Carl Sagan: “Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos!"

 Em 1995, um ano antes de sua morte, Carl Sagan escreveu uma reflexão inquietante sobre o futuro da sociedade em seu livro: "O Mundo Assombrado pelos Demônios". 


É impressionante como essas palavras, escritas há trinta anos, ressoam com tanta força hoje em dia.

Sagan não estava fazendo uma profecia mística, mas sim um diagnóstico baseado na tendência social que ele observava na época.

No trecho ele descreve um cenário onde:

 * A base industrial e manufatureira encolhe, concentrando a riqueza e o poder em pouquíssimas mãos;

 * O conhecimento científico é esquecido, e as pessoas perdem a capacidade de questionar quem detém a autoridade ou o capital;

 * A "mistificação" e a superstição retornam, com as pessoas buscando conforto em horóscopos ou pseudociências por não conseguirem mais distinguir o que é verdade do que é fabricado;

 * O debate público se torna superficial, resumido a frases de efeito (click bites) e entretenimento de baixa qualidade.


Muitos leitores atuais sentem um "arrepio" ao ler esse capítulo porque ele parece descrever exatamente a era da desinformação e da polarização digital.


Sagan temia que, se a população perdesse a alfabetização científica e o pensamento crítico, ela se tornaria incapaz de governar a si mesma, ficando à mercê de demagogos.


-> "A queda na inteligência e no espírito crítico começará a ser sentida no momento em que as pessoas não conseguirem mais distinguir o que as faz sentir-se bem daquilo que é verdadeiro."


Embora Sagan falasse especificamente sobre os EUA, essa análise se aplica perfeitamente ao contexto global e brasileiro. Onde a educação falha e o ceticismo saudável morre, o "mundo assombrado pelos demônios" da ignorância ganha espaço.


"O Mundo Assombrado pelos Demônios".


“Tenho um pressentimento sobre o futuro da América, na época dos meus filhos ou netos: quando o país for uma economia de serviços e informação; quando quase todas as principais indústrias manufatureiras tiverem se mudado para outros países; quando um poder tecnológico assombroso estiver nas mãos de poucos e ninguém que represente o interesse público for capaz de compreender os problemas; quando as pessoas tiverem perdido a capacidade de definir suas próprias prioridades ou de questionar com conhecimento de causa as autoridades; quando, agarrados aos nossos cristais e consultando nervosamente nossos horóscopos, com nossas faculdades críticas em declínio, incapazes de distinguir entre o que nos faz sentir bem e o que é verdade, deslizaremos, quase sem perceber, de volta à superstição e à ignorância.


Essa banalização é mais evidente no lento declínio do conteúdo substancial nos meios de comunicação de grande influência: mensagens de 30 segundos, agora reduzidas a 10 ou menos; programação voltada para o público menos exigente; apresentações crédulas de pseudociência e superstição; mas, acima de tudo, uma espécie de celebração da ignorância.”




Embora o alerta mencione especificamente os Estados Unidos, não é segredo que essa previsão parece se aplicar ao mundo inteiro.

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