quinta-feira, 9 de agosto de 2012

“Eu só poderia crer em um Deus que soubesse dançar”

A clássica obra “Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém” (Also Sprach Zarathustra, Ein Buch für Alle und Keinen, 1883-85), do filósofo alemão Friederich Nietzsche (1844-1900), é um instigante discurso filosófico em forma poética, com trechos ricos sobre a vida e os propósitos do homem (o “super-homem”), e com máximas como a famosa “Deus está morto” (não o Deus verdadeiro, como disse Osho, para quem Nietzsche foi o maior filósofo da história, mas “o Deus inventado pela mente humana”). No trecho abaixo, da primeira parte, capítulo “Ler e Escrever”, Nietzsche encarapuça o sábio Zaratustra, ou Zoroastro, em forma nova, evoluída, devoto incondicional da verdade, e discorre a respeito do fardo da vida, do conceito de felicidade e da leveza do Deus que dança, e que mata seu demônio pessoal, que é “sério, grave, o espírito do pesadelo”.

Segue o trecho do capítulo, que pode ser lido na íntegra neste link.


“Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde? 
A vida é uma carga pesada; mas não vos mostreis tão contristados. Todos somos jumentos carregados. 
Que parecença temos com o cálice de rosa que treme porque o oprime uma gota de orvalho? 
É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor. 
Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura. 
E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens. 
Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções. 
Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar. 
E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do pesadelo. Por ele caem todas as coisas. 
Não é com cólera, mas com riso que se mata. Adiante! matemos o espírito do pesadelo! 
Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; por conseguinte não quero que me empurrem para mudar de sítio. 
Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus”. 
 
Assim falava Zaratustra.”

~ Friedrich Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra” (capítulo “Ler e Escrever”)



Compartilhado por Celio Nunes Leite e por Nando Pereira no Dharmalog.com
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