terça-feira, 29 de maio de 2012

"Aqueles que fazem o bem!" "Supatipanno"


O grande professor theravada, Ricardo Sasaki está na Tailandia na maior convenção Budista do mundo representando o Brasil (único representante diga-se de passagem) no qual será palestrante.

Dhammacariya Dhanapala (Ricardo Sasaki) é o Diretor-Fundador do Centro de Estudos Buddhistas Nalanda.

Ele nos manda esse recado:

"Aqueles que fazem o bem!"

Supatipanno

Nestas horas que antecedem o inicio do maior encontro mundial de buddhistas, encontro que ocorrerá esta semana na Thailândia (e para o qual aqui estamos a fim de apresentar um trabalho), é oportuno refletir um pouco sobre o papel do grupo de apoio em nossas vidas. Para todos aqueles que estejam engajados num caminho de entendimento das realidades essenciais da existência, o grupo (variadamente chamado de sangha, igreja, congregação, etc.) assume um papel de suporte e orientação que não podemos diminuir. Estar juntos dos pares, daqueles que acreditam nas mesmas coisas e se esforçam na mesma direção é um trabalho de anos. Porque antes de 'estar junto' é preciso 'encontrar', e isso não é tão fácil quanto possa parecer. Não se trata de simplesmente visitar este ou aquele grupo que anuncia ser buddhista, cristão ou qual seja a denominação, religiosa ou não, na qual você colocou suas fichas. 
A palavra tradicional utilizada para expressar a característica ideal do grupo de apoio é "supatipanno", "aqueles que praticam bem". Visão e ação andam juntas na prática ideal. A visão nos dá direção de propósito, informando (dando forma) às ideias, orientações e mapas da existência. Visão ou compreensão correta é o primeiro dos fatores do Caminho Óctuplo, e um primeiro esforço é no sentido de encontrarmos aqueles que não apenas partilham de nossas ideias, mas, ainda mais importante, podem nos guiar a tê-las corretas e sabiamente. Porque não basta termos amigos no caminho, pessoas que andem conosco, desbravando e se esforçando juntos, mas necessário se faz que sejam também sábias, que nos orientem, que nos apontem nossos julgamentos mal feitos, nossa lentidão ou nossa ansiedade. Não precisamos apenas de amigos no caminho, mas de 'bons amigos'. Aqueles que por sua prática ou compreensão inspiram em nós o respeito suficiente para pararmos e ouvirmos o que têm a dizer. 
Na outra ponta oposta à visão ou compreensão está a ação ou praxis correta. Isso implica que o bom amigo nos aponta para características da "boa" prática: a prática que incentiva o entendimento, a vigilância, a amorosidade, a equanimidade. 
Esse bom amigo tem várias faces. Uns nos motivam pela profundidade de sua compreensão, outros por sua evidente bondade, uns por sua dedicação altruísta, outros por sua capacidade incansável de trabalho pelo Dhamma. Tais características não precisam estar na mesma pessoa. Mas precisamos um pouco de cada uma delas naqueles com quem escolhemos estar. 
É nessa conjunção e convivência com pessoas que de um modo ou outro nos são inspiradoras que encontramos um primeiro refúgio em relação ao caos samsarico. Trilhar sozinho no caminho não é fácil. Ainda que não impossível, no mais das vezes o individualismo leva nossa determinação no caminho, mais cedo ou mais tarde, ceder e se esvair.


 Dhammacariya Dhanapala (Ricardo Sasaki) começou sua prática no Buddhismo no começo dos anos 80 com o Zen e o Jodo, paralelamente ao estudo de religiões comparadas e simbolismo religioso com Adriano Colângelo, Olavo de Carvalho e Michel Weber, com os quais estudou por vários anos, tendo também praticado artes marciais com Colângelo, Weber e o mestre chinês Kao Ta Jung, além de ministrado cursos no Instituto de Estudos Tradicionais de Carvalho. No Soto Zen praticou com Ohata Sensei, e no Chogye (escola Zen Coreana) praticou com Diana Clark. Participou durante alguns anos do Instituto de Estudos Buddhistas Missionários do Higashi Honganji (Jodoshin) e também praticou o Tendai com Dôkan Sensei, um dos abades do Hiei-san do Japão.
Mudando-se para os Estados Unidos a fim de se aprofundar no Buddhismo Zen/Jodo, onde praticou o Zen Coreano no Providence Zen Center e o Zen/Jodo com o rev. Gyomay Kubose, acabou entrando em contato com a escola Theravada, a mais antiga das ordens monásticas, através do Venerável Maha Ghosananda (líder do Buddhismo Cambojano) e de Satya Narayan Goenka (vipassana birmanês). Depois de um período vivendo no International Buddhist Meditation Center de Los Angeles, fundado pelo Ven. Dr. Thich Thien-An, mestre zen vietnamita, onde estudou com Ven. Dr. Karuna Dharma, Ven. Ratanasara e Shinzen Young, Sasaki mudou-se para a Thailândia, onde prosseguiu seus estudos no Theravada, vivendo cerca de um ano no Wat Suan Mokkh dirigido pelo Ven. Ajahn (Acariya) Buddhadasa, que se torna seu principal professor. Lá, enquanto vivia na área reservada aos monges estrangeiros conforme as regras do vinaya, atuou como coordenador de atividades estrangeiras do Suan Mokkh International, sob a supervisão do Ven. Santikaro e Ven. Viriyanando. Na Thailândia praticou também com Ajahn Ranjuan, Ajahn Shanti, Steve e Rosemary Weissman, visitando vários centros de treinamento theravada, entre os quais o Mosteiro Wat Pa Nanachat de Ajahn Chah, quando este ainda estava vivo.
Mudando-se para a Índia, além de uma peregrinação pelos oito lugares sagrados do Buddhismo, praticou com S.N. Goenka no Vipassana International Academy, com Anagarika Munindra no Mahabodhi Society e com Christopher Titmuss e Fred von Allmen em Bodhgaya, além de cursos menores em Buddhismo Tibetano em Bodhgaya e Kathmandu, Nepal. Também na Índia teve oportunidade de aprofundar seu interesse em história antiga e arqueologia, em lugares como Delhi, Agra, Varanasi, Bodhgaya, Nalanda, Calcutta, Jaipur, Ajmer, Sanchi, Khajuraho, Aurangabad, Daulatabad, Rauza, Tiruchirappalli, Bombay, Tiruvannamalai, Ajanta e Ellora, entre outros.
Após fundar o Centro Buddhista Nalanda (Nalanda Bauddha Madhyasthanaya) de Belo Horizonte, visitou várias vezes a Ásia para estudo e treinamento, tendo praticado no Malaysian Buddhist Meditation Center de Penang, Malásia; no International Centre for Training in Buddhist Meditation de Kanduboda, Sri Lanka, dirigido pelo Ven. Upali; no Nilambe Meditation Center de Kandy, Sri Lanka, dirigido pelo mestre Godwin; além de visitas de pesquisa arqueológica e histórica. Com o Ven. Henepola Gunaratana, monge cinghalês, visitou a Birmânia a convite do Ven. Nyanissara e do departamento de religião do governo birmanês a fim de entrar em contato com os centros e mestres daquele país, aprofundando o contato com Sayadaw U Pandita, Sayadaw Rewata Dhamma, Sayadaw Pannadipa e o Sangharaja da Birmânia, entre outros. De lá seguiu com o Ven. Gunaratana para a Malásia e Cingapura em viagem de encontro com vários mestres e centros.
Além do trabalho com aconselhamento psicológico (USP 85), Sasaki tem formação em Yoga e Yoga-terapia pelo Vivekananda Kendra Yogas de Bangalore, Índia; e massagem thailandesa pelo Old Chiang Mai Traditional Hospital da Thailândia. Enquanto professor residente do Centro Buddhista Nalanda, ministrando cursos e retiros, ele também se dedica a editar livros buddhistas através de Edições Nalanda e a organizar retiros e cursos de meditação com mestres estrangeiros.
Traduziu "Passo a Passo - Meditações sobre a Sabedoria e a Compaixão" (1993) do Ven. Maha Ghosananda, "48 respostas sobre o Buddhismo" (2002)do Ven. Ajahn Buddhadasa, "Meditação Para Todos" (2003) do Ven. Gunaratana, e "Nuvem Vazia - Os Ensinamentos Zen de Hsü Yun" (2004), além de ter coordenado a tradução de "A Causa do Sofrimento" (1999) do Ven. Ajahn Buddhadasa e "Pensando o Buddhismo" (2000) do Ven. Bhikkhu Bodhi. É também autor de quatro livros: "O Caminho Contemplativo - Um Guia para a Meditação" (1995)"O Outro Lado do Espiritualismo Moderno - Para Compreender a Nova Era" (1995)"O Livro das Devoções - Textos Buddhistas para Meditar e Recitar" (2000) e "Céu Azul Verde Mar - Noções de Buddhismo Coreano" (2005).
Organizou o primeiro retiro na linhagem de U Ba Khin no Brasil, e nos últimos anos convidou e organizou as viagens de ensino do Ven. Henepola Gunaratana (Sri Lanka - 5 vezes), Ven. Yogavacara Rahula, Ven. Rewata Dhamma (Birmânia - 2 vezes), Matthew Flickstein, Ven. Aruno, Ajahn Santikaro (tradição thailandesa - 3 vezes), Ven. Uttaranyana Sayadaw (Birmânia - 2 vezes) e dos professores do Zen Coreano Heila Poep Su Nim e Rodney Downey (África do Sul - 4 vezes). Todas as atividades internacionais na tradição Theravada ocorridas no Brasil nos últimos dezessete anos começaram pela iniciativa do Nalanda.
No início de 1998 criou Buddhismo-L, a primeira lista de discussão via internet sobre o Buddhismo em língua portuguesa, que se tornou com o tempo um dos maiores fóruns abertos sobre Buddhismo no Brasil, onde iniciantes e membros experientes de todas as correntes buddhistas podem se reunir para trocar idéias e responder dúvidas. A partir de Buddhismo-L várias amizades se formaram entre membros vivendo em lugares distantes do Brasil e além-mar. Tempos depois criou também a Theravada-L, específica para debates nessa tradição.
Em 1999 iniciou as obras do Nalandarama (Mosteiro da Generosidade Sem Fim), o primeiro centro Theravada da América do Sul dedicado exclusivamente a retiros de meditação intensa na tradição das florestas.
Dh. Ricardo Sasaki
Em 2004 representou o Brasil no Encontro de Cúpula Internacional sobre o Buddhismo na Birmânia (Myanmar); em 2006 representou o Brasil apresentando trabalho na Conferência Internacional 'A Herança de Nalanda' na Índia'; em 2007 naConferência Internacional 'Buddhismo e o Século 21', em Bodhgaya, Índia; e em 2008 participou da Quinta Bi-Anual Conferência Internacional realizada em Mumbai, na Índia, com o tema “Cultura Buddhista na Ásia - Unidade na Diversidade”, apresentando o trabalho "Buddhist Education at Crossroads".

Juntamente com outros professores de Dharma do Brasil, foi responsável pela fundação do Colegiado Buddhista Brasileiro, uma entidade sem fins lucrativos de representação dos professores buddhistas atuantes no Brasil, do qual é um dos diretores.
Seu nome de Dharma no Mahayana é Shaku Ryushin, sendo um professor de Dharma e ministro laico na linhagem do Rev. Gyomay Kubose. Na tradição Theravada seu nome de Dharma é Upasaka Dhanapala, tendo recebido a certificação como Dhammacariya (pronuncia-se 'dhammatchária' - professor de Dharma : Dhamma = ensinamento do Buddha, skr.Dharma : Acariya = professor/mestre) do Aggamahapandita Rewata Dhamma Sayadaw, o monge mais senior da Birmânia (Myanmar) vivendo no ocidente, um dos mais renomados monges e mestres de meditação e Abhidhamma do século (sendo conhecido como um dos Três Leões do Abhidhamma, a psicologia buddhista), da linhagem birmanesa do Buddhismo Theravada. Dhanapala também é o responsável na América do Sul pela veiculação dos ensinamentos doVenerável Ajahn Buddhadasa, o renomado monge e renovador do Buddhismo thailandês da linhagem das florestas do Buddhismo Theravada.
Alguns de seus artigos podem ser encontrados aqui.
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