terça-feira, 19 de junho de 2012

O Mito do Einstein Religioso


O Mito do Einstein Religiosopor Cavalcanti


Em meados de 2004, surgiu na internet, na forma de corrente de e-mail, um texto que mostra um Albert Einstein “religioso” – sob as óticas religiosas vigentes.


Em 2009, o Ministério da Educação e Ciência da Macedônia, cujo atual ministro é Pance Kralevcriou um vídeo de caráter educativo (porém, desinformativo, pois é baseado na falsa história), onde mostra um debate entre um jovem Einstein (supostamente religioso) e seu mestre (supostamente ateu) durante uma aula.

Segue: 


O excelente sítio E-farsas, que aborda, majoritariamente, tretas que circulam na internet, trouxe um ótimo artigo mostrando o mito criado em torno da pessoa do Einstein acerca de suas possíveis convicções religiosas. Destaco alguns trechos deste:
” (…)
Perceba que no texto postado em 1999 não há nenhuma menção a Albert Einstein. O nome do físico foi acrescentado em versões posteriores. Esse é um recurso utilizado em 99,9% das correntes que empesteiam a web: Usar nomes de pessoas importantes para dar mais crédito ao que está tentando ser enviado”;
(…)
“Não existe nenhuma prova de que Einstein tenha realmente dito isso.”;
(…)
“(…) nunca se declarou religioso e tampouco era ateu. Em inúmeros documentos a seu respeito, o físico alemão radicado nos Estados Unidos se definia como agnóstico. Como ele mesmo dizia em suas notas autobiográficas, perdeu a fé na religião aos 12 anos. Porém ele nunca perdeu o seu sentimento religioso sobre a aparente ordem do universo.”;
(…)
“Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso [...]. Se há algo em mim que pode ser chamado de religioso então é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo tanto quanto a nossa ciência pode revelar”.
(…) 
Para ler o artigo completo, clique aqui.

A Física na falsa história
Apesar de a história em si ser falsa, alguns trechos desta tem embasamentos científicos:
1) Na Física, mais precisamente na Termologia, estudamos o que é Calor – que nada mais é a energia térmica em trânsito quando dois corpos estão com temperaturas diferentes. Na verdade, a sensação de frio dar-se-á quando o grau de agitação térmica das moléculas do ambiente for menor que o grau de agitação térmica do nosso corpo. No entanto, ainda ocorre transferência de calor; e
2) Ainda no campo da Física, estudamos, no Ensino Médio, os fenômenos relativos à luz e seus princípios, através da Óptica Geométrica. Sombra e penumbra, por exemplo, só podem ser definidas se houver luz de uma fonte e se uma determinada região estiver parcialmente iluminada, respectivamente. 




- Ciência x Religião
Religião não é ciência e tampouco ciência é religião. É necessário colocar as duas em ordem das coisas e jamais mesclar seus respectivos conceitos. A religião, creio eu, é o conjunto de dogmas, princípios e conceitos baseados em testemunhos, opiniões e, principalmente, crenças. A ciência, por sua vez, tem como base o empirismo, observações e estudo dos fenômenos. É necessário percebermos que a religião deve ser permeada, inicialmente, pela questão da individualidade afim de, posteriormente, aplicar seus dogmas para o bem da coletividade. Quando colocamos nossas crenças religiosas de modo respeitoso, lúcido e perspicaz, como foi colocado neste excelente artigo do Cristóvão Cunha, jovem estudante de Teologia, nasce um debate bastante saudável que pode ajudar-nos a compreender algumas coisas que fogem à ciência e, quem sabe, engrandecermos enquanto seres humanos.

Particularmente, é triste ver quando existem histórias fictícias ou até mesmo reais utilizando-se dos Grandes da ciência como “prova” da existência de um Ser Superior. A existência de um Deus independe se Einstein ou qualquer outro acredita nisso ou não. Não está nas atribuições da ciência provar ou refutar a existência de um Ser Superior. E mesmo que fosse provado a existência de um Ser a que tudo foi originado, de modo evolutivo, posteriormente, implicaria que Este fosse maior que o próprio universo, pois a obra nunca é maior que aquele que a concebe, que a origina. Sendo assim, Deus seria maior que o(s) próprio(s) universo(s). Dessa forma, do mais alto grau de nosso desenvolvimento e avanço tecnológico, assim como do mais alto grau da nossa insignificância e raciocínio egocêntrico, jamais compreenderíamos o que seria “Deus” e sua, por assim dizer, essência. É ímpar ressaltar que a busca por um “Deus” é, antes de tudo, pessoal. E jamais estendermos essa “verdade particular” a todas as pessoas – como se nosso conceito de fé fosse uma “verdade universal”. Sei que as Leis de Newton são verdades universais. Sei que as Leis da Termodinâmica são verdades universais. Assim como sei que a Lei da Gravitação de Newton é uma verdade universal. A nossa fé, contudo, é pessoal demais para ser colocada como sendo universal. Minha opinião é que tanto fé quanto crenças são iniciadas somente quando a ciência não mais consegue explicar.
(…)
Ao seu modo, acredito que o Einstein foi um verdadeiro cristão – pois a humildade e a benevolência eram constantes em sua vida; ao seu modo, acredito que o Einstein foi um verdadeiro budista – pois valorizava e compreendia o valor do silêncio, já que, segundo o mesmo, era uma condição necessária para “ouvir” sua intuição; em outras palavras, ao seu modo, acredito que o Einstein foi uma das pouquíssimas pessoas que compreendia a espiritualidade quase à perfeição – pois sabia que, ao morrermos, nossos átomos voltariam para o lugar donde vieram: nosso grande, misterioso e fantástico Universo. 
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