segunda-feira, 13 de maio de 2013

Autoestima: um problema sério entre as mulheres

Autoestima: um problema sério entre as mulheres Arte Zh/Agência RBS


Por 
Gabrieli Chanas



Autoestima: um problema sério entre as mulheres

Na batalha para se aceitar, não ajuda muito viver cercada de modelos de beleza praticamente impossíveis de copiar

Foto: Arte Zh / Agência RBS
Espelho, espelho meu, existe alguém mais crítica com a aparência do que eu? Sim, e aos montes. Nesse exato momento, existem mais mulheres se martirizando por uma barriga flácida do que se considerando bonitas apesar dela.
A parcela de mulheres felizes com sua aparência é assustadoramente pequena. Uma pesquisa feita em diversos países por uma multinacional cosmética apontou que só 4% das entrevistadas se consideravam bonitas. É uma característica peculiar ao jeito feminino de encarar o espelho que explica o fenômeno.



— Somos mais detalhistas. O homem nota o olho. A mulher nota cílios, pálpebras, a ruga em volta do olho — diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR).

Analisando tantos elementos, é fácil encontrar algum que desagrade. Entra aí um outro problema: a mulher costuma se fixar no que é ruim e não identifica algo bom para compensar. É mais uma diferença de comportamento entre os gêneros. Enquanto ele pensa: "Estou barrigudo, mas musculoso, então estou bem", ela pensa: "Estou barriguda e isso é o fim".
O foco no errado forma uma cascata de consequências. Colocando rótulo em cima de rótulo ("sou gorda demais, meu nariz é feio, meus quadris são enormes") a mulher cria uma ideia sobre si mesma que é centrada apenas em pontos que ela considera negativos. A tão falada autoestima, que nada mais é do que a forma como você se vê, fica abalada, e na carona dela aparecem problemas como depressão, ansiedade, dores de cabeça, conflitos no relacionamento amoroso e no trabalho.
Na batalha para se aceitar, não ajuda muito viver cercada de modelos de beleza praticamente impossíveis de copiar. Pesquisando sobre a influência das supermodelos na autoestima de adolescentes, o psiquiatra Raj Persaud, do Maudsley Hospital, em Londres, descobriu que a confiança das garotas caía 80% após 60 minutos olhando revistas de moda.
A ironia é que até as consideradas mais belas não se veem assim tão belas. As atrizes Juliana Paes, Anne Hathaway e Maria Fernanda Cândido, sempre bem colocadas nas listas das mais sexies e donas de cabelo, boca e pernas cobiçadas por muitas de nós, já declararam que gostariam de mexer em uma ou mais partes do corpo.
O marido não é cego
Se a autoestima é uma consequência direta do nível de autocrítica, é natural que os homens, bem menos analíticos, se saiam melhor que as mulheres. No ano passado, a ISMA-BR ouviu quase 2 mil pessoas sobre o tema. Resultado: 73% dos homens disseram que sua autoestima estava em alta, contra 56% das entrevistadas.
Essa diferença entre as formas masculina e feminina de se enxergar e de ver o outro explica muita coisa que acontece em casa. O marido pode mesmo estar sendo sincero quando diz que nem percebe sua celulite. Ele se concentra em ver a esposa como um todo, e por isso também tem dificuldade de perceber quando ela corta dois centímetros do cabelo.

Imagem da famosa campanha da marca Dove

O teste do desenho
A pesquisa que apontou que apenas 4% das mulheres se consideram bonitas foi encomendada pela marca de produtos de beleza Dove, que há alguns anos levantou a bandeira da autoestima como mote de suas campanhas publicitárias, trocando modelos magérrimas - aquele ideal de beleza distante - por mulheres reais, com suas rugas, cabelo branco e gordurinhas na barriga.
O último comercial da marca se tornou viral na internet, com mais de quatro milhões de visualizações. Nele, mulheres são submetidas a um teste que tem o objetivo de mostrar o abismo que existe entre o que enxergam no espelho e como os outros as percebem.
As participantes foram convidadas a descrever seu rosto para um especialista em retrato falado. Sem nenhum contato visual com elas, o artista forense Gil Zamora, treinado pelo FBI, foi criando uma imagem baseada exclusivamente em como a mulher se descreveu. A crítica excessiva aparece na ênfase a "maxilar grande, sardas demais, rosto muito redondo".
Na segunda parte do experimento, uma outra pessoa é chamada para descrever a mulher que acabou de ser desenhada. Por estar falando sobre outra pessoa, e não sobre ela mesma, a crítica some - e o desenhista recebe informações como "belos olhos, queixo bonito". Ao final do teste, as participantes confrontam os dois desenhos feitos e chegam à inevitável conclusão: no retrato feito a partir de suas próprias descrições, parecem feias, tristes, envelhecidas. Já no outro, estão bem mais parecidas com o que são na realidade.
Veja o vídeo:
O teste fez com que as participantes repensassem a forma como se veem. O resultado impressionou até mesmo o desenhista do FBI.
— Em tantos anos fazendo desenhos de outras pessoas, percebo que são as pequenas coisas que importam mais para elas. Podemos ser extremamente críticos sobre a forma como nos vemos, mas quem está à nossa volta não percebe. Se aceitássemos que os outros não são tão analíticos, não seríamos tão obcecados em parecer de um jeito específico — reflete Gil Zamora.



Mude o foco

A elevação da autoestima é um processo gradual. Ângela Leggerini de Figueiredo, especialista em Psicoterapia Cognitiva e Comportamental e professora da Faculdade de Psicologia da PUCRS, conta por onde começar.
* Tenha uma visão realista (nem pessimista nem otimista demais) de si mesma, visando metas de beleza e corpo atingíveis com o seu biotipo.
* Tenha claro onde quer chegar e o que quer comunicar através da sua imagem física.
* Mantenha-se o mais fiel possível aos seus objetivos, levando em conta que todo ser humano é passível de falhas.
* Dê ao corpo a dimensão que ele realmente tem na sua vida, sem depositar nele toda e qualquer razão para felicidade ou infelicidade. O corpo é uma parte do ser e não todo o ser.
* Tente afastar-se de lógicas 8 ou 80: ou sou perfeita ou não valho nada.
* Lembre-se: sempre que nos comparamos a alguém só enxergamos o resultado final e não o processo que a pessoa passou para alcançar o objetivo.
Autoestima em alta
Pesquisa feita pela Unimed mapeou o bem-estar de quem mora em Porto Alegre. Na seção sobre bem-estar psicológico, o estudo investigou a questão da autoestima.
— À medida em que aumenta a confiança e a atitude positiva da mulher sobre si mesma, cresce também a satisfação com relação ao convívio social e ao trabalho. As mulheres que são mães têm atitudes mais positivas sobre si mesmas e sentem-se mais contentes do que aquelas que não exercem a maternidade. Além disso, as mais auto-confiantes até acham seus companheiros mais atraentes — relata a pesquisadora Teniza Silveira.
Autoestima em baixa
Apresentada no Congresso Europeu de Terapia Cognitivo-Comportamental em 2012, uma pesquisa realizada pela ISMA-BR mapeou a cascata de efeitos que a baixa autoestima causa numa pessoa. Foram entrevistadas 1.086 mulheres., entre as quais 44% disseram ter problemas de autoestima. Sobre essas, os pesquisadores apontaram que:
89% têm dores musculares ou dor de cabeça

13% têm taquicardia ou arritmia cardíaca
26% têm problemas gastrointestinais
77% sofrem de angústia
83% sofrem de ansiedade
46% sofrem de depressão
59% passam por conflitos interpessoais (como problemas em relações amorosas)


De mãe para filha

Começa em casa a criação de uma boa autoestima. As meninas tendem a repetir a abordagem das mães em relação à aparência. Sabendo de todos os problemas que o excesso de críticas pode causar, policie-se:
- Evite se depreciar em frente às crianças, reclamando do corpo em frente ao espelho.
- Jamais use apelidos negativos relacionados à aparência física. Repreenda se outro membro da família fizer isso.
- Não desmereça perguntas ou queixas sobre mudanças no corpo.
60% das meninas evitam determinadas atividades porque se sentem mal com sua aparência.

23% deixam de ir à praia ou piscina
13% deixam de dar opiniões em discussões
15% deixam de ir à escola

Fonte: The Real Truth About Beauty, 

pesquisa feita pela Dove em 2010

DONNA ZH
Postar um comentário