sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O secretário do Papa vai de bicicleta ao trabalho!



Chama-se Alfred Xuereb e decidiu seguir ao pé da letra as instruções da era Bergoglio de austeridade vaticana: chega de luxo. Viva a bicicleta!

Postado no jornal argentino Clarín, 21-01-2014. A tradução é de André Langer.

Xuereb é nada menos que a mão direita do Papa. Seu secretário pessoal. Maltês, de 55 anos, de uma família de antiga estirpe nas ilhas, já foi segundo secretário de Bento XVI depois do popular GeorgGänswein.

Mas, além disso, em novembro, o Papa Francisco o nomeou como delegado do Instituto para as Obras de Religião (IOR, o banco vaticano) e da Comissão Pontifícia para a Referência sobre a Organização da Estrutura Econômico-Administrativa da Santa Sé, com a finalidade de exercer a função de supervisão e informação à Sua Santidade.

Um dado que o Papa costuma destacar em seu secretário é que anda de bicicleta. O Papa Francisco vem motivando o clero a utilizar “veículos mais simples” e a não se deixar levar pelo gosto ou pela ostentação em sua vida de serviço.

“De verdade, digo-lhes que me dói quando vejo um sacerdote ou uma religiosa com um carro do último modelo. Não pode ser! Pensarão, mas padre, então agora temos que andar de bicicleta? A bicicleta é boa!”, explicou o Papa a um grupo de seminaristas. Deu o exemplo de mons. Xuereb, que se locomove de bicicleta por Roma.

“Entendo que o carro seja necessário para o trabalho, mas escolham um mais simples! E se gostarem de um mais bonito, simplesmente pensem no número de crianças que morrem de fome, só isso!”, exclamou Bergoglio.

Uma distância saudável!

Mais uma criação para quem curte bike! Estudantes da Northeastern University, em Boston, criaram uma bicicleta com sensores para detectar a aproximação de outros veículos! O sistema também possui laser que indica aos condutores o espaço que a magrela precisa.

Imagem: Reprodução | Catraca Livre



Postado por  Parque da Cidade



Ciclismo urbano bom negócio!


Redação de Celso Filho especial para o ESTADÃO
Seja para o lazer nos fins de semana ou como meio de transporte diário, as bicicletas têm voltado à cena nos grandes centros urbanos brasileiros. E o que para muitos é uma solução sustentável ao trânsito caótico das cidades, para outros é uma oportunidade de negócios. De oficinas a estabelecimentos com serviços especializados para os ciclistas, empresários estão investindo com criatividade para atrair esse público em crescimento.
Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), estima-se que a frota de magrelas no Brasil seja de 70 milhões. Somente em 2013, foram fabricadas no País 4,5 milhões de bicicletas e este ritmo deve se manter este ano.
Para o diretor executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves, o consumidor atual pede um novo perfil de produção. “Vivemos um momento de evidência, da redescoberta da bicicleta como alternativa ao transporte viário. A demanda está cada vez mais exigente, com bicicletas mais sofisticadas.”
Rafael e Talita criaram uma oficina com bar. FOTO: Sérgio Castro/Estadão
Os novos ciclistas urbanos também exigem uma série de serviços e produtos específicos. Segundo Gonçalves, a discussão de temas relacionados à mobilidade urbana tem ajudado a convocar adeptos do ciclismo em todo o País. “O empreendedor precisa analisar a fundo este mercado e entender as necessidades dos usuários em cada cidade.” Em São Paulo, onde a sociedade tem demandado investimentos em infraestrutura de ciclovias, o público é de pessoas mais conscientes que querem mudar sua convivência com o espaço urbano.
Análise. Para o consultor do Sebrae-SP Marcelo Sinelli, é importante que o empresário estude as exigências e características do mercado. “Uma opção é descobrir novos serviços em torno do ciclismo. Ele pode comprar outras coisas além de simplesmente alugar uma bicicleta. Mas é algo de nicho, vai ser um negócio mais localizado em lugares em que se usam muito a bicicleta, como a Vila Madalena e o Parque Ibirapuera”, explica.
A localização foi um ponto importante para a empresária Camila Nakatsui começar seu negócio. Em 2012, depois de passar uma temporada no exterior, ela decidiu criar o Bike Café integrado à bicicletaria de duas amigas, no bairro de Pinheiros. O espaço, que funciona como um café, possui dois bicicletários e recebe tanto ciclistas que são clientes da loja quanto adeptos do Mountain Bike que participam de eventos criados nos fins de semana pelo estabelecimento. “É um serviço combinado, a pessoa vem à loja para deixar a bicicleta (para um reparo) e toma um café enquanto espera.”
Ideia parecida tiveram os amigos Talita Noguchi e Rafael Rodo ao criarem o Las Magrelas, no ano passado. A oficina, na Vila Madalena, funciona também como um bar e virou um ponto de encontro para ciclistas urbanos. Além disso, o local atende até as 22 horas.
“Queríamos resolver dois problemas: horário e ter serviços especializados. Isso tudo com um espaço de convivência. A pessoa traz a bicicleta para consertar e pode subir para tomar uma cerveja e conversar com os amigos”, diz Rafael.
O local ainda possui um andar para o projeto oGangorra, em um espaço de coworking para empresas e grupos discutirem iniciativas ligadas à mobilidade urbana. O bar também recebe eventos de coletivos culturais, como oficinas de arte e exposições. “As pessoas querem pensar a cidade de uma maneira diferente. Querem mudar seu estilo de vida. É preciso ter um ambiente que não seja impessoal. Onde o cliente chega e se sente à vontade, sem correria”, afirma Rafael.

Especialização.  Apesar da vantagem de se ter diferentes serviços no mesmo local, o consumidor demanda conhecimento do universo que envolve o ciclismo urbano. É o que aponta o empresário Cléber Anderson, sócio-proprietário da Anderson Bicicletas. A loja, que tem mais de 20 anos de mercado, oferece serviços mecânicos e atendimento especializado para auxiliar os clientes, principalmente do público infantil, na compra de acessórios e bicicletas. Para conquistar a clientela, eles também organizam passeios noturnos semanais pela cidade de São Paulo.
Segundo Anderson, o mercado no País vive um novo boom com a retomada do ciclismo urbano nas grandes cidades. Assim, o empreendedor precisa estar atento às novidades e entender sobre o que está vendendo. “Uma loja tem sucesso pela oferta de produtos. É preciso oferecer o produto certo que o cliente precisa. Isto tudo com respaldo técnico”, explica.
Segundo Sinelli, para embarcar neste novo mercado, é preciso entender o que o público carece e oferecer o que ele precisa. “Em todo negócio, vende-se uma solução. É necessário pensar: que tipo de solução eu posso vender para este ciclista?”, aconselha o consultor.
Estar na internet é exigência do público desse mercado
Se esse ciclista urbano pode ser definido como uma pessoa consciente dos problemas da cidade, ele também está conectado para discutir suas causas.
Segundo Angelo Leite, presidente da Serttel, empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto Bike Sampa, os usuários de sistemas de compartilhamento de bicicletas são normalmente jovens que buscam uma nova maneira de se integrar ao espaço urbano.
“É um público voltado para a nova cidade, que está nas mídias sociais e que discute qualidade de vida”, afirma.
Foi nesse ambiente conectado que o diretor da Mob Content, Marcos Ferreira, decidiu apostar. Em 2013, financiada por uma campanha de crowdfunding, a empresa de tecnologia midiática desenvolveu o aplicativo Itinere, que funciona como uma mapa colaborativo para ciclistas. Com a informações dos usuários, o sistema aponta para locais com bicicletários, trechos perigosos para bicicletas, buracos e trajetos mais populares, similar ao Waze.

Anderson. Website e vendas pela rede a partir deste ano. FOTO: Robson Fernandjes/Estadão
Ainda em fase de desenvolvimento, uma nova versão do aplicativo deve ser lançada neste primeiro semestre. A expectativa é que no futuro a tecnologia atraia marcas que queiram estar associadas ao aplicativo e à causa do ciclismo urbano. E este pode ser um dos caminhos para se investir neste mercado. “A bicicleta é como uma causa. Tudo que é lançado com esta causa é adotado como uma marca”, alega Marcos.
Mesmo não sendo uma empresa como a Mob Content, estar na internet é um fator importante para qualquer empreendedor da área. Tanto ter uma loja virtual para oferecer seus produtos quanto investir na divulgação de seus serviços nas redes sociais.
Nesta área, a Anderson Bicicletas pretende avançar. Segundo o dono, Cléber Anderson, o desenvolvimento do e-commerce ainda é um desafio. “É uma das nossas principais deficiência”, assume. Para resolvê-la, o empresário tem investido em uma reforma do website da loja e, neste ano, irá começar a efetuar vendas pela internet.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Um samurai, conhecido por todos pela sua nobreza e honestidade, veio visitar um monge Zen em busca de conselhos. Entretanto, assim que entrou no templo onde o mestre meditava, sentiu-se inferior, e concluiu que, apesar de toda a sua vida ter lutado por justiça e paz, não tinha sequer chegado perto ao estado de graça do homem que tinha à sua frente. Inqueriu o mestre:

- Por que razão me estou a sentir tão inferior a si ? Já enfrentei a morte muitas vezes, defendi os mais fracos, sei que não tenho nada do que me envergonhar. Entretanto, ao vê-lo meditar, senti que a minha vida não tem a menor importância.
Tranquilo o mestre respondeu:
- Espere. Assim que eu tiver atendido todos os que me procurarem hoje, eu dou-te a resposta.

Durante o resto do dia o samurai ficou sentado no jardim do templo, a olhar para as pessoas que entraram e saíram à procura de conselhos. Viu como o monge atendia a todos com a mesma paciência e com o mesmo sorriso luminoso no seu rosto. Mas o seu estado de ânimo ficava cada vez pior, pois tinha nascido para agir, não para esperar. De noite, quando todos já tinham partido, ele abordou o mestre:

 - Agora podes-me ensinar? 

O mestre pediu que entrasse, e conduziu-o até o seu quarto. A porta para a rua estava aberta e dava para um jardim simples, a lua cheia brilhava no céu, e todo o ambiente inspirava uma profunda tranquilidade.

- Estás a ver esta lua, como ela é linda ? Ela vai cruzar todo o firmamento, e amanhã o sol tornará de novo a brilhar. Só que a luz do sol é muito mais forte, e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos à nossa frente: árvores, montanhas, nuvens. Tenho contemplado os dois durante anos, e nunca escutei a lua a dizer: por que não tenho o mesmo brilho do sol ? Será que sou inferior a ele ?

 - Claro que não -
respondeu o samurai. - lua e sol são coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza. Não podemos comparar os dois.

- Então, tu sabes a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual a lutar à sua maneira por aquilo que acredita, e a fazer o possível para tornar este mundo melhor; o resto são apenas aparências.

O Pico da Montanha é onde estão os meus pés.: Penso, logo, penso que existo





Esse primeiro momento é de semear, depois de colher e amassar e fazer o pão.

Como surge a identidade?

Nossa noção de eu surge dos agregados, mas quem são esses agregados?

Segundo os sutras, os agregados são aquelas coisas que, juntas, nos dão a noção de um eu próprio.

Em primeiro lugar, a forma. Temos uma forma e olhamos para ela, nossa manifestação fenomênica, cármica, nesse mundo. Essa forma - nosso corpo - nos dá a primeira sensação de que somos indivíduos separados.

Depois temos nossos sentidos, temos o contato que esses sentidos fazem, as percepções geradas pelos sentidos em contato com as coisas.

A soma dessas percepções dentro do nosso programa mental dá origem a nossas formações mentais.
Essas formações mentais em operação produzem consciência.

A junção de todas essas coisas produz a noção de um eu. “Ah, eu sou porque eu penso, porque eu opero no mundo, porque eu percebo, por isso então, eu sou”. Como na declaração do Discurso do Método, de Descartes, “Cogito, ergo, Sum” ou “Penso, logo, existo”.

Para o Zen, isso não está correto. Para o Zen, a declaração mais apropriada deveria ser “Penso, logo penso que existo”.

Quando surge essa percepção, dizemos que vem do fato de haver um carma, que gerou forma, gerou fenômeno e todas essas coisas. Vejam que o carma também condiciona a interpretação, ou seja, nossas formações mentais. Nosso corpo percebe sentidos, percebe as coisas de forma parecida, não igual. Não há nenhuma garantia de que o Giovane, aqui ao meu lado, veja a cor gelo da parede do ViaZen exatamente da mesma maneira que eu. Mas é muito próxima, tanto que eu e ele podemos falar sobre ela, analisá-la de muitas formas; é até por isso que seres humanos podem trocar experiências, conversar.
Por isso existe literatura, poesia e assim nós, vendo o que outros escreveram ao longo da história, podemos ver como os sentimentos deles são semelhantes aos nossos, pois vemos de forma bastante próxima. Portanto, partilhamos um carma que interpreta as coisas de forma parecida. Temos programações parecidas, mas não idênticas. Por isso os sentimentos que surgem de pessoa para pessoa face às mesmas experiências são diferentes, porque o programa de suas formações mentais é algo diverso, influenciado por suas marcas cármicas. 


(Palestra sobre Identidades, primeira parte, continua)

Postado por Monge Genshô

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Meditação e o aval da ciência.

Antes vista apenas como atividade mística, meditação ganha o aval da ciência

Valor da prática para a saúde e para a qualidade de vida de pessoas de todas as idades.


Antes vista apenas como atividade mística, meditação ganha o aval da ciência  reprodução/reprodução
Foto: reprodução / reprodução
Sentar-se com a postura ereta, fechar os olhos, sentir a respiração e trazer a atenção para o presente por 10 minutos diários ajudam a diminuir a ansiedade, melhorar a concentração e viver mais e melhor. Não é o trecho de um livro de autoajuda. É a constatação não de um, mas de muitos e diferentes estudos científicos. Foi-se o tempo em que a meditação era considerada apenas uma atividade mística sem embasamento teórico. Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente com o guru Maharishi Mahesh Yogi que nos anos 1960 convenceu os Beatles a atravessar o planeta para aprender a meditar. Até a década passada, não contava com respaldo médico. Nos últimos anos, no entanto, os pesquisadores ocidentais começaram a entender por que, afinal, meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes.

Mais sobre meditação:

Em uma era de gente conectada, que recebe estímulos e informações por toda e qualquer via, como o smartphone que bipa, a música que toca no fone de ouvido e os outdoors de led nas ruas, pesquisadores renomados têm dedicado tempo e dinheiro para provar que exercícios de relaxamento mental podem ser fundamentais na qualidade de vida.

É o caso do neurocientista norte-americano Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin-Madison, que, após um período de imersão com monges tibetanos, descobriu que a meditação funciona - de fato - como um antidepressivo. Segundo ele, a prática altera as estruturas cerebrais, mudando o padrão de suas ondas e protegendo contra a depressão e os efeitos do estresse.

Mais perto daqui, a bióloga brasileira Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, uma das principais pesquisadoras do tema no mundo, afirma: quem medita tem a capacidade de executar as mesmas tarefas que não-praticantes usando menos neurônios. Em recente passagem por Porto Alegre para participar do workshop Ciência, Meditação e o Cultivo Emocional, promovido pela ONG gaúcha Mente Viva, Elisa discorreu sobre seu estudo, que avaliou os cérebros de 20 meditadores e 19 não meditadores combinados por idade, sexo e nível de escolaridade. O resultado apontou para a alta capacidade de concentração e atenção dos praticantes de meditação, que "economizam", por assim dizer, seus cérebros.


Em um terceiro levantamento realizado na Universidade de Brasília pelo psiquiatra Juarez Iório Castellar, foram investigadas 80 pacientes com histórico de câncer de mama. Por meio da coleta de amostras de sangue e saliva, antes e depois dos exercícios meditativos, verificou-se que a prática reduziu os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas, vômitos, insônia e inapetência.

Sendo assim, é fácil perceber que ficou para trás dos anos 2000 a visão de que para meditar era necessário ser budista, usar bata longa e terceiro olho. Quem pratica, garante: não tem hora, lugar, profissão ou religião. É universal. Oprah Winfrey - que chegou a ser a personalidade mais bem paga da televisão internacional - declarou que o tempo despendido com a meditação foi fundamental para o sucesso de sua carreira. Gisele Bündchen revelou em entrevista recente que, mesmo que o despertador toque às 5h30min para uma sessão fotográfica, não abre mão dos seus 15 ou 20 minutos de momento meditativo para manter o equilíbrio. Já para encarar a maratona da campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff quer intensificar os períodos de meditação transcendental, método que pratica, e, inclusive, já teria agendado uma sessão com a guru africana Rajshree Patel, que visitará o Brasil em maio.

Steve Jobs, o fundador da Apple, consagrou a prática budista no meio empresarial e ganhou adeptos mundo afora. Seu argumento para defendê-la era justamente o foco nos negócios. Graças a ela, conseguia afastar de sua cabeça tudo que considerava distração. Personalidades internacionais - o ex-vice-presidente americano Al Gore, o cineasta David Lynch, o músico Adam Levine, o ator Robert Downey Jr., a atriz Demi Moore - e nacionais - a atriz Claudia Ohana, a cantora Luiza Possi e a top Alessandra Ambrósio - engordam a lista de pessoas bem-sucedidas que incentivam a atividade e acreditam que, em uma data nem tão distante, a prática da meditação será reconhecida como questão de saúde pública e terá sua importância igualada ao exercício físico na atualidade.


Receita para uma vida de paz

Mariela Silveira reflete a quebra dos tabus que cercam a meditação. Filha de pai católico e mãe espírita, não quis seguir religião alguma e prometeu ser fiel à ciência quando se formou em Medicina pela Ulbra.

Entre os objetivos, um prioritário: trabalhar com o que proporcionasse bem-estar às pessoas. Escolha um tanto previsível, já que Mariela engatinhou ainda de fraldas pelos corredores do Kurotel Centro de Longevidade e SPA (que ajuda a dirigir atualmente), fundado pelos seus pais, Luís Carlos e Neusa Silveira, em 1982, na Serra. E cresceu uma criança diferente, que enxergava uma peraltice no ato de deixar envelopes com sementes de plantas embaixo das portas dos vizinhos em Gramado.

Foto: Jefferson Botega

Foi em 2003, ao longo de uma viagem à Índia, que a gaúcha percebeu nos exercícios mentais de relaxamento uma alternativa para promover a paz.

— Vi que não era a miséria que provocava a violência em um país. Era possível observar que, por mais pobres que aquelas pessoas fossem, elas viviam em harmonia e incitavam o bem. Foi aí que a meditação entrou na minha vida — lembra.

Para exterminar o preconceito - o dela mesmo, inclusive -, muniu-se de livros, pesquisas e estudos sobre o tema para buscar respaldo científico e poder investir na prática sem receio. Verificou dados concretos de melhora na frequência cardíaca, pressão arterial, imunidade e até no comportamento quando comparava meditadores e não-meditadores.

— Eu achava que poderia ser mal vista pelas pessoas como praticante de uma atividade sem comprovação. Mas percebi que tinha fundamento e parei de me sentir a "Mariela bicho-grilo" (risos). Além disso, me dei conta de que era um instrumento maravilhoso, comum entre as pessoas, independentemente de crença, de onde ela nasceu, de qual a cultura — reforça.

E assim, a médica de 34 anos que preferia intitular a atividade como "exercício de relaxamento ou dirigido" para formalizar o termo, deixou o constrangimento no passado e passou a prescrever a meditação em receitas, além de se tornar uma das principais incentivadoras da atividade no Estado via fundação da ONG Mente Viva, em 2007, ao lado da sócia Anmol Arora. Trata-se de um projeto que leva a prática para escolas públicas e privadas de Gramado, Porto Alegre, Eldorado, Gravataí, Tapes e Pelotas, com um trabalho pré-aula de cinco a 10 minutos com as crianças e que estimula a concentração, a afetividade e o desempenho escolar - com resultados positivos já comprovados em pesquisa.

A técnica utilizada é a mindfulness, ou atenção plena, que visa trazer o foco para o presente e "desligar" o cérebro, mentalizando pensamentos positivos.

— É claro que essa não é a única solução para terminar a violência, que é algo muito mais complexo. Mas de um modo geral, a medicina só foca no tratativo, não foca tanto na prevenção como deveria. Com a violência é igual. Tudo bem falar sobre reabilitação, mas existe também aquele indivíduo que tem todos os fatores de risco, mas ainda não cometeu um crime e que pode ser observado mais de perto. E a prevenção primária mesmo, aquela desde criança — analisa.

Mariela garante: a meditação é simples, gratuita e, no bom sentido, vicia - a ponto de torcer para que uma viagem de ônibus dure mais do que o tempo previsto para poder praticar, ou de ficar entristecida quando o despertador não toca no horário correto e a impede de meditar nos minutos iniciais do dia. E, assim como em qualquer outra atividade, requer paciência e prática para pegar o jeito. Na sua opinião, a meditação trabalha com uma das grandes questões da humanidade: a de como aumentar o espaço interno de conforto para viver com mais qualidade.

— Os indianos costumam falar que a mente é como se fosse um macaco com o rabo pegando fogo, mordido por mil escorpiões, pulando de galho em galho. Está sempre no passado e no futuro, nunca conosco. Em resumo: a meditação ajuda a pessoa a trazer a consciência para o presente - analisa. — Atualmente, o mundo convida à vigilância, à pouca tenacidade, à falta de atenção. Então, precisamos aprender que temos limites para ficarmos internamente bem. Não é exercício de estímulo, é de relaxamento mesmo. A mente é um produto do cérebro, que não está em nenhum lugar do nosso corpo. A meditação faz os dois se encontrarem e ajuda a buscar recursos internos para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia.

A recomendação da especialista é reservar de 10 a 20 minutos por dia, cinco vezes por semana, para o exercício. Sentar, fechar os olhos, respirar e esvaziar a mente.

Para quem se blinda com o argumento de que a rotina é muito corrida para isso, ela repete um mantra de sua coach Dulce Magalhães: "Medite 20 minutos por dia. Se você acha que está sem tempo, então medite por uma hora".

Para Mariela Silveira, a receita é simples: medite durante 20 minutos por dia. Se você acha que está sem tempo para isso, então medite por uma hora.


Quem são as estrelas que meditam:


 

As práticas meditativas fazem sucesso entre as modelos. Alessandra Ambrósiomedita todos os dias.


 

O ator Robert Downey Jr. não dispensa a prática da ioga para sentir-se relaxado e em paz.


 

A apresentadora Oprah Winfrey já declarou que a meditação interferiu positivamente em sua carreira.


 

No auge do sucesso, em 1967, os Beatles mergulharam na meditação transcendental praticada pelo guru Maharishi Mahesh Yogi. Dessa experiência surgiram muitos sucessos do quarteto.


 

Gisele Bündchen publica, com frequência, fotos suas meditando nas redes sociais.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Esquisitos

Há pessoasE não estamos falando da diferença visual (afinal, pintar o cabelo de vermelho e fazer tatuagem todo mundo pode), e sim das esquisitices que nos tornam quem somos.