sábado, 3 de dezembro de 2011

O Zen se afasta muito mais de nós quando tentamos explicá-lo

Por Daisetz Teitaro Suzuki



"Está presente diante da tua face, e neste instante tudo te é oferecido.

Para uma pessoa inteligente uma palavra basta para convencê-la da verdade, mas, apesar disso, ainda incorre em erro.

O Zen se afasta muito mais de nós quando tentamos explicá-lo com papel e tinta, prendendo-o numa armadilha verbal e lógica. 

A grande verdade Zen é possuída de todos.

Olha o teu próprio ser e não o procures através dos outros.

Tua mente está acima de todas as formas.

 É livre, calma e suficiente.

Eternamente se imprime a si mesma nos teus cinco sentidos e quatro elementos.

Em sua luz tudo é absorvido.

Abandona o dualismo do sujeito e do objeto.

Esquece-os.

Transcende o intelecto.

Afasta-te dele e penetra diretamente no âmago de identidade da mente de Buda.

Fora dela não há realidades.

Quando a mente é perturbada e a compreensão incitada, coisas são reconhecidas, noções entretidas, espíritos fantasmagóricos conjurados, e os preconceitos crescem sem controle.

O Zen será perdido para sempre nessa selva.

O sábio Sekiso (Shim-shuang) disse: 

Refreia todos os teus desejos. Deixa crescer o mofo nos lábios. Transform-te numa peça de seda imaculada. Deixa que teu único pensamento seja a eternidade!



do livro "Introdução ao Zen-Budismo de Daisetz Teitaro Suzuki.
Postar um comentário