domingo, 21 de outubro de 2012

De Mulheres felizes e homens agressivos! ! !

Cientistas descobrem gene que deixa mulheres felizes

Postado na revista Veja.


Versão mais branda do gene MAOA favorece ação de neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e motivação - mas só nas mulheres

Mulher feliz após fazer exercícios. Gene desempenha papel na felicidade, mas só na das mulheres.
Gene MAOA desempenha papel na felicidade das mulheres. Nos homens, alto nível de testosterona parece minar seus efeitos (Hemera Technologies)
O que faz uma mulher feliz? Segundo um grupo de cientistas americanos, parte da resposta para essa pergunta está no gene chamado monoamine oxidase A (MAOA). Um estudo feito com 345 homens e mulheres descobriu que variações desse gene interferem na ação dos neurotransmissores serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e motivação. O resultado foi publicado no periódico Progress in Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The MAOA gene predicts happiness in women

Onde foi divulgada: periódico Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry

Quem fez: Henian Chen, Daniel S. Pine, Monique Ernst, Elena Gorodetsky, Stephanie Kasen, Kathy Gordon, David Goldman, Patricia Cohen 

Instituição: Universidade de Colúmbia, Universidade do Sul da Flórida e Instituto Nacional de Saúde dos EUA

Dados de amostragem: 193 mulheres e 152 homens adultos

Resultado: o gene monoamine oxidase A (MAOA) interfere na felicidade das mulheres, mas não na dos homens. Mulheres que têm uma versão mais branda do gene são mais felizes.
Existem duas versões do MAOA, uma delas mais ativa que a outra. Ao analisarem o DNA e os depoimentos de 193 mulheres, os cientistas das universidades de Columbia e do Sul da Flórida e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA verificaram que aquelas que possuíam a versão mais branda do gene eram mais felizes.
Os pesquisadores explicam que este gene atua na quebra dos neurotransmissores. Assim, sua versão mais branda permite que a serotonina e a dopamina permaneçam mais tempo no corpo. Já sua versão mais ativa elimina mais rapidamente os hormônios responsáveis pelo bem estar.
"Este é o primeiro gene da felicidade para as mulheres", diz Henian Chen, principal autor do estudo e professor associado do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade do Sul da Flórida. "Fiquei surpreso com o resultado, porque a baixa expressão de MAOA já havia sido relacionada a agressividade, alcoolismo e comportamento antissocial. Mas, pelo menos para as mulheres, o nosso estudo aponta uma influência benéfica."
Homens – Já no grupo dos homens, não foi verificada qualquer relação entre o MAOA e sensação de felicidade. Os pesquisadores suspeitam que a diferença possa ser explicada em parte pelo hormônio testosterona, encontrado em quantidade quase 30 vezes maior nos homens. Os cientistas supõem que a testosterona possa anular o efeito do MAOA. "Talvez os homens sejam mais felizes antes da adolescência, quando seus níveis de testosterona são mais baixos", diz Chen.
O cientista afirma que mais pesquisas são necessárias para identificar quais outros genes influenciam especificamente no bem-estar, Segundo Chen, estudos com gêmeos estimaram que fatores genéticos podem ser responsáveis por até 50% da variação da felicidade.



*Sobre a Existem dois tipos de monoamina oxidases conhecidas, a MAO-A e MAO-B.  
A MAO-A se caracteriza por ter preferência pelo substrato 5-hidroxitriptamina (serotonina) e normalmente é encontrada no sistema nervoso, fígado, trato gastrointestinal e na placenta, já a MAO-B metaboliza preferencialmente o substrato feniletilamina, e é normalmente encontrada no sistema nervoso e nas plaquetas. Tanto MAO-A como MAO-B são encontradas em neurônios e astrócitos do sistema nervoso. 
Como muitas monoaminas tem função biológica é importante que suas concentrações no ambiente extracelular e intracelular sejam controladas. A função da MAO é degradar essas monoaminas evitando assim que se acumulem (no caso de monoaminas endógenas) ou que gerem efeitos indesejáveis (no caso de monoaminas exógenas). O processo pelo qual a MAO degrada monoaminas é conhecido por deaminação oxidativa que gera como produtos aldeídos e íon amônio.
As monoaminas endógenas são os neurotransmissores e/ou hormônios dopamina, serotonina, noradrenalina e adrenalina. A degradação desses não se dá somente pela MAO, mas também pela COMT (catecol-O-metil transferase), no caso das catecolaminas, e pela aldeído desidrogenase no caso da serotonina. 
Algumas monoaminas presentes na alimentação, tal como a tiramina presente em alguns queijos, são estruturalmente similares as monoaminas endógenas e podem mimetizar o papel dessas, levando geralmente a efeitos cardiovasculares indesejáveis como taquicardia e vasoconstrição. Isso não ocorre porque a MAO-A esta amplamente distribuída nos órgãos do sistema digestório e degrada essas monoaminas antes que elas possam atingir a circulação sistêmica e prejudicar o organismo. 
A maioria dos estudos até agora têm mostrado uma correlação entre baixos níveis do gene e a agressividade. Apenas um terço das populações ocidentais possui baixos níveis do MAOA. E dois terços das populações que mais guerrearam, historicamente, possuem níveis mais baixos do gene. Isso constitui uma controvérsia para o apelido dado ao gene de “gene do guerreiro”.
 
O objetivo do estudo foi determinar porque, exatamente, pessoas com baixos níveis de MAOA apresentam comportamento mais agressivo. Os estudos demonstraram que o ambiente influencia muito mais o comportamento do que o gene. O baixo nível de MAOA pode ter evitado que certas pessoas respondessem de forma agressiva a pequenas provocações, mas quando se trata de provocações de “grande porte”, quase todas as pessoas reagem da mesma maneira. 
Mesmo parecendo que o papai e a mamãe tenham feito mais estrago que o gene em nossa forma de reagir, responda aqui se você acha que possui o Gene do Guerreiro?


Fontes:
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