CONVERSAS ANÔNIMAS: Eu continuo com a sensação de não estar conectado ao mundo, de estar separado no fundo da minha mente...

 



Olha: o que você sente faz sentido.

Não se trata de “esquisitice”, mas de um sintoma de sua história.

Aquilo que você chama de “mesma sensação” é o que algumas linhas psicológicas chamam de “esquema”!

Funciona como uma “lente” colocada na frente dos olhos, em algum lugar do nosso passado, que faz você “enxergar” as coisas sempre de uma mesma forma… ou no seu caso: “Se sentir permanentemente atrás de um vidro, desconectado do mundo.”

Por causa desta lente… deste “Filtro”, durante muito tempo, seu maior esforço foi tentar “traduzir” seu mundo interno em palavras, mas sempre com a impressão de que ninguém entendia o idioma.

E não entendem mesmo!

O resto do mundo não usa a sua mesma “lente” ou o seu “filtro de realidade”!

Viver assim é carregar um peso imenso.

Note que apesar disso, nos últimos quatro meses, porém, você fez algo incrivelmente corajoso: decidiu falar no seu próprio idioma.

Rompeu a regra de que tudo precisava permanecer confinado na mente.

Esse gesto é um ato de liberdade enorme. O desafio é que, quando passamos a vida inteira nos sentindo invisíveis, o ato de aparecer traz uma solidão paradoxal: “Estou aqui, gritando, e parece que ninguém me vê”.

Fico particularmente preocupado com sua fala sobre a sensação de que seu esforço soa como “adeus” em vez de “olá”!

Percebe que é, na verdade, a parte mais sensível e importante do seu relato. Talvez esse “adeus” não seja uma desistência pelo fracasso da comunicação… mas eu penso que é sim um sinal de “luto” pela comunicação que nunca teve RESPOSTA!

Eu entendo que a Comunicação PRECISA funcionar em forma de uma dialética! Não basta apenas alguém emitir uma mensagem; é preciso que haja resposta, troca, movimento entre quem fala e quem escuta. A dialética é justamente esse processo de ida e volta, em que cada parte se transforma pela interação com a outra…

O seu “adeus à esperança” era a sua conclusão de que as pessoas simplesmente nunca vão “adivinhar” o que se passa dentro de você, sem que fosse necessário se expor.

É o luto pela fantasia de que o mundo acolheria sua expressão de imediato! E claramente não vai!

Construir um “olá” verdadeiro é um processo de duas vias.

Você está aprendendo a sua parte: a de se mostrar.

Agora, é tempo de observar o que acontece quando você se expressa.

A criança dentro de você, que sempre foi ignorada, teme continuar sendo ignorada?

Ou será que o adulto em você está aprendendo a distinguir entre o silêncio do mundo e o silêncio que você mesmo se impôs?

Sobre a SUA TERAPIA: Não pare a terapia ainda… Não pare de falar.

Aos poucos, talvez perceba que o objetivo da terapia não seja que o outro (seua terapeuta) te entenda em tudo, mas que você consiga, pela primeira vez, se ouvir e se validar no processo!

Quando você se valida, a conexão com o mundo deixa de ser uma súplica e passa a ser uma escolha.

Segunda coisa: NUNCA ESQUEÇA QUE AINDA ESTÁ COM SUAS LENTES!

Ninguém enxerga o mundo com ele é… Não sem abrir mão de muitas certezas…

Ninguém enxerga o mundo como ele é mas como se é capaz de ver... ou como necessita!

Se pensarmos nisso como um processo, você pode usar a dialética da comunicação como um caminho de amadurecimento.

Primeiro, você aprende a SE OUVIR; depois, a se mostrar; e, por fim, a se deixar transformar pelo diálogo. É aí que a comunicação deixa de ser um esforço solitário e se torna encontro.

Mas um encontro com você mesmo!




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