domingo, 6 de julho de 2008

Humildade.

Em outra ocasião, o monge saiu cedo de sua casinha e caminhou quilómetros até chegar a uma pousada.
A dona do lugar era uma pessoa simples e ofereceu a ele peixe assado e um pouco de arroz. Ryokan comia satisfeito quando entrou na pousada um outro monge e disse que queria comprar uma boa refeição.
A senhora trouxe a ele peixe assado e arroz. O monge ficou furioso e grunhiu:
"--A senhora pensa que sou um monge caipira como esse aí? Traga-me comida melhor".

A dona da pousada ficou triste com a ofensa.

Ryokan, entretanto, continuou comendo com alegria.

No final da tarde, depois de longa caminhada, o jovem monge pediu pernoite na casa de um grande plantador de arroz.

Era uma grande mansão, e o dono o recebeu dizendo:
"--Hoje é dia de fazermos uma prece em memória aos nossos ancestrais. Se o se­nhor não se importa, compartilhará o aposento com o monge que chamamos para as orações".

Simplicidade. Sendo tarde e sendo essa a melhor casa das redondezas, o jovem monge aceitou.

Qual não foi sua surpresa ao ver o idoso Ryokan sorrindo.

Terminadas as preces, os dois se reco­lheram para dormir.

Ryokan logo caiu no sono.

O outro monge não conseguia dormir. Havia muitos pernilongos no quarto.

Quando Ryokan acordou, recebeu do outro toda sua raiva:

"--O senhor dorme como uma pedra, hein? Como alguém pode dor­mir com tantos pernilongos?".

Ryokan sorriu e disse:
"--Se o senhor tivesse aceitado o peixe daquela pousada, nenhum pernilongo o morderia".

Na simplicidade da vida, conhecendo os benefícios de cada alimento e respeitando todos os seres, não há nada que nos possa molestar. Tudo faz parte da nossa experiência de vida. Mas nós podemos transformar cada momento em alegria simples se encon­trarmos o contentamento de saber viver com sabedoria e respeito à vida na sua imensidão.
Sensei Coen.
Postar um comentário