segunda-feira, 30 de março de 2009

Minha filha, o Dalai Lama e o mosquito...

Hoje eu respondia a uma desconhecida amiga quendo notei que um mosquito estava de "tocaia" na tela de mosquiteiro de minha filha... pensei de cara em esmaga-lo, mas não o fiz... afinal ele não poderia furar a tela... nem fazer nenhum mal "real" desta forma...

Divaguei e lembrei que falava de reencarnação e renascimento... e lembrei do texto do Sensei Genshô:

"O engano está na crença em egos, ou almas individuais, que reencarnam.

O budismo nega claramente isso.

Nossas consciências individuais são agregados de corpo, mente, sensações, percepções.

Com a morte, isto se desagrega: não há consciência individual ou eu que possa permanecer.

Porém, somos eternos no sentido de que não cessa a energia que constituiu nosso movimento cármico.

Essa onda de energia tende a se manifestar novamente, segundo seus apegos e desejos.

Contudo, não é o mesmo ser que se manifesta, outro ser o faz, como continuação daquele impulso.

Pertencemos ao universo e, tanto nascimento, quanto morte são apenas manifestações neste continuum.

Bilhões de manifestações de todo tipo ocorrem na superfície deste oceano absoluto.

Não se trata de manifestações propriamente individuais, embora possam sê-lo.

Uma onda pode manifestar-se em milhares de formas simultaneamente.

Em grande parte, o carma é coletivo e não apenas individual.

Pense no absoluto, não em indivíduos, mesmo que insetos.

(...)

No Budismo não se considera a existência de uma alma, ou partícula permanente, que possa reencarnar.

Reencarnação é um termo que causa confusão dentro do Budismo.

Preferimos atualmente a palavra manifestação, ou continuidade cármica.

(...)

Eventuais "lembranças" de vidas passadas, se existem, são manifestação da "consciência depósito" (arquetípica) que a humanidade partilha (chama-se "älaya" de "depósito" em sânscrito).

Se elas parecem se concentrar em uma determinada manifestação, algumas linhas budistas reconhecem aquele ser como um "herdeiro" de um ser passado, mas que não se trata, em absoluto, da mesma pessoa.

Assim, de onde veio Isadora???

(...)

No Zen, não há a tradição de reconhecimento, a qual é mais praticada entre os tibetanos.

Quanto a explicações, este não é o objetivo do budismo.

Mesmo quando dadas tais explicações, não implicam compromisso de aceitá-las.

Importante mesmo é verificar a prática - se produz o desaparecimento dos venenos (raiva, desejo, fixação etc...), se faz surgir um espírito pacífico, compassivo, equânime: eis o teste do Budismo real.

Assim, nem mesmo sei qual é a origem de minha filha...

A que carma ela esta ligada?

Ao meu, de minha esposa e filho mais velho é certo e fácil perceber...

Mas a que ela esta "destinada"???

Hoje não é ser sugada por um vampiro de menos de 1/2cm... bendita tela de tule...

Mas será que existe algo que a "prenda ao futuro"? Um destino?

O Monge Gensho sempre diz: "Nascimentos também são produto de carma e portanto manifestação dele."


Quem pode garantir???
Postar um comentário