sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Zen de Pitágoras e Pascal

Quando a hora é de silenciar ~ Por Fernanda Borges




Aprenda a ficar em silêncio. Deixe sua mente tranquila, ouvir e absorver. 
Pitágoras 

Há momentos na vida em que precisamos silenciar. E talvez por isso tenho estado afastada deste blog. Mas como todo ciclo que começa uma hora precisa se fechar, despeço-me aqui do silêncio e volto a percorrer as linhas desse espaço virtual, que embora não tão acessado assim, é lido carinhosamente por alguns internautas simpatizantes ou adeptos a filosofia espírita. 

E então, lendo um livro que traz obras de inúmeros mestres da humanidade - como o próprio Jesus, Buda, Shakespeare, Michelangelo, entre outros, encontro por ali a importante reflexão sobre o silêncio. Percebo que, o que menos temos feito nesses tempos modernos onde tudo acontece rápido demais, é justamente a prática de silenciar. Eu mesma sou uma pessoa constantemente agitada e apesar disso fazer parte de minha personalidade e até saber lidar com isso, as vezes a gente necessita - com a mesma urgência dos excessos - do silêncio. 

Pitágoras, considerado uma das mentes científicas mais originais, lembra o quanto é importante que vez ou outra reservemos um tempo na vida para ficarmos sozinhos, em silêncio. Diz ele: "Se quiser livrar-se de suas desgraças, aprenda a sentar-se em silêncio, sozinho, em uma sala, e meditar". 

Já foi estimado que uma pessoa tem em média sessenta mil pensamentos diferentes por dia. O problema é que hoje temos os mesmos sessenta mil pensamentos que tivemos ontem e que repetiremos amanhã. Nossas mentes estão cheias das mesmas idéias todos os dias. Aprender a ficar quieto e ouvir envolve encontrar um modo de entrar nos espaços desses pensamentos. 

Assim como Pitágoras, Blaise Pascal, famoso matemático francês, físico e filósofo religioso que viveu 22 séculos depois de Pitágoras, diz que nesse espaço vazio e silencioso entre os pensamentos, podemos encontrar uma sensação de completa paz em um domínio ordinariamente deconhecido. No entanto, se você tem sessenta mil pensamentos por dia, obviamente não há tempo disponível para ocupar espaço entre um e outro, porque simplesmente não existe espaço. 

A maioria de todos nós possui mentes que correm à velocidade máxima dia e noite. Nossos pensamentos são uma confusão de diálogos ininterruptos a respeito de planejamentos, preocupações com dinheiro, listas de compras, trabalho, viagens, etc. Esse excesso cria um padrão mental que não deixa espaço para o silêncio. 

A prática da meditação - que nos educa a silenciar - pode ajudar consideravelmente a qualidade de nossas atividades não silenciosas. Por meio dela conseguimos uma sensação de intenso bem-estar, aumento de energia, maior produtividade, relacionamentos mais satisfatórios além - é claro - de uma conexão mais proxima com Deus. 

Não saberia dizer aqui e muito provavelmente em nenhuma outra ocasião, como você pode fazer para começar a meditar, ou pelo menos dar um passo ao seu silêncio interior. Há diversos cursos, livros e teorias que explicam e ensinam isso por meio da meditação - prática defendida por quem vive por sua crença na razão. Busque esse silêncio interior de depois reflita sobre seus benefícios. Você sentirá o mesmo que Pascal sentiu quando escreveu: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me aterroriza".
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