sexta-feira, 25 de março de 2011

NO MATO SEM CACHORRO -- FUGAST


Rosane de Oliveira Na Zero Hora e na internet.

É desesperador o caso dos funcionários demitidos da Fugast em cumprimento à decisão judicial que mandou o Estado e o município suspenderem as contratações de funcionários por meio dessa fundação. Além de terem perdido o emprego nos hospitais em que trabalhavam, alguns há mais de 20 anos, os servidores enfrentam agora um novo drama: não têm perspectiva de receber os direitos trabalhistas. Gente que trabalhou por anos a fio para o Estado ou para o município, mas que tinha sido contratada pela Fugast, agora não tem a quem recorrer.

Como qualquer trabalhador regido pela CLT, os demitidos têm direito a Fundo de Garantia, multa rescisória, 13º proporcional, férias atrasadas e aviso prévio. Nada disso foi pago, segundo os trabalhadores, porque a Fugast diz que só terá dinheiro quando o governo repassar o valor para cobrir as indenizações. Sem se desligar formalmente da Fugast, os demitidos não têm como se habilitar ao seguro desemprego e não conseguem formalizar um novo vínculo de trabalho.

A Fugast distribuiu uma carta contando como começou a relação com o governo do Estado. A carta diz que simplesmente recebia ordens do secretário da Saúde da hora para contratar pessoas que o próprio governo recomendava. Que o combinado no início era uma contratação provisória, mas acabou virando permanente. Leia aqui a íntegra da carta da direção Fugast.



De uma médica demitida da Fugast recebi carta que vou colar aqui para que vocês leiam, nas palavras dela, o que está acontecendo com os demitidos. Mantive as palavras grafadas em letras maiúsculas, porque dão bem a ideia do grito que essas pessoas têm trancado na garganta. Embora ela tenha se identificado, não darei o nome da médica que escreveu essa carta porque não pedi autorização a ela. 

“Bom dia Rosane,
Desculpe se roubo um pouco do teu tempo, mas acho que tenho o dever moral de te contar como anda aquela história das nossas demissões da FUGAST, perda de empregos e quase perda de esperança em autoridades (perdão mas farei alguns desabafos pessoais, rss).
Te mando em anexo um documento que está circulando e que acho que deveria ser publicado em todos os jornais de Porto Alegre, pois nas entrelinhas dele tem algo que cheira muito mal (desculpe os termos chulos). 
Se puderes leia.
O resumo da missa é que eu trabalhei 15 anos da minha vida numa instituição, com chefia, com gestor, subordinada a ordens superiores, portanto tinha patrão (aliás é o atual secretário da saúde de Porto Alegre), tinha um contracheque, recebia em dia. Tenho todos os meus DIREITOS adquiridos por lei e agora a minha fonte pagadora simplesmente manda dizer que não tem dinheiro pra me pagar e que não vai nos pagar????? Como assim, se ela não faliu, não pediu concordata, funciona e funciona muito bem, segundo o próprio documento????
Afinal o que é que existe por trás da FUGAST??? Da onde vinha todo este dinheiro que manteve todos nós aqui e agora de uma hora pra outra sumiu????
Muito bem, e agora??? Quem será que vai se responsabilizar ????
Já existem ações em andamento pra tentar reverter estes fatos mas até lá nós funcionários vamos viver do que????
Eu era funcionária de hospital, não sou considerada funcionária do Estado, trabalhei em órgão público, prestei serviço à comunidade de Porto Alegre, recebia um salário, existo como contribuinte, gozei dos direitos e deveres de um trabalhador e simplesmente não sei quem foi meu chefe estes anos todos??????????????
Tu que és uma pessoa sensata consegue decifrar este enigma???
Quem é que vai me indenizar???
Quer dizer que SEREMOS DUPLAMENTE PUNIDOS???? E o ESTADO vais sair à francesa desta história???
Seria cômico se não fosse trágico.
Este documento em anexo me parece bastante esclarecedor no que tange ao contrato FUGAST e ESTADO. Mas eu sou uma mera funcionária esperando e torcendo pra que os preceitos básicos da vida, como a decência, dignidade, honestidade, sejam atitudes normais em nossos governantes.
Obrigada pelo teu tempo.
Acho que eu tinha obrigação de compartilhar estas ideias com alguém que se mostra sempre atenta e com inteligência nos ajuda a analisar melhor os acontecimentos.
Abraços”


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