terça-feira, 12 de março de 2013

Declaração Pública do Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB)

Declaração Pública do CBB



Declaração Pública

O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) vem nesta expressar sua profunda preocupação com a indicação e com a nomeação do Deputado Marcos Feliciano (PSC) para a diretoria da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da câmara. 

Nossa preocupação se deve ao inequívoco discurso intolerante e alienador que caracteriza as ideias do referido deputado. Suas palavras e atitudes de fundo racista e segregador o tornam um claro exemplo de tudo o que deveria ser denunciado pelo mais importante órgão de promoção e defesa dos direitos humanos em nosso país. Que as lideranças políticas brasileiras, por força de omissão ou deliberada troca de favores, permitam a tal pessoa assumir a coordenação da CDHM, demonstra um preocupante cenário de alienação ética no Brasil.

Acreditamos que a pregação do ódio contra quaisquer grupos étnicos, comunidades sociais ou instituições religiosas motiva com frequência atos de violência contra indivíduos e contra essas mesmas organizações e minorias. O CBB entende que, ao citar "comunidades sociais" deve-se considerar quaisquer grupos e comportamentos que não violentam os direitos alheios, entre os quais a comunidade LGBT. O CBB rejeita implicitamente as declarações homofóbicas do deputado citado juntamente com todas as outras manifestações discriminatórias. Esta cultura de ódio e fanatismo, sendo ela mesma fruto de uma profunda falta de consciência e grande desrespeito humano, torna-se ao final desse processo destrutivo e ignorante um câncer a devorar mentes e corações em todas as camadas sociais, atingindo a todos sem exceção. Tais práticas são essencialmente incompatíveis com qualquer proposta construtiva e unificadora para toda sociedade humana fundamentada em direitos e liberdades, base do estado laico e do próprio estado de direito.

O Colegiado Buddhista Brasileiro, fundamentado na tradição do Dharma de Buddha, entende que o bem comum em uma sociedade somente prevalece quando suas instituições políticas e sociais são capazes de criar condições para que o diálogo, a compreensão, a compaixão, a justiça social e o verdadeiro exercício da tolerância sejam não apenas possíveis a todos os seus cidadãos, mas adequadamente exemplificados pelos seus mais altos representantes.

Neste sentido, a atual condição da gestão política brasileira tem reiteradamente sido um demonstrativo de grave desprezo aos mais fundamentais elementos éticos e de justiça ao permitir que indivíduos alienados em suas crenças pessoais e tacanhos em suas opiniões assumam posições em que a consciência, o equilíbrio e a clareza de visão são qualidades essenciais.

É preciso que haja uma real mudança de atitudes no congresso brasileiro, e que os direitos humanos sejam exercidos e definidos com sabedoria e correção. A nomeação do deputado Marcos Feliciano apenas reflete a medíocre interpretação dos modos e fundamentos que integram o conceito legislativo da sociedade brasileira por parte de seus representantes políticos. Ela também simboliza a assustadora corrupção de valores que domina os poderes políticos atuais em nosso país, que distorce a democracia para favorecer interesses escusos. 

O Brasil, já há muito tempo, é liderado e legislado por parcialidades. Doutrinas populistas e manipuladoras da ignorância e das carências sócio-educacionais neste país estão cada vez mais assumindo nichos políticos essenciais, e defendendo por meio de suas visões particulares a sustentação da cobiça dos poderosos. 

O CBB repudia esta cultura da mediocridade, este desrespeito aos valores de consciência e coerência que grassa na sociedade brasileira, e conclama aos seus representantes políticos a terem mais visão e dignidade, mais honestidade e valor humano. Que seja revertida a nomeação do deputado Marcos Feliciano para coordenação da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e que seja realizada uma ampla reforma ética nas ações políticas de nosso país.



Colegiado Buddhista Brasileiro assinam:

Presidente Rev. Shaku Haku-Shin

Rev. Genshô Sensei

Dhammacariya Dhanapala

Shaku Hondaku

Rev. Miklos Kômyô

Presidente do Conselho do CBB

Rev. Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves

Conselho

Lama Chagdud Khadro

Rev. Monge Rinchen Khienrab

Rev. Heyla Downey

Ven. Uttaranyana Sayadaw

Rev. Shaku Sogyo

Rev. Monja Sinceridade

Rev. Coen Sensei

Colegiado Buddhista Brasileiro:

Lama Chagdud Khadro
Rev. Monge Rinchen Khienrab
Rev. Heyla Downey
Ven. Uttaranyana Sayadaw
Rev. Shaku Sogyo
Rev. Monja Sinceridade
Rev. Coen Sensei

Aliam-se a declaração:

- Choyu Otani (Mestres das Missões da Ordem Otani-ha)
- Rinban Kensho Kikuchi (Ministro Superior da Ordem Otani-ha no Brasil)
- Rev. Ricardo Mario Gonçalves
- Rev. Hiroshi Matsuda
- Rev. Massaharu Suguiura
- Rev. Severino Sales Silva
- Rev. Leninha Brasileiro
- Rev. Hiroyuki Higashi
- Rev. Tsuyami Ueno
- Rev. Tadao Sawanaka
- Rev. Yassuo Nakashima
- Rev. Mitsue Nakashima
- Rev. Meishi Nakazawa
- Rev. Shu Izuhara
- Rev. Linda Morimoto
- Rev. Yaeko Togawa
- Rev. Minako Iso
- Rev. Kasuro Nanao
- Rev. Margarida Nakaoka
- Yuka Kikuchi

- Rev. Seigo Nawa

Ainda são colaboradores do CBB:
- Rev. Isshin Havens
- Samuel Cavalcante
- Luiz Fernando e Silva
- Flávio Marcondes Velloso
- Cerys Tramontini
- Prof. Joaquim Monteiro
- Gustavo Mokusen
CBB:

O Colegiado Buddhista Brasileiro
é uma reunião de pessoas, não de instituições, que assim tem um fórum onde podem partilhar seus interesses. O CBB não é um órgão executivo dedicado a fazer seminários, retiros ou quaisquer coisas do gênero, estas são atividades dos centros do Dharma ou outras instituições. Pertencem ao CBB os professores que, por interesse em convivência harmônica desejam se filiar e são aceitos por seus pares. Não pertencer aos quadros do CBB não significa demérito mas simplesmente dificuldade associativa com a diversidade de escolas/pessoas.
 O CBB representa a associação dos indivíduos que a ele se filiam. Como estes representam a grande maioria das escolas e lideram ou participam das instituições mais numerosas, tem um peso que lhe permite algumas ações. Portanto não representa o "budismo" mas sim este conjunto de pessoas.



Em respota a algumas "contribuições":

Lamento não poder dar mais tempo e atenção para o tema desta postagem (assim como ao próprio blog, que anda meio parado, eu sei), mas acho importante fazer entender alguns pontos importantes:

O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) representa a associação dos indivíduos que a ele se filiam. Não o Dharma ou os “Budistas”. Mas NESTE CASO estas opiniões se aproximam da minha própria a ponto de eu reproduzir seu texto na íntegra.


Em nenhum momento, repito, NENHUM momento a CBB apontou que o problema do deputado é ser de uma religião “x” ou “y”, mas a PÚBLICA posição expressa em seus discursos divulgados na web de inflamada intolerancia e recheado de palavras e atitudes de fundo racista e segregador.


Que estas posições são INCOMPATÍVEIS com a função de presidir a diretoria da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da câmara dos Deputados.


Sito:
“Acreditamos que a pregação do ódio contra quaisquer grupos étnicos, comunidades sociais ou instituições religiosas motiva com freqüência atos de violência contra indivíduos e contra essas mesmas organizações e minorias.”
Se o alvo dos ataques do Deputado Marcos Feliciano fossem os Evangélicos teria a mesma reação por parte da CBB, eu imagino.

Grupos FUNDAMENTALISTAS e fascistas eficientes se “propagam” assim: elegem pessoas para cargos e posições significativas de maneira regular e democrática e paulatinamente, podam os direitos das minorias que lhes interessam de maneira legal, mas anti-ética.

O nazismo Alemão e o fascismo Italiano agiram assim.

A Compaixão Budista NÃO DEVE ser confundida ou deturpada em desculpa para a apatia. Sobretudo a apatia política.

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