domingo, 25 de setembro de 2011

Zazen

 

Zazen - Zen Mountain Monastery
                                                  Zazen - Zen Mountain Monastery


O Zazen (meditação zen budista) pode ser considerado “o coração” da prática Zen Budista, pois é a prática central, o eixo sobre o qual giram todas as outras práticas do Zen (Cerimonial, Samu, Estudo, Preceitos, Relacionamento Mestre-Aluno, etc).


“Za” significa “sentar” e “zen” é a pronúncia japonesa do ideograma chinês “ch´an” que, por sua vez, foi a pronúncia chinesa do termo “dhyana” (sânscrito) do Budismo primitivo e refere-se ao estado de concentração, ou “absorção”, próprio da prática meditativa.


O Budismo nos ensina que a meditação é um dos pontos do Caminho em Oito Aspectos, que leva ao Nirvana, ou à libertação do sofrimento. Portanto, a nossa prática aponta na direção dessa libertação.


Mesmo assim, “efeitos colaterais” da prática de zazen aparecem quase que de imediato, quando iniciamos a prática. Incluem-se relaxamento, maior equanimidade, redução do estresse e da ansiedade e efeitos positivos na saúde (regula os batimentos cardíacos e a respiração, pode reduzir o nível de colesterol e a pressão arterial, etc), além de autoconhecimento e maior domínio sobre si mesmo (menos impulsivo, menos “levado pelas emoções”), etc.


Continuando a prática, inicia-se o despertar da Sabedoria e da Compaixão, culminando na libertação do sofrimento – “iluminação” ou “nirvana”. No Zen, fala-se em “kenshô” (o primeiro vislumbre da iluminação, uma “pequena iluminação”) e “satori” (a Iluminação).


Mas não vamos imaginar que a caminhada seja sempre fácil e suave…


Para o iniciante, recomenda-se que pratique em períodos mais curtos, como 10 minutos – não passando de 30 minutos – até que sinta confortável para estender o tempo até 40 minutos. Nas fases iniciais, sentar-se em zazen pode ser até bastante difícil, pois, contrário aos mitos populares que imaginam que a prática leva a uma estado “alienado” ou “aéreo”, o zazen corretamente praticado leva o praticante a uma maior clareza mental.


Isto significa que o iniciante possivelmente vai perceber uma agitação mental ou tensões físicas que “sempre estiveram lá” mas que ele não havia se dado espaço para perceber anteriormente. Poucas pessoas conseguem manter uma prática regular sozinhas – geralmente, a “inquietação” interior vence e a pessoa “descobre” que “tem outras coisas para fazer”. A prática em grupo ajuda muito, pois a “força do grupo” facilita a superação das inquietações, possibilitando que a pessoa comece a fazer o mergulho interior na direção à Paz e Tranquilidade.


Um outro aspecto da prática inicial que requer cuidados é que podem surgir lembranças dolorosas do passado. Estas podem surgir na forma de lembranças, imagens ou até na forma de “memórias corporais” ou “fluxos de energia”. O apoio de um líder de prática qualificado pode ser muito importante nestas horas, para facilitar a “passagem”, pois, mantendo a prática regular correta, esta fase passa e estas “lembranças” são “libertadas”. Em casos mas graves, algum tipo de terapia pode ser indicado.


A circulação da energia “chi” pode ser ativada e, em alguns momentos, o praticante pode experienciar fenônemos mentais como “visões” ou mudanças na percepção do corpo físico, etc. Mais uma vez, a orientação de um líder qualificado torna-se muito importante em todas estas fases, para ajudar o praticante a evitar cair em “armadilhas” que possam interromper o aprofundamento da prática correta.


Finalmente, até mesmo os praticantes de longa data podem sentir até bastante dor física (por exemplo, durante um retiro longo). Descobrimos tensões físicas que estávamos ocupados demais para perceber – nas costas, nos ombros. As pernas não estão acostumados à posição de meditação, sentado no chão com as pernas cruzadas. Mas aprendemos a “não tocar na dor”, e, quando necessário, mudamos de posição ou passamos a sentar no banquinho ou na cadeira.


A prática Zen Budista, como caminho de auto-transformação e libertação do sofrimento, não se limita somente à prática do zazen, apesar desta ser a prática central. Uma prática solitária de zazen torna-se uma prática limitada, pois a mente gira em torno dos seus próprios condicionamentos. O estudo dos ensinamentos, a prática da moralidade budista e a convivência com um professor de Darma qualificado e com os membros de uma Sanga saudável – com os choques e atritos que naturalmente surgem por causa do ego condicionado – criam as oportunidades que instigam e provocam a mente condicionada, convidando-a à mudança. Este é o Sangaku, os Três Treinamentos (ou Triplo Treinamento) da prática budista.


Cada pessoa pode aprofundar-se na prática até o nível que desejar.

Não tem idade para começar...



Assim, quem preferir cultivar a prática simplesmente como uma forma de relaxamento merece a mesma consideração e respeito que a pessoa que decide mergulhar profundamente na caminhada espiritual em direção a “kenshô” e “satori” – a Iluminação.


Para ler mais:

Zazen (capítulo do texto sobre o Zen do Wikipédia)
Zazen (artigo do Wikipédia)
Zazen (texto de Monja Coen)

Locais de Prática Ligadas ao Soto Zen no RS:

. Sanga Águas da Compaixão Porto Alegre
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Sanga Aikikai  Porto Alegre
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Sanga Energia Harmoniosa  Porto Alegre
.
Sanga Pelotas em Pelotas.
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