Cara Membro Anônima, notei que em nenhuma frase você usou interrogação... portanto não são perguntas, de fato.
São afirmativas de condições que você observa e vive.
São afirmativas de condições que você observa e vive.
Você percebeu o efeito que fez a ausência de um simples ponto de interrogação para os outros leitores? O modo que as outras pessoas (que realmente leram teu texto) reagiram ao teu texto?
Isso (o modo que escreve) revela tanto sobre o que alguém quer realmente dizer (ou sobre o seu inconsciente) quanto realmente o que precisa encarar (interpretações possíveis de cada leitor atento)!
Quando alguém chega com uma queixa, fazendo apenas “afirmações categóricas” (no seu caso você não fez pergunta alguma! Mas afirma (inconscientemente) que é uma pessoa que “Gostaria de um esclarecimento”!
Você não está em busca de uma aula teórica ou uma explicação.
Está, no fundo, sinalizando: "preciso ser ouvida, validada e compreendida nesta minha frustração".
Do meu olhar psicológico, esse tipo de relato é como um sinal de alerta! Quero desmontar essa situação não para dar conselhos rasos, mas para você entender as camadas que estão em jogo — seja para sua própria reflexão, seja para entender sua relação com seu marido!
No centro do SEU texto existe um choque sobre o que significa "saber" algo.
De um lado, temos quem acredita que conhecimento é construção — aquelas 7-8 horas diárias de estudo têm valor em si mesmas, são um ritual de dedicação e sacrifício.
Do outro, quem vê o conhecimento como um "produto final": o que importa é a resposta, a autoridade, o resultado.
Mas o seu incômodo profundo aí não é só sobre a "cola digital". É a sensação de que “seu” esforço metódico está sendo desvalorizado por alguém que monta um palco intelectual com alicerces de isopor.
Há, para você, uma injustiça cognitiva que dói. Quando seu marido fala "como se soubesse profundamente" algo que acabou de perguntar ao ChatGPT, estamos diante de um clássico mecanismo de defesa. A onipotência intelectual é uma armadura contra a vulnerabilidade. "Não saber" é angustiante para algumas pessoas, então elas constroem uma persona de mestre usando ferramentas que suprimem essa angústia.
O problema é que essa persona que ele usa exige plateia e admiração — e invalida, a seu ver, quem está construindo conhecimento tijolo por tijolo.
Paralelo a isso seu marido PARECE usar um “locus de controle externo”. Na sua frase "Tudo o que não dá certo pra ele, adora culpar coisas, pessoas e a mim" é a tradução perfeita disso!
Se nada é responsabilidade das escolhas dele, não há necessidade de introspecção, autoanálise ou paciência para processos.
O erro sempre mora fora.
E quando "você" é parte do "fora" "dele" mais próximo, vira bode expiatório.
Viu como não é uma competição sobre conhecimento ser valido ou não?!
Viu como não é uma competição sobre conhecimento ser valido ou não?!
O que parece uma briga sobre uso de tecnologia é, na verdade, um jogo de posições.
E isso é uma situação onde todos perdem… você e ele. Dividir entre polos é uma forma de sustentar a divisão... e não uma forma de solução qualquer...
Perseguidor x vítima… “Quem detém o "conhecimento" (mesmo que emprestado) x quem "se esforça". Quem culpa x quem carrega a culpa...
A IA é só a ferramenta nova numa dinâmica antiga: a fuga da introspecção e a busca por atalhos que mantêm o poder desequilibrado.
O seu texto fala para nós leitores avaliarmos a sua situação…
E você merece ser ouvida e entendida. Seu argumento é valido.
Dito isso, como você quer lidar com essa situação?
Como você não fez perguntas, depositou nos leitores um peso emocional, uma responsabilidade de concordar ou não com essa situação!
Meu papel não é dar respostas!
Mas posso devolver a sua percepção para que você mesma comece a conectar os pontos!
Você precisa ser a fonte para o seu insight.
Notei que você descreve com clareza um padrão que parece invalidar seu esforço pessoal. Como é para você ocupar esse lugar de quem “'estuda de verdade'” enquanto seu marido assume o papel de 'mestre' com respostas prontas?
Percebo um cansaço enorme descrito no seu curto texto em carregar a culpa imposta por ele… pelas coisas que dão errado para ele. Qual o peso real dessa dinâmica na sua saúde mental hoje?
Repito, essas perguntas não são sobre ele. Nem um julgamento. Estou perguntando sobre o que seu texto traz!
São sobre como essa experiência está te afetando nessa dinâmica.
Você fez um desabafo com material de autoanálise.
No fundo, o que seu texto diz é que você está precisando ouvir (sem que seja dito diretamente) é:
"Seu esforço tem valor. Sua frustração é legítima. E a forma como ele usa o conhecimento diz mais sobre as defesas dele do que sobre a sua competência."
E isso eu posso afirmar: Sim. O aprendizado lento é mais significativo que a resposta pronta que será esquecida ou nunca linkada a realidade de uma vida…
Bom, só me resta desejar que você: Fique bem!
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