segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Dilúvio de Noé é uma cópia??? Sim.


Um ponto-de-vista ainda tabú entre as pessoas é que a "mitologia bíblica judaico/cristã" não seja tratado como "mito", mas como fato histórico. Mesmo existindo apontamentos que digam o contrário, que os "mitos bíblicos judaico/cristãos", a exemplo do Dilúvio de Noé, foram sim emprestado das lendas dos povos onde o povo Judeu (hebreu) foi escravo ou de lendas das regiões onde estes viveram da Mesopotâmia.

O exemplo do Épico de Gilgamesh

Em 1853, o arqueólogo Austen Henry Layard e sua equipe escavavam a livraria palaciana da antiga capital assíria, Nínive. Entre os seus achados estavam uma série de 12 tabletes de um grande épico. Os tabletes datavam de cerca de 650 a.C., mas o poema era muito mais antigo. O herói, Gilgamesh, de acordo com a Lista dos Reis Sumérios, foi um rei da primeira dinastia de Uruk, que reinou por 126 anos.
Na lenda, porém, Gilgamesh é 2/3 divino e 1/3 mortal. Ele tinha enorme inteligência e força, mas oprimia seu povo. As pessoas clamaram aos deuses, e o deus do céu, Anu, o deus chefe da cidade, criou um homem perigoso chamado Enkidu, forte o suficiente para desafiar Gilgamesh. Quando chegou a hora, eles lutaram, mas nenhum dos dois venceu. Sua inimizade, então, transformou-se em respeito mútuo e devotada amizade.
Os dois novos amigos partiram juntos em aventuras, mas os deuses acabaram matando Enkidu. Gilgamesh pranteou dolorosamente seu amigo, e compreendeu que ambos deveriam morrer um dia. Porém, ele aprendera sobre alguém que se tornara imortal – Utnapishtim, o sobrevivente do Dilúvio global. Gilgamesh viajou através dos mares para encontrar Utnapishtim, que lhe contou sobre sua vida extraordinária.

O Dilúvio

“O Dilúvio de Utnapishtim”, que é contado no 11ª tablete. O conselho dos deuses decidiu enviar um dilúvio sobre toda a terra, a fim de destruir a humanidade. Mas Ea, o deus que criou o homem, alertou Utnapishtim, de Shruppak, uma cidade às margens do Eufrates, e mandou-o construir um enorme barco:
Oh! homem de Shuruppak, filho de Ubartutu:
Demolí a casa e construí um barco!
Abandona a fartura e procura seres vivos!
Despreza possessões e mantém vivos esses seres!
Faz todos os seres vivos entrarem no barco.
O barco que constróis,
suas dimensões devem ser iguais umas às outras:
seu comprimento deve corresponder à sua largura.” (5)
Utnapishtim obedeceu:
“Um acre (inteiro) era o espaço do seu chão (660′ x 660′)
Dez dúzias de côvados a altura de cada uma de suas paredes,
Dez dúzias de côvados cada canto do convés quadrado.
Eu sulquei a forma de seus lados e os juntei.
Dei a ela seis conveses,
Dividindo-a (assim) em sete partes.”… (6)
Utnapishtim selou a arca com piche, (7) tomou todos os tipos de animais vertebrados, e os membros de sua família, mais alguns outros humanos. Shamash, o deus do sol, fez chover pães e trigo. Então veio o dilúvio, tão violento que:
“Os deuses ficaram apavorados pelo dilúvio,
e se retiraram, ascendendo ao céu de Anu.
Esconderam-se como cães, agachando-se na parede exterior.
Ishtar gritou, como uma mulher na hora do parto,
a doce voz da Soberana dos Deuses lamentou:
‘Ai dos dias antigos tornados em barro,
porque eu disse coisas más na Assembléia dos Deuses!
Como pude eu dizer coisas más na Assembléia dos Deuses,
ordenando uma catástrofe para destruir meu povo!!
Mal dera eu à luz meu querido povo
e eles encheram o mar, como muitos peixes!’
Os deuses – aqueles de Anunnaki – choravam com ela,
humildemente assentaram-se chorando, soluçando de tristeza (?),
seus lábios queimando, ressecados de sede.” (5)
Porém, o dilúvio foi relativamente curto:
Seis dias e sete noites
vieram o vento e o dilúvio, a tempestade sobre a terra.
Quando o sétimo dia chegou, a tempestade foi parando.
O dilúvio foi uma guerra – lutando consigo mesmo como uma mulher
padecendo (em labor).” (5)
Então a arca repousou sobre o Monte Nisir (ou Nimush), a quase 500 km do Monte Ararat. Utnapishtim enviou uma pomba e depois uma andorinha, mas nenhuma delas pôde encontrar terra, e retornaram. Então ele enviou um corvo, e este não voltou. Por fim, ele soltou os animais e sacrificou uma ovelha. Mas isso não foi tão breve, porque os pobres deuses estavam morrendo de fome:
Os deuses cheiraram o aroma,
os deuses cheiraram o doce aroma,
e reuniram-se como moscas sobre o sacrifício (de ovelha).”
Então Enlil viu a arca e ficou furioso porque alguns humanos haviam sobrevivido. Mas Ea o repreendeu severamente por trazer a grande matança através do dilúvio. Conseqüentemente Enlil concedeu imortalidade a Utnapishtim e sua esposa, e mandou-os para viver muito longe, no Monte dos Rios.
Foi ali que Gilgamesh o encontrou, e ouviu sua notável história. Primeiro Utnapishtim testou a dignidade de Gilgamesh, para obter a imortalidade, desafiando-o a ficar acordado por 7 noites. Mas Gilgamesh estava muito exausto e caiu rapidamente no sono. Utnapishtim pediu à sua esposa para assar pães e os colocava ao lado de Gilgamesh, todos os dias em que ele dormia. Quando Gilgamesh acordava, pensava que tinha dormido por apenas um momento. Mas Utnapishtim mostrou a Gilgamesh os pães em diferentes estágios de maturação, mostrando que ele tinha dormido por muitos dias.
Mais uma vez, Gilgamesh lamentou sua morte inevitável, e Utnapishtim compadeceu-se dele. Então lhe revelou onde poderia encontrar uma planta da imortalidade. Era uma planta espinhosa, nos domínios de Apsu, o deus da água doce subterrânea. Gilgamesh abriu um canal até Apsu, atando pesadas pedras ao seu tornozelo, afundando cada vez mais, e pegou a planta. E, embora ela o ferisse, ele se livrou das pedras, e subiu.
Infelizmente, na viagem de volta, Gilgamesh parou em uma nascente fria para se banhar, e uma cobra pegou a planta. Gilgamesh, então, chorou amargamente, porque não podia mais retornar às águas subterrâneas. Ainda assim ele viveu 126 anos.
Comparação de Gênesis e Gilgamesh ( 8)

GênesisGilgamesh
Extensão do DilúvioGlobalGlobal
CausaMaldade dos homensPecados dos homens
Quem era o Alvo?Toda a humanidadeToda a humanidade
Quem o enviou?YahwehAssembléia dos “deuses”
Nome do heróiNoéUtnapishtim
Caráter do heróiJustoJusto
Meios de anunciaçãoDiretamente de DeusEm um sonho
Foi ordenado a construir um barco?SimSim
O herói se queixou?NãoSim
Tamanho do barcoTrês andaresSete andares
Tinha compartimentos internos?MuitosMuitos
PortasUmaUma
JanelasPelo menos umaPelo menos uma
Revestimento externoPichePiche
Forma do barcoCaixa oblongaCubo
Passageiros humanosSomente os membros da famíliaFamília e alguns outros
Outros passageirosTodos os tipos de animais terrestres (vertebrados)Todos os tipos de animais terrestres
Meios do DilúvioÁguas subterrâneas e chuva forteChuva forte
Duração do Dilúvio40 dias e noites6 dias e noites
Teste para encontrar terraEnvio de pássarosEnvio de pássaros
Tipos de pássarosCorvo e três pombasPomba, andorinha e corvo
Lugar de repouso da ArcaMontanhas – de AraratMontanhas – de Nisir
Houve sacrifício após o Dilúvio?Sim, por NoéSim, por Utnapishtim
O herói foi abençoado após o Dilúvio?SimSim
Quem veio primeiro?


Podemos ver, a partir do tablete, que há muitas similaridades – o que indica uma fonte comum. Mas há também diferenças significativas.Toda a teoria da derivação de Gilgamesh é baseada em Hipótese Documentária. Ela assume que o Pentateuco foi compilado por sacerdotes, durante o Exilo Babilônico no sexto século a.C.. A própria versão de Gilgamesh é inspirado em um poema épico anterior, da Mitologia suméria, sobre a criação e o dilúvio universalA chamada Epopéia de Atrahasis 

A narrativa de Atrahasis 

Estando os deuses reunidos, Anu, pai dos deuses, admite que os deuses rebeldes tinham motivos para as suas muitas queixas. Os deuses decidiram então criar o homem, para que este se encarregasse do serviço dos deuses.  
Ea (ou Enki), deus das águas, deu então o seguinte conselho:"... que se degolasse um deus e todos os demais deuses se purificassem no banho de seu sangue. E que a sua carne e o seu sangue, Nintu (ou Mami), a deusa-mãe, misturasse um pouco de argila, de maneira a que deus e homem estivessem misturados, constituindo assim uma só carne e um só espírito." 
Os deuses presentes concordaram e degolaram , um deus desconhecido. Ea e a deusa-mãe chamaram então as sete genitoras, que se puseram a pisar a argila ao som de encantamentos mágicos. A deusa-mãe cortou então catorze pedaços de argila, sete à esquerda e sete à direita, e as deusas deram à luz sete varões e sete mulheres que, imediatamente, foram juntos aos pares, e a raça humana recebeu as leis do trabalho.




A sua cópia mais antiga data de 1600 a.C., quando a civilização suméria desaparece ante as invasões dos Hititas, e acredita-se esteja liga às tradições próprias do templo da cidade-estado de Eridu, vizinha à antiga foz do rio Eufrates. É um dos mitos de criação mais antigos da região do Médio Oriente, narrando a trajetória de Atrahasis ("o muito inteligente").
Os partidários da Hipótese Documentária, como Julius Wellhausen, acreditam que o povo Hebreu não tinham uma língua escrita própria até aproximadamente o êxodo do Egito. .
Possívelmente o Épico de Gilgamesh tenha sido o "embelezamento" de uma severa cheia do rio Eufrates, isto é, uma inundação regional. Em todos os lugares onde tiveram grandes cheias, enchentes e tsunames (que ocorrem a milhões de anos e sempre ocorrerão) surgiram lendas diluvianas semelhantes.
Figura 1. Tradições diluvianas


Os aborígenes australianos também têm lendas de um dilúvio massivo, bem como os povos que vivem nas densas florestas próximas ao Rio Amazonas, na América do Sul. Isto não os fazem "sobreviventes herdeiros de Noé". Apenas a ingenuidade lincaria catástrofes assim.

Somente a clareza de pensamento pode nos guiar ao caminho correto na vida.

Lembremos o KalamaSutra:




"É adequado, pessoas, que vós "duvideis", que fiqueis incertos; a incerteza surgiu em vós sobre o que é realmente duvidoso."


"Assim:


Não creiais no que foi adquirido por ser repetido muitas vezes;


não creiais por ser tradição;


nem acredite em rumores;


nem no que está em uma escritura sagrada;


nem em conjeturas;


nem em um axioma;


nem em raciocínio especialmente elaborado e belo;


nem em um preconceito contra uma noção que seja ponderada;


nem em aparentes habilidades de outrem;


nem na ideia: "Este que nos fala é nosso "mestre"".


Quando em "vós mesmos" souberdes: "Estas coisas são ruins"; "Estas coisas são condenáveis"; "Estas coisas são censuraveis" as considere como tal e quando, após "sua" experiência e observação, percebestes que as coisas conduzem ao dano e ao mal de vós e de outros, "abandonai-as".


Agora, se após "sua" experiência e observação, perceberes: "Estas coisas são boas"; "Estas coisas são corretas"; "Estas coisas conduzem ao bem e ao bom fruto" para vós e para "outros", considerem "estas como boas".






Kamalas Sutra ~ Budha

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