Cara Membro Anônima, você descreve uma vida marcada por sobrecarga e exigências constantes: mãe solo, provedora da casa, estudante de faculdade, responsável por um filho e até por um cachorro.
Essa é uma rotina seria o suficiente para qualquer pessoa se sentir exausta.
E, infelizmente, é uma situação recorrente entre mulheres adultas solteiras, se você perceber… note que nesta comunidade mesmo vai ver parte da sua queixa reproduzida em outras falas… (eu as chamo de "Mulheres Wendy", por conta dos livros do Daniel Kiley psicólogo norte-americano que se tornou mundialmente famoso na década de 1980 por observar e descrever padrões de comportamento baseados em personagens da história de Peter Pan).
Então, infelizmente essa não é uma situação incomum.
Mas precisamos considerar o SEU AGRAVANTE, e a sua situação!!
Na sua escrita aparece UMA COBRANÇA INTERNA feroz — uma voz crítica que insiste que você deveria acordar às 4h para ir à academia, que deveria sempre priorizar o crescimento, que nunca deveria falhar. Essa voz não dá trégua, ao que parece.
Você me faz entender que no seu contexto, a balada e o álcool NÃO SÃO diversão inocente, mas como válvula de escape.
Você tenta parar, mas não consegue. E aqui está um ponto essencial para te ajudar: não devemos perguntar “o que há de errado com você?”, mas sim “O QUE ACONTECEU COM VOCÊ que VOCÊ NÃO PERCEBEU ANTES, que obrigou a você se ADAPTAR de maneira tão extrema???”.
O que eu estou dizendo é que "A Balada" não é o problema em si; a “Balada” é a ADAPTAÇÃO que seu cérebro encontrou para lidar com alguma dor MAIOR.
Quando você sai, por algumas horas, não é mais a mãe sobrecarregada, nem a estudante exausta.
É apenas alguém tentando se sentir viva e aliviada.
O álcool anestesia a ansiedade, a solidão e o vazio que aparecem quando você fica em casa. Ele oferece alívio imediato, ainda que temporário.
O problema é que esse alívio cobra caro. No dia seguinte, vem a ressaca física e emocional: cansaço, vontade de chorar, culpa. E voltar a sobrecarregar-se para “compensar” as falhas”...
E o ciclo se repete: dor → fuga → culpa → mais dor... → mais fuga → mais culpa → mais dor ainda...
E, nesse processo, o autocuidado verdadeiro — como a academia, o descanso, o cuidado com o corpo, até uma terapia... quem sabe — fica paralisado.
Não porque você não tenha força de vontade, MAS PORQUE SUA ENERGIA PSÍQUICA ESTÁ CONSUMIDA EM DUAS BATALHAS: sobreviver à rotina e lutar contra a dor emocional.
O bom sinal é que isso não significa que você seja fraca ou quebrada.
Significa que você é uma mulher que carrega um fardo enorme e encontrou uma forma de sobreviver à própria dor.
A balada não é um defeito, É UM RECURSO.
Da minha parte, o que eu acredito que precisa ser olhado não é a “falta de foco”, mas A FERIDA QUE VOCÊ TENTA ANESTESIAR!
E eu não sou adivinho pra dizer que foi o seu “término complicado”, se é a solidão, a pressão de ser tudo para todos.
O caminho não está em se massacrar mais, mas ENTENDER E EM ACOLHER ESSA DOR.
Comece em reconhecer que ela existe, que ela tem lógica, que ela pede compaixão.
SÓ QUANDO A CAUSA — A ANSIEDADE, O LUTO, A SOBRECARGA — FOR CUIDADA, O SINTOMA (a balada) DEIXARÁ DE SER NECESSÁRIA.
Você não precisa de mais disciplina; precisa de mais gentileza consigo mesma.
Não quero que esse texto seja visto como um julgamento, mas um reconhecimento, uma validação:
VOCÊ ESTÁ TENTANDO SOBREVIVER.
E ISSO JÁ É UM ATO DE CORAGEM.
Você não é definida pelos momentos de fuga, mas pela coragem diária de levantar e seguir em frente, mesmo carregando tanto peso.
O fato de começar a reconhecer sua dor já é um ato de bravura, porque só quem se permite olhar para dentro pode transformar sua história.
Você não precisa ser perfeita nem acordar às 4h para provar seu valor — Seu valor já está em tudo o que você faz para sustentar sua vida e a do seu filho.
Cada passo, mesmo pequeno, é uma vitória.
E quando a culpa vier, lembre-se: ela não é prova de fraqueza, mas sinal de que você se importa.
O caminho da mudança começa com compaixão por si mesma, e você já está trilhando esse caminho.
Estou à disposição… Fique bem!
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