sábado, 31 de dezembro de 2011

Lembrem de QUEBRAR O "Ciclo Vicioso" em 2012

O sofrimento é causado pela ignorância.



Ignorância é a ilusão de um "eu".


A ilusão do eu é alimentada pelo desejo de que as coisas sejam diferentes do que são nesse exato momento.


A raiva ocorre quando algo não é como eu quero.


A cobiça ocorre quando eu quero algo que não tenho.


"Isso eu quero", "isso eu não quero", essas são as origens do sofrimento.


Zazen é a imediata cessação do sofrimento e das causas do sofrimento.


"Deixe vir, deixe ir", essa é a regra do Zazen. Deixar ser tal como é.


Buddha é aquele que é tal como é. Zazen é a prática de Buddha.


Sentando sem nada querer e sem nada buscar, experimenta-se pela primeira vez o gosto da liberdade.


Cada coisa tem seu lugar no contexto de todas as coisas. 


Querer algo diferente daquilo que é nesse exato momento é criar a ilusão do eu, desequilibrar o que estava equilibrado, a origem do sofrimento.


Ser tal como é nesse exato momento é estar no lugar correto no contexto de todas as coisas.


É unir-se com todas as coisas.






Postado por João Jōken e rep
ostado por Monge Genshô.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Novo Ano de 2012



Joya no Kane
Joya no KaneProgramação:
Zazenkai, Cerimonial e Ceia
31 de dezembro


20:00 hs – Zazen 40”
20:40 hs – Kinhin 10”
20:50 hs – Zazen 40” com Palestra do Darma
21:30 hs – Kinhin 5”
21:35 hs – Zazen 40
22:15 hs – preparação para cerimônia
22:20 hs – Cerimônia de Arrependimento e Queima de Karma (Ryaku Fusatsu)
. intervalo – orientação para os toques do sino
23:45 hs – Cerimônia de Entrada do Ano Novo
.  Maka Hannya Haramitta Shingyô
.  108 Portais do Darma, com toques do sino (Joya no Kane *)
Ceia de Ano Novo

. a participação pode ser integral ou parcial (veja os horários)
. venha com a família e amigos – todo serão bem vindos
. traga os nomes de parentes ou conhecidos (falecidos ou necessitados) para transferência dos méritos.
. traga comes e bebes para compartilhar na hora da ceia

Contribuição mínima sugerida: R$ 30,00 (não-cotistas/não associados)
R$ 20 (cotistas/associados)

*  Joya no Kane: De acordo com os ensinamentos budistas, os seres humanos tem 108 desejos mundanos, obstáculos à Iluminação, aos quais renunciamos quando os sinos são tocados aquele numero de vezes. Assim, estes obstáculos são transformados em Portais do Darma.
Local:
Jisui Zendô (Zendô Águas da Compaixão)
Rua Eliziário Goulart da Silva, 93 (antiga Rua Vista Alegre)
bairro Cristo Redentor (atrás do Hospital Cristo Redentor, bem próximo à Avenida Assis Brasil)

ler textos sobre costumes de Ano Novo no Japão:

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Alain de Botton




Em "Religião para ateus", um livro provocativo (e muito corajoso), o filósofo suiço Alain de Botton, que se declara ateu, defende que à sociedade secular têm muito o quê aprender com os aspectos positivos das grandes instituições religiosas. Aspectos esses que podem muito bem sobreviver mesmo quando Deus é deixado de lado. Nesta entrevista concedida ao blog do G1, Máquina de Escrever, de Luciano Trigo, Alain nos traz um panorama geral das ideias que defende no livro, e conceitua o "ateísmo 2.0":



- Você parece escrever em defesa de uma religião secular. Qual seria o sentido da fé e da religião, sem Deus?



[Alain de Botton] Minha proposta não é inaugurar uma nova religião, sem Deus. Esta seria uma idéia ousada e mesmo bastante louca. Em vez disso, o que sugiro é que os ateus deveriam aprender a roubar alguns elementos das religiões existentes e integrá-los ao mundo moderno. No meu livro, eu argumento que acreditar em Deus é algo implausível hoje e, para mim e muitas outras pessoas, algo simplesmente impossível. Ao mesmo tempo, eu admito que, quando se elimina a fé, abre-se espaço para o surgimento de alguns perigos. Eles não vão necessariamente acontecer, mas estão lá, e precisamos ter consciência deles.



Em primeiro lugar, existe o risco do individualismo excessivo, de colocarmos o ser humano no centro de todas as coisas. Segundo, existe o risco do perfeccionismo tecnológico, de acreditarmos que a ciência e a tecnologia podem oferecer soluções para todos os problemas humanos, e que é apenas questão de tempo os cientistas resolverem todos os males da condição humana. Terceiro, sem Deus é mais fácil perdermos a perspectiva de longo prazo, e enxergarmos o momento presente como a única coisa que importa, esquecendo a efemeridade do presente e deixando de reconhecer, de uma forma positiva, a natureza minúscula de nossas conquistas. Por fim, sem Deus existe o risco de desprezarmos a importância da solidariedade e de um comportamento ético.



Mas é importante sublinhar que é perfeitamente possível não acreditar em nada e ainda assim dar valor a todas essas lições vitais, da mesma forma que alguém pode ter uma profunda fé e ao mesmo tempo ser um monstro. Só estou tentando chamar a atenção para algumas coisas que podem se perder quando descartamos Deus de uma forma muito brusca. Com certeza podemos descartar Deus, mas podemos fazer isso com mais cuidado e reflexão, e mesmo com alguma nostalgia.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz natal para todos os leitores deste blog e para o mundo.



Está escrito nos Salmos: “Aquietai-vos e sabei que sou Deus”. “Aquietar-se” significa ficar tranquilo e concentrado. O termo budista é samatha (parando, acalmando-se, concentrando-se). “Saber” significa adquirir sabedoria, insight ou entendimento. O termo budista é vipasyana (insight, ou examinando em profundidade).



“Examinar em profundidade” significa observar algo ou alguém com tanta concentração que a distinção entre observador e observado desaparece. O resultado é o insight da verdadeira natureza do objeto. Quando examinamos o coração de uma flor, vemos nele as nuvens, a luz do sol, os minerais, o tempo, a terra e todas as outras coisas que existem no universo. Sem as nuvens não poderia haver chuva, e não existiria nenhuma flor. Sem o tempo a flor não poderia desabrochar.


Com efeito, a flor é totalmente formada por elementos que lhe são extrínsecos; ela não possui uma existência independente e individual. Ela “interexiste” com todas as outras coisas no universo. Interexistência é um novo termo, mas estou certo de que em breve ele estará nos dicionários por se tratar de uma palavra extremamente importante. Quando percebemos a natureza da interexistência, as barreiras entre nós e os outros se dissolvem, e a paz, o amor e o entendimento tornam-se possíveis. Onde quer que exista o entendimento, nasce a compaixão.


Assim como a flor é formada por elementos que lhe são extrínsecos, o budismo é composto apenas por elementos não-budistas, inclusive cristãos, e o cristianismo é formado por elementos não-cristãos, inclusive budistas. Temos diferentes raízes, tradições e maneiras de perceber as coisas, mas compartilhamos as qualidades comuns do amor, do entendimento e da aceitação.


Para que nosso diálogo seja aberto, precisamos abrir nossos corações, pôr de lado nossos preconceitos, ouvir profundamente e representar verdadeiramente o que sabemos e compreendemos. Para fazer isso, precisamos de certa quantidade de fé. No budismo, ter fé significa ter confiança na nossa habilidade e na habilidade dos outros de despertar para a mais profunda capacidade de amor e entendimento. No cristianismo, ter fé significa confiar em Deus, Aquele que representa amor, compreensão, dignidade e verdade.


Quando estamos em quietude, olhando profundamente e entrando em contato com a fonte da nossa verdadeira sabedoria, entramos em contato com o Buda vivo e o Cristo vivo que existe dentro de nós e em cada pessoa que encontramos.


“Vivendo Buda, Vivendo Cristo”, cap. 1 do blog Samsara.

Programação das atividades deste próximo final de semana da Sanga Águas da Compaixão


Transforme a sua vida - venha praticar conosco!
Problema na visualização deste e-mail?
Ver esta mensagem no seu browser.
Sanga Águas da Compaixão
Jisui Zendô - Comunidade Zendo Sul
 

Programação das atividades deste próximo final de semana da Sanga Águas da Compaixão
 

Nota: reservem a data 31 de dezembro para as atividades devirada de ano (a partir das 20 hs)!
Nota: as atividades da semana continuarão normalmente durante a semana que vem (semana de festas). Veja a programação semanal abaixo
Nota: novo horário da prática na Aikikai: 3as-feiras, das 18:30 às 19:30 hs. Com o término do módulo sobre o Budismo Japonês, a prática das 5as-feiras entrou em recesso até março, quando será retomada na casa-sede.

Sábado, dia 24 de dezembro
16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)
17:00 hs - Mini-Zazenkai - aberto a todos, doação sugerida: R$ 20 (não-associados/não-cotistas)

Domingo, dia 25 
16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)

A programação das atividades na casa-sede durante a semana encontra-se mais abaixo, antes da listagem da previsão da programação mensal.

Local: Jisui Zendô - casa-sede da Sanga Águas da Compaixão - R. Eliziário Goulart da Silva, 93 - Bairro Cristo Redentor (atrás do Hospital Cristo Redentor). Ver as mãos das ruas para chegar de carro no Google Maps.

Para os plantonistas da Sanga:
- A próxima aula do Curso dos Preceitos, Turma 2009 será no dia 8 de janeiro.

Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

Sanga Energia Harmoniosa - atividades regulares nas 3as e 5as às 14 hs, abertas a todos.
Sanga Aikikai - Zazen e Bate-papo nas 3as, às 18:30 hs. As atividades das 5as feiras estão em recesso até março, quando serão retomadas na casa-sede Jisui Zendô.

Nota: No caso das práticas da Sanga Aikikai, recomenda-se que estacionam os seus carros no estacionamento do Shopping Total ou no estacionamento pago que fica em frente da Aikikai.
 
Cuidem-se bem!
Gassho,
Isshin

Próximas Atividades Especiais:
1) 31 de dezembro - cerimonial de Encerramento de Ano e Entrada de Ano Novo
2) 20 de janeiro - Palestra Especial do Rev.Yoshihiko Tonohira, Abade do Templo Ichijôji (Terra Pura Japonês), Fukagawa, Hokkaido, Japão. 
3) 17 a 22 de fevereiro - Sangaku Sesshin (casa-sede Jisui Zendô, com pernoite)
Nota: No dia 20 de janeiro, às 19:30 hs, estaremos recebendo a visita do Rev. Yoshihiko Tonohira, Abade do Templo Ichijôji, Fukagawa, Hokkaido, que vem ao Brazil para o Fórum Social Mundial. A palestra no Jisui Zendô será sobre o engajamento social do Budismo japonês.

Atividades Regulares durante a semana: 
2as feiras: descanso
3as feiras: 09:30 hs - Zazen e Leitura de Sutra (casa-sede, aberto a todos)
                    14:00 hs - Zazen (Sanga Energia Harmoniosa)
                    19:00 hs - Zazen (Sanga Aikikai)
4as feiras: 19:30 hs - Introdução ao Zen (para iniciantes)
                    20:00 hs - Zazen (casa-sede, aberta a todos)
5as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)
                    14:00 hs - Zazen (Sanga Energia Harmoniosa)
                    20:00 hs - em recesso (Zazen e Aula do Prof. Monteiro, casa-sede a partir de março)
6as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)
                    19:30 hs - Palestra para Iniciantes (casa-sede, aberta a todos)

Previsão Mensal:

1o. Sabado do mês, 14:00 hs - Fukudenkai (Costura Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)

1o. Sabado do mês, 18:00 hs - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - somente Membros-Praticantes

2o. Sabado do mês, 18:00 hs - ArteZen (com projetor tipo Datashow) (aberto a todos)

2o. Domingo do mês, 14:00 hs - Curso dos Preceitos, turma 2009 (grupo fechado)

3o. Sabado do mês, 18:00 hs, março a novembro - Palestra do Darma - A Prática Zen (Sutras Budistas: Sutra do Diamante, um dos sutras mais importantes na nossa tradição) - Professor Monteiro - aberto a todos - doação sugerida: R$ 20 não-associados/não-cotistas / R$ 10 associados/cotistas)

3o. Sabado do mês, 18:00 hs, dezembro a fevereiro - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - aberto a todos 

4o. Sabado do mês impar, 17:00 hs - Mini-Zazenkai - aberto a todos, doação sugerida: R$ 20 (não-associados/não-cotistas)

4o. Sabado do mês par, 09:00 hs -  Zazenkai de Um Dia - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas)/ R$ 30 (associados/cotistas)

4o. Domingo do mês, 14:00 hs - Baika (Música Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)

4o. Domingo do mês impar - Zazenkai de Um Dia (com início no Mini-Zazenkai de sábado com pernoite) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas, para a parte de Domingo)/ R$ 30 (associados/cotistas para a parte de Domingo)



Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Concurso da Prefeitura de Porto Alegre 2011

Sabendo do enorme preblema que temos na prefeitura de Porto Alegre referentes a falta de pessoal, COM DOIS MESES DE ATRAZO saiu a lista de APROVADOS para "Técnicos de Enfermagem":


CP 470 - TÉCNICO EM ENFERMAGEM

22/12/2011 - Edital 142 - Resultado dos recursos, gabarito defitivo, listagem de notas da prova objetiva, prazo para entrega dos recursos e marcação da data do sorteio do critério de desempate.

Anexo I - Resultado dos recursos

Anexo II - Gabarito definitivo

Anexo III - Listagem das notas da prova objetiva

Clique aqui para preencher o formulário de recursos.




Parabéns para todos os novos colegas e BEM VINDOS A LUTA.



28089 SIMONE DA SILVA JAQUES DA CONCEIÇÃO 5 6 30 59 Aprovado

Viagem ao Japão: 01 – Tokyo & Sojiji (Yokohama)



Kirigaya-ji, depois do serviço memorial

Em setembro deste ano, viajei para o Japão para realizar as formalidades de Zuise nos dois templos-sede da nossa tradição, o último passo no processo de reconhecimento como monja plenamente formada como “oshô”, habilitada como Professor do Darma (Sensei) e autorizada a tornar-se abadessa de um templo oficialmente reconhecido.

Chegando no Japão, fui recebida no Templo Kirigaya-ji, cujo abade é o Rev. Junryû Kuroda, Roshi. Irmão mais novo do mestre Zen Maezumi Roshi (professor de ordenação da Monja Coen, a minha professora de ordenação), ele tem sido uma pessoa importante para o Zen ocidental devido ao seu apoio a muitos monges estrangeiros – inclusive eu. Cultivo imensa gratidão por todos os tipos de ajuda que ele tem me oferecido durante os anos do meu treinamento.

Na manhã seguinte, pude ajudar num serviço memorial; após, tiramos uma foto do grupo.

Em seguida, o Kono-san (monge do Kirigaya-ji que é amigo nosso e que passou alguns anos ajudando no Templo Busshinji em São Paulo) gentilmente me levou até o Templo-sede Sojiji, onde pude ser “abadessa por uma noite”, conforme relatado no texto sobre esta formalidade chamado Zuise.


Foto oficial - Cerimônia de Zuise no Sojiji - Onoda Roshi, Monja Isshin e Kono-san

Fiquei muito feliz e honrada com a presença do meu professor de transmissão, Onoda Roshi, na cerimônia.
Mais ainda, quase 10 anos atrás, tive a honra de estar presente na cerimônia de Zuise do Kono-san (tenho a foto comigo até hoje) e, por isso, foi muito importante para mim poder ter a presença dele na minha cerimônia.

Terminado o cerimonial de Zuise, o meu professor me levou num pequeno “tour” da região central do Tokyo num “Sky Bus”. Finalizamos o passeio almoçando junto com uma de suas filhas, que trabalha em Tokyo.

Para ver as fotos desta etapa da viagem com legendas explicativas, visite o álbum no PicasaWeb.





先生ありがとう

O Giro da Roda do Dharma



Em uma palestra do Monge Genshô no Rio de Janeiro, um dos presentes lhe fez uma pergunta mais ou menos assim:

"Não é contraditório que existam essas regras e hierarquia no Zen?"

Ele provavelmente fez essa pergunta em função da abordagem não-conceitual no Zen (como sugerido no título do livro de D.T. Suzuki, "A doutrina zen da não-mente"), e talvez influenciado por alguma escola não-buddhista que pregue a ausência de regras e hierarquia.

Monge Genshô lhe respondeu que não, pelo contrário, e que o treinamento Zen era principalmente um treinamento de "forma", ou de regras bem definidas. Ele inclusive contou que um de seus professores no templo de Yokoji baseava o treinamento principalmente nisso: forma, forma, forma até a exaustão. Também que a necessidade e o sentido dessas regras, muitas vezes incompreendidas a princípio, acabavam por revelarem-se pouco a pouco com a prática.

Não me lembro exatamente toda a explicação, mas provavelmente apontou até que, se não houvesse um método de treinamento (que por definição precisa de regras), provavelmente não sobraria muita coisa que pudesse ser chamada de Zen. O que remete ao dito "com esforço não se consegue nada, mas sem esforço aí mesmo é que não se vai a lugar algum", o que poderia ser adaptado para algo como "com treinamento não se consegue nada, mas sem treinamento não se vai a lugar algum".

Isso talvez cause confusão em algumas pessoas, é um tanto paradoxal, e confesso, provavelmente me falte clareza o suficiente para explicar a compatibilidade entre "a doutrina zen da não-mente" e as inúmeras regras de treinamento no Zen.

Mas um interessante "causo" do mundo da informática talvez ponha um pouco de luz à essa questão. Os personagens são Marvin Minsky, um dos pioneiros na área de inteligência artificial e redes neurais, pesquisador e professor do MIT, e seu então aluno, Gerald Sussman, atualmente também pesquisador e professor na mesma área.

"Então Sussman começou a trabalhar em um programa. Não muito tempo depois, um cara meio esquisito e careca apareceu. Sussman imaginou que o cara iria expulsá-lo da sala, mas ao invés disso o homem sentou-se, perguntando - Ei, o que você está fazendo? Sussman conversou sobre o programa com o homem, Marvin Minsky. Em certo ponto da discussão, Sussman disse a Minsky que ele estava usando uma certa técnica de randomização em seu programa porque ele não queria que a máquina tivesse noções pré-concebidas. Minsky lhe disse: - Bem, ela as tem [noções pré-concebidas], a diferença é que você não sabe quais elas são. Foi a coisa mais profunda que Gerry Sussman jamais havia ouvido. E Minsky continuou, dizendo a ele que o mundo é feito de certa forma, e que a coisa mais importante que podemos fazer com o mundo é evitar a aleatoriedade, e imaginar maneiras pelas quais as coisas possam ser planejadas. Sabedoria como aquela teve forte efeito no calouro de dezessete anos, e dali então Sussman estava capturado."

Marvin Minsky talvez seja um dos seres humanos vivos mais inteligentes, e fica claro na história acima que ele não estava falando somente de programas de computador, mas de mentes humanas também. O ponto que ele levanta é muitíssimo interessante.

Sabe-se que no Budismo, não somente o fim do sofrimento pessoal é importante - infinitamente mais importante é o fim do sofrimento de todos os seres. Ainda que uma pessoa tenha a imensurável boa sorte (ou melhor, as inúmeras condições apropriadas) de conseguir eliminar todo o sofrimento na primeira vez que sente em meditação, é necessário um esforço imensamente maior e mais elaborado para eliminar o sofrimento de todos os seres nas dez direções, de seus respectivos pontos de vista relativos. E é claro, para aqueles que como eu que não conseguiram tal façanha, é preciso um esforço e método continuados de prática, que por sua vez é proporcionado por um grande número de amigos que nos ajudam nessa empreitada.

Quem já participou de sesshins já pode ter percebido que trata-se de uma estratégia cuidadosamente planejada para criar o máximo de condições propícias para levar os participantes a uma experiência de esclarecimento, ou em outras palavras, ao início do fim do sofrimento. Essa estratégia é composta por um grande número de regras, cada uma com sua importância, que aos poucos vamos compreendendo. E é claro, a estratégia é executada por atores, que somos nós, os praticantes.

E quem foi o grande estrategista que ensinou o Caminho e criou as inúmeras regras monásticas e leigas iniciais que resultaram nas diversas escolas e métodos budistas que temos hoje? Ninguém menos que Shakyamuni Buddha. A esse grande e maravilhoso impulso chamamos de "O Giro da Roda do Dharma".


(Nesse texto, "Zen" refere-se às escolas Zen Budistas tradicionais, e provavelmente à maioria das escolas Budistas.)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Jisui Zendô - Comunidade Zendo Sul - Final de Ano

Transforme a sua vida - venha praticar conosco!





Sanga Águas da Compaixão



Jisui Zendô - Comunidade Zendo Sul







Programação das atividades deste próximo final de semana da Sanga Águas da Compaixão







Nota 1: reservem a data 31 de dezembro para as atividades de virada de ano (a partir das 20 hs)!





Nota 2: novo horário da prática na Aikikai: 3as-feiras, das 18:30 às 19:30 hs. Com o término do módulo sobre o Budismo Japonês, a prática das 5as-feiras entrou em recesso até março, quando será retomada na casa-sede.





Sábado, dia 17 de dezembro



16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)



18:00 hs - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - aberto a todos





Domingo, dia 18



16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)





A programação das atividades na casa-sede durante a semana encontra-se mais abaixo, antes da listagem da previsão da programação mensal.





Local: Jisui Zendô - casa-sede da Sanga Águas da Compaixão - R. Eliziário Goulart da Silva, 93 - Bairro Cristo Redentor (atrás do Hospital Cristo Redentor). Ver as mãos das ruas para chegar de carro no Google Maps.





Para os plantonistas da Sanga:



- A próxima aula do Curso dos Preceitos, Turma 2009 será no dia 8 de janeiro.





Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.





Sanga Energia Harmoniosa - atividades regulares nas 3as e 5as às 14 hs, abertas a todos.



Sanga Aikikai - Zazen e Bate-papo nas 3as, às 18:30 hs. As atividades das 5as feiras estão em recesso até março, quando serão retomadas na casa-sede Jisui Zendô.





Nota: No caso das práticas da Sanga Aikikai, recomenda-se que estacionam os seus carros no estacionamento do Shopping Total ou no estacionamento pago que fica em frente da Aikikai.





Cuidem-se bem!



Gassho,



Isshin





Próximas Atividades Especiais:



1) 11 a 17 dezembro - Rohatsu Sesshin no Busshinji, SP



2) 31 de dezembro - cerimonial de Encerramento de Ano e Entrada de Ano Novo



3) 17 a 22 de fevereiro - Sangaku Sesshin (casa-sede Jisui Zendô, com pernoite)



Nota: Esperamos acertar a visita do Monge Kijun (filho do meu professor de Transmissão de Darma, Onoda Roshi) para o mês de novembro ou dezembro.





Atividades Regulares durante a semana:



2as feiras: descanso



3as feiras: 09:30 hs - Zazen e Leitura de Sutra (casa-sede, aberto a todos)



14:00 hs - Zazen (Sanga Energia Harmoniosa)



19:00 hs - Zazen (Sanga Aikikai)



4as feiras: 19:30 hs - Introdução ao Zen (para iniciantes)



20:00 hs - Zazen (casa-sede, aberta a todos)



5as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)



14:00 hs - Zazen (Sanga Energia Harmoniosa)



20:00 hs - em recesso (Zazen e Aula do Prof. Monteiro, casa-sede a partir de março)



6as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)



19:30 hs - Palestra para Iniciantes (casa-sede, aberta a todos)





Previsão Mensal:



1o. Sabado do mês, 14:00 hs - Fukudenkai (Costura Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)



1o. Sabado do mês, 18:00 hs - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - somente Membros-Praticantes



2o. Sabado do mês, 18:00 hs - ArteZen (com projetor tipo Datashow) (aberto a todos)



2o. Domingo do mês, 14:00 hs - Curso dos Preceitos, turma 2009 (grupo fechado)



3o. Sabado do mês, 18:00 hs, março a novembro - Palestra do Darma - A Prática Zen (Sutras Budistas: Sutra do Diamante, um dos sutras mais importantes na nossa tradição) - Professor Monteiro - aberto a todos - doação sugerida: R$ 20 não-associados/não-cotistas / R$ 10 associados/cotistas)



3o. Sabado do mês, 18:00 hs, dezembro a fevereiro - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - aberto a todos



4o. Sabado do mês impar, 17:00 hs - Mini-Zazenkai - aberto a todos, doação sugerida: R$ 20 (não-associados/não-cotistas)



4o. Sabado do mês par, 09:00 hs - Zazenkai de Um Dia - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas)/ R$ 30 (associados/cotistas)



4o. Domingo do mês, 14:00 hs - Baika (Música Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)



4o. Domingo do mês impar - Zazenkai de Um Dia (com início no Mini-Zazenkai de sábado com pernoite) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas, para a parte de Domingo)/ R$ 30 (associados/cotistas para a parte de Domingo)





Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FUGAST ou, como TARSO pratica COAÇÃO...

Chantagem é um ato ou prática imoral ou criminosa que consiste em ameaçar revelar coisas ou informações sobre uma pessoa, a não ser que a pessoa ameaçada cumpra exigências, geralmente para proveito próprio, feitas pelo ameaçador. Pode-se definir a chantagem como sendo uma situação onde a primeira parte (quem faz a chantagem) exerce um processo de pressão e/ou tortura mental sobre a segunda parte (quem sofre a chantagem) a fim de receber dessa algo de seu interesse, visto que a segunda pessoa não poderá (ou terá vontade de) consentir.

Coação é um dos "vícios do consentimentos" nos negócios jurídicos, caracteriza-se pelo constrangimento físico ou moral para alguém fazer algum ato sob o fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou a seus bens (Art.151 do CC).
A coação absoluta ou coação física torna nulo o negócio jurídico. O direito de pedir a decretação judicial de nulidade é imprescritível e os efeitos da decretação são retroativos (ex tunc). Já a coação relativa ou moral, quando há opção a quem foi coagido, torna anulável o negócio jurídico. O prazo para entrar com a ação judicial é decadencial e de 4 anos, os efeitos da sentença não são retroativos (ex nunc). Apenas os interessados podem pedir a anulação.








sábado, 10 de dezembro de 2011

Nos tornamos Budhas!

Eu fiquei sem poder postar e acabou passando: 8 de dezembro - dia da iluminação de Buda.



O dia da iluminação de Buda é celebrado no dia 8 de dezembro nas tradições de budismo japonês, chinês e coreano. Segundo a tradição, depois de aceitar o arroz doce oferecido pela pastora Shujata, abandonando o acetecismo extremo, Sidharta (o futuro Buda, banhou-se no rio e sentou-se em Zazen por sete dias e sete noites.



Na manhã do oitavo dia, ao olhar com profundidade a estrela da manhã, atingindo a Iluminação, disse:



“Eu e todos os seres da Grande Terra simultaneamente nos tornamos o Caminho.”

Meditação é o remédio? É, sim...

Médicos e praticantes contam como a meditação pode ajudar a prevenir doenças e até curar outras através do treinamento mental – isso porque essa técnica provoca mudanças fisiológicas no organismo
 
 
 
 

"Meditar é a mesma coisa que ir a um spa e ficar relaxando". Se você pensa assim, não está distante do senso comum, mas pode estar perdendo a oportunidade de experimentar os benefícios da meditação. Técnica tradicional no Oriente, a meditação é objeto de estudo entre especialistas ocidentais há décadas. Aos poucos, vem ganhando adeptos no Brasil e seus benefícios já são detectados até mesmo em experiências clínicas.


Ricardo Zanardi Ramalho é médico da família e clínico geral em São Paulo. Há seis meses, vem aplicando, em Unidades Básicas de Saúde da cidade, técnicas de meditação para grupos da terceira idade, dependentes químicos e pessoas com transtorno de ansiedade, depressão e estresse.


Alongamentos, exercícios leves, e de concentração e respiração completam o tratamento. Os resultados ainda não são rigorosamente científicos, mas Ramalho conta que, ao fim da prática, os pacientes apresentavam melhorias: muitos tinham a pressão arterial reduzida, alguns portadores de distúrbios do sono relataram grande melhora e deixaram de usar medicações controladas. “A meditação exige esforço, empenho, é um processo ativo”, diz Ramalho. “Ela envolve desenvolvimento cerebral e provoca mudanças estruturais no cérebro”.


Essas mudanças observadas pelo médico vêm sendo detectadas em estudos científicos há várias décadas. Desde meados dos anos 1970, o médico Herbert Benson publica livros e artigos científicos sobre o tema. Hoje, além de professor da Faculdade de Medicina de Harvard, é diretor do Instituto Benson-Henri (BHI), do Hospital Geral de Massachusetts, que investiga a interação mente/corpo por meio de preceitos da medicina, ou o que ele chama de relaxation response (resposta de relaxamento). Benson, sua equipe e inúmeros cientistas mundo afora já conseguiram provar que meditar diminui o metabolismo, os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração, provoca relaxamento muscular e sensação de bem-estar, reduz a pressão sanguínea e aumenta a temperatura corporal periférica. Este último reflexo, dizem os especialistas, seria a razão de os monges budistas não sentirem frio mesmo em baixas temperaturas.


 Você pensa que meditar é fácil?
Na população em geral, principalmente no Ocidente, onde desde cedo as pessoas têm seus cérebros treinados a serem hiperativos e muito mais focados nos aspectos externos do que internos, este treinamento pode gerar um certo desconforto, ansiedade e fazê-la desistir antes mesmo que possa alcançar os benefícios iniciais (que são muitos) e conhecer de fato o processo. É como um macaco que pula de galho em galho e fica extremamente irritado quando necessita fixar-se a um mesmo galho por um longo período de tempo.

O aviso é do médico Ricardo Zanardi Ramalho. No começo, ficar na mesma posição durante muito tempo causa dores. Além disso, a concentração profunda exige muito esforço e dedicação. Alguém já tentou se concentrar em sua própria respiração e no funcionamento do seu organismo, sem pensar em mais nada? Esta repórter tentou várias vezes durante a apuração da reportagem e, das duas, uma: ou relaxava tanto que adormecia ou se pegava pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo, sem nem perceber em como os pensamentos tinham ido da concentração aos problemas que perturbam diariamente...


A ciência provou até que quem medita por um longo período pode sentir menos dor do que aqueles que não meditam. Um grupo da Universidade de Montreal publicou um trabalho, há quatro meses, mostrando por meio de imagens de ressonância magnética, como o cérebro de quem medita reage a estímulos de dor. Embora o praticante conheça a dor, ela não é processada na parte do cérebro responsável por avaliar, raciocinar e memorizar informações. "Achamos que [quem medita] sente as sensações, mas encurta o processo, impedindo a interpretação dos estímulos dolorosos”, diz o principal autor do trabalho, Pierre Rainville. É como se quem medita desligasse certas áreas do cérebro receptivas da dor, mesmo experimentando-a.

 
Para os budistas, há uma fórmula subjetiva para essa explicação científica da dor. Em recente visita ao Brasil, na qual palestrou sobre meditação para especialistas e leigos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das mais respeitados do país, o monge Bhante Yogavacara Rahula, do monastério Bhavana Forest, nos Estados Unidos, explicou que sofrimento = dor x resistência. A fórmula significa que quanto mais resistência você oferece à dor, mais você se apega a ela, causando mais sofrimento. Em caso de resistência zero, o sofrimento decorrente da dor é nulo.


Uma mente bem treinada faz com que você não dê tanto peso às intempéries, e isso o afasta daquilo que é ruim. “O segredo é não lutar contra as realidades da vida, contra a impermanência”, afirma Rahula. “Dor é dada, sofrimento é opcional”, diz.


Rafael Ortiz, ortopedista do Hospital das Clínicas, explica. "Toda experiência cognitiva surge por um tempo e desaparece. Só que as nossas lembranças fazem com que o Sistema Nervoso Central continue reverberando aquela sensação já experimentada por meio de estímulos nervosos”, afirma.


Por exemplo: se você estiver de olhos fechados e sentir algo tocando sua bochecha, pode concluir várias coisas. Se acontecer no meio de uma floresta, e sentir medo, pode achar que é uma aranha. Se estiver com o namorado, que se trata da mão dele. “A experiência adquirida muda como você interpreta as sensações”, diz. A intenção da meditação é fazer com que as pessoas se desapeguem dessas memórias e, com isso, consigam se livrar da dor rapidamente.


Ortiz começou a meditar há nove anos mais por uma busca existencial do que por problemas de saúde. Hoje diz que os benefícios da meditação Vipassana – a que ele pratica e uma das várias técnicas existentes – são inúmeros. Antes, o médico tinha muita dificuldade para respirar com o nariz por conta de uma má formação do palato e por crises de rinite – agora não mais. Ele também sofria de asma e tomava muitos remédios, abandonados atualmente. Quando criança, era avaliado como se tivesse transtorno de déficit de atenção. “Eu me tornei uma pessoa mais calma nos últimos anos. E, sem dúvida, tem a ver com a meditação”, afirma. Segundo Ortiz, as pessoas confundem felicidade com excitação. Depois da meditação, ele descobriu que a felicidade está ligada à paz e à tranquilidade. 

 
O médico Rafael Ortiz curou seus problemas respiratórios, e sente-se mais calmo e preparado para lidar com dificuldades


A hoje empresária chocolatier Cintia Sanches Lima era executiva de marketing de uma multinacional antes de descobrir o que diz serem os benefícios da meditação. Por estresse e desconforto físico, teve duas infecções respiratórias fortes, que a obrigavam a dormir apenas três horas por noite. Resolveu pedir demissão. "A meditação foi uma surpresa pra mim", diz, sobre seu primeiro contato com esta técnica milenar: uma reportagem de TV. Ela viajou para o Nepal e passou 45 dias em um monastério para aprender técnicas de meditação. Hoje pratica todos os dias e há mais de um ano não tem mais crises respiratórias. "Minha saúde melhorou muito. Se começa um resfriado, eu sinto bem no começo, muito antes de se manifestar, e passo a me cuidar melhor", afirma. Além da saúde, Cintia percebeu uma mudança em seu comportamento. "Eu comecei a pensar melhor, a mente fica clara e aberta. Também ajuda na criatividade", afirma. Segundo ela, foi assim que conseguiu empreender, com sucesso, seu próprio negócio. Mas ela avisa: a meditação não é um remédio que começa a fazer efeito rapidamente. "Você continua com os problemas, mas sabe lidar melhor com eles. São ferramentas que ajudam no seu controle mental", diz.


No budismo, a sensação de paz interior tem a ver com a clareza mental que a técnica permite aos praticantes. Segundo os ensinamentos de Buda, o sofrimento humano é decorrência de um tripé: cobiça (desejar além do necessário para satisfazer prazeres e vícios), raiva (o apego estimula a raiva, a vingança e a violência) e ignorância (não conhecer a interação corpo/mente). Desapegado desses sentimentos, prossegue a teoria, o homem consegue manter um afastamento sadio das situações para tomar atitudes mais bem pensadas, justas. A meditação, por meio de transformações fisiológicas, teria a função de fazer com que o praticante alcance uma capacidade cognitiva acima da média e experimente a vida com menos agressividade, com menor resposta ao estresse.


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A meditação pode ser usada no combate a:
 • hipertensão;
• doenças ligadas ao estresse;
• depressão, ansiedade e raiva excessiva;
• insônia;
• infertilidade;
• artrite;
• irregularidades nos batimentos cardíacos;
• no tratamento da dor em doenças crônicas,
• e para melhorar o sistema imunológico.

Em casos em que não a doença não pode ser curada, a meditação pode ser usada como recurso terapêutico a quem não responde bem a tratamentos convencionais, ou em conjunto com eles.


A calma produzida pela meditação foi explicada cientificamente em 2009, por pesquisadores ligados ao Hospital Geral de Massachusetts. Eles analisaram a densidade da massa cinzenta em uma área do cérebro chamada amígdala (que nada tem a ver com a amígdala da garganta), reguladora da resposta ao estresse, como liberação de hormônios, aumento da pressão sanguínea e expressão facial de medo. Os participantes relataram altos níveis de estresse no mês anterior ao experimento. Depois de oito semanas de práticas como meditação, yoga e vivências em grupo, todos os participantes relataram uma significante redução do estresse. E, quanto maior a diminuição do estresse experimentada, maior a diminuição da densidade da amígdala direita. Isso significa, também, que essa parte do cérebro modela o comportamento inicial de percepção automática do estresse (como xingar o motorista do carro da frente que te deu uma fechada). Se a densidade da amígdala diminui, esse tipo de resposta ao estresse será menos frequente.


Foi por isso que Natália Parizotto, pesquisadora e estudante de Serviço Social, começou a meditar há três anos. “Para parar de chorar e brigar, melhorar o relacionamento com as outras pessoas. Eu reagia de uma forma que não era devida”, diz. Hoje ela consegue ter controle sobre suas reações, pensa melhor antes de agir – ou seja, não tem mais um comportamento automático frente aos estímulos de estresse. “Eu consigo fazer atividades mais chatas e dou menos peso (a elas). Eu diferencio o que é a coisa em si do meu estado de espírito”, diz. Mas essa tranquilidade em tomar decisões diminui quando ela fica muito tempo sem meditar –Natália relata que perde a paciência mais facilmente e volta a ter um pouco do comportamento explosivo anterior.
 
 
Andreza deixou a carreira administrativa e hoje estuda terapias holísticas depois de se livrar da síndrome do pânico com a ajuda da meditação


Esse processo também é explicado pela ciência. Em janeiro deste ano, pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison publicaram um artigo dizendo que a resposta automática ao estresse até então conhecida – aquela que aumenta os níveis de adrenalina, faz você correr ou gritar em situações de perigo, o chamado “instinto de sobrevivência” – confunde o cérebro. Essa resposta pode romper com a habilidade de pensar claramente e tomar decisões complexas. Já o praticante de meditação fica menos alerta diante de um estímulo de estresse, mas com maior capacidade de tomar decisões estratégicas.


Obviamente essas mudanças nas tomadas de decisões surtem efeitos sobre o estado psicológico do indivíduo. Segundo um trabalho do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicado no Archives of General Psychiatry em dezembro de 2010, a meditação oferece a mesma proteção que antidepressivos contra recaídas. Durante 18 meses após uma crise e posterior melhora, pacientes que foram tratados com remédios tiveram o mesmo índice de recaída que aqueles tratados apenas com meditação. Há, nessa descoberta, duas boas notícias: 1) os pacientes costumam parar de tomar remédios por conta dos efeitos colaterais, mas ninguém para de meditar, e, 2) meditar não gera despesa financeira.


Foi com meditação que a terapeuta Andreza Gonçalves de Oliveira conseguiu sair de um quadro de depressão que envolvia síndrome do pânico. Ela trabalhava em uma multinacional e adoeceu, tamanha era a pressão cotidiana. Largou a área administrativa há um ano e meio, e, em 2010, passou a se dedicar à meditação e ao estudo de terapias holísticas. Foi nessa época que desistiu de buscar ajuda médica e psicológica para os sintomas do pânico. “Você simplesmente não aceita sua condição quando entra em depressão. Com a meditação, a sua mente vai se aquietando e passa a observar melhor a realidade”, afirma. Foi então que ela percebeu que estava doente e que tinha que se cuidar. Os 10 dias em um retiro “me libertaram dos sentimentos que eu tinha de apego pelas coisas, de medo, de raiva, sentimentos guardados durante muitos e muitos anos”, afirma. Foi o fim do problema psiquiátrico e das visitas assíduas a médicos, e um novo recomeço.

 
Algumas descobertas científicas sobre a meditação
• 2002: um grupo de cientistas ligado à Faculdade de Medicina de Harvard provaram que a resposta de relaxamento (RR) melhora a memória de idosos saudáveis, de forma mais efetiva quando eles realizam tarefas simples de atenção. Já os estados de ansiedade diminuem de forma marginal.

• 2003: pela primeira vez, cientistas relataram aumento do número de anticorpos em pessoas que meditaram durante oito semanas após serem vacinados contra a gripe, em relação ao grupo controle. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin.
 
• 2005: em dezembro, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a as alterações na estrutura do cérebro.

• 2008: estudo publicado em julho pelo BHI mostrou, pela primeira vez, que a RR produz uma mudança no padrão de ativação dos genes – e maior ela é quanto mais tempo a meditação é praticada. O mesmo trabalho mostrou que os praticantes tiveram menos danos fisiológicos celulares ligados ao estresse do que o grupo de controle.

• 2009: a amígdala direita é responsável pela resposta automática ao estresse: produz hormônios, aumenta os batimentos cardíacos... cientistas ligados ao Hospital Geral de Massachusetts descobriram que, depois de oito semanas de prática de meditação, houve redução da densidade da massa cinzenta da amígdala dos participantes. Quanto menos relatavam estresse, maior a redução.

• 2009: pesquisadores do Centro Médico de Pesquisa Avançada em Yoga e Neurofisiologia, na Índia, descobriram que praticar meditação cíclica duas vezes ao dia melhora a qualidade objetiva e subjetiva do sono na noite seguinte. Meditação cíclica é uma técnica que combina posturas de yoga intercaladas com repouso.

• 2010: em junho, um grupo da Universidade do Estado da Flórida publicou estudo mostrando que o treinamento mental reduz significativamente o estresse e a supressão do pensamento e aumenta a recuperação fisiológica de alterações relacionadas ao alcoolismo. Dessa maneira, a meditação atinge os principais mecanismos ligados à dependência alcoólica e pode ser um tratamento alternativo para prevenir recaídas entre os mais vulneráveis.

• 2010: um grupo ligado ao BHI, liderado por Marlene Samuelson, provou que mulheres brancas submetidas a um programa de 2,5 horas semanais de práticas mente/corpo durante 12 semanas tiveram uma significativa redução na frequência de 12 queixas cotidianas, como dor de cabeça, confusão visual, tontura, náusea, prisão de ventre, diarréia, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito, papitações, insônia e fadiga.

• 2010: em dezembro, um grupo da Universidade de Montreal descobriu por que quem medita sente menos dor. Essas pessoas têm a capacidade de desligar algumas áreas cerebrais responsáveis pela sensação da dor, mesmo experimentando-a. Dois grupos, um de controle outro de pessoas que meditavam, fora submetidos a estímulos de dor. Os que meditavam tiveram respostas menores para a dor, bem como um funcionamento menor das áreas do cérebro responsáveis pela cognição, emoção e memória. Eles sentiam dor, mas cortavam o processo rapidamente, refreando a interpretação que o cérebro tinha desse estímulo.

• 2010: em dezembro, um grupo do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicou um estudo provando que a meditação tem o mesmo efeito protetor que os remédios contra recaídas em pessoas com depressão.

• 2010: estudo da Universidade da Pennsylvania mostrou melhora na função neuropsicológica e aumentos significativos no fluxo sangüíneo cerebral em indivíduos com perda de memória submetidos a um programa de meditação de oito semanas.

• 2011: ao passo que a meditação faz diminuir a densidade de massa cinzenta da amígdala, ela aumenta a densidade de uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pelo aprendizado e memória, e associada ao bem-estar, compaixão e introspecção. Foi o que descobriu um grupo do Hospital Geral de Massachussets, que publicou o estudo em janeiro na Psychiatry Research: Neuroimaging.

• 2011: pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York publicaram em fevereiro um trabalho que mostra a meditação pode ser útil na redução da ansiedade. Os participantes relataram que se sentiram mais calmos, relaxados, equilibrados e centrados após um mês de prática.
 
 
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