terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quando praticamos zazen...

...nossa mente sempre segue a respiração.

Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior.

Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior.

O mundo interior não tem Limites e o mundo exterior também é ilimitado.

Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo.

Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém.

O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém.

Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais.Não há um você para dizer "eu".

O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos.

Ela simplesmente se move, eis tudo.

Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo.

Só uma porta que vai e vem.

Assim, quando praticamos zazen, tudo o que existe é o movimento da respiração e, no entanto, estamos cônscios desse movimento.

Não devemos nunca nos distrair.

Mas estar consciente do movimento não significa estar consciente do eu pequeno, e sim da nossa natureza universal, ou natureza de Buddha.

Esta consciência é muito importante porque em geral somos unilaterais.

Nossa compreensão habitual da vida é dualista: você e eu, isto e aquilo, bom e mau.

Na realidade, tais discriminações são, elas próprias, a consciência da existência universal.

"Você" significa estar consciente do universo na forma de você, e "eu" significa estar consciente do universo na forma de eu.

Você e eu somos portas de vaivém.

E necessário este tipo de compreensão; porém, nem sequer deveria chamar-se compreensão já que é, isto sim, a verdadeira experiência da vida através da prática do Zen.


Shunryu Suzuki Postado por Monge Genshô

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A janela dos outros

De Martha Medeiros.

Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.

A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.


É o triunfo da dúvida.

Martha Medeiros

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1737451.xml&template=3916.dwt&edition=9136&section=812

Não por ingenuidade, mas por que minha experiência de vida me prouxe até aqui assim, é que tenho todas as reservas com pessoas que se sustentam em discursos elaborados e belos (muitas vezes corretos e edificantes), mas que tem na prática uma vida que não reflete sua fala.

É o caso de meu mui insperador e muso de minha juventude Friedrich Wilhelm Nietzsche que tanto me inspirou a buscar minha pulsão de poder e minha força interior, mas que viveu como um foragido de sua própria vida... sem lugar ou destino (acreditava que seus pares ainda estavam por nascer... nisto ele tinha alguma razão, mas, que vida é esta que não é vivida no presente??? somente no talvez, no quem sabe? No futuro?????? é muito anacronismo...) Assim como tantos outros ele viveu uma vida dedicada a uma busca e foi corroido por esta.

Muitos porém são "corrompidos por ela", corrompidos pela busca e pelo ego que o identifica como o ''único'' capaz de superar uma determinada etapa ou esclarecimento...

São derrotados pela "Misancene" e pelas máscaras que eles mesmo criaram...

atores que acreditam no personagem mais que em si mesmos...

Políticos que roubam e juram que faziam pelo país (a ponto de se dizerem traídos pelos que os criticam, como mártires),

filósofos que não seguem suas teorias, a menos que tenham público que compense,

religiosos que defendem o desapego e colecionam limosines e garotinhas em tenras formas...


Bestas humanas que pululam nossa história moderna e recente, mas não são novidade.


Mas e daí???

Bem eu li o mesmo livro que Marta sita.

Minha janela é a da paisagem trágica. Estou do lado feio do caminho.

Pessoas que até óntem andavam de bandeira erguida ao meu lado em pról da liberdade e tinham atitudes que eu admirava defendem hoje o totalitarismo de ditadores populistas agregados a narco terroristas... ou vendem sua alma por posições bem remuneradas ou de destaque político... por estatus.

Os partidos que eu defendia hoje praticam a mais desvelada continuidade da prática sórdida paternalista que tanto criticavamos...

Não é só na política.

Mesmo depois de tantos anos, de tanto esclarecimento e alcance a informação os mesmos "pseudos gurus" são a fonte de iniciação de um grande número de pessoas bem informadas e acarretam um sem número de distorções nas práticas mais corretas e proativas.

Hoje, quando dei por mim, eu estava mais preocupado com a apaixonada defesa de alguns pelo personágem " X " que esqueci por completo pelo que se propunha um post específico...

Tenho andado demais na janela mais triste por estar sempre na ponta de lança das minhas lutas...

Lidar com a vida e a morte de frágeis pessoinhas que nem sabem que estão vivas ou mortas, e que nunca verão um dia de sol ou sentirão o cheiro de grama humida de chuva morna e terra...

Lidar com um hospital onde as paredes explodem em vazamentos e chove reboco em unidades que deveriam ser de tratamento intensivo...

Em fim... absorvi o monstro que eu pensei combater e me tornei uma criatura amarga e sem esperança...

peço desculpa se não consegui ser produtivo com minhas opiniões e com minhas convicções;

Realmente não confio nos políticos de esquerda, direita e de qualquer um que tenha uma opinião definida sem pensar ou em frases que comecem com: "-- Veja bem, na verdade...";

Gurus e Mestres que recebem títulos de seguidores devem ser suspeitos...

Duvido de Buda (Sidarta), de Cristo e de Todas as Doutrinas Celestes que fundamentam-se na Palavra Divina de livros sagrados, por isto sou obrigado a pô-los a prova em minha própria vida...assim sou obrigado a viver minha própria experiência e tirar conclusões baseado nestas, e nada mais...

Peço desculpas por minha posição enfática e por meus erros de português.

Tendo por base o que descrevi repito:

Teu discípulo por várias existências, por muitos kalpas,ficou preso aos obstáculos docarma,

ânsia,

raiva,

arrogância,

ignorância,

confusão

e erros,e hoje,

graças ao conhecimento que tem do Buda,reconhece seus errose começa sinceramente outra vez...

Assim:


Que eu possa estar em paz, feliz e leve de corpo e de espírito;

Que eu possa viver em segurança e livre de males;

Que eu possa estar livre da raiva, das aflições, medos e ansiedades;

Que eu possa aprender a olhar-me com olhos de compreensão e amor;

Que eu possa reconhcer e tocar as sementes de alegria e felicidade que existem em mim;

Que eu possa aprender a identificar as fontes de raiva, cobiça e ilusão que existem em mim;

Que eu possa alimentar as sementes de alegria em mim todos os dias;

Que eu possa ser sereno, firme e livre;

Que eu possa estar livre do apego e da aversão sem me tornar indiferente;

Que os meus amigos possam estar em paz, felizes e leves de corpo e de espírito;

Que os meus amigos possam viver em segurança e livres de males;

Que os meus amigos possam estar livres da raiva, das aflições, medos e ansiedades;

Que os meus amigos possam aprender a se olhar com olhos de compreensão e amor;

Que os meus amigos possam reconhecer e tocar as sementes de alegria e felicidade que existem em si mesmos;

Que os meus amigos possam aprender a identificar as fontes de raiva, cobiça e ilusão que existem em si mesmos;

Que os meus amigos possam alimentar as sementes de alegria em si mesmos todos os dias;

Que os meus amigos possam ser serenos, firmes e livres;

Que os meus amigos possam estar livres do apego e da aversão sem se tornar indiferentes....

Meditação adaptada por Thich Nhat Hanh do texto Visuddhimagga, escrito por Buddhagosa em 430 d.C. - texto tradicional theravada.


Terminei minhas práticas diárias e minha meditação, guardei os livros e as preces, limpei o porta incenso e troquei a ofernda de água, liguei para minha mulher, de plantão la no hospital e lhe dei boa noite... Meu filho ronrona e faz muito calor em Porto Alegre...Chove em silêncio em minha cidade... Agora vou dormir.

16 de Janeiro de 2008.

Ainda é difícil lidar com tantas idéias.

Mas com a Ajuda de minha querida professora a Monja Isshin Havens.

Lidar com oque SOMOS e não com oque QUERÍAMOS SER é parte do caminho...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Rohatsu Sesshin - dezembro de 2008.

Prezados Membros e Simpatizantes das Sangas,

Segue a previsão da programação para o nosso Rohatsu Sesshin.

Mais uma vez, pretendemos realizar este sesshin de forma íntima, na casa da Ieda Seishin - Av. Maryland 1015 - Ap 401 - Bairro Auxiliadora, para facilitar o acesso aos membros que trabalhem.

Podem entrar e sair de acordo com as suas necessidades - vejam os espaços de kinhin ou intervalos para evitar perturbar o zazen.

Pedimos que avisam com antecedência, por causa da chave do prédio, uma vez que o apartamento dela fica no 4o andar e alguém terá que descer abrir o portão (e subir novamente) cada vez que alguém chegue...

Vamos procurar minimizar esta ginástica...

O número de meu telefone é: 9331-7476.

No sábado e domingo do retiro, teremos refeições "formaisl", apesar de ainda meio improvisadas (ainda não temos os nossos oryokis-conjuntos de tigelas), a ser preparadas pelos nossos novos tenzos-em-treinamento, Miguel e Adriana.

Assim, pedimos a confirmação antecipada (até 2a-feira, dia 1) dos que irão participar das refeições (almoço e janta) para permitir o planejamento correto das quantidades de comida.

Também será solicitada uma colaboração para cobrir os custos (e deixar sobre alguma coisa para o fundo de patrimônio... ).

Aguardo as suas confirmações.

Cuidem-se bem!

Gassho, Monja Isshin.

Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão.

Rohatsu Sesshin – Retiro da Iluminação do Buda – 2008
Segunda-feira, dia 1º a Domingo, dia 7 de dezembro 2008
Manhã
09:00
-
Abertura do Sesshin (Sábado) e Zazen 40" (ou Zazen 20"/Kinhin 5"/Zazen 15")
09:40
-
Tchôka – Serviço Matinal
10:00
-
Zazen 40" (ou Zazen 20"/Kinhin /Zazen 15" ou Programação Alternativa 45")
10:40
-
Kinhan 5"
10:45
-
Zazen 40" (Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5"/Zazen 15")
11:25
-
Kinhin 5"
11:30
-
Zazen 30" – Iniciar com Kwan Sun Mu
12:00
-
Nitchu Fugin – Serviço de Meio-dia
12:10
-
Intervalo para Almoço
Tarde
14:00
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5" /Zazen 15") – Iniciar com Do-in
14:40
-
Kinhin 5"
14:45
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5"/Zazen 15")
15:25
-
Chá – Descanso
16:00
-
Zazen 30"
16:30
-
Kinhin 5"
16:35
-
Banka – Serviço Vespertino (Portal do Doce Néctar)
17:00
-
Intervalo para Jantar
Noite
18:00
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5" /Zazen 15" ou Programação Alternativa 45")
18:40
-
Kinhin 5"
18:45
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5" /Zazen 15") Tema: Hokyôzanmai
19:25
-
Kinhin 5"
19:30
-
Zazen 30" – Leitura de Sutra
20:00
-
Bate-papo do Darma (ou Zazen 30"/Kinhin 5"/ Zazen 25")
21:00
-
Descanso
Domingo, 7 de dezembro – igual até 18 horas
18:00
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5" /Zazen 15" ou Programação Alternativa 45")
18:40
-
Kinhin 5"
18:45
-
Zazen 40" (ou Zazen com Palestra 20"/Kinhin 5" /Zazen 15") Tema: Hokyôzanmai
19:25
-
Kinhin 5"
19:30
-
Zazen 30" – Leitura de Sutra
20:00
-
Ryaku Fusatsu – Cerimônia Formal Curta de Arrependimento, com queima de Carmas
Cerimônia da Iluminação de Buda
21:00
-
Fim do Retiro
Tema principal de estudo deste sesshin: Hokyôzanmai, Samadhi do Espelho Precioso, sutra recitado diariamente no serviço matinal nos mosteiros, templos e locais de prática.


* Programação Alternativa poderá incluir:

Cópia de Sutra / Kinhin Longo ao Ar Livre / Alongamento / Tai Chi / Yoga



http://monjaisshin. wordpress. com

http://aguasdacompa ixao.wordpress. com/

http://zendovirtual .wordpress. com/

http://interconexao .wordpress. com/


A paz começa com cada um de nós - aqui, agora.

Peace begins with each of us - right here, right now.

Sobre a liturgia da escola Soto Zen

Novembro 13, 2008 — Monja Isshin

Os principais gêneros de literatura Budista usados na liturgia da escola Soto Zen no Japão são: sutras (kyo), dharanis (darani), tratados (ron), eko (eko mon) e versos (ge, mon). As escrituras em questão são numerosas, variadas em sua forma literária e extremamente ricas e diversificadas em seu conteúdo filosófico, ético e espiritual. Quando recitadas no contexto das práticas e rituais Zen formais, entretanto, elas possuem um número limitado de funções que podem ser claramente distinguidas.


Os Sutras são textos reverenciados como sermões de Buda Xaquiamuni, o Buda histórico, que viveu na Índia. Os Sutras utilizados na tradição Zen são principalmente escrituras Mahayana, tais como o Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa e o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Eles estão escritos e são recitados em chinês clássico, apesar de utilizarem uma transliteração japonesa, o que significa que são incompreensíveis para o leitor comum. A maioria dos japoneses com certa erudição pode ler chinês clássico em algum grau, de forma que os sutras poderiam ser compreendidos se eles tivessem também um texto escrito para seguir ou se, tendo memorizado o texto ao recitá-lo diversas vezes, eles puderem visualizar os caracteres chineses enquanto cantam. Quando os sutras são estudados, eles são normalmente lidos em uma tradução japonesa. Apesar de muitos dos ensinamentos e crenças neles expressos serem muito importantes para a tradição Zen, a principal razão para se recitar sutras em um contexto litúrgico não é promover seu significado, e sim produzir mérito espiritual (kudoku), que é subsequentemente oferecido e dedicado ritualmente para uma série de seres e propósitos. Em alguns ritos elaborados, o mérito é produzido através do “revolver o sutra” (tendoku), que consiste em girar as páginas de um longo sutra sem realmente recitar cada palavra.


Dharanis (também chamadas de mantras) são fórmulas mágicas: conjuntos de sons que são considerados sagrados e poderosos, embora muitas vezes tenham pouco ou nenhum valor semântico discernível. A pronunciação correta dos sons é considerada necessária para que eles sejam efetivos. Os caracteres chineses clássicos com que as dharanis usadas na escola Soto Zen estão escritas foram todos selecionados por seu valor fonético (não seu significado), como um meio de transliterar (não traduzir) fórmulas mágicas que foram originalmente escritas e/ou recitadas em linguagens da índia. Os manuais litúrgicos japoneses sempre incluem um guia de pronúncia, escrito em caracteres kana, que estão lado a lado com os caracteres chineses. As dharanis utilizam um modo de expressão que é performático ao invés de comunicativo: acredita-se que, através de sua recitação, ações podem ser magicamente realizadas, tais como apaziguar espíritos ou prevenir desastres. Entretanto, sua principal função na liturgia da escola Soto Zen, assim como os sutras, é produzir mérito para dedicação ritual.

Os Tratados são comentários sobre os sutras ou apresentações independentes da doutrina Budista, atribuídos a outros professores famosos que não o próprio Buda. Dois tratados utilizados regularmente na liturgia Soto Zen são A Identidade do Absoluto e do Relativo, de Shitou Xiqian (700-790) e o Samadhi do Espelho Precioso, de Dongshan Liangjie (807-869). Estes textos, originalmente escritos em chinês clássico, são recitados em sua tradução japonesa. Quando recitados no contexto de oferendas rituais para os professores ancestrais (soshi), eles servem ao propósito duplo de gerar mérito e honrar os autores, que pertencem e são representativos da linhagem da escola Soto Zen. Dois outros tratados utilizados na liturgia Soto são as Instruções Universalmente Recomendadas para Zazen, de Mestre Dogen, ou O Significado da Prática e da Iluminação, uma compilação moderna de passagens escolhidas de seu Shobogenzo. Apesar do primeiro ter sido escrito em chinês, ambos são recitados em japonês clássico. Sua função na liturgia Soto é honrar Mestre Dogen, o fundador da escola Soto no Japão, e apresentar um sumário condensado de seus ensinamentos mais importantes.

Eko são versos para transferir mérito, escritos em chinês clássico mas normalmente recitados em sua tradução japonesa. Os versos normalmente têm duas partes. A primeira explica como o mérito foi gerado (nomeando os textos que foram recitados para este propósito), para quem ele será transferido e os propósitos específicos para que ele será dedicado. A segunda parte é uma reza que pede algo em troca do mérito que foi cedido.

Os Versos são poemas curtos, compostos em chinês clássico, que expressam os ideais e valores Budistas. Alguns, como os Versos das Refeições Formais, os Versos do Banho e o Verso de Lavar o Rosto, são utilizados no contexto do treinamento monástico Zen, para santificar e dar significado religioso a atividades que, de outra forma, seriam consideradas mundanas. Eles são sempre recitados quando e onde a atividade em questão é realizada, seja por um grupo (como no caso das refeições), seja por indivíduos (como ao entrar no banheiro).

Outros versos, como os Três Refúgios, os Quatro Votos, o Verso do Arrependimento e o Verso de Homenagem às Relíquias de Buda, são recitados como atos de fé e compromisso em si mesmos. Eles são normalmente cantados por grupos em conjunto com os sutras e outros serviços religiosos, mas em essência sua recitação é um ato de devoção pessoal. Os versos utilizados na liturgia Soto não são únicos à escola Zen; quase todos derivam da tradição Budista chinesa em seu aspecto mais amplo. Nestes versos, a maioria das palavras é recitada na ordem clássica da versão chinesa, mas alguns deles (como o Verso das Cinco Contemplações, recitado nas refeições) são traduzidos e recitados em japonês.

Entre os contextos mais comuns em que os textos são recitados nos mosteiros e templos da escola Soto Zen estão os serviços diários, mensais e anuais de recitação de sutras (fugin). Trata-se de ritos em que o mérito espiritual (kudoku) é primeiro gerado através da recitação de sutras, dharanis ou tratados e então é ritualmente transferido (eko) para diversos destinatários, que são nomeados em um verso formal para transferir mérito. Os serviços de recitação de sutras são utilizados para fazer oferendas de mérito para uma ampla série de seres: Buda Xaquiamuni; seus discípulos próximos, os arhats; a linhagem de mestres ancestrais através de quem o Dharma Zen foi transmitido; os dois grandes fundadores da escola Soto Zen no Japão: Mestre Dogen e Mestre Keizan; o abade fundador ou outros antigos abades de mosteiros específicos; várias deidades protetoras do Dharma ou de mosteiros, incluindo devas indianos, espíritos chineses e kami japoneses; os ancestrais de patronos leigos dos templos Soto; além de fantasmas famintos, habitantes dos infernos, e diversos outros seres que sofrem. Alguns serviços de recitação de sutras, em particular, são distinguidos (e muitas vezes nomeados) pelas principais figuras para quem o mérito espiritual é transferido, mas é comum que um mesmo serviço inclua também oferendas para outras figuras menos importantes, ao mesmo tempo.

Outros contextos rituais em que textos são recitados para produzir e dedicar mérito incluem: serviços memoriais mensais (gakki) para Dogen, Keizan e o abade fundador de cada mosteiro; serviços memoriais anuais (nenki) para eles, outros ancestrais na linhagem Soto Zen e patronos leigos; funerais (sogi) para monges e praticantes leigos; e várias outras recitações ocasionais ou de rotina (nenju) e orações (kito).

Toda a recitacão de sutras, assim como os funerais e serviços memoriais, são realizados frente a altares que contêm imagens ou tabletes com os nomes dos principais beneficiados pelas oferendas. A recitação que produz mérito é geralmente realizada em uníssono por todos os monges (e às vezes pelos leigos) presentes em um serviço, enquanto o eko, ou verso de transferência de mérito, é recitado por uma única pessoa, ou oficiante monástico conhecido como “cantor” (ino). A performance oral em que o mérito é gerado e transferido é muitas vezes acompanhada por oferendas físicas no altar, como queimar incenso ou oferecer comidas e bebidas.

Os serviços de orações e recitações são um tanto diferentes, no sentido em que o mérito produzido não é dedicado a indivíduos, mas sim em prol de benefícios específicos, como a recuperação de doenças, a harmonia na comunidade ou o sucesso de um retiro monástico. Como não há nenhum indivíduo nomeado nas oferendas, estes serviços não precisam ser realizados frente a um altar, mas podem ser efetuados em outros locais, como uma enfermaria ou uma sala de meditação.

Resumindo, as três funções rituais mais importantes da ligurgia da escola Soto Zen são produzir e dedicar mérito, honrar os professores ancestrais e santificar as atividades de rotina nas vidas diárias dos praticantes Zen. Entretanto, independente de como eles são utilizados em um contexto ritual, a maioria dos textos que são recitados nos serviços e práticas da escola Soto Zen também podem ser lidos apenas por seu significado, como obras de filosofia, ética e/ou como literatura religiosa de inspiração. Longe de serem mutualmente exclusivas, as várias funções destas escrituras se suportam e se enriquecem umas às outras.


T. Griffith FoulkEditor, “Soto Zen Text Project”- originalmente publicado em inglês no site Soto-net

domingo, 28 de setembro de 2008

Meditação: uma experiência direta e transcendente de Deus...

...Toda religião do mundo tem um ramo de devotos que busca uma experiência direta e transcendente de Deus (ou da transcendência), afastando-se dos estudos escriturais ou fundamentalistas para ter uma experiência pessoal do divino.

O interessante a respeito desses místicos é que, quando eles descrevem suas experiências, todos acabam descrevendo exatamente a mesma coisa.

Em geral, sua “união” com Deus, ou a manifestação da transendência, acontece em um estado de meditação, e é possibilitada graças a uma fonte de energia que inunda o corpo inteiro com uma luz eufórica, elétrica.

Os budistas (e outros mistico) japoneses chamam essa energia de ki;

os budistas (e outros mistico) chineses chamam: chi;

os budistas (e outros mistico) balineses chamam-na de taksu;

os cristãos chamam-na de Espírito Santo;

os habitantes originais do deserto do Kalahari (deserto localizado no Sul da África) chamam-na de “n/um” (assim mesmo, de difícil dicção), seus homens santos a descrevem como um poder semelhante a uma cobra, que sobe pela coluna vertebral e abre um furo na cabeça, através do qual os Deuses, ou as manifestações da transendência, então se manifestam (perdoem a redundância);

os poetas sufistas islâmicos chamam essa “energia-Deus” de “Bem-Amada", e escreveram poemas devocionais em sua homenagem;

aborígenes australianos descrevem uma serpente no céu que desce e toma conta do xamã, atribuindo-lhe poderes intensos, de outro mundo;

na tradição Judaica da cabala, dizem que essa união com o divino ocorre por meio de estágios de ascensão espiritual, com uma energia que sobe pela coluna vertebral ao longo de uma série de meridianos invisíveis (pelos ramos da Árvore de vida);

Santa Teresa d'Ávila, a mais mística de todas as figuras do catolicismo, descreve sua união com Deus (ou da transcendência) como uma ascensão física de luz através de “sete mansões” interiores de seu ser, depois da qual ela irrompeu diante da presença Deus, ou da própria transendência.

Ela costumava entrar em transes de meditação tão profundos que as religiosas não conseguiam sentir sua pulsação. Implorava a suas companheiras para não contarem a ninguém o que haviam presenciado, já que aquilo era "uma coisa muito extraordinária, e que poderia dar origem a boatos consi­deráveis". (Sem falar em um possível encontro com a Inquisição.) O desafio mais difícil, escreveu a santa em suas memórias, era não despertar o intelecto durante a meditação, pois quaisquer pensamentos da mente — mesmo as mais fervorosas preces — extinguem o fogo de Deus (ou da transcendência). Quando a mente irrequieta "começa a construir discursos e sonhar argumentos, especialmente quando estes são astutos, ela logo irá imaginar que está fazendo um trabalho impor­tante". Mas, se você conseguir superar esses pensamentos, explicava Teresa, e ascender rumo a Deus (ou da transcendência) , "é um assombro glorioso, uma loucura celestial, onde a verdadeira sabedoria é adquirida".

Lembrando sem saber os poemas do mís­tico sufïsta persa Hafiz, que perguntava por que, com um Deus que ama com tamanho abandono, não somos todos bêbados descontrolados.

Teresa exclama­va em sua biografia que, se essas experiências divinas fossem apenas loucura, então "eu lhe suplico, Pai, permita que sejamos todos loucos!".

Depois disso, nas frases seguintes de seu livro, é como se ela tomasse fôle­go.

Ao ler Santa Teresa hoje, é quase possível senti-la saindo dessa experiência delirante, e em seguida olhando em volta para o ambiente político da Espanha medieval (onde ela viveu sob uma das mais opressivas tiranias religiosas da his­tória) e, com sobriedade e senso de dever, pedir desculpas por seu arrebatamen­to. Ela escreve: "Perdoem-me se me comportei de forma demasiado ousada", e repete que todos os seus clamores idiotas deveriam ser ignorados, porque, evidentemente, ela não passa de uma mulher, um verme, uma escória despre­zível etc.

É quase possível vê-la alisar o hábito de freira para tornar a colocá-lo no lugar, e prender os últimos fios soltos dos cabelos - enquanto seu segredo divino permanece uma fogueira flamejante e oculta.

Na tradição iogue indiana, esse segredo divino se chama kundalini shakti, e é retratado como uma cobra que jaz enrolada na base da coluna até ser libertada pelo toque de um mestre ou por um milagre, então subindo pêlos sete chacras ou rodas (que também se pode chamar "as sete mansões da alma"), e finalmente saindo pela cabeça, explodindo na união com Deus. Esta é a manifestação de transcendência.

Esses cha­cras, segundo os iogues, não existem no corpo físico, então não adianta pro­curá-los lá; eles só existem no corpo sutil, no corpo ao qual os professores de meditação no budismo estão se referindo quando incentivam seus alunos a retirar de dentro de seu corpo físico um novo ser do mesmo jeito que se puxa uma espada de dentro de sua bainha...

O Hara...

...E como quando a ciência e a devoção têm pontos de interseção...

Descobri recentemente um artigo no New York Times sobre uma equipe de neurologis­tas que havia colocado eletrodos em um monge Budista tibetano durante uma expe­riência voluntária de scanner cerebral. Eles queriam ver o que acontece com uma mente transcendente, cientificamente falando, durante momentos de iluminação.

Quando uma pessoa normal pensa, sua mente é constantemente percorrida pêlos rodamoinhos dos pensamentos e impulsos, como uma tempes­tade elétrica, que são registrados no scanner cerebral como lampejos amarelos e vermelhos.

Quanto mais zangada ou exaltada a pessoa fica, mais intensos e profundos são esses lampejos vermelhos.

Mas os místicos, independentemente de sua época ou cultura, mencionam uma imobilidade do cérebro durante a meditação, e dizem que a derradeira união com Deus ou quando se dá a transcendência é manifestada por uma luz azul que eles podem “sentir” irradiando a partir do centro de seus crânios.

Na tradição iogue, isso se chama "a pérola azul", e o objetivo de todo discípulo é encontrá-la.

De fato, durante a meditação monitorada, o monge tibetano foi capaz de tranqui­lizar sua mente de forma tão completa que nenhum lampejo vermelho ou ama­relo pôde ser visto.

Na verdade, toda a energia neurológica desse cavalheiro juntou-se e reuniu-se, por fim, no centro de seu cérebro — foi possível ver isso acontecer bem ali, no monitor —, formando uma pequena pérola de luz fria e azul.

Exatamente como os iogues sempre descreveram.

É esse o objetivo da kundalini shakti.

Na índia mística, como em muitas tradições xamânicas, a kundalini shakti é considerada uma força perigosa de se brincar sem supervisão;




O iogue (ou meditador) inexperiente poderia literalmente destruir sua mente com ela.



Você precisa de um professor para guiá-lo nesse caminho, e idealmente de um lugar seguro onde praticar.



Roubado e adaptado desavergonhadamente de:

http://www.objetiva.com.br/objetiva/cs/?q=node/1325

do livro “Comer, Rezar, Amar” da divertidíssima escritora Elizabeth Gilbert, Tradução: Fernanda Abreu...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Ciência da felicidade...

Esta é uma entrevista dada a Revista Pisque Ciência e Saúde Especial Nº8, pela Professora Doutora Norte americana Sonja Lyubomirsky. Ela é professora de psicologia da Universidade da Califórnia. Graduada pela Universidade de Harvard e doutora pela Universidade de Stanford, Lyubomirsky recebeu muitos prêmios por suas pesquisas, como o 2002 Templeton Positive Psychology e um prêmio do National Institute of Mental Health.



PSIQUE: Tenho escutado muitas pessoas (até mesmo psicoterapeutas) dizerem que felicidade não existe. O que você diria a essas pessoas?

Lyubomirsky: Que opinião mais estranha! Cientistas têm questiona­do pessoas no mundo todo: cente­nas de milhares de pessoas: acerca de sua felicidade e há muito mais pessoas que dizem ser felizes do que aquelas que dizem o contrário. Para mim, isso significa que feli­cidade, de fato, existe. Certamente que pessoas de diferentes culturas vêem a felicidade de maneira diferente, mas se uma pessoa se considera feliz, eu tenho que acreditar nela. A felicidade é subjetiva e apenas eu e você saberemos se somos verdadeiramente felizes. Ninguém mais poderá dizê-lo por nós.


PSIQUE: No Brasil, muitas pessoas ainda vêem Psico/ogia Positiva como uma espécie de auto-ajuda. Isso também acontece nos EUA?

Lyubomirsky: Sim. Uma das razões pelas quais escrevi meu livro (A ciência da felicidade, editora Campus, 2008) foi chamar a tenção para o fato de que psicólogos são cientistas, exatamente como os biólogos e os físicos também o são, de forma que nós usamos o método científico para responder questões sobre o pensamento e o comporta­mento humanos. Nós, pesquisadores, temos desenvolvido instrumentos para medir feli­cidade, conduzindo estudos e experimentos sistemáticos. Em meu laboratório nós convidamos pessoas para participarem de experimentos randomizados e controlados. Algumas pessoas são aleatoriamente designadas praticar atos de bondade de uma determinada maneira; outras são escolhidas aleatoriamente para praticar uma determina estratégia de felicidade e outras ainda, são destacadas para o grupo de controle. Apátir daí nós acompanhamos esses indivíduos e observamos como (e se) seus níveis felicidade (bem como outras variáveis) são modificados ao longo do tempo.


PSIQUE: O que dizem as últimas pesquisas sobre felicidade ?

Lyubomirsky: Puxa, essa questão é muito ampla! Meu livro inteiro fala sobre isso!


PSIQUE: Se a felicidade é influenciada por fatores genéticos e pelas circunstâncias da vida, à que ponto é possível aumentarmos nossos nível de felicidade?

Lyubomirsky: A premissa básica do meu livro (baseado nas pesquisas até agora realizadas) é que a despeito do fato de que nossa felicidade seja geneticamente determinada e de que nossas circunstâncias ou situações de vida exerçam uma influência mínima sobre o quanto somos felizes, existe ainda uma boa parte da felicidade (cerca de 40%) que podemos mudar. Meu livro fala sobre como podemos utilizar esses 40%. Em linhas gerais podemos fazer isso mudando nossa maneira de pensar e de agir.


PSIQUE: E muito gratificante para um pesquisador trabalhar com um tema de pesquisa que desperta tanto interesse na maioria das pessoas. Entretanto, é justamente por causa deste interesse, que cada ser humano parece ter a sua "definição pes­soal de felicidade". Isso não é um problema fará o pesquisador que, como você, publica um livro de divulgação científica?

Lyubomirsky — Sim, isso poderia ser pro­blemático, contudo também é difícil me­dir a distância da Terra até outra galáxia, mas ainda assim os cientistas encontram meios de fazê-lo. A definição de felicidade é avalida a partir de 2 componentes. O primeiro é a ex­periência de frequentes emoções positivas, tais como: alegria, contentamento, serenidade, entu­siasmo e curiosidade. O segundo seria a sensa­ção de que se tem uma vida boa e que se está satisfeito em relação a ela e ao progresso que se tem feito em direção à conquista de seus objetivos. Depois então, os pesquisadores avaliam esses componentes da felicidade perguntando diretamente às pessoas acerca deles, por meio de perguntas específicas tais como "Quão satis­feito você se sente em relação à sua vida?".


PSIQUE Costumo dizer que um dos grandes engodos da sociedade ocidental é vender prazer sob o rótulo de felicidade. Você concorda com isso?

Lyubomirsky: Interessante. Sim, eu acredito que muito do marketing está relacionado à ven­da do prazer — (por exemplo o prazer de uma bolsa nova, um carro novo, uma refeição rápida, férias, massagem etc.) Mas não podemos es­quecer que esses prazeres; e particularmente os prazeres dos bens materiais — não duram muito, pois as pessoas tendem a se adaptar (ou a dá-los como certo) a maior parte das coisas positivas de suas vidas. Tais prazeres apenas au­mentam a felicidade temporariamente.


PSIQUE: Você acabou de publicar um livro no Brasil no qual descreve 12 estratégias para o au­mento da felicidade. Em linhas gerais, no que con­sistem tais estratégias? Como você chegou a elas?

Lyubomirsky — No meu livro eu falo sobre 12 estratégias ou exercícios capazes de fazer as pessoas mais felizes. Eles trabalham, por exemplo:
- a capaci­dade de ser grato por aquilo que se tem;
- investir em relacionamentos;
- viver no momento pre­sente;
- de lidar com o trauma e o stress de uma maneira saudável;
- de praticar atos de bondade para com as pessoas e
- possuir um pensamento otimista...

Escolhi essas 12 em particular porque elas são as es­tratégias que mais apresentam evidências cien­tíficas quanto a sua efetividade. Também discuto em meu livro vários fatores que moderam e mediam a efetividade dessas estratégias.

Por exemplo:
- praticá-las com (1) o “timing” correto (uma ou duas vezes por semana ao invés de todos os dias);
- (2) a variedade correta (mudar o que se faz ao invés de praticar a estratégia da mesma forma todas as vezes);
- (3) uma boa adequação à sua personalidade (es­colhendo sabiamente a estratégia que funcionará para você) e
- (4) su­porte social (possuindo amigos/fa­miliares que o encorajem) — todos esses fatores aumentam as chances de as estratégias funcionarem.

PSIQUE Em que áreas os estudos sobre a felicidade têm sido aplicados?

LYUBOMIRSKY: Em sua maior parte têm sido aplicados na vida das pessoas, de forma a explicar, por exemplo, como uma única pessoa poderia se tornar mais feliz. Entretanto, há também aqueles que estão interessados em aplicar a ciência da felicidade no mundo dos negócios e em outros contextos institucionais, a fim de responder, por exemplo, como um empregador pode estruturar o ambiente de trabalho (ou qual­quer outra instituição) de forma a promover maiores índices de felicidade. Existem outras aplicações também, tais como nas áreas de educação e políticas públicas, mas eu não co­nheço muito a respeito delas.


PSIQUE Qual a relação entre felicidade e a prática das chamadas forças pessoais?

LYUBOMIRSKY: Não temos ainda uma grande quantidade de pesquisas sobre isso, po­rém, o início dos estudos sugerem que as pessoas podem se tornar mais felizes e satisfeitas se, in­tencionalmente, praticarem suas forças pessoais de forma regular, tais como:
- humor;
- coragem;
- persistência;
- bondade;
- gratidão;
- otimismo etc.
Conforme já mencionei, tenho feito pesqui­sas sobre a prática da bondade (assim como da gratidão e do otimismo), e esses estudos mostram que as pessoas se tornam mais fe­lizes ao longo do tempo — e mais capazes de manter esse aumento de felicidade — quando praticam esse tipo de exercício.

http://www.escala.com.br/detalhe.asp?id=9594&grupo=48&cat=185

domingo, 6 de julho de 2008

Humildade.

Em outra ocasião, o monge saiu cedo de sua casinha e caminhou quilómetros até chegar a uma pousada.
A dona do lugar era uma pessoa simples e ofereceu a ele peixe assado e um pouco de arroz. Ryokan comia satisfeito quando entrou na pousada um outro monge e disse que queria comprar uma boa refeição.
A senhora trouxe a ele peixe assado e arroz. O monge ficou furioso e grunhiu:
"--A senhora pensa que sou um monge caipira como esse aí? Traga-me comida melhor".

A dona da pousada ficou triste com a ofensa.

Ryokan, entretanto, continuou comendo com alegria.

No final da tarde, depois de longa caminhada, o jovem monge pediu pernoite na casa de um grande plantador de arroz.

Era uma grande mansão, e o dono o recebeu dizendo:
"--Hoje é dia de fazermos uma prece em memória aos nossos ancestrais. Se o se­nhor não se importa, compartilhará o aposento com o monge que chamamos para as orações".

Simplicidade. Sendo tarde e sendo essa a melhor casa das redondezas, o jovem monge aceitou.

Qual não foi sua surpresa ao ver o idoso Ryokan sorrindo.

Terminadas as preces, os dois se reco­lheram para dormir.

Ryokan logo caiu no sono.

O outro monge não conseguia dormir. Havia muitos pernilongos no quarto.

Quando Ryokan acordou, recebeu do outro toda sua raiva:

"--O senhor dorme como uma pedra, hein? Como alguém pode dor­mir com tantos pernilongos?".

Ryokan sorriu e disse:
"--Se o senhor tivesse aceitado o peixe daquela pousada, nenhum pernilongo o morderia".

Na simplicidade da vida, conhecendo os benefícios de cada alimento e respeitando todos os seres, não há nada que nos possa molestar. Tudo faz parte da nossa experiência de vida. Mas nós podemos transformar cada momento em alegria simples se encon­trarmos o contentamento de saber viver com sabedoria e respeito à vida na sua imensidão.
Sensei Coen.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria

Não procure a iluminação.

Não tente escutar os fenômenos ilusórios.

Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde.

De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora.

Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só.

Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.

Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada.

Apesar de as oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.

Não há apenas a sabedoria do tempo de meditação sentada.

Há também aquela que, passo a passo, ato após ato, faz você ver progressivamente que cada fenômeno pode se realizar instantaneamente, independentemente de sua inteligência e de seu pensamento.

Essa é a certificação verdadeira e autêntica de que o fenômeno existe sem perturbar a manifestação da sabedoria.

É o poder espiritual do não-agir pela luz que ilumina a si mesma.

Por isso, mesmo que muitos buddhas compreendam a sabedoria no samsara, eles não são do samsara.

E, estando livres no nirvana, também não estão lá.

Na hora do seu nascimento, a sabedoria não existia.

Na hora da sua morte, ela não desaparecerá.

Do ponto de vista do estado búddhico, ela não aumenta.

Do ponto de vista dos sentidos, não diminui.

Assim como, quando tem ilusões ou dúvidas, você não pode fazer a boa pergunta; do mesmo modo, quando você obtiver a iluminação, não poderá expressá-la.

Momento após momento, não considerará nada com a consciência.

Durante todas as vinte e quatro horas do dia, você deve ter a calma e a grande tranqüilidade dos mortos.

Não pense em nada por sua iniciativa.

Assim, praticando a expiração e a inspiração, sua natureza profunda e sua natureza sensitiva se tornarão, inconscientemente, o não-saber, a não compreensão.

A partir daí, tudo poderá se tornar naturalmente calmo, irradiação da sabedoria, na unidade da mente e do corpo.

É por isso que, quando a chamamos, ela deve responder depressa.

É uma só e a mesma sabedoria que harmoniza num todo as pessoas da iluminação e as das ilusões.

Assim, mesmo que se ponha em movimento, o movimento não deve perturbá-lo.

E a floresta, as flores, as hastes de relva, os animais, os seres humanos, todos os fenômenos — longos ou curtos, quadrados ou redondos — serão compreendidos automática e independentemente de sua inteligência e ação pessoal do seu pensamento.

Não se apegue às roupas, nem à comida, nem à casa.

Não sucumba ao desejo sensual nem ao aperfeiçoamento do amor, semelhantes às práticas animais.

É inútil interrogar os outros sobre a sabedoria, já que a sabedoria deles não pode ser de qualquer utilidade para você.

Originalmente, esse samadhi é o lugar de prática sagrado, como o oceano de todos os buddhas.

Então, é o maior e mais sagrado de todos os fundamentos transmitidos diretamente pelo Buddha através da prática sagrada universal.

Como é um discípulo do Buddha, você deve praticar a meditação sentada tranqüilamente sobre seu assento.

Não se sente sobre a almofada do inferno, dos pretas, dos animais ou asuras, nem mesmos dos humanos ou deuses.

Apenas pratique o simplesmente sentar-se.

Não desperdice o tempo.

Aí está o que chamamos de autêntico espírito do dôjô, o verdadeiro samadhi do celeiro da grande sabedoria, a iluminação maravilhosa e esplêndida.

Koun Ejo

segunda-feira, 26 de maio de 2008

...que a relação continue a mesma!!!

Quero ir direto ao centro da questão... acredito que o problema está em sua idéia de que existe esta coisa de “...que a relação continue a mesma!” e este é um problema comum a muitas relações diferentes, que nem envolvem o Amor ou suas variáveis.

Vivemos uma idéia (muito cedo introduzida e com manutenção por toda nossa vida) de que o ideal de vida é alcançar uma estabilidade perene.

Esta estabilidade é a perfeição...

Um amor para ser verdadeiro “tem de ser para sempre”!!

Uma amizade para ser verdadeira “tem de ser para sempre”!!

Um emprego para ser bom “tem de ser para sempre”!!

Um livro para ser bom “tem de marcar para sempre”!!

Um filme para ser bom “tem de marcar para sempre”!!

...lindo se não fosse um problema:

A vida não é assim...


Amamos várias pessoas em nossas vidas, com intencidades variáveis e por tempos variáveis, temos amigos para situações diferentes, e geralmente não trabalhamos a vida toda no mesmo emprego.

Gostamos de vários filmes, livros, músicas de maneiras diferentes, e nos sentimos culpados quando nos damos conta de que as sensações e emoções mudam com o tempo.

A frustação é baseada na idéia de que “se mudou” não era sincero, autêntico e verdadeiro.

Mas querendo ou não mudar é natural.

Não foi só Budha que percebeu que a natureza (e nossas emoções são parte das coisas naturais) muda constantemente. Mas ele foi uma das primeiras a criar uma “prática” baseada nesta descoberta observacional.

Ele não ficou apenas dizendo: -- Olha como as coisas mudam...

Ele se deu conta que perceber é uma etapa para deixar de ser guiado pela mudança e passar a antecipar os resultados e por fim absorver a natureza da mudança des-significando-a.

Em fim.

Se você se recusa a viver uma paixão por medo de perder uma coisa valiosa saiba que esta coisa valiosa já esta perdida.

Pode não ser recíproco oque você sente.

Mas dize-lo pode ser mais honesto com você mesmo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ta na hora de fazer o quê???

Na hora de meditar:

nada cogitar,

voltar ao momento presente;


Na hora de planejar:

fazer sua agenda;


Na hora de fazer as tarefas:

faze-las inteira e concentradamente;


Dizer que não temos que fazer as coisas que a vida nos pede é afirmação de quem não entendeu que a vida é para ser vivida plenamente;


no que tem de maravilhoso eno que tem de nossas obrigações para com os outros e a sociedade.


Um monge (e eu entendo que um leigo também... ) tem muitas tarefas e obrigações,

mesmo a de responder perguntas,

não pode se furtar a isto,


mas na hora de ir passear:

apenas passeia

não fica pensando no futuro...

http://opicodamontanha.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de maio de 2008

FUTURA ESTRÉIA SÉRIE DE DOCUMENTÁRIOS SOBRE O TIBETE

"Um Ano no Tibete" investiga a cultura e os costumes de uma das mais misteriosas comunidades do mundo.

Série inglesa é inédita no Brasil.

Estréia dia 12 de maio, às 21h30.

Às vésperas das Olimpídas de Pequim, manifestantes organizaram protestos pela independência do Tibete em diversas cidades do mundo.

Mas afinal que país é este?

A faixa Mundo.Doc estréia na segunda-feira, dia 12 de maio, a série Um Ano no Tibete.

Serão cinco documentários com uma hora de duração cada, que vão fazer uma verdadeira radiografia sobre esta conflituosa região. A produção é da inglesa BBC e os filmes são inéditos na televisão brasileira.A série abre uma janela para a cidade tibetana de Gyantse e o acolhedor mosteiro de Baijin. Em contato com o cotidiano de personagens comuns, Um Ano no Tibete nos convida a desvendar uma das mais misteriosas comunidades do mundo. Desde o empresário do ramo hoteleiro que luta para atrair mais turistas para o local até o xamã preocupado em se tornar dispensável aos fazendeiros, que não mais precisam de seus dons espirituais para aplacar os desígnios divinos. Essas são algumas das histórias que nos levam a viajar por esse fascinante mundo, onde a carga humana e emocional conduz o espectador a uma história Inesquecível.

Confira as sinopses de cada episódio da série Um Ano No Tibete:

Episódio 1. A Visita - 12/05/2008 - 21h30O Panchen Lama, o budista da mais alta hierarquia que vive no Tibete hoje, visita o mosteiro sem avisar e tumultua a vida dos monges no local. Para Tsephun, um monge iniciante, a visita do Panchen Lama faz com que o dia seja o mais alegre da sua vida. Na cidade Jianzang, um dono de um hotel local está preocupado com a redução no número de hóspedes e a visita de Panchen traz para ele a sorte inesperada no fim da estação.


Episódio 2. Três maridos e um casamento - 19/05/2008 - 21h30Todos se reúnem para a colheita. Um fazendeiro está preocupado com as pedras de granizo que destroem sua plantação, um construtor local tem dificuldade para conseguir um número suficiente de trabalhadores durante a colheita e monges vão para casa ajudar nas plantações. Enquanto isso, uma família local prepara o casamento da sua filha, mas ninguém lhe diz que ela é que irá se casar, nem mencionam o fato de que ela irá casar com o irmão do seu esposo.


Episódio 3. Fé, Esperança e Caridade - 26/05/2008 - 21h30Um puxador de riquixá (tipo de carroça) local tenta ganhar dinheiro com o inverno que se aproxima. Seu sobrinho de cinco anos é levado ao hospital, mergulhando a família em dívidas. Em outro lugar, um dono de um hotel se envolve em um processo jurídico com um resultado incrível e uma mulher está preocupada, pois tem a sensação de que as dores no seu estômago são o resultado de algo ruim que está por vir. No entanto, com a chegada do ano novo, todos esquecem suas preocupações para celebrar 15 dias de festa no seu feriado de ano novo.


Episódio 4. Os Monges Maus - 02/06/2008 - 21h30O diretor do mosteiro descobre que algumas das estátuas especiais foram roubadas e suspeita que alguém de dentro da organização seja responsável pelo crime. Isto serve de pretexto ao partido comunista local para fazer uma aliança com o governo, a fim de retirar os monges que eles acharem que se comportam mal. Um puxador de riquixá vai ao norte em busca de trabalho lucrativo e uma trabalhadora que dedicou sua vida ao Partido Comunista tem uma surpresa desagradável ao se aproximar da sua aposentadoria.


Episódio 5. O Conto dos Três Monges - 09/06/2008 - 21h30Esse episódio mostra o paralelo entre a vida de três monges e as mudanças no Tibete. O número dois na hierarquia do mosteiro enfrenta dificuldades para gerir o mosteiro em face da necessidade de aquiescer às restrições do governo. O monge mais novo do mosteiro trabalha com o seu mestre de 77 anos e com ele desenvolve uma proximidade conflituosa. Um dia o mestre pede que o garoto seja expulso. E este é o derradeiro golpe para ele.

Mundo.Doc Especial Tibete"Um Ano no Tibete"

Estréia: segunda-feira, 12 de maio


Exibição: Toda segunda-feira, às 21h30


Reprise: sábado, 17h30

terça-feira, 13 de maio de 2008

De 13 a 15/05 - Lama Padma Samten em Florianópolis

PALESTRAS PÚBLICASMESAS DE DIÁLOGOS COM IMPORTANTES CONVIDADOS

coordenador geral: Lama Padma Samten, mestre do budismo tibetano

mediador: Monge Genshô, monge zen budista

abertura dos trabalhos: Beloni Pauli Marterer, Fundação Cultural Simpozio


13/05 terça-feira – Saúde e Espiritualidade
Dra. Rosane Teresinha Gonçalves – Médica, neuropediatra, membro da Associação Médica Espírita e colaboradora do Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC), Ribeirão da Ilha, Florianópolis, SC

14/05 quarta-feira – Saúde do Corpo, Fala e MenteDra Luigia Affonso Ferreira Nardone - Médica Antroposófica, euritmista e médica escolar, parte do corpo clínico da Clínica Vialis em Florianópolis e docente na formação em Antroposofia Básica e formação de professores para a Pedagogia Waldorf.Marco Shultz - Formado em Eduacação Física e Ciência do Exercício, é professor de yoga e empresário, praticante de Vipassana e diretor proprietário da Simplesmenteyoga, Florianópolis, SC

15/05 quinta-feira – Ações SaudáveisDr. Morongo, médico, empresário e surfista, diretor proprietário da Mormaii, Garopaba, SCDra Leila Francischelli, médica da família, praticante budista e orientadora da Dança Mandala de Tara


INFORMAÇÕESHorário: 19:30h - 21:30hLocal: Fundação Cultural Simpozio - Rua Prof. Huberto Rhoden, 274 – CampecheContribuição Espontânea: valor sugerido R$10,00 (por encontro)

CONTATOfloripa@caminhodomeio.orgTel: (48) 9105-9566 (48) 9163-9199

Postado por Monge Genshô

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Brasil pela Birmania

O Centro Buddhista Nalanda (uma entidade registrada, civil e sem fins lucrativos, há 20 anos atuando no Brasil), em associação com o Buddhist Aid Trust (entidade de caridade registrada na Inglaterra), o Myanmar Cyclone Recovery Fund e nossos amigos birmanêses em Londres de um dos maiores portais buddhistas da tradição buddhista, o Nibbana.com, lança agora uma campanha brasileira para recolher fundos para os milhares de desabrigados devido à tragédia do ciclone Nargis.Nossa campanha se chamará "Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery" e conta com a ajuda de todos vocês que lêem está mensagem. Por favor, contribuam, ainda que 5 ou 10 reais. Cada centavo depositado será repassado ao Buddhist Aid Trust e entregue diretamente às vítimas do ciclone, e independentemente da religião e etnia dos envolvidos. Ou seja, não é apenas para buddhistas, mas para todos que sofrem as terríveis perdas humanas e materiais advindas do ciclone.Participe dessa campanha humanitária, doando e divulgando!Aqueles que quiserem fazer suas contribuições diretamente no site da Buddhist Aid Trust, via paypal ou cartão de crédito podem acessar seu site. Mas para facilitar os moradores no Brasil, o Centro Buddhista Nalanda disponibiliza uma conta específica para esse fim. Todos os depósitos nessa conta serão repassados integralmente para nossos amigos da Buddhist Aid Trust, que trabalhará junto com respeitáveis organizações não-governamentais e outros sistemas de distribuição diretamente para as vítimas envolvidas. Não é preciso nos avisar do depósito, pois essa é uma conta exclusiva para esse fim.Vamos nos unir nessa tragédia mundial. Mesmo que sejamos capazes de doar apenas um pouco, qualquer quantia certamente salvará vidas. Lembrem-se, 1/3 da população da Birmânia vive abaixo da linha de pobreza. Um professor ganha 90 reais ao mês! Qualquer valor que vocês puderem ajudar, certamente conta!

Doem divulguem entre amigos, sites e listas....

... E aqueles que possuírem sites de entidades que queiram dar seu apoio nominal à campanha, ou quiserem mais esclarecimentos entrem em contato com nosso email. Endereço oficial da campanha brasileira:Campanha "Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery"

http://nalanda.org.br/seva/brasil-pela-birmania

Patrocinadores:

Centro Buddhista NalandaBuddhist Aid TrustMyanmar Cyclone Recovery FundNibbana.com


Apoiam a Campanha:

Colegiado Buddhista BrasileiroNão deixe de participar nesse ato humanitário. Qualquer quantia representa mais dias de vida para alguém.

Postado por Monge Genshô

Qual é a data de seu nascimento????

Às vezes as pessoas te perguntam: “Qual é a data de seu nascimento?”.

Mas você pode perguntar a si mesmo uma pergunta mais interessante: “Antes deste dia que é chamado o dia de meu nascimento onde eu estava?”.

Pergunte a uma nuvem: “Qual a sua data de nascimento? Antes de você nascer onde você estava?”

Se você perguntar a uma nuvem: “Quantos anos você tem? Você pode me dar a data de seu nascimento?”

Você poderá ouvir profundamente e receber uma resposta.

Você pode imaginar uma nuvem nascendo.

Antes de nascer ela era a água na superfície do oceano, ou estava no rio e depois se tornou vapor.

Estava lá também o sol porque o sol faz o vapor.

O vento estava lá também, ajudando a água a se tornar nuvem.

A nuvem não vem do nada; há apenas uma mudança de forma.

Ela não nasce do nada.Mais cedo ou mais tarde a nuvem se transformará em chuva, neve ou gelo.

Se você olhar profundamente a chuva, você poderá ver a nuvem.

A nuvem não foi perdida; ela foi transformada em chuva, e a chuva é transformada em grama e a grama em vacas e depois em leite e depois no sorvete que você toma.

Hoje se você tomar um sorvete, dê uma olhada nele e diga: “Olá nuvem! Eu te reconheço”.

Fazendo isso, você terá insight e entendimento na real natureza do sorvete e da nuvem.

Você também poderá ver o oceano, o rio, o calor, o sol, a grama e a vaca no sorvete.

Olhando profundamente, você não vê a data real de nascimento e não vê uma data real da morte da nuvem.

Tudo que acontece é que a nuvem se transforma em chuva ou neve.

Não há morte real porque sempre há uma continuação.

Uma nuvem é a continuação do oceano, e da mesma forma o rio, o calor do sol e a chuva são a continuação da nuvem.


Um trecho do texto "Onde você estava antes de nascer?", traduzido a partir do livro No death, no fear de Thich Nhat Hanh. Este texto pode ser lido acessando o link:

http://www.viverconsciente.com/textos/onde_estava_antes_nascer.htmObrigado!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Um pai um dia disse:

Uma vez, uma semente acordou sob a terra, mas se sentiu pressionada
Não conseguia por seus braços para subir como mandava sua vontade. Fazia força e forçava, mas não conseguia abrir caminho... Percebeu que para os lados tinha mais mobilidade e por ali foi... torcendo-se entre as pedras e espremento-se, fincou raizes e lançou seus galhos para os lados na terra menos dura.

Então, exausta sentiu um frescor novo nas suas raizes exploradoras, era uma toca arejada. Algum animal deixou um túnel para o inverno onde estocou sementes, talvez ela mesma tenha sido levada para lá por este animal prodigiozo. Logo parou de filosofar e torceu sua atenção na direção da liberdade e seus ramos brotaram na parede de uma ravina alta... Como sua história chegou em uma parede??? Lá de cima ela via suas parentas, irmãs e tias, sua mãe, toda uma floresta metros e metros no fundo de uma formação rochosa... que diabos ela faz lá sozinha... uma única moita em uma parede... que seria dela?

Pensou que de lá seus frutos cairiam muitos metros pesados no chão, seriam esmagados por seu próprio peso e não fecundariam a terra... Talvez nem houvessem frutos pois estaria muito alto para ser polinizada...

Deus, que destino horrível. Presa ente o nada e coisa alguma. Inutilizada por uma existência inteira... Platéia e testemunha da vida do vale a qual não participaria presa a sua parede...

Na chuva não tinha a proteção das árvores maiores... agredida pelas torrentes e interpéres...

No verão pensava em como seria fácil morrer sob o calor solar...

Suas raízes se tornaram vergonhosamente grossas e desengonçadas, sua folhas pequenas e tímidas. Um dia suas flores, pequenas e tímidas transformara-se em pequenos morangos... mas nem os pardais vinham visita-la... quem levaria suas sementes para outras parágens se não fosse o intestino providencial dos pardais??? Seria destino de suas sementes um fim infertil???

Para piorar as coisas um dia foi visitada pelos antigos donos da toca que lhe serviu de abrigo as raízes... duas ratazanas silvestres procuravam sua velha morada para a ninha da que viria... pareciam incomodados com a ocupação desavizada das raízes grossas do arbustinho... mas durante a noite toda só resmungaram, guicharam e reviraram sementes e galhos soltos na sua velha toca.

Estava dormido uma tarde de sol,quando ouviu uma algazarra, dois tigres perseguiram e cercaram um homem tolo que desavisadamente entrou em seus territórios...
Percebeu horas antes que a armadilha teria um fim trágico para o homen, e chegou a ter pena dele quando viu ele seguindo exatamente a trilha organizada pelos dois felinos... cercado no penhasco só poderia fugir subindo as paredes. Mas o homem não conhecia a inteligência dos tigres e não sabia que o segundo estava no alto da ravina o aguardando...

Perderia mais atenção nisto se não fosse a discussão entre as ratazanas. Acordaram de mauhumor e resolveram que a raízes estavam ocupando área demais na sua toca. Roendo-lhe as partes que eles achavam estar demais. DOR. Dor lascinante... lhe separavam de suas nodosas âncoras... que seria dela nas próximas tempestades... não conseguiria produzir frutos em tempo de gerar sementes aptas a germinar... seria o fim. Fim da sua história... morrer seca, sedenta, com frutos murchos em seus galhos...

Que vergonha...

Foi aí que olhou para baixo e viu o homem seguindo cego o plano dos tigres, escalando o penhasco ,acima prendeu-se a suas raízes grossa, agora fragilizadas.

Compadecida viu a tragicidade de sua finitude espelhada na face sofredora do homem lutando pela sua vida... ironia...

Com a clareza de quem vê seu fim próximo a pequena moita dedica sua última energia e mostra ao homem suas duas pequenas frutas...

Sente desfalecer ao sentir seus frutos soltando-se dos galhos e pensa...

Será doce sua boca???

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa.

Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa(Maka Hannya Haramita Shingyô)

Quando Kanzeon Bodisatva praticava em profunda Sabedoria Completa
claramente observou o vazio dos cinco agregados
assim se libertando de todas as tristezas e sofrimentos.
Oh! Sharishi!
Forma não é mais que vazio.
Vazio não é mais que forma.
Forma é exatamente vazio.
Vazio é exatamente forma.
Sensação,
conceituação,
diferenciação,
conhecimento assim também o são.
Óh! Sharishi!
Todos os fenômenos são vazio-forma,
não nascidos,
não mortos,
não puros,
não impuros,
não perdidos,
não encontrados.
Assim é tudo dentro do vazio.
Sem forma,
sem sensação,
conceituação,
diferenciação,
conhecimento;
sem olhos,
ouvidos,
nariz,
língua,
corpo,
mente,
sem cor,
som,
cheiro,
sabor,
tato,
fenômeno.
sem mundo de visão,
sem mundo de consciência,
sem ignorância e
sem fim à ignorância,
sem velhice e morte e
sem fim à velhice e morte,
sem sofrimento,
sem causa,
sem extinção e
sem caminho,
sem sabedoria e sem ganho,
sem nenhum ganho.
Bodisatva devido à Sabedoria Completa.
Coração-Mente sem obstáculos,
sem obstáculos ,
logo, sem medo,
distante de todas as delusões,
isto é Nirvana.

Todos os Budas dos Três Mundos devido à Sabedoria Completa obtém

ANOKUTARA SAN MYAKU SAN BODAI.

Saiba que Sabedoria Completa
é expressão de grande divindade,
expressão de grande claridade,
expressão insuperável,
expressão inigualável,
com capacidade de remover todo o sofrimento.
Isto é verdade não é mentira!
Assim, invoque e
expresse a Sabedoria Completa,
invoque e repita:

Gya-tei, gya-tei •
ha-ra gya-teiHara-so gya-tei •
bo-ji sowa-ka

Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa.
Eu, Aqui e Agora

de Shundo Aoyama Roshi abadessa do Mosteiro Feminino de Aichi(Aichi Senmon Nisodo)
O contrário do esforço diligente - Shojin - é a auto-indulgência, a negligência que segue apenas as paixões - Hoitsu. Na vida que busca o Shojin, precisamos deixar de lado nossa vontade pessoal e nos esforçar ao máximo para desempenhar o papel que nos foi confiado, aqui e agora.
Recentemente fiquei comovida ao ler uma poesia chamada “Pano de chão”, do poeta Michio Mado :

"Quando volto para casa em um dia de chuva
o pano de chão está me esperando
com a cara de um pano de chão.
Um rosto conhecido!
Mas certamente não era sua opção
tornar-se um pano de chão.
Até pouco tempo atrás
tinha a cara de uma camisa.
“sou uma camisa”, dizia.
Era macia como se fosse minha segunda pele
mas certamente tornar-se camisa
não foi sua opção.
Talvez há muito tempo,
em uma terra como a América
teria sorrido como uma flor de algodão
sorrindo para o vento e para o sol.


Se eu fosse um pano de chão, talvez dissesse: “seria melhor ser uma camisa”.
Ou então: “agora me tornei um pano de chão, mas antes eu era uma bela camisa”.
Um pano de chão que se lamenta assim não é útil.
Não é nada fácil um pano de chão com a forma de uma camisa. Desempenhar plenamente o papel que nos foi confiado significa transformar-se plenamente em uma camisa quando temos que ser uma camisa, e voltar a ser um pano de chão quando devemos ser um pano de chão. Esta é a imagem de quem vive seguindo o caminho da verdade - Shojin - sem pensar em seus desejos caprichosos.

Pensar que o pano de chão não é importante e tem menos valor do que a camisa é uma idéia banal, a mentalidade típica dos seres humanos. Neste mundo, não há diferença de valor entre um objeto e outro. Ouvi dizer que um pino de poucos milímetros que sustenta os mecanismos de um relógio de cem mil yens custa apenas dez yens. Mas este pino tão barato é tão essencial ao funcionamento da vida quanto um objeto muito mais caro. Cada parte do relógio tem seu papel no funcionamento do mecanismo e, a cada instante, trabalha sem cessar para que o relógio não pare. Também nosso trabalho - qualquer que seja ele - é como as engrenagens de um relógio, mantendo uma família, uma empresa, um país e o mundo.

Se trabalharmos seriamente a cada instante, colocando de lado nossos pensamentos e interesses egoístas, podemos nos transformar em uma luz que ilumina as pessoas que nos circundam. Nossa presença por si só é suficiente para iluminar e nos tornamos a própria aparição de Shojin Haramitsu
- de Shundo Aoyama Rôshi.

Nota: Shojin (virya em sânscrito) é, de acordo com os textos antigos, a função mental que permite a alguém perseverar diligentemente na doutrina correta enquanto se afasta de todas as doutrinas falsas.
Em épocas mais recentes passou a significar diligência, assiduidade, constância, devoção e até mesmo abstinência.
É um dos Seis Paramitas:
dana - doação,
sila - preceitos,
kasnti - paciência,
virya - assiduidade,
dyana - meditação e
prajna - sabedoria.
São as seia espécies de prática dos bodhisattvas.

A palavra japonesa ‘haramitsu’ significa ‘paramita’.
Do livro Para uma pessoa bonita: Contos de uma mestra zen, Prefácio da Monja Coen, traduzido por Tomoko Ueno.São Paulo: Editora Palas Athena / Zen do Brasil, 2002. Pág. 103-105

Saudações pessoas!


Meu nome é Islan, mesmo... sou de Porto Alegre e sou tec. de enfermagem de UTI pediátrica e acadêmico de psicologia. Convivo, como autodidata, com o Budismo desde meus 9 ou 10 anos. Através do professor de meu pai de tae kwon do que era coreano (Mestre Kim), e por minhas leituras desde então. A 5 ou 6 anos assisti uma palestra do Mestre Zen Moriyama Roshi. Passei a ler tudo que se referia a Zen, depois de suas palavras. No Via zen conheci a mestra Coen. E foi inevitável tela como meu modelo de jornada. Hoje a busco sempre que vem a Porto Alegre. Através dela conheci a monja Isshin, pessoa impressionante que hoje me ajuda a me manter próximo do Zen, apesar de minha profissão e compromissos com a Prefeitura de poa e com minha família é a ela que recorro para conversar e para me orientar.Não posso participar de nenhuma das Shangas de Porto Alegre em função do tempo. Colaboro como posso divulgando e escrevendo eventualmente sobre o tema. (já leram sobre o “carnaval útil”???).Talvez deva dizer que ainda criança fui iniciado no Candomblé e no catolicismo, por partes diferentes de minha família. Na juventude estudei em seminário por três anos e trabalhei em terreiro por uns dois... sou filho de Oxalá... com muito orgulho (e em respeito a meus ancestrais)... mas não pratico nada de nenhuma das duas religiões. Me entendo por Budista, sigo as orientações do Zen Soto Shu, embora não participe do Via Zen nem receba as orientações do monge Monge Dengaku, sou um admirador afastado por força maior.Sou um leitor compulsivo de filosofia e mitologia. Apaixonado por cinema (de maneira eclética, curto de Frederico Feline a George Romero...). Fui montanhista e escoteiro. Sou ciclista amador e acredito na participação popular e organização social no que se refere a cidades e bairros. Mas tenho um engasgo com partidos políticos. Pratico "ecologia doméstica" (termo que inventei agora para definir as coisas simples que podemos fazer em casa para ajudar a não piorar mais as coisas).É um prazer me apresentar.