quinta-feira, 12 de julho de 2012

ESPINOSA - PARA PRODUZIR O NOVO


Este texto foi publicado no FREUD EXPLICA de Rogério Silva




"O homem da consciência, o homem que não consegue ultrapassar a própria consciência, ele estará sempre constituído por essas forças que vêm de fora e ele é um corpo apaixonado. Ele é um efeito em termos físicos, ele é um resultado. O que ele é então: ele é aquilo que as forças que vêm de fora determinarem que ele seja. Neste momento da consciência, neste momento do primeiro gênero do conhecimento, o Espinosa está nos dizendo que a servidão é total.

Agora, o Segundo Gênero do Conhecimento seria a razão. A razão ou noção comum. Já é uma prática em que o homem começa a ter atividade. O homem se relaciona com a natureza e começa a entender as noções comuns da natureza. O que seria isso? A razão ou o Segundo Gênero do Conhecimento é o que nós chamamos tradicionalmente de Conhecimento.

Seria a capacidade do sujeito humano de conhecer aquilo que está de fora. Ou seja, ao invés de ser apenas um resultado das forças que vêm de fora, ele se torna capaz de conhecer alguma coisa que está do lado de fora. Então, no Segundo Gênero do Conhecimento, o homem já tem o poder de conhecer aquilo que está do lado de fora dele, mas este conhecimento não permite ainda que o homem não permite ainda que o homem seja produtor ou criador. O segundo gênero de conhecimento é um conhecimento em que o homem tem a capacidade de conhecer aquilo que já existe. Ele vai conhecer as relações do que existe. Ele vai dar conta dos objetos que estão fora dele. Ou seja, o Segundo Gênero de conhecimento já nos faz ultrapassar a consciência e já nos permite conhecer a realidade. Ou seja, dá-se uma possibilidade de uma prática científica.

Agora, o terceiro gênero do conhecimento, que Espinosa chama de Ciência Intuitiva, já não é um conhecimento como Segundo Gênero, que é o conhecimento daquilo que está do lado de fora. O Terceiro Gênero do Conhecimento é o poder de invenção e de rigor do sujeito humano. É quando o sujeito humano ao invés de estar apenas conhecendo aquilo que está fora dele, pelo Terceiro Gênero de Conhecimento, por essa Ciência Intuitiva, o sujeito humano vai inventar e criar. Ou seja, o Terceiro Gênero do Conhecimento, à diferença do Segundo Gênero –que é a razão. Este Segundo Gênero, a Razão, busca a Verdade (no campo epistemológico) e busca a Moral. Enquanto o Terceiro Gênero de Conhecimento objetiva produzir novos modos de vida. O Terceiro Gênero do Conhecimento é Inventor, é criativo. A função dele é como a função da Arte: produzir o novo; e a função dele é como a Matemática: altamente rigorosa. Ou seja, o Terceiro Gênero não está aqui para buscar o que é melhor para os homens, nem buscar o que é verdadeiro na Natureza.

O Terceiro Gênero é para ultrapassar aquilo que é. É para produzir o novo, produzir novos modos de vida, novas linhas, novas formas de Pensamento. Uma outra Arte, uma outra Música, um outro Pensamento. O Espinosa já no século XVII anunciava a nós a fadiga que o mundo está nos causando. Ele já anunciava que era necessário produzir alguma coisa de novo para que a vida pudesse passar."


Claudio Ulpiano
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