quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Breath of Life, Namo Buddhaya por "Irmão" ChiSing


 "Irmão" ChiSing é um discípulo ordenado por Mestre Zen Thich Nhat Hanh.

Vive atualmente em Dallas, EUA, na comunidade fundada por ele, como um ministério espiritual inspirada nos ensinamentos universais e práticas do mestre budista contemporâneo, Thich Nhat Hanh, e sua "Ordem do Interser", composto de leigos e membros monásticas em todo o mundo.


Trabalho da Universidade de Harvard aponta que a "distração mental" é o melhor medidor de infelicidade


Faz bem mais de 2500 anos que Sidartha Gautama, chamado então de Budha (acordado, desperto, atento) disse que a fonte de nossos sofrimentos e a solução de nossos sofrimentos esta na mesmas mãos:  as nossas.

Dizia ele que em nossas mentes estão todos os instrumentos para nos libertar destas armadilhas que nos aferroam ao sofrimento.

Um dos mais importantes instrumentos apresentados por Budha é a PLENA ATENÇÃO.

A Atenção Plena Correta está sempre no âmago de todos os ensinamentos de Buda, sendo, tradicionalmente, a sétima etapa do Caminho Óctuplo
Quando a Atenção Plena Correta está presente, as Quatro Nobres Verdades e os outros sete componentes do Caminho Óctuplo também se fazem presentes.

Quando estamos conscientes, nosso pensar é o Pensamento Correto e o falar, a Fala Correta, e assim por diante.

O Ven. mestre Zen Thich Nhat Hanh, diz:A Atenção Plena Correta é o instrumento, a prática que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo.”

De acordo com a psicologia budista (abhidharma, "O Darma superior"), a atenção tem a característica de universalidade, o que significa que estamos sempre dando atenção a algo.

Nossa atenção pode ser "adequada", ou seja, estamos inteiramente no momento presente ou pode ser "inadequada", o que ocorre quando estamos atentos a algo que nos afasta do aqui e agora. Um bom jardineiro sabe como obter lindas flores usando esterco.

A Atenção Plena Correta tudo aceita, sem julgar nem reagir. É inclusiva e amorosa. Sua prática consiste em buscar formas para conseguir manter a atenção adequada durante todo o dia.


A palavra sânscrita que designa atenção plena, smriti, significa "lembrar-se". A atenção plena consiste em lembrar-se constantemente de voltar ao momento presente. O ideograma chinês para a atenção plena tem duas partes: a parte superior significa "agora" e a parte inferior "mente" ou "coração."


Agora mais um trabalho endossa as pesquisas e conclusões deste nobre mestre, o Budha:


Dois psicólogos da Universidade de HarvardMatthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbertconcluíram que a distração mental é o melhor medidor de infelicidade em nós humanos — depois de fazer uma pesquisa com 5.000 pessoasusando um aplicativo de iPhone que mede a quantidade de vezes que uma pessoa encontra-se distraída durante o dia. “Esse estudo mostra que nossas vidas mentais são permeadas, em um nível impressionante, pelo não-presente”, diz Killingsworth, um dos psicólogos autores do estudo. Um resumo da pesquisa pode ser lido no site da Universidade de Harvard, aqui (pdf, em inglês).
Alguém poderia imaginar que a maior parte dessas pessoas que estavam distraídas assim estavam porque suas tarefas eram desinteressantes. Mas a pesquisa nega claramente essa possibilidade com dois resultados curiosos: 1) “a natureza das atividades que as pessoas estavam fazendo tinha pouco impacto na motivação para suas mentes divagarem”; e 2) “a natureza das atividades das pessoas tinham quase nenhum impacto no prazer dos assuntos pelos quais as mentes dessas pessoas se sentiam atraídas para divagar”.
Ou seja, em termos grosseiro, poderíamos dizer que qualquer que seja a atividade que você está realizando, se sua mente se distrai e vai para outro lugar, as chances de você estar mais infeliz nessa divagação são maiores – independente se sua mente está pensando em algo melhor (“uma pessoa bonita”) ou pior (“pagar as contas”) do que você está fazendo. Mas é claro que preferimos pensar em algo mais prazeroso: “Apesar das mentes terem mais probabilidade de divagar para assuntos prazerosos (42.5% das amostras) do que para os assuntos não-prazerosos (26.5%) ou neutros (31%), as pessoas não estavam mais felizes pensando nos assuntos mais prazerosos do que em suas atividades atuais“, diz a pesquisa. 
“Na verdade, a frequência com que nossas mentes abandonam o presente e o lugar para onde elas tendem a ir pode indicar mais sobre nossa felicidade do que as atividades que nós estamos fazendo". 
Essa pesquisa é uma espécie de ‘ponta do iceberg’ de constatações que tradições como o Yoga e o Budismo se baseiam desde a criação de seus principais cânones, datados de vários séculos (em alguns casos, milênios). Num nível mais profundo, o problema da divagação mental lembra os Yoga Sutras do sábio Patanjali Maharishi, que possuem no aforismo “Yoga chitta vritti nirodha“, cuja tradução mais comum é a “restrição das flutuações da mente”, uma de suas máximas mais importantes. 
É possível participar da pesquisa instalando e usando o aplicativo de Iphone, a partir do site trackyourhappiness.org.

 
Matthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbert na revista eletronica da Universidade de Harvard

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sangaku Sesshin 2012 e Jukai


Não pude ir este ano... mas foi bacana receber as notícias da Sanga:




Sangaku Sesshin 2012 e Jukai





Sangaku Sesshin 2012 - Aula Inaugural
De 17 a 22 de fevereiro, foi realizado o Sangaku Sesshin  (Retiro dos Três Treinamentos) com os temas: “O Corpo-mente no Zen” (Monja Isshin) e “O Abhidharmakosa, Capítulo 1, Estâncias 1 a 7″ (Rev. Prof. Joaquim Monteiro). O grupo de participantes compensou o seu tamanho relativamente pequeno com o seu grande entusiasmo nas discussões sobre estes temas, tão importantes para a prática correta do Zen.
No dia 21, realizamos a Cerimônia de Jukai (Transmissão dos Preceitos do Bodisatva para Leigos), com três membros da Sanga fazendo os seus votos de orientar suas vidas de acordo com os preceitos budistas. Receberam os seus rakusus (mini-manto de buda), kechimyaku (documento de linhagem) e nomes de Darma.
Alexandre d’Avila – Shobou – Defensor do Darma
Cintia Medeiros Preussler – Shinkan – Fé em Kannon
Rodrigo Cardozo (Sanga de Pelotas) – Gakuzen – Estudioso do Zen

Foi com imenso prazer que recebemos estas crianças-buda na Família de Buda!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Abhidharmakosa

Primeiro capítulo – Dhãtunirdesa (As Esferas) - Parte 1

Autor: Vasubandhu.

Tradução chinesa: Xuan Zhang

Tradução portuguesa: Joaquim A.B.C Monteiro




1- “Curvo-me em reverência ao Mestre dos princípios, que extinguindo toda a obscuridade, libertou os seres sensíveis do lodaçal do Sansara. Assim sendo, devo proceder agora à explanação do Tratado da enciclopédia do Abhidharma.”

No Tratado está escrito: a intenção presente na redação deste Tratado consiste em evidenciar a veneração pelo Mestre, que em sua elevação transcende a todos os Sábios discípulos. Assim sendo, expressa essa veneração prostrando-se respeitosamente e louvando suas virtudes. No que diz respeito à sua condição como um Buddha, venerado pelo mundo, como ele possui a capacidade de desfazer a escuridão, existe a referência à extinção das obscuridades. Quando nos referimos à extinção de todas as modalidades de obscuridade, estamos nos referindo à sua extinção em todas as esferas. Como as diversas modalidades do desconhecimento invertem o verdadeiro sentido e se constituem em obstáculos à verdadeira visão, são chamadas de obscuridades. Apenas o Buddha, venerado pelo mundo realizou irreversivelmente a extinção de todas as modalidades da obscuridade em todas as suas esferas, compreendendo o não-surgimento desses dharmas. Assim sendo, nos referimos à extinção. Os Sravakas e os Pratiekka Buddhas, mesmo tendo realizado a extinção das obscuridades, como ainda estão marcados pelo desconhecimento da desconexão (dos Kleshas) suprema, não as extinguiram em todas as suas modalidades. Em função disso, no que diz respeito ao Dharma do Buddha, em tempos e locais distantes e às distinções sem fronteiras e sem impurezas, eles permaneceram no desconhecimento e sem realizar essas desconexões. 


Tendo procedido à louvação da plenitude do benefício próprio no Venerado pelo mundo, procedo em seguida à louvação da plenitude da virtude do benefício ao outro no Buddha. Que ele liberta os seres sensíveis do lodaçal do Sansara (nascimento e morte), expressa o Sansara como um local em que os seres sensíveis estão imersos, e do qual é penoso sair. Assim sendo, o Sansara é comparado a um lodaçal. Como os seres sensíveis estão imersos aí sem salvação, o Venerado pelo mundo lhes estende a mão do Dharma correto, proporcionando-lhes a saída. 

Tendo procedido à louvação das virtudes do benefício ao outro no Buddha, procedo em seguida à expressão de veneração a ele como o Mestre dos princípios. Como curvo o pescoço até tocar em seus pés, é chamado de prostração. Procedemos desta forma por significar ele a plenitude do benefício próprio e do benefício ao outro. Como ele transmite de forma severa o ensinamento correto e sem distorções é chamado de Mestre dos princípios. Essa condição de Mestre dos princípios expressa a virtude do benefício ao outro. A expressão meios hábeis significa a capacidade de libertar os seres sensíveis do lodaçal do Sansara em função do ensinamento correto e sem recorrer aos poderes supranormais. Que no louvor ao Mestre dos princípios devo proceder à explanação do Tratado da enciclopédia do Abhidharma significa que como é dirigido aos estudantes, ele é chamado de Tratado. 

Por que é esse Tratado chamado de Enciclopédia do Abhidharma? O que é o Abhidharma? 

Na estância está escrito: 

2- “Chamamos de Abhidharma à pura sabedoria, às atividades que a acompanham e aos Tratados que possibilitam a realização dessa sabedoria.” É dito no Tratado: a sabedoria significa aqui a discriminação analítica dos dharmas. A pureza significa o incontaminado. Aos fatores inerentes a essa sabedoria chamamos de atividades acompanhantes. Em função dessa perspectiva geral, ensina-se que o Abhidharma consiste nos cinco agregados incontaminados. A isso chamamos de Abhidharma em seu sentido supremo. Ao nos referirmos ao Abhidharma mundano, ele significa as diversas sabedorias e Tratados que possibilitam a realização. Consistem essas sabedorias nas sabedorias contaminadas do cultivo, da reflexão e do ouvir, assim como em suas atividades acompanhantes. Como seu patrimônio consiste em transmitir o ensinamento da pura sabedoria, a ele se chama de Abhidharma. Ao interpretarmos esse conceito, chamamos de dharma àquilo que possui características próprias. Quando nos referimos ao dharma supremo, estamos nos referindo apenas ao Nirvana. Caso estejamos nos referindo às características dos dharmas, estamos nos referindo às Quatro Nobres Verdades. Como é dotado da capacidade de direcionar-se para os seus objetos e de discerni-los, é chamado de Abhidharma. Já foi assim devidamente interpretado o sentido do Abhidharma. 

Por que razão é este Tratado chamado de Enciclopédia do Abhidharma? 

Nas estâncias está escrito: 

3- “É por abarcar esse sentido supremo e nele se fundamentar que esse Tratado é chamado de Enciclopédia do Abhidharma.” 

É dito no Tratado: é por penetrar no sentido supremo dos Tratados do Abhidharma e por ser capaz de incluir em sua totalidade que esse Tratado é chamado de Enciclopédia. Ou ainda, é chamado de Enciclopédia por fundamentar-se nesse sentido. 

Em função de que fatores foi transmitido esse Abhidharma? Por quem foi ele ensinado? Explicito agora a interpretação desses aspectos em sua relação respeitosa com a intenção de sua redação. Na estância está escrito: 

4- “Caso seja excluída a discriminação analítica dos dharmas, definitivamente, não existe nenhum meio hábil de natureza superior capaz de extinguir as impurezas. 

Como em função dessas impurezas, a existência mundana flutua no Oceano das existências, transmite-se que o Buddha ensinou o Abhidharma.” 

É dito no Tratado: caso seja excluída a discriminação analítica dos dharmas, definitivamente, não existe nenhum meio hábil superior capaz de extinguir as impurezas, isso significa que as impurezas conduzem a existência mundana a flutuar no grande Oceano do Sansara. 

Que, em função disso, transmite-se que o Buddha ensinou o Abhidharma, significa que tendo ele ensinado a discriminação dos dharmas em função de sua aspiração de conduzir as existências mundanas, caso seja excluído o Abhidharma, torna-se impossível para os seus discípulos compreender as características dos dharmas. Assim sendo, o Buddha ensinou o Abhidharma de forma esparsa e em diversas ocasiões. Seu formato foi sistematizado quando grandes e virtuosos Mestres como Katyayaniputra se reuniram em um concílio. Da mesma forma, o grande Mestre Dharmatrãta desenvolveu sua compilação no capitulo sobre a impermanência nos Udanas. Essa é a transmissão dos Mestres Vaibhasika.


Que dharmas se constituem nos objetos de análise nesse Abhidharma ensinado pelo Buddha?

5- “Dentre os dharmas contaminados e incontaminados, com a única excessão do Caminho, os dharma condicionados são todos contaminados. Por se constituirem na proliferação das impurezas, são chamados de contaminados. Os incontaminados consistem na Verdade do caminho e nos três incondicionados. Consistem esses no espaço vazio e nas duas extinções, na medida em que o espaço não conhece impedimentos.

A extinção devida ao conhecimento é chamada de desconexão dos Kleshas: cada desconexão ocorre separadamente. Como no espaço vazio não existem impedimentos definitivos, torna-se possível o surgimento. A outra realização é a extinção não devida ao conhecimento.”

É dito no Tratado: no ensinamento de todos os dharmas é possível apontar detalhadamente para duas modalidades. São elas (os dharmas) contaminados e incontaminados.

O que são os dharmas contaminados?

São todos os dharmas condicionados com exceção da Verdade do caminho.

Por que razão? Pelo fato das impurezas possuírem a tendência à proliferação, em função das Verdades da extinção e do caminho, essas impurezas, mesmo surgindo, não podem expandir-se. Assim sendo, elas não são contaminadas. O sentido dessa não expansão deve ser claramente evidenciado no capítulo sobre os Kleshas. 

Tendo esclarecido os contaminados, o que são os incontaminados?

Consistem eles na Nobre Verdade do caminho e nos três incondicionados.

O que são esses três?

Consistem no espaço vazio e nas duas extinções. As duas extinções consistem na extinção devida ao conhecimento e na extinção não devida ao conhecimento. Esses três incondicionados como o espaço vazio, assim como a verdade do caminho são chamados de dharmas incontaminados.

Por que razão?

Por não proporcionarem a proliferação das impurezas. Na explanação detalhada dos três incondicionados, o espaço vazio tem por sua natureza apenas a ausência de impedimentos. A forma movimenta-se em função dessa ausência de obstáculos. A natureza da extinção devida ao conhecimento consiste na desconexão dos Kleshas. Através do distanciamento e da desconexão dos dharmas contaminados ocorre a emancipação. A isso chamamos de extinção devida ao conhecimento. O conhecimento implica aqui na sabedoria discriminativa que discerne as Quatro Nobres Verdades. Em função disto, dizemos que a extinção que se dá através do poder do discernimento é chamada de extinção devida ao conhecimento. Isso se dá da mesma forma com que um carro puxado por bois é chamado de “carro de boi”. 

Ocorre ou não uma única extinção de todos os dharmas contaminados? 

Não, a desconexão de cada um deles ocorre separadamente. Em função de cada desconexão, ocorre a eliminação de um dharma distinto. Se não fosse dessa forma, com a extinção dos fatores associados ao caminho da visão, ocorreria a extinção dos fatores associados ao caminho do cultivo. Semelhante situação tornaria irrelevante o caminho do cultivo. 

Em que sentido se diz que a extinção implica em uma natureza não idêntica? 

Em função da extinção não ter por sua causa um fator homogêneo, ela não pode estender-se a fatores heterogêneos. Não existe ai uma natureza idêntica. 

Já foi explanada aqui a extinção devida ao conhecimento. A extinção não devida ao conhecimento deve-se a obstáculos constantes ao surgimento. Como esses obstáculos impedem o surgimento de dharmas futuros, são chamados de extinção não devida ao conhecimento. Ela não tem o conhecimento por sua causa. Ela dá-se apenas em função da ausência de condições. Ela se dá da mesma maneira com que o surgimento de um instante de consciência associado a um dharma da forma em particular exclui de seu campo fatores como o som, o sabor, o cheiro e o contato. Essa esfera do corpo das cinco consciências permanece completamente no futuro sem se manifestar. 

Como ela não pode possuir uma esfera no passado em função da ausência de condições, é chamada de extinção não devida ao conhecimento.

Para ocorrer a extinção de um dharma são necessários quatro fatores. A saber: 

  • - Se ocorrer apenas a extinção devida ao conhecimento dos dharmas, todos os dharmas contaminados só existirão no passado e no presente. 
  • - Se ocorrer apenas a extinção não devida ao conhecimento dos dharmas, isso implica no não surgimento dos dharmas incontaminados e condicionados. 
  • - Se todos os dharmas estivessem simultaneamente sujeitos às duas extinções, não surgiriam os dharmas contaminados. 
  • - Se todos os dharmas não passassem por nenhuma dessas extinções, todos os dharmas contaminados existiriam no passado e no presente. Dessa forma, foram esclarecidos os três incondicionados e que todos os dharmas condicionados, com a única exceção do caminho são contaminados. 


O que chamamos de dharmas condicionados? 

Na estância está escrito: 

6- “Ou ainda, os dharmas condicionados constituem-se nos cinca agregados como a forma.

Como os caminhos mundanos apóiam-se no discurso, existem as desconexões e diversos outros eventos.” 

É dito no Tratado: os cinco agregados iniciam-se na forma e culminam na consciência. Esses cinco dharmas são incluídos nos dharmas condicionados. Como derivam de múltiplas condições, não existe nenhum dharma que surja de uma única condição. Existindo dessa forma, não conhecem nenhum impedimento futuro. São como o leite ou como a lenha. Esses dharmas mundanos são também chamados de caminhos mundanos em função das ações já realizadas serem ações corretas que devem ser realizadas. Ou ainda, constituem-se em alimentos a serem devorados pela impermanência. Ou ainda, como são dependentes da palavra, são chamados de linguagem. Essa dependência constitui-se em uma característica essencial. Essa relação com a linguagem inclui todos os dharmas condicionados. Se não fosse dessa forma, estaria em desacordo com um dos Tratados do Abhidharma. Esse discurso inclui em si todas as 18 esferas. Ou ainda, são chamados de desconexão. A desconexão significa o Nirvana entendido como a desconexão definitiva. Essa desconexão existe em relação a todos os dharmas condicionados. Ou ainda, são chamados de eventos, na medida em que a origem de seu sentido é essencialmente causal. Assim foi transmitido pela tradição dos Vaibhasikas. Essas modalidades se constituem no discernimento dos dharmas condicionados. 

No que diz respeito à relação entre esses dharmas condicionados de que falamos e os seres sensíveis, nas estâncias se diz: 

7- “Os (dharmas) contaminados são chamados de agregados do apego, ou são ainda chamados de conflito. As Verdades mundanas do sofrimento e da origem implicam na visão das três existências.” 

É dito no Tratado: em que sentido são chamados de agregados do apego, ou ainda por que são chamados de agregados? Quando existem apenas os agregados sem a característica do apego, eles são chamados de atividades incontaminadas. Os Kleshas (anusaya) são chamados de apego. São como uma vegetação consumida pelas chamas. Ou ainda, como existe um apego que pertence aos agregados, são chamados de agregados do apego. Sua relação (entre os agregados e o apego) é como aquela existente entre um rei e os seus ministros. Ou ainda, como os agregados dão origem ao apego, são chamados de agregados do apego. São como as flores e os frutos de uma árvore. Esses dharmas contaminados são ainda chamados de conflito. Os Kleshas são ainda chamados de conflito. Como prejudicam a si mesmo e aos outros, são chamados de conflito. Como dão origem à expansão dos conflitos, são considerados conflituosos. Os contaminados são ainda chamados de sofrimento, na medida em que diferem da mente dos Sábios. Ou ainda são chamados de origem, na medida em que convidam ao sofrimento. Como estão sujeitos à corrupção, são ainda chamados de existência mundana. Como são passíveis de superação, são ainda chamados de objeto da visão. Como a visão faz proliferar essas impurezas, é chamada de três existências. São assim chamadas na medida em que todas as existências causais são incluídas nas três existências. Todas essas categorias são sinônimas de dharmas condicionados.





A Festa dos Loucos

Textos para Reflexão: A Festa dos Loucos:



"Texto de Alain de Botton em “Religião para ateus” (Ed. Intrínseca), tradução de Vitor Paolozzi – Trechos das pgs. 51 a 56. A introdução e os comentários ao final são meus.

Introdução
Neste livro provocativo (e muito corajoso), Alain, que se declara ateu, defende que à sociedade secular têm muito o quê aprender com os aspectos positivos das grandes instituições religiosas. Aspectos esses que podem muito bem sobreviver mesmo quando Deus é deixado de lado. Neste trecho em específico ele faz um elogio ao senso de comunidade presente nas religiões organizadas.."

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Textos para Reflexão: Schiller e a dimensão estética

Textos para Reflexão: Schiller e a dimensão estética:

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Feliz Aniversário , Sensei Isshin! ! ! !




Monja Isshin Havens, Oshô – Soto Zen Budismo





foto: Gil Gosch
Tornando-se Herdeira da Linhagem ao receber a Transmissão de Darma do Mestre Zen e Professor-mestre de BaikaShûki Hidetaka Onoda Roshi (Abade do Ryûzô-ji -Templo da Morada do Dragão) na cidade de Tsuruoka, Yamagata-ken, Japão), a Monja Isshin, Sensei iniciou a sua prática formal do Zen Budismo com a Monja Coen, em São Paulo, Brasil, em julho, 1996. Recebeu a ordenação monástica em julho, 1999, quando tornou-se “Unsui” (monge-em-treinamento) na graduação de “Jôza”.

Entrou no Mosteiro Feminino de Nagóia, Japão (Aichi Senmon Nisôdô – ver mapa Google) em novembro, 2000, após passar um mês no Templo Kirigaya-ji (Junyû Kuroda Roshi, abade) em Tóquio e participar de um sesshin no mosteiro Hosshin-ji em Obama.

A partir de setembro, 2002, passou a ocupar sempre a posição de “líder de grupo de treinamento” (ryôchô), responsável por ensinar os mais novos, dentro do mosteiro, passando por todos os grupos de treinamento monástico (Ino, Tenzo, Anja, Chiden) até sua saída do Japão. As suas especialidades são: chiden (cerimonial religiosa), ino (instrumentos), baika(música budista) e costura de vestimentas budistas.

Em 2003, foi nomeada “líder dos noviços” (shuso) e passou pela cerimônia de Combate de Darma (hôsenshiki), com a Aoyama Roshi, abadessa do mosteiro, como a “Professora de Treinamento” (“hôdôshi“).  Ao completar esta fase (ainda em 2003), passou para a graduação de “Zagen”.

Em março, 2004, recebeu o segundo prêmio de Palestra de Darma.

Em agosto, 2004, iniciou seu treinamento avançado no Zen Center de Los Angeles, Estados Unidos, onde praticou durante 10 meses e foi responsável pela revisão do Manual do Curso dos Preceitos bem como na nova edição do livro “Hazy Moon of Enlightenment” de Maezumi Roshi. Lá também realizou cursos de mediação de conflitos e atuou em algumas mediações.

Passou duas semanas de treinamento no Zen Mountain Monastery, em Mt. Tremper, Nova Iorque.
Retornou ao Brasil em agosto 2005, assumindo um papel de assistente da Monja Coen junto à Comunidade Zen Budista Zendo Brasil em São Paulo. Representou a Monja Coen em vários eventos e palestras e liderou retiros de costura de vestimentas budistas.

Em outubro, 2006, recebeu a função de ensino dos instrumentos (Doan) no Retiro Nacional das Sangas Brasileiras, realizado no Mosteiro Zen Morro da Vargem em Ibiraçu, ES, organizado pelo Escritório Central do Soto Zen no Brasil.

foto: Gil Gosch
Em dezembro de 2006, recebeu autorização de liderar grupos de prática e, convidada pela Associação Zen Budista de Porto Alegre, mudou-se para Porto Alegre.

Em abril, 2007, foi convidade a se tornar Membro-Colaborador do Colegiado Buddhista Brasileiro, entidade sem fins lucrativos com o objetivo maior de contribuir para a difusão, sustentação e correta orientação dos ensinamentos de Buda.

Em maio, 2007, iniciou suas atividades como orientadora espiritual da Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixãoonde desenvolve várias práticas Zen Budistas (veja agenda) até hoje.

Em 2008, tornou-se aluna do Dôshô Saikawa Roshi, Superintendente da Escola Soto Shû para a América do Sul até 2010, quando passou a ser aluna do Professor-mestre de BaikaShûki Hidetaka Onoda Roshi, de quem recebeu a Transmissão de Darma (shihô, ou finalização formal do treinamento e reconhecimento como monja plenamente formada -“rikishô”).

Zuise - Sojiji
Ao passar pelas cerimônias de Zuisenos dois templos-sede no Japão (Eiheiji e Sôjiji), passaou à graduação de Oshô (和尚) e Professora do Darma (Sensei), autorizada a tornar-se abade (Monge Titular, jûshoku) de um templo oficialmente reconhecido, transmitir os preceitos para leigos (Zaike Tokudo ou Jukai) e ordenar novos monges (Shukke Tokudo),   entre as outras funções de sacerdote, como oficiar casamentosbatizados, benções em geral, enterros, serviços memoriais (hôji) e outras cerimônias religiosas.

Em 2010, foi publicado, pela Editora Pragmatha, o primeiro volume de uma série de 6 volumes previstos, com o título “A vida compassiva – Compaixão”.

Antes de se tornar monja, foi musicista (Orquestra Filarmônica de São Paulo, Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), free-lancer de gravações, etc), professora de trompa (Conservatório de Música de Tatuí, Fundação das Artes de São Caetano), professora de inglês e tradutora/interprete (empresa própria – Centro de Ensino Cultural). Estudou caminhos espirituais, formou-se como Facilitadora de Xamanismo Urbano no Instituto Paz Géia, e aprendeu várias artes da cura, como a Cura Prânica, a Cinesiologia Especializada além de se formar como Massoterapeuta pela Universidade Holística (agora conhecido como Humaniversidade).

Atualmente, além de suas atividades com a Sanga Águas da Compaixão,  é orientadora daSanga Aikikai, da Associação RS Aikikai (desde julho, 2008), da Sanga Energia Harmoniosado Centro de Cultura Oriental Tigre Coreano (desde janeiro, 2009) em Porto Alegre e daSanga Soto Zen de Pelotas (desde março 2010), palestrante da Universidade Falada (desde 2006) e colaboradora/palestrante da Unipaz-Sul (desde 2009).


Ler mais na página A Monja na Internet onde encontrará links para vídeos, gravações em mp3 para download e outras entrevistas.

Ver as atividades orientadas pela Monja Isshin- atualizado: novembro, 2011


Fotos da Cerimônia de Combate de Darma (hôsenshiki), realizada em maio, 2003 em Nagoya

 


Fotos da vida diária duranto o treinamento no Mosteiro Feminino de Nagóia, Japão (Aichi Senmon Nisôdô).

 




Grato Sensei, por tudo.

Feliz Aniversário.