunos e leitores:


Invictus
Desta noite que me cobre
Negra como um poço de borda a borda
Eu agradeço a quaisquer deuses que hajam
Por minha alma inconquistável
Na cruel garra da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob os golpes da sorte
Minha cabeça está ensanguentada mas não curvada
Além deste lugar de fúria e lágrimas
Surge apenas o horror da sombra
E ainda com a ameaça dos anos
Encontra, e há de encontrar-me, sem temor
Não importa quão estreito o portão
Quão carregado de punições o pergaminho
Eu sou o mestre de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.



Mais informações:

. Wikipédia (em português)

. Wikipedia (em inglês) – com o poema original em inglês

. Fudô-myô (Wikipédia, em português)

Fudō Myōō 不動明王 Acala

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Fudō Myōō不動明王
 
 
 
Fudō Myōō 不動明王, em japonês, ou Acala, Acalanatha Vidya Rāja em sânscrito "Senhor Inabalável" (da Sabedoria), também conhecido como Ācalanātha, Āryācalanātha, Ācala-vidyā-rāja e Candamahārosana é uma deidade do budismo. No budismo vajrayana, Acala é o mais conhecido dos Cinco Reis da Sabedoria do Reino do Ventre. Acala é também o nome do oitavo dos dez passos ou degraus do caminho do bodhisattva.[1]


Acala é o destruidor da ilusão e o protetor do budismo. Sua imobilidade refere-se à habilidade de não ser movido pelas ilusões fenomênicas. Apesar de sua temível aparência, seu papel é o de ajudar todos os seres, mostrando-lhes os ensinamentos do Buda, levando-os a aprender o autocontrole.
Ele é visto como uma deidade protetora, e que ajuda a atingir metas. Os templos que lhes são dedicados fazem rituais de fogo periódicos em sua homenagem.


Fudō Myōō 不動明王 é conhecido também como a deidade protetora das artes marciais, em especial do Aikidō, representando o espírito calmo, livre da agressividade.


O Buda Akshobhya, cujo nome também significa "O Inabalável", às vezes é confundido com Acala. Entretanto, Acala não é um Buda, e sim um dos cinco Reis da Sabedoria do reino do Ventre em Vajrayana, conforme a tradição indo-tibetana, bem como na seita budista japonesa Shingon. Como Fudō Myōō 不動明王, Acala é considerado um dos treze Budas do Japão.

 

 

[editar] Iconografia

Acala, ou Fudō Myōō 不動明王, é tipicamente representado com uma espada para subjugar demônios em sua mão direita e uma corda para apanhá-los e prendê-los na esquerda. Ele tem um assustador rosto azul e é cercado de chamas, representando a purificação da mente. Freqüentemente é representado sentado ou de pé sobre uma rocha para demonstrar sua imobilidade. Normalmente seu cabelo tem sete nós e é penteado para o lado esquerdo, um estilo de penteado freqüente na iconografia budista. Também com freqüência ele é representado com duas presas protuberantes. Uma aponta para baixo, demonstrando sua compaixão pelo mundo, e uma aponta para cima, demonstrando sua paixão pela verdade.

[editar] Notas

  1. Keown, Damien. Oxford Dictionary of Buddhism. Nova Iorque, Oxford University Press, 2003, p.4.

[editar] Bibliografia

  • Keown, Damien. Oxford Dictionary of Buddhism. Nova Iorque, Oxford University Press, 2003.
  • Nhât Hanh, Thích. Opening the heart of the cosmos.Insights on the Lotus Sūtra. Berkeley, Parallax Press, 2003.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rakusu... Quando usá-lo



A praticidade do Rakusu é que você pode usá-lo sempre, é um mini Kesa. Suas alças permitem usá-lo sobre as vestimentas habituais. Mestre Deshimaru nos aconselhava a usá-lo o mais freqüentemente possível, assim a prática da Via torna-se presente em nosso espírito; a partir do momento em que usamos o Rakusu nossas maneiras se tornam mais belas e automaticamente nossa atitude mais concentrada. Da mesma maneira que um pequeno ponto sucede a um outro para formar uma linha reta, nossa concentração aqui e agora sobre cada um de nossos atos forma uma linha justa e certa da nossa vida. Mas, antes de mais nada, usamos o Rakusu para praticar zazen no dojo. Todos podem costurar e usar o Rakusu, mesmo quando se usa somente uma vez nosso karma é transformado. Pode-se costurar o Rakusu para si ou para um outro, é o mais belo presente que se possa dar.

Antes de usar o Rakusu deve-se colocá-lo em cima da cabeça, fazer gasshô e recitar três versos - Dai Sai Gedapuku. O Rakusu não é algo decorativo, é a transmissão da Via, a transmissão da prática do zazen, respeite-o como vosso mais precioso bem. Assim quando você for ao banheiro ou tomar banho deve tirá-lo. Fora do sesshin, quando você for comer em sua casa ou num restaurante é preferível retirá-lo. Quando você for tirá-lo, guarde-o dentro de uma sacola e ponha-o sempre num lugar alto e apropriado, no ambiente em que você vive, jamais coloque-o no chão.


Fonte: Grands Classiques Zen – Lê Livre Du Kesa. Traduit e commenté par maître Taisen Deshimaru. Paris.

Tradução: Álvaro Leonel da Cunha Postado aqui!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Budha é divino... mas não é um "Deus"?


Observadores superficiais tentam apontar o paradoxo de que o Buda, que quis libertar a humanidade da dependência de deuses e da crença em um Deus criador arbitrário, acabou ele mesmo endeusado nas formas posteriores de budismo.


Eles não compreendem que o Buda que é cultuado não é a personalidade histórica do homem Sidarta Gautama, mas a corporificação das qualidades divinas, que são latentes em todo ser humano e que se tornaram aparentes em Gautama e em inúmeros Budas antes dele.


Não vamos confundir o termo “divino” — mesmo o Buda dos textos Pāli não evitou classificar a prática das mais altas qualidades espirituais na meditação (como amor, compaixão, alegria empática e equanimidade) como “permanecer em Deus” (brahmavihāra) ou “estado divino”.


Então, não foi o homem Gautama que foi elevado ao status de um deus, mas sim o “divino” que foi reconhecido como uma possibilidade de realização humana. Assim, o divino não perdeu valor, mas ganhou; porque à partir de uma mera abstração, se tornou uma realidade viva; de algo que era apenas acreditado, passou a ser algo que podia ser vivenciado. Então não foi uma queda para um nível inferior, mas uma elevação, uma ascensão de um plano de realidade inferior para outro superior.


Assim, os Budas e Bodisatvas não são meramente personificações de princípios abstratos — como aqueles deuses que são forças da natureza personificadas ou qualidades psíquicas que o homem primitivo só podia entender através de formas semelhantes à humana —, são protótipos daqueles estados mais elevados de conhecimento, sabedoria e harmonia que foram atingidos pela humanidade e sempre serão realizados de novo e de novo.


Independente se esses Budas são concebidos como surgindo sucessivamente de tempos em tempos (como seres históricos, por exemplo, na tradição Pāli) ou como imagens além do tempo, arquétipos da mente humana (que são visualizados em meditação e, portanto, chamados de Dhyāni-Budas) eles não são alegorias de perfeições transcendentais ou de ideais inalcançáveis. São símbolos e experiências visíveis da realização espiritual em forma humana.


Porque para nós a sabedoria só pode se tornar uma realidade se ela for realizada em vida, se ela se tornar parte da existência humana.


Lama Anagarika Govinda
(Alemanha, 1898 ~ EUA, 1985) “Foundations of Tibetan Mysticism”, parte 3 | 1

Por que palavras?

Tam Hyuen Van – Cláudio Miklos - 25 de Outubro, 2005 – Ano Budista 2549 - Comentários dele em 2010:


Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:


"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"


O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não te preocupes com o dedo que a aponta."


O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"


"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."


"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"


"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."


O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.
Conto Zen




Escrevi este conto zen há muitos anos atrás. Na época, embora o tenha criado como um tributo ao caminho Zen-budista e por amor aos seus koans e contos tradicionais, fiquei um tanto constrangido de admitir sua autoria achando que poderia ser considerado petulante e desrespeitoso; não sabia se um koan zen, um conto, poderia ser obra de um simples praticante. Contudo, no decorrer dos anos me surpreendia, todas as vezes que o lia, com o fato de que aquelas palavras pudessem me passar tanta clareza de sentimentos e ensinamento. De onde resgatei esta sabedoria? Com certeza ela não me era inerente. Faltava-me então muito mais discernimento para realizar em mim conceitos esclarecidos e iluminados. Entretanto, em um momento há poucos anos atrás, descobri a resposta: eu consegui escrever um texto tão agradável porque o fiz sem intenções. Soube resgatar palavras corretas porque as fui buscar no generoso campo das ações simples e amorosas.

A linguagem humana é uma dádiva. Graças à nossa capacidade de elaborar conceitos e desenvolver idéias através da palavra, realizamos grandes coisas. A palavra também nos deixa mais perto da compreensão. Age como um catalisador de opiniões, criando um campo aberto para que a barreira da ignorância seja superada. Mas ela também pode ser mal empregada, e tornar-se a maior fonte de toda a cruel indiferença entre os homens. Porque não são muitos os que logram reconhecer o significado essencial do Verbum, a linguagem de sabedoria eterna que se oculta por trás das simples palavras. Todos nós somos presas fáceis da sedução dos termos, e sempre os interpretamos à luz de nossas próprias concepções. Assim, a palavra deixa de ser o meio de união e torna-se – ela mesma – sua própria antítese: será sempre através da palavra que deixaremos de compreender, e sucumbiremos ao simples "interpretar". Em algum momento na longa história humana perdemos a capacidade de apreender a linguagem sob a marca da sensibilidade perceptiva e sucumbimos ao uso das palavras como subproduto de um racionalismo egoísta, e assim criamos nossa Torre de Babel. Aprendemos muito a pensar e conceituar, mas deixamos de concordar.

Mas a linguagem não se restringe a signos vocais ou escritos. A palavra não se limita ao que é dito. Apesar de seu grande afastamento dos aspectos naturais e vívidos do ritmo universal e de seu mergulho no artificialismo, a humanidade ainda abriga em si a dádiva da percepção não-verbal, da sensibilidade para o que é anímico e essencial. Os signos extrapolam os sons articulados e sinais escritos. Há a linguagem do mundo. Mas quem sabe ouvi-la? Quem sabe ouvir o silêncio, reconhecer as palavras que nunca são ditas?

Pessoalmente sou um budista "silencioso". Embora tenha muito a dizer, o faço com muito pouca freqüência. Ou talvez, faço de uma forma particular, e num ritmo que a minha prática determina. Esta é a maneira através da qual procuro exercitar o espírito do zen, a habilidade de dizer sem falar – outras pessoas o fazem de outras formas, cada uma em seu próprio modo de discernimento. Por que as palavras são objeto de cuidado por parte do caminho zen? Ao contrário do que se pode imaginar, isso ocorre justamente porque o zen-budismo – e o próprio Buddha – valorizam ao extremo sua importância. O que dizemos e ouvimos, escrevemos e lemos, pode nos conduzir à felicidade ou ao intenso sofrimento. As palavras aglutinam e organizam nossas idéias, podem ser as guias e orientadoras das ações meritórias e engrandecedoras do espírito humano. Mas nem sempre o verbo proferido nos coloca no caminho da compreensão; muitas vezes ele conduz ao desastre. Portanto, deveríamos estar atentos ao que fazemos com nossas palavras, ao uso e abuso que podemos dar a estes sinais ou vocalizações abstratas, criados para nomear e definir, mas muitas vezes usados para confundir e enganar.

Compreensão e entendimento, linguagem e significados, opiniões e conceitos. São tantas as facetas interpretativas que as palavras apresentam, e todas elas dependem de apenas um único fator mental: nosso grau de discernimento. Uma simples palavra pode ser apreendida de forma distinta, apesar de todas as definições pré-estabelecidas, apesar da própria realidade dos fatos. Ao proferir a palavra "amor" para dez pessoas, posso estar sendo compreendido de dez formas diferentes. E por que o entendimento é tão difícil às vezes? Porque quando entramos em contato com a palavra, nós nos prendemos à sua abstração disfarçada de realidade concreta (a sua mera representação), e não observamos o sentido essencial que ela aponta – e às vezes nem mesmo sabemos que tal essência existe. Entendemos a palavra do modo como nossas expectativas ansiosamente a definem, e não apreendemos o significado fundamental a que ela simplesmente alude. Olhamos o dedo, e não a lua que ele aponta. Eis porque muitas vezes agimos, falamos e pensamos coisas que podem fazer mal a nossos corações, e aos corações alheios. O grande mal da Torre de Babel é fazer aflorar nos lábios e nas letras toda a doença da incompreensão que caracteriza as mentes de muitos homens e mulheres.

Mas como praticar o dom da palavra? O primeiro passo para aprender esta arte é calar-se, e escutar atentamente. Curando nossa tendência a nos expressar inexoravelmente, sem jamais praticar a paciência de escutar ou entender, aprendemos a reconhecer melhor o sentido de nossos pensamentos e opiniões. Ao fazer isso, atingiremos o entendimento crucial daquilo que estamos imaginando expressar, e assim saberemos se o que estamos dizendo é correto. O mesmo processo se dá para as palavras alheias. A base da discordância entre os homens está no fato de que nos apegamos ao nossos argumentos, continuamos falando ou nos expressando sem prestar atenção a mais nada, e nos prendemos ao sentido frio dos termos, ficando surdos ao que é dito pelos outros. E então, esquecemos de que o ato de compreender deveria ser o objetivo de todo diálogo. Sem compreensão atenta, a palavra se limita a exprimir os ecos de nossas próprias ilusões, fantasias, racionalismos, ódios ou preconceitos.

Ouvir atentamente não é fácil, eu sei. Corremos o risco de ouvir coisas duras e cruéis. Podemos ter que nos defrontar com idéias e opiniões constrangedoras, assustadoras e desprezíveis. Mas sem o esforço da escuta atenciosa, jamais saberemos usar a palavra com sabedoria. É preciso mergulhar fundo nas palavras alheias para que possamos expressar nossas próprias palavras com cuidado e correção. Entretanto este enfrentamento não significa nem justifica agir com arrogância ou combatividade; podemos ouvir e falar sem cair na dor da disputa, da ofensa ou da agressão. Eis a Palavra Correta, o melhor meio para se atingir os méritos da linguagem verbal e escrita.

Mas o caminho das palavras vai além, muito além. Apreendendo o sentido dos termos, precisamos também apreender sua insubstancialidade, seu Vazio, seu significado oculto. O mistério da Palavra é profundo e poderoso, mas completamente passível de ser atingido por qualquer um. Por trás de tudo o que eu digo – seja verdadeiro ou falso, consciente ou auto-iludido – minha verdadeira face se apresenta. Toda a nossa condição humana depende de como sabemos expor nossas idéias, e o quanto estas idéias representam as verdades mais saudáveis da sabedoria humana. Não há como disfarçar o engano e a falsidade nas palavras; mesmo aqueles que são capazes de suprema dissimulação, jamais lograram manter sua falsa palavra por muito tempo. Da mesma forma – e pelos mesmos motivos – as mentes violentas, cruéis e fanáticas são incapazes de sustentar seus erros por muito tempo sem cair no esquecimento, descrédito ou vergonha. E também as palavras brutas, frias, insensíveis ou imaturas não se sustentam mais do que bolhas de sabão.

Diante da necessidade de diálogo e aprendizagem, o praticante deve saber que o exercício da consciência depende do grau de sensibilidade em reconhecer a verdadeira meta. O objetivo final não pode ser expresso pelos signos e palavras, mas somente através deles poderemos reconhecer a existência de um sentido para a vida. Assim, qual é o pleno exercício de compreensão? Abrir-se para o mundo com liberdade de espírito e desprendimento dos conceitos. Quando afastadas do egoísmo, as palavras são o meio mais eficaz de superação dos atos de sofrimento, miséria, dor e iniqüidade que o Homem promove contra si mesmo.

O caminho da eloqüência e sabedoria passa por grandes descobertas humanas, e engrandecimento pessoal. Será através dele que poderemos atingir a outra margem do rio da existência. Naquela margem habita o segredo mais belo e valioso do Dharma budista: coerência nas ações e economia de palavras.


Cláudio Miklos / Tam Hyuen Van Publicou aqui!


Mas lí aqui!

domingo, 10 de outubro de 2010

"A roda da Vida"

Início Lama Padma Samten Notícias Novo livro do Lama Samten! "A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez"
Novo livro do Lama Samten! "A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez"
Dom, 19 de Setembro de 2010 21:39 CEBB
Dia 28 de setembro, ouve o lançamento do livro "A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez" no CEBB Caminho do Meio.


Em "A Roda da Vida como Caminho para a Lucidez", o Lama Padma Samten oferece aos leitores de língua portuguesa um resumo de alguns dos pontos fundamentais do budismo. Com uma linguagem simples e bem-humorada, o Lama descreve os doze passos da construção do sofrimento humano – representados na imagem da Roda da Vida – , assim como o método para alcançar a lucidez, ou seja, a liberação do sofrimento.


"Se o sofrimento foi criado, construído, ele pode ser dissolvido, desconstruído. Para tanto, é necessário aprender a percorrer o caminho inverso, coisa que Padma Samten ensina com maestria. Mas só isso não é suficiente. A lucidez é alcançada pelo cultivo de uma mente compassiva, associado à realização da vacuidade, termo que não significa vazio, como muitos acreditam. Dizer que tudo é vacuidade é afirmar que os fenômenos – as coisas e as relações – não existem por si mesmos; existem apenas na dependência de; interdependentemente.
O entendimento intelectivo do conceito, entretanto, não implica em sua realização. Quando esta acontece, a visão de mundo é profundamente alterada e a pessoa sente-se conectada com o todo. A verdadeira compreensão da essência da realidade ocasiona uma abertura inigualável para o outro e para o mundo. Com exemplos retirados do cotidiano, Lama Samten explica a vacuidade da forma simples, a fim de tornar o caminho rumo à libertação acessível ao maior número possível de pessoas.

Além de ter a virtude de reunir os mais importantes ensinamentos budistas, apresentando ao leitor noções complexas e sofisticadas, livro tem o mérito de mostrar como esse conhecimento pode (e deve) ser aplicado no dia-a-dia por qualquer pessoa que deseje livrar-se do sofrimento.

O Buda disse que ninguém deveria aceitar suas ideias baseando-se apenas na fé. O praticante do budismo deve testar os ensinamentos e ver se funcionam ou não em sua vida.

“Em termos filosóficos, o budismo é uma religião extremamente sofisticada, mas que pode ser resumida em duas palavras: compaixão e sabedoria. Procurar desenvolver essas qualidades é o que todo budista deve fazer em sua prática em busca da iluminação”, diz Lama Samten. Um conselho útil a todos."

Link aqui

Postado por Monge Genshô



A Roda da Vida

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A Roda da Vida (sânsc. Bhavachakra), também conhecida com a Roda da Existência, Roda do Devir e do Vir-a-ser, foi criada pela extinta escola Sarvastivada, precursora do buddhismo Mahayana. Este diagrama geralmente é encontrado nas portas de entrada dos monastérios tibetanos. Suas ilustrações representam simbolicamente a os doze elos da existência interdependente, os seis reinos da existência cíclica e os três venenos da mente. Segundo a tradição, a Roda da Vida foi desenhada pela primeira vez na época do Buddha Shakyamuni. Depois de pedir um conselho ao Buddha, o diagrama teria sido desenhado por ordem do rei Bimbisara de Magadha. Ele o enviou ao rei Udayana em retribuição a um manto de jóias preciosas que tinha recebido de presente. O rei Udayana teria atingido uma profunda realização espiritual após estudar este diagrama.

A assustadora figura que segura a roda é Yama, o demônio da morte da mitologia indiana. Aqui, sua terrível presença simboliza a impermanência; nenhum ser vivo pode escapar de suas garras. Entretanto, o Buddha está flutuando no céu e apontando para a lua cheia; isto representa que os seus ensinamentos apontam o caminho para a liberação.


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A maioria das pessoas vive negando a morte; praticantes [buddhistas] vivem com a constante consciência de sua existência. A morte, para eles, é uma poderosa diretriz para encontrar o significado essencial da vida. Na prática Vajrayana tibetana, os símbolos da morte — copas de crânio, tambores de crânio, trombetas de fêmur, malas [rosários] de osso, dançarinos em indumentárias que simbolizam esqueletos — nos relembram nitidamente de sua proximidade.
A utilização de tais implementos durante os rituais não quer dizer que os praticantes Vajrayana sejam insensíveis à morte, ou que não se aflijam com a morte de familiares e amigos, porém o cheiro e a textura de ossos envelhecidos, por exemplo, evocam o pensamento: "Sim, eu também terminarei como ossos espalhados ou cinzas num cemitério. Possa eu usar bem este corpo e não desperdiçar o tempo que me resta".

(Chagdud Khadro, Práticas Preliminares do Budismo Vajrayana)


Na borda da roda, doze ilustrações representam os elos da existência condicionada:

Uma velha mulher cega, andando com uma bengala, representa a ignorância;
Um oleiro fazendo um pote representa a vontade;
Um macaco pulando de galho em galho representa a consciência;
Um barco com duas pessoas representa o nome e forma;
Uma casa com seis janelas representa o conjunto dos seis sentidos;
Um casal se abraçando representa o contato;
Um homem dramaticamente ferido por uma flecha no olho representa a sensação;
Um homem tomando bebida alcoólica representa o desejo;
Um homem ou um macaco agarrando uma fruta em uma árvore representa o apego;
Uma mulher grávida representa a existência;
Uma mulher dando à luz representa o nascimento;
Uma pessoa carregando um cadáver representa o envelhecimento e morte.
A parte principal da roda é dividida em seis partes, representando os seis reinos da existência cíclica (sânsc. samsara). Na parte de baixo, estão os três reinos inferiores:

seres dos infernos (sânsc. naraka, nairayika);

fantasmas famintos (ou espíritos carentes, sânsc. preta);

animais (sânsc. tiryak, tiryagyona).

Na parte de cima, estão os três reinos superiores:

deuses (sânsc. deva);

semideuses (ou antideuses, deuses invejosos, demônios covardes, titãs, sânsc. asura);

humanos (sânsc. manushya).

Em cada reino há um buddha: Yama Dharmaraja no reino dos infernos; Jvalamukha no reino dos fantasmas famintos; Simha no reino dos animais; Indra no reino dos deuses; Vemachitra no reino dos semideuses; e Shakyamuni no reino dos seres humanos.

Em alguns sistemas, o reino dos semideuses também é considerado um reino inferior, tornando-se um dos "quatro estados miseráveis" (infernos, fantasmas famintos, animais e semideuses). Em outros sistemas, contam-se apenas cinco reinos (infernos, fantasmas famintos, animais, humanos e deuses), sendo que os semideuses são divididos entre o reino dos fantasmas famintos e o dos deuses.

Existem seis reinos onde nós podemos ter renascimento, um deles é o reino humano. Cada reino tem um âmbito de experiência específico, ainda assim podemos vivenciar em corpo humano — embora com muito menos intensidade — as experiências dos seis reinos. Por exemplo, o reino dos infernos é vivido por nós através da experiência de que todas as pessoas que nos cercam são ruins, o filho, o marido, o chefe... Para todo lado que olhamos as coisas são difíceis e só há sofrimento. Através da raiva e da aversão nos conectamos com esse reino. No reino dos seres famintos há uma experiência de carência incessante, eles têm sempre muito pouco diante do que sentem que necessitam. Nos conectamos a essa experiência através da avareza e aquisitividade. Assim como nos infernos, esses seres também não praticam. Os seres nos infernos dizem: "estou sofrendo, tudo é horrível, como eu vou praticar?" Os seres famintos dizem "eu preciso disso e disso, como posso praticar?". Depois há o reino dos animais, eles não praticam porque tão logo eles estejam com suas necessidades satisfeitas, de barriga cheia, dormem. Assim, também não ouvem o Dharma.

Entre os reinos superiores, há os deuses. Não é o reino de Deus, mas dos deuses. No reino humano isso corresponde àqueles que andam de carro importado, jatinho, não tem problemas de dinheiro, desfrutam de todas felicidades do mundo material. Os deuses tem corpos específicos sutis, se deslocam no espaço e produzem benefícios para os seres humanos em dificuldades. O problema é que são benefícios condicionados, e não do tipo que produz liberação. Esse reino é o que os seres humanos buscam em seus sonhos, é a sua perdição... Vivemos almejando chegar lá, trabalhando para isso, ou sonhando com isso. Nos conectamos com esse reino através do orgulho.

Já os semi-deuses têm poder, mas são competitivos e invejosos; passam o tempo todo combatendo. A conexão se dá através da inveja. Os deuses não praticam porque estão imersos em facilidades e felicidades, então, por quê praticar? Os semi-deuses, como estão sempre guerreando, também não têm tempo para praticar.

(Padma Samten, Prática na Vida Cotidiana)

Não é um processo que necessariamente precise ser monitorado. As ações se desenrolam do seu próprio modo, sem que ninguém controle o resultado. Não é como se alguém tivesse que contabilizar tudo para que cada qual fosse parar no reino certo, etc. As ações de cada ser determinam as experiências futuras desse ser. [...]

A idéia de que podemos vivenciar estes reinos de sofrimento que chamamos de infernos deixa muitas pessoas céticas ou enraivecidas. Elas não acreditam em inferno; pensam que este conceito não passa de uma tática que algumas religiões empregam para assustar e controlar as pessoas. Em certo sentido, é verdade que o inferno não existe. Se fizermos uso de toda a tecnologia do mundo para tentar chegar ao centro da Terra, nunca acharemos o inferno. No entanto, muitos seres estão sofrendo no reino dos infernos neste exato momento.

O inferno é o fluxo dos enganos e fantasias da mente, dos pensamentos e interações raivosos, e das palavras e ações nocivas que eles produzem. Se não forem controlados, não há como deixarmos de vivenciar o inferno. [...] Algumas pessoas experimentam o inferno mesmo enquanto contam com um corpo humano. Muitas delas ocupam nossos hospitais. [...] Poderíamos estar sentados no mesmo quarto que elas, e não enxergar nada do que sofrem. Ao mesmo tempo, podemos estar bem ao lado de um grande meditador que vivencia o céu, a terra pura, sem que nós mesmos enxerguemos isso. [...]

Embora grandes meditadores consigam vislumbrar outros reinos, nós não temos prova absoluta sequer de que o nosso mundo fenomênico humano exista além das nossas mentes individuais e coletivas. Ainda assim, da mesma forma que tomamos nossos sonhos como reais enquanto estamos dormindo, consideramos real o nosso reino humano. E os cinco outros reinos são tão reais para os seres que neles existem quanto a nossa experiência é para nós. O inferno parece tão real para um ser no inferno, o reino dos fantasmas famintos tão real para um fantasma faminto, quanto o reino humano para nós. Em última análise, o sofrimento provém não dos fenômenos desses reinos, mas do fato dos seres conferirem realidade a eles.

Assim, não é contraditório dizer que nossa experiência é real ou verdadeira, e ao mesmo tempo falsa. Nem é contraditório dizer o mesmo de qualquer outro reino. Se insistimos que o reino humano é real, então todos os demais reinos são reais, porque os seres que neles existem os experimentam como reais. [...]

Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, passamos a ter motivação para encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos algum remédio. Ao compreender que a virtude e a não-virtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou tristeza, prazer ou dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar nossas ações e cultivar qualidades virtuosas, buscando a liberação para nós mesmos e para os outros seres, ou podemos continuar a criar não-virtude, perpetuando sofrimento sem fim.

(Chagdud Tulku Rinpoche, Portões da Prática Budista)

No centro da roda há três animais que representam os três venenos (sânsc. klesha) da mente, a origem dos seis reinos e dos doze elos: o desejo (apego) é representado por um galo; o ódio (aversão) é representado por uma serpente; e a ignorância (conhecimento errôneo), a fonte dos outros dois venenos, é representada por um porco ou javali. O galo e a serpente geralmente aparecem saindo da boca do corpo, indicando que o apego e a aversão surgem da ignorância. Ao transcendermos estes três venenos, podemos nos libertar do sofrimento dos seis reinos e extinguir os doze elos que nos prendem a ele.

Ao redor do círculo com estes três animais, há dois semicírculos que representam a virtude e a não-virtude. O semicírculo negro representa o karma negativo, que conduz aos reinos inferiores. O semicírculo branco representa o karma positivo, que conduz aos reinos superiores.

Observando a roda da vida, é possível contemplar os quatro pensamentos que transformam a mente: a preciosidade do nascimento humano, a impermanência, o karma e o sofrimento. Esta contemplação é muito eficaz para despertar a compaixão, o amor, a alegria e a equanimidade.

Os humanos têm maior vantagem. As nossas felicidades e sofrimentos não são tão duradouras. E quando cruzamos de uma felicidade para uma infelicidade, buscamos os ensinamentos. Isso é a vida humana comum. Ainda assim ela é muito rara. Se comparamos a nossa vida com outros seres, eles são muito mais numerosos. O corpo humano é raro e improvável. Como nós somos geridos pelo karma, o nosso renascimento é construído pela nossa condição kármica. Nós não conseguimos dirigir esse processo. É como a tartaruga cega, que a cada cem anos vêm à superfície do oceano, de águas revoltas, onde há um aro boiando. O renascimento humano é tão improvável quanto esta tartaruga, justamente no momento em que sobe à superfície, conseguir colocar sua cabeça dentro do aro que estava boiando.

A nossa condição humana hoje é favorável. Os seres humanos têm a possibilidade de praticar. Temos a liberdade de olhar nossos impulsos e perceber aspectos mais sutis. Temos tempo livre. Isso significa méritos. Já a "vida humana preciosa" tem características peculiares que transcendem em muito a vida humana típica.

Quando vivemos em épocas em que os seres de luz não se manifestam, nos sentimos perdidos e a vida parece sem sentido. Na época atual os seres de sabedoria vieram; vieram e deram ensinamentos que foram guardados e transmitidos. Esses ensinamentos chegaram até nós e estamos numa região onde esses ensinamentos existem. Além disso, temos sensibilidade para ouvi-los. Dizem que há uma vida humana preciosa quando, além desses fatores, estamos engajados em transformar a nossa vida a partir dos ensinamentos dos seres de sabedoria. Se estivéssemos sob domínio de seres negativos, ou se tivéssemos um modo de ação incorreta, não conseguiríamos ouvir os ensinamentos. Se não estamos sob essas condições, isso completa as características da vida humana preciosa. Se a vida humana é numerosa como as estrelas no céu noturno, a vida humana preciosa é tão rara quanto estrelas que são vistas no céu diurno. A pessoa está engajada em produzir benefícios para todos os seres.

O segundo pensamento é sobre a impermanência. Todas as coisas são impermanentes. Nós estamos sempre buscando o que é estável, mas nos enganamos. Onde estão os meus amigos "inseparáveis" da escola? A gente nem sabe onde eles estão hoje. Onde está a casa da nossa infância? A nossa mãe, pai, irmãos? O primeiro namorado, que foi maravilhoso, mas sumiu. A nossa experiência é de instabilidade e transformação constantes. Se diz no buddhismo que o planeta Terra vai desaparecer. O que dizer então das nossas pequenezas? Estamos aqui por um curto espaço. Esse ensinamento vem para aprendermos a olhar com o olho correto à cada momento. O olho incorreto é pensar que tudo é estável. Quando entendemos a preciosidade da nossa vida, e a usamos para produzir benefícios aos outros seres, este é o sinal de que os ensinamentos produziram as transformações que buscávamos.

A seguir, o karma. Estamos sujeitos a impulsos internos com os quais não podemos lidar. Esses impulsos produzem as dez ações não-virtuosas ou as correspondentes dez ações virtuosas. As ações virtuosas vão produzir experiências favoráveis — isso também é karma, karma favorável ou positivo, mérito. São experiências de felicidade condicionada.

O karma se manifesta em quatro níveis: imediato, a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, se desejamos que alguém morra, naquele exato instante estamos esquecidos da nossa condição búddhica, luminosa, perfeita, e isso já é sofrimento. O de curto alcance, é que de novo e de novo vemos a morte de alguém como solução para nossos problemas. O de médio alcance vai se prolongar por essa vida e por outras: a pessoa não se sente digna, sente-se impura por dentro, inferior, e tem uma marca de aversão pelos outros.

Pior que pensar é planejar como fazer. Aí a perturbação se intensifica. A pessoa vai ter sentimentos mais perturbadores, pode começar a ter pesadelos. Se fez isso e executou, a experiência que é muito intensa, vai haver uma intranqüilidade muito grande. E se o ser morreu, é pior ainda. Ela vai se sentir perseguida. Por um longo tempo vai sofrer. Então temos essas quatro etapas kármicas que acompanham cada ação.

Nós temos uma multiplicidade de possibilidades tanto positivas quanto negativas. Tanto uma quanto outra são condicionadas, podem flutuar, estamos sempre pulando de um ponto para outro. Estamos presos nisso, é automático. Esses impulsos estão a nosso serviço, mas quando eles começam a andar por si, são karma. Temos vários mecanismos condicionados, o nosso cabelo cresce, as unhas crescem, sem que a gente faça alguma coisa. E por causa do karma surge a etapa seguinte, o quarto pensamento, que é o sofrimento. Sempre que operamos com referenciais duais, o sofrimento é inevitável. Aí surge o pensamento final que é: eu gostaria de me liberar disso, revelar minha natureza luminosa, usar de forma positiva as relações que estou vivendo, beneficiar os seres.

Em meio às confusões do mundo e tendências kármicas, toda vitória que podemos ter é como vitória no campo de futebol, frágil, impermanente. Agora mudamos, queremos descobrir a nossa natureza completa. Quando olhamos na vida, a nossa vontade de mudar é testada várias vezes, isso é prática espiritual. Aí nossa paisagem ao redor se transforma de samsara, lugar de sofrimento e enganos, em terra pura, que é onde praticamos, recebemos ensinamentos e nos sentimos protegidos pelos seres de sabedoria.

Os buddhas olham o que chamamos de samsara e vêem a perfeição que ali existe. Somos como formigas num palácio, não conseguimos reconhecê-lo com nossos olhos de formiga. Há, então, uma longa etapa de transformação dos nossos olhos, até que possamos reconhecê-lo. Em geral, não conseguimos perceber o valor do benefício real que estamos recebendo.

Paralelamente ao processo de transformação das tendências kármicas, o Buddha ensinou a prática ininterrupta das "quatro qualidades incomensuráveis", que são o método positivo de manifestação no cotidiano solucionando as confusões e conflitos.

A primeira é a compaixão, o desejo que os seres realizem sua natureza interna e se livrem de suas complicações. Essencialmente é o desejo que o outro supere suas dificuldades e possa melhorar. Atenção: compaixão é diferente de "pena". Quando temos pena, estamos validando a imagem que a pessoa faz de si mesmo, e justamente por isso ela está mal. Compaixão é reconhecer no outro a sua natureza estável, perfeita, de luz, sua condição verdadeira, quebrando o encanto dos jogos que estão produzindo as complicações. A segunda é o amor, o desejo que o outro seja feliz, completamente. Não exclui ex-maridos, ex-esposas, ex-sócios... Depois a alegria, a capacidade de se alegrar com as alegrias e vitórias dos outros, pequenas ou grandes. É um poderoso antídoto contra a inveja. Finalmente a equanimidade: perceber as flutuações das alegrias e tristezas da vida; num momento se tem uma grande alegria, em outro aquilo mesmo vira uma grande tristeza. Surge uma serenidade estável frente a essas flutuações e uma fé permanente, inabalável na natureza de todos os Buddhas, que é a sua própria natureza.

O Buddha ensinou também os meios de produzir felicidade nas relações humanas: casamento, namoro, filhos, trabalho, estudo. Em primeiro lugar, ao invés de pensar "o quê vou obter do outro", pensar "o que posso oferecer". Alegrar-se em oferecer! Se estamos na dependência do comportamento do outro para obter felicidade, eventualmente pode até funcionar, mas quando surgir a impermanência e o outro flutuar, entramos em crise. S.S. o 14º Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz, sempre brinca, "que tipo de amor é o de vocês, aquele que só existe se o outro sorrir?" Esse tipo de amor está baseado em quanto estamos recebendo e, por isso, é frágil.

Praticando assim, podemos usar a vida cotidiana como caminho espiritual, superando os conflitos internos e trazendo benefícios a todos os seres. Alegria!

(Padma Samten, Prática na Vida Cotidiana)

Lembre-se que, nos infernos inferiores, os seres queimam como o sol, e que nos infernos superiores, eles congelam. Lembre-se de como os fantasmas e espíritos sofrem com a fome, a sede e o ambiente. Lembre-se de como os animais sofrem as conseqüências de sua estupidez. Abandone as causas kármicas de tais misérias e cultive as causas da alegria. A vida humana é rara e preciosa; não faça dela uma causa para o sofrimento. Tome cuidado; use-a bem.

(Nagarjuna, citado em Path to Enlightenment)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A sensacional resposta da Profª Maria Luísa Faro e o espírito do petista de hoje...

Como lidar com um país que QUER ser enganado?

O povo brasileiro QUER crêr no sonho vendido pelo Lula/PT/Dilma
... precisa.

Mudar a realidade exige muito e pode ser doloroso. Exige perceber que se esta sendo enganado e participando da encenação de propósito...

O medo mudou de cara. Viver no sonho pode ser bem mais doído... Creiam.


No programa “Manhattan Connection” do GNT do dia 03/10, Marcelo Madureira, ao lado do Mainardi, mandou essa :

” O Lula é o maior picareta da história do Brasil.

Demoraremos anos para desmistificá-lo”
.


Estava deitado em casa vendo, e quase caí da cama.


O Mainardi numa alegria impressionante e o Lucas Mendes com um sorriso amarelo.

Imperdível... Antológico... Mas na reprise da tarde, cortaram a fala dele.

Este ano o grande instrumento de mudança na democracia foi a INTERNET.

No mundo virtual a MArina foi eleita com larga diferença. Mas o virtual não vale...

Vale a aprovação que é influênciada por outras mídias. Mais de 80% das pessoas do país acreditam no discurso do PT e na massa de desinformação...

A propósito dos 80% que aprovam o Lula, vale ler, apesar de longa, essa troca de e-mails entre duas eleitoras.


Uma mãe mandou para a filha um e-mail sobre o passado negro da Dilma.


A filha repassou o e-mail para seus amigos que, por sua vez, o repassaram para amigos.


Aí uma petista se achou no direito de dar uma lição de moral na mãe.

Vale a pena ver as mensagens trocadas.


Da Lígia Rodrigues (a petista) para a mãe, Sra. Maria Luisa Faro:

"Mamãe, que feio!!!! Ensinando a sua filhinha a acreditar nos absurdos que escrevem na internet?

Acho melhor incentivá-la a estudar a história do Brasil e deixar que ela mesma tire as suas próprias conclusões, afinal quem estudar a história do Brasil, entenderá que nunca o nosso país esteve tão bem como hoje, tão forte na economia mundial, tão evidente, tão em crescimento e desenvolvimento quanto esteve nesses 8 anos de governo Lula!!!!

E agora o que acontece?

Acontece que a oposição está desesperada, porque está vendo o quanto o POVO está satisfeito (governo Lula tem 88% de aprovação da população, aprovação que nenhum governo nunca tinha tido antes na história e aí vem me dizer que é porque o povo é ignorante?

Não não meus queridos, o povo está satisfeito porque nunca teve tanta oportunidade, nunca teve tanta comida na mesa, nunca teve tanto emprego, isso sim) o quanto o Brasil cresceu e aí a única alternativa que resta é APELAR.

Apelar para a ignorância, para a mentira e para a ingenuidade de pessoas inocentes e que acreditam em todos os absurdos que circulam por aí.


Então fica a minha dica:

pesquisem!!!!

Vejam o que realmente é verdade!!!

Ligia Rodrigues
"


Ao que a mãe (Maria Luisa Faro) respondeu:

"Cara Lígia:

Da educação da minha filha cuido eu e decididamente não preciso da sua ajuda, embora agradeça seu interesse.

Se você imagina que eu seja alguma semi-alfabeta, desconhecedora da história e que me socorra apenas da internet, para compor a minha (in) formação, como lamentável e invariavelmente procede a maciça maioria dos jovens da sua geração, saiba que sou do tempo em que se liam livros e se redigia em bom português.


Tenho 58 anos, sou mestre e doutora em Direito Ambiental pela PUC São Paulo, professora universitária e brasileira que lê.


Porque leio, tenho a nítida compreensão do embuste que representam os tais 80% de popularidade disto que você chama de presidente e que eu prefiro chamar de populista barato, parte de uma corja que tomou de assalto este país, no maior estelionato eleitoral já visto na história brasileira.

Estelionato, porque esta malta petista se elegeu sob as vestes imaculadas da correção, da ética e da transparência na política.

Vendeu produto podre, cara Lígia.


E você, consumidora desavisada, está comprando.

Todos que fomos formados na hoste da esquerda brasileira, da década de 60 e 70, os que lutaram contra a ditadura (você seguramente não viveu o período sinistro da ditadura), dando a cara para a polícia militar bater, não raro comprometendo vidas profissionais em razão de envolvimentos políticos, em nome da restauração da democracia neste país, sentem-se ludibriados, enganados e feitos de palhaços pelo PT de hoje.


Eu, que já fui eleitora de José Dirceu, sou obrigada a assistir cenas explícitas de sua “competente” coordenação na montagem do mensalão, um deslavado programa de compra de apoio de parlamentares, cuja tarefa em contrapartida ao dinheiro (seu e meu) que receberam mensalmente do PT, era invariavelmente votar a favor DE TUDO que se lhes fosse requisitado. Saiba que aí começam os 80% da “popularidade” do seu presidente.


E Lula, que sempre dormiu dentro do pijama de José Dirceu, nunca soube de nada.

Eleitora de José Genoíno que também já fui, igualmente, sou também obrigada a assistir cenas explícitas de suas atividades como gerente do mensalão, como chefe dessa organização criminosa que se instalou no poder, sob a batuta beneplácito e complacência de Lula, PARA QUEM TUDO SE PASSA, COMO SE NADA SE PASSASSE (até porque ele já resolveu a situação econômica até da quinta geração de seus descendentes, através da fortuna amealhada por seu filho, um ex-vigia de um zoológico no interior São Paulo e hoje trilhardário, - dificilmente em razão de seu trabalho e sua competência).


Dólares na cueca, Waldomiros, a lista é infindável.


Mas, o mais monumental e ousado estelionato perpetrado contra a população deste país pela malta petista, está no “golpe de mestre” engendrado para viabilizar a reeleição de Lula: tomar dinheiro público, do erário, portanto, seu e meu, e distribuí-lo aos borbotões para a sofrida população carente do norte e nordeste, literalmente comprando o voto desses coitados (cada bolsa-alguma-coisa rende, por baixo, 6 votos, que é o tamanho de uma família média do norte e nordeste).


Então, faça as contas e veja de onde vem a popularidade de seu presidente: maciçamente oriunda da adesão incondicional desses coitados, que não têm a menor idéia e nem sabem do que há embutido no dinheiro que recebem.

Se eu fosse eles, tampouco quereria saber.


Como não sou, sei: o PT copiou o projeto original de redistribuição de renda, concebido e operacionalizado inicialmente em Brasília, mudou o nome do programa como se cria sua fosse e, em mais um de seus estelionatos, assumiu a paternidade do programa, sem nunca ter tido a decência de dar CRÉDITO AO GOVERNO ANTERIOR QUE O CONCEBEU E IMPLANTOU.


Com a abissal diferença, porém: O projeto original era vinculado a contrapartidas, como pré-requisito para a concessão da bolsa. Isto se chama investimento público e não aleluia com dinheiro público, distribuído obedecendo ao único e exclusivo critério de que cada bolsa-alguma-coisa, rende, como rendeu na reeleição de Lula, no mínimo, 6 votos.


Então, Lígia, saiba que a popularidade desse presidente que lhe representa (a você, porque a mim não representa) tem o MESMÍSSIMO LASTRO, ORIGEM , NATUREZA, PERFIL E FORMATAÇÃO DO APOIO INCONDICIONAL que Lula recebeu dos parlamentares da Câmara Federal, durante o mensalão.


E o dinheiro usado nessa mera transação comercial, aferível através de matemática simples, é seu, viu?


Lula passou sua vida fazendo bravatas, como ele próprio admitiu.


Como parlamentar, teve atuação pífia.


Nunca se ouviu falar de um projeto de lei de sua autoria.


Claro, pouco afeito à leitura, como ele próprio afirma, dele não se esperaria nada diferente.


Como presidente, sem a menor afinidade com a rotina e a disciplina inerentes ao expediente, gastou seu tempo - à guisa de entabular “negócios” com outros países - literalmente rodando mundo, fazendo propaganda de si próprio, como o "coitado" (!) que deu duro e venceu.


Saiba que Europeu e americano amam o “exotismo” dos países periféricos (candomblé, mulher pelada no carnaval, favela etc.).


Digo isto porque morei um ano nos E.U. em intercâmbio quando jovem, estudei Direito Internacional Público na Universidade de Edimburgo na Escócia, durante minha época de graduação em Direito e lecionei, por 7 verões consecutivos Direito Ambiental Brasileiro na graduação e no Mestrado da Universidade de Louvain, na Bélgica.

Portanto, manjo bem o espírito com que europeus e americanos vêm o Brasil e a figura "exótica" de seu presidente.

Pergunte se eles elegem populistas e políticos que mal sabem ler e escrever... Seu presidente, semi-alfabetizado que é (e isto é uma vergonha sim senhora!, para uma criatura que se dispôs a representar os brasileiros.

Não obstante, ele carrega sua falta de estudo como um troféu).

Nós merecíamos, no mínimo, que ele tivesse se dado ao trabalho de dominar as regras básicas da língua portuguesa, porque teve sim chance, teve sim, tempo e teve sim, condições de estudar, se tivesse aptidão que não tem, para a disciplina inerente a qualquer atividade de aprendizado.


Marina, por exemplo, alfabetizou-se aos 16 anos.

Teve vida incomensuravelmente mais sofrida do que a de Lula e não envergonhou a ninguém como parlamentar e ministra que foi, e jamais vociferou discursos na base do “menas gente” e “entendo de que....”.

Palanqueiro, demagogo, populista admirador das pataquadas de Chaves, de Ahmadinejad et caterva, seu presidente semi-alfabetizado confunde “prisioneiro político” com “prisioneiro comum”, como o fez, para a imprensa internacional, no episódio de Cuba (você se lembra, do prisioneiro político cubano que morreu em greve de fome exatamente no dia em que Lula chegou a Cuba, episódio sobre o qual seu presidente, no melhor estilo Odorico Paraguaçu, declarou: "se a moda pega, as cadeias brasileiras ficariam vazias!!!!?).


Sem comentários.


Enquanto o mundo se empenha para banir a ameaça nuclear, seu presidente cruza o planeta com sua troupe, às custas de dinheiro público, para passar a mão na cabeça de um ditador sanguinário (vide dados recentes acerca das eleições e repressão à oposição no Irã) e negociar, sem ter mandato da comunidade internacional para isto, exatamente no papel de "bobo da corte" (foi assim que a comunidade internacional interpretou sua atuação no episódio) em torno do enriquecimento do urânio no Irã.


No dia seguinte ao tal “acordo”, que Lula festejou para a imprensa internacional como um feito monumental, o ditador do Irã confirma para essa mesma imprensa, que “vai continuar enriquecendo urânio sim!!!" como se Lula sequer lá tivesse estado.


Bem feito!


É isto que acontece quando se tem para conselheiro em política internacional “especialista” do calibre de um Marco Aurélio “top top” Garcia (lembra-se da comemoração furtivamente filmada no interior do Palácio do Planalto, assim que o jornal da Globo noticiou que o acidente da TAM se dera em razão de falha humana e não em razão das condições da pista de Congonhas?).


Melhor teria sido até que as famílias das vítimas não tivessem testemunhado essa cena no Palácio, por parte de um assessor tão próximo do presidente).


Escárnio, em nome de ganho político a qualquer preço.

Esta é a política do PT atual, eleito com as vestais imaculadas da correção e da ética que vendeu e você comprou.


Não satisfeito, obtuso por desconhecimento da história, seu presidente se arvora de “vírus da paz”, no conflito do Oriente Médio que é BIBLICO (sabe o que significa isto?).

O mundo e a ONU se empenham HÁ DÉCADAS tentando compor este conflito de interesses que já produziu um número incalculável de mortes.

Lula achou que ele era o cara!!

É ter-se em alta conta demais, para quem seguramente sequer se debruçou sobre um manual de história geral do segundo grau.

Diz o ditado: dá-se mala para andante, já pensa que é viajante...


Alguém precisa dizer-lhe: “se manca Lula!"


Seu presidente tem muitas qualidades, Lígia, mas levar a sério a expressão do Obama "that´s the guy" (que, SEM A MENOR DÚVIDA, foi proferida em razão das graças e piadas que são a forma através da qual Lula se afirma, nesses reuniões políticas, nas quais depende inteiramente de alguém para traduzir o que se passa...), é muita pretensão.

Não acho que presidente brasileiro tenha por obrigação falar inglês, não.


Mas, convenhamos, é uma vergonha um sujeito que sempre quiz ser presidente, não ter se dado ao trabalho de estudar uma língua estrangeira, em deferência aos brasileiros, para bem representar seu país.

Mas não, dá-lhe pinga, piada e futebol.

É assim a metáfora que faz, de nós brasileiros no exterior.

A mim, me ofende como cidadã e me envergonha como brasileira.

Ah, mas ele é super popular no exterior!

É a admiração de que não precisamos.

Americanos e europeus gostariam, tenha certeza, ainda muito mais, se nosso presidente fosse o Raoni (com todo o respeito e reverência que devemos aos sobreviventes das nossas comunidades indígenas, estes sim, vítimas de uma política indigenista de extermínio perpetrada por nós brancos, ao longo de todos os governos anteriores, inclusive por este, do PT).


Eleito pela primeira vez porque significava a mudança e a ética, fez um primeiro mandato durante o qual NÃO TEVE CULHÕES para implementar nada do que apregoou durante a campanha.

Literalmente DEU CONTINUIDADE às iniciativas do governo Fernando Henrique, pelando-se de medo da inflação voltar e não ter a envergadura que teve Fernando Henrique, como estadista que foi, de aniquilar uma inflação que já estava no DNA dos brasileiros, de tão endêmica e embutida na psiquê do brasileiro.

Descobriu, depois da posse, que os rumos do governo não poderiam nem deveriam ser diferentes daqueles adotados no governo anterior.


Mas achou forma de “faturar” em cima do mérito alheiro Até os índices positivos de safras de grãos recordes, obviamente fruto de políticas agrícolas do período anterior, foram colhidos e computados pela máquina publicitária do governo petista como se fosse fruto do governo que mal iniciara.


Saiba que o que a máquina de propaganda deste governo apelidou de "herança maldita", foram os acertos dos governos anteriores que caíram no colo de Lula, ou alguém tem a ilusão de que implantação de políticas, de infra-estrutura etc., rendem respostas no dia seguinte em que são implantadas.


A crise internacional, que se festeja não ter chegado no Brasil, realmente não faz grandes marolas em um país que tem uma monumental parte da sua economia no plano informal, longe dos números oficiais.


Este país anda, Lígia, com Lula, sem Lula ou com cover de Lula.

Não é ele o artífice de nenhuma proeza política.

É, sim, o artífice de uma monumental máquina de propaganda governamental, isto sim, "sem precedentes na história deste país".

Aliás, nem acredito que o mérito seja dele, porque ele é apenas a marionete à frente da cortina nesse teatro, por ser palanqueiro e empolgar a massa como Goebels fez no Alemanha nazista e menos votados como Jânio Quadros e Collor fizeram no Brasil.

Deu no que deu, se você conhece história.

Na era da televisão, usando dinheiro público na manutenção do circo, vende o produto Lula deslavadamente na embalagem que quer (vide esse programa virtual, que é mera versão e não fato, chamada PAC) para uma população infelizmente consumidora de novelas na telinha.

A maciça maioria da nossa população não lê jornais.

Ou você acha que é mera coincidência que ele não se elegeu nos estados de sul e sudeste, onde os índices de analfabetismo não muito menos drásticos.

Lula é produto da desinformação e do analfabetismo de um lado e, de outro, do oportunismo de segmentos que viram no governo Lula a chance de se candidatar a uma das tetas dentre as inumeráveis (vide o número de ministérios que criou, para manter com o seu dinheiro) para, na base do clientelismo, perpetuar-se nas benesses do poder e usufruir das mamatas que sobejamente conhecemos.

A próxima mamata para os petistas é a nova estatal criada para cuidar do pré-sal.

Aguarde para ver o número de cabides de emprego para acomodar petistas que serão criados.

Ah, sempre foi assim?

Ah bom, pensei que o PT durante 20 anos pregando o contrário, fosse o partido da ética e de políticos honestos, porque foi isto que venderam a mim e à população brasileira?

Era bravata?

Ah bom.

Então tá.


Em tempo:


Assine um jornal. Se há alguém mal informado aqui talvez não seja eu.


Maria Luisa Faro"
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fatosnoespelho.blogspot.com

Maria Luisa Faro Magalhães

Advogada, Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC São Paulo - 2002, na área de Direitos Difusos e Coletivos, sub-área de concentração em Direito Ambiental;

Mestre em Direito das Relações Sociais pela Universidade Estadual de Londrina - UEL, Paraná -1983, onde lecionou por 16 anos as disciplinas Direito Ambiental e Direito Internacional no curso de graduação.

Leciona atualmente Direito Ambiental no curso de Mestrado da Universidade Estadual de Londrina e em cursos de Pós-Graduação em instituições diversas.

É professora titular das disciplinas Direito Ambiental e Direito Internacional na Faculdade de Direito da FEMA (Fundação Educacional do Município de Assis, São Paulo).

Leciounou Direito Ambiental Brasileiro no curso de Mestrado em Direito da Energia da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, é especialista em Direito Ambiental Comparado pela Universidade de Strasbourg, França, professora convidada da Universidade da Flórida, E.U.A., ex-Coordenadora da Comissão de Meio Ambiente do Conselho Federal da OAB, em Brasília, autora de publicações na área, no Brasil e no exterior.


Maria Luisa Faro Magalhães

domingo, 3 de outubro de 2010

A Armadilha das Noções

Retirado do Site brasileiro dos seguidores do Mestre Zen Thich Nhat Hanh;


O Buda contou uma parábola interessante em relação às idéias e noções. Um jovem comerciante ao voltar pra casa viu que ela foi atacada e incendiada por bandidos. No que seria o lado de fora da casa destruída, havia um pequeno corpo carbonizado. Ele pensou logo que aquele corpo pertencia a seu filho. Ele não sabia que, na verdade, seu filho estava vivo e nem que, após incendiarem a casa os bandidos levaram-no junto com eles. Naquele estado de confusão o jovem comerciante acreditou que o corpo que ele estava vendo era o de seu filho. Então, ele chorou, bateu no peito e arrancou os cabelos lamentando sua perda – e assim preparou a cerimônia de cremação.


Esse homem amava muito esse filho, era a sua razão de viver. Tanto que, mesmo depois da cremação, ele não conseguia abandonar as suas cinzas nem só por um momento. Mandou fazer uma bolsa de veludo, pôs as cinzas dentro e a carregava dia e noite. Mesmo trabalhando ele não se separava delas. Mas eis que, uma noite, seu filho conseguiu fugir dos bandidos e voltou para casa reconstruída. Às duas horas da manhã ele bateu na porta muito feliz por estar de volta. O pai acordou e ainda segurando a bolsa com as cinzas perguntou: “Quem está aí?”.


“Sou eu. Seu filho!” Disse o garoto atrás da porta.


“Você, seu teimoso, não é meu filho. Ele morreu três meses atrás. Eu carrego as suas cinzas aqui comigo”.


O garotinho continuou ainda por um tempo a gritar e a bater na porta, mas seu pai continuou se recusando a deixá-lo entrar. O homem estava firmemente agarrado à idéia de que seu filho já estava morto e que esse outro menino era uma pessoa sem coração que veio somente para atormentá-lo. Finalmente, o menino desistiu e foi embora e o pai perdeu o filho para sempre.


O Buda costumava dizer que se você se deixar apanhar por uma idéia e passa a considerá-la como “a verdade”, você perderá a chance de conhecer a verdade. Mesmo se a própria verdade em pessoa vier e bater à sua porta, você se recusará a abrir a sua mente. Portanto, se você estiver comprometido com uma idéia acerca da verdade ou acerca das condiçõs necessárias para a sua felicidade, tome cuidado. O Primeiro Treinamento da Plena Consciência é justamente sobre sermos livres dos pontos de vista:


Cientes do sofrimento causado pelo fanatismo e pela intolerância, nós estamos determinados a não sermos idólatras e a não nos apegarmos a nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, mesmo que seja de origem budista. Os ensinamentos do budismo são um guia para nos ajudar a olhar profundamente a realidade e para desenvolver nossa compreensão e nossa solidariedade, e não uma doutrina em nome da qual devamos combater, matar ou morrer”.


Esta é uma prática que ajuda a nos libertar da tendência a sermos dogmáticos. Nosso mundo sofre já bastante por causa das atitudes dogmáticas. O primeiro treinamento da plena da consciência é importante por que nos ajuda a permanecer pessoas livres. Liberdade é, acima de tudo, liberdade de nossas próprias noções e conceitos. Ao permanecermos enredados em nossas noções e conceitos, faremos sofrer a nós mesmos e mesmo àqueles a quem amamos.