domingo, 23 de outubro de 2011

Sobre Buddha e Karma

Sobre Buddha e Karma   sábado, 22 de outubro de 2011


Uma publicação no blog do Monge Genshô:

Um sermão do Bhikkhu Katukurunde Nanananda (em inglês), indicado por um amigo:

Comentário: A Símile do Oceano já era minha favorita, pois foi a que despertou a minha fé em Buddha, mas eu não tinha captado toda a profundidade e extensão da mesma. Também achei interessantíssima a exposição do mais profundo ensinamento de Buddha, da originação interdependente, sendo apresentada por um professor Theravada como idêntica à interdependência da consciência primária com nome-e-forma, ou seja, semelhanta à forma que é exposta no Sutra do Coração, Mahayana. Também me chamou atenção a descrição do "Nantariko Samadhi".

Trecho do sermão:
Como as oito e maravilhosas qualidades do grande oceano Paharada dizem que há enormes criaturas tais como baleias, tubarões, Asuras, Nagas e Gandhabbas. O Buddha por comparação diz que em sua exposição também há essas criaturas enormes. E quem são eles? As oito nobre pessoas da comunidade, a saber, o Que-entrou-na-Corrente, o que está trilhando o Caminho para a realização do Fruto de Entrar-na-Corrente, aquele Que-retornará-uma-vez, o que está trilhando o caminho para a realização do fruto de Rotornar-uma-vez, aquele Que-não-retornará, aquele que está trilhando o caminha para a realização do fruto de Não-retornar, o Arahant, e aquele que está trilhando o Caminho para se tornar um Arahant.

Apenas as oito nobres pessoas são mencionadas. O Arahant que faleceu ou obteve o Parinibbana não são mencionados aqui, embora esse fosse o contexto apropriado para isso. Ele aqui parece ser notável pela sua ausência. Por que é assim? Como entendemos essa problemática quinta qualidade dessa exposição?

Vamos supor que existem redemoinhos no grande oceano. Se por um ou outro motivo eles cessassem ou desaparecessem, não há consequente decréscimo ou acréscimo nas águas do grande oceano...


Caso 2 (segundo koan do Mumonkan): A Raposa de Hyakujo:

Sempre que Hyakujo proferia uma palestra Zen, um velho sempre estava lá com os monges de ouvindo-a; e quando eles deixaram o Salão, assim o fazia. Um dia, porém, ele ficou para trás, e Hyakujo perguntou: “Quem é você?”

O velho respondeu: “Sim, eu não sou um ser humano, mas no passado distante, quando o Buda Kashapa (o Sexto Buda dos Sete Antigos Budas) pregou neste mundo, eu era o monge-chefe nesta área da montanha. Em uma ocasião, um monge perguntou-me se um homem iluminado poderia cair novamente sob a lei do karma (causa e efeito), e eu respondi que não podia. Assim me tornei uma raposa por 500 renascimentos e ainda sou uma raposa. Peço-lhe que me libere desta condição através de suas palavras Zen".

Então ele perguntou a Hyakujo, “Um homem iluminado está sujeito à lei do karma?” Hyakujo respondeu:”Ninguém está livre da lei do Karma.”

Às palavras de Hyakujo, o velho estava iluminado, e disse com uma reverência, “Agora estou liberado do renascimento como raposa e meu corpo será encontrado no outro lado da montanha. Posso pedir que me enterrem como um monge morto? ”

No dia seguinte, Hyakujo mandou Karmadana, ou diácono, bater o badalo (do sino) e informou aos monges que após o almoço haveria um funeral para um monge morto. “Ninguém estava doente ou morreu”, imaginaram os monges. “O que o nosso Roshi [velho mestre] quer dizer?” Depois de terem comido, Hyakujo os levou ao sopé de uma rocha no lado mais distante da montanha, e com seu cajado mexeu no cadáver de uma raposa e mandou que ele fosse ritualmente cremado.

À noite Hyakujo deu uma palestra aos monges e contou-lhes esta história da lei do Karma. Ao ouvir a história, Obaku perguntou a Hyakujo: “Você disse que porque um longo tempo atrás um velho mestre Zen deu uma resposta errada ele tornou-se uma raposa por 500 renascimentos. Mas suponha que toda vez que ele respondesse ele não tivesse cometido um erro, o que teria acontecido então?” Hyakujo respondeu: “Apenas venha até aqui, e eu lhe direi a resposta!” Obaku então foi até Hyakujo — e bateu no rosto do professor. Hyakujo, batendo palmas e rindo, exclamou: “Eu pensei que o persa* tinha uma barba vermelha, mas eis aqui outro com uma barba vermelha!”

Comentário de Mumon:

“O homem iluminado não está sujeito ao Karma.” Como pode esta resposta transformar o monge em raposa? “O homem iluminado não está livre da lei do karma.” Como pode esta resposta liberá-lo de sua vida de raposa? Se você está focado nisso, então você entende os impressionantes 500 renascimentos do velho de Hyakujo.

Livre do karma ou sujeito a ele,
Eles são duas faces da mesma moeda.
Sujeito ao karma ou livre dele,
Ambos são erros irremediáveis.

* Uma referência a Bodhidharma, que mais provavelmente era indiano.

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