terça-feira, 12 de junho de 2012

A força da intenção ~ Entrevista com Bruno Gonzales Sensei


Do blog  Conexão Aikido 

Entrevista: Bruno Gonzales Sensei


Segunda parte da  entrevista que Sensei Bruno Gonzales 5º dan - Aikikai fez para a Aikido Magazine, junho de 2011. Entrevista originalmente publicada em Francês.
Especialista que desperta muita atenção pela qualidade dos estágios que preside, 
Bruno Gonzalez, 5º dan, membro do Colégio Técnico da FFAAA, nos explica a base de seus ensinamentos, tal como recebeu de seu mestre sensei, Christian Tissier.
Quando o senhor ouve a palavra Aïkido, o que lhe vem imediatamente à mente?

A palavra arte: liberdade dentro de uma estrutura.
O aikidoka, tal como o artista, é um artesão num eterno caminhar buscando, sempre conscientizar sua prática, melhorar a compreensão dos princípios que a regem, para poder, assim, se aproximar de um ideal de comunicação: a atitude certa no momento certo.


O senhor se refere a algum sensei em particular?

A Christian Tissier, pela ideia discutida anteriormente. Berthold Brecht dizia: «Quem não está disposto a estudar não deve ensinar, o professor deve ensinar a estudar». Em outras palavras, ensinamos melhor aquilo que foi objeto de nosso estudo: Christian Tissier é um pesquisador.


Sabe-se que o dojo é o lugar privilegiado para a prática do Aikido. O que deve o aluno trazer consigo ao entrar nesse espaço?
Tudo depende, evidentemente, da conduta de cada um. Da maneira como vejo a formação, parece-me claro que o dojo é um lugar onde há exigências. Assim, empenho e perseverança parecem-me ser as primeiras qualidades que o aluno deve trazer. Saber escutar, confiar em seu professor (que escolhemos como nosso guia) são fatos primordiais, pois pode acontecer que não compreendamos o que nos foi ensinado; aliás, é possível que só o compreendamos realmente quando tivermos vivido uma experiência sensível, um know-how?
Finalmente, o aluno tem uma grande responsabilidade em seu percurso a longo termo, deve permanecer ativo, ou seja, agir de tal forma que, através de suas experiências, seus questionamentos, possa redescobrir o ensinamento que recebeu: tornando- se, por sua vez, um pesquisador.
Em outras palavras, refletir sobre sua prática para aplicar o que aprendeu.
Não há nada de mais evidente do que exprimir tal enunciado, ao passo que, para colocá-lo em prática, já será bem menos evidente.
Por vezes acontece de termos a sensação de descobrir (elucidar) uma técnica, um princípio pela primeira vez, ainda que nosso professor já o tenha demonstrando há dez anos.
Um célebre ator do Kabuki assim se expressou: «Posso ensinar-lhes o código gestual que significa “olhar a lua”, Posso lhes ensinar este movimento até mesma o do dedo apontado em direção ao céu, mas da ponta do dedo até a lua, será de sua total responsabilidade».

Quais referências ao fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, deveríamos manter?

«Uma escuta da tradição que não esteja a reboque do passado, mas que podera o presente». Heidegger.


A noção de respeito é muito forte no Aikido. De que forma devemos compreendê-la? Como ela se manifesta?
O respeito é uma atitude de abertura, uma qualidade de escuta, aliás frequentemente prejudicada por nossos próprios temores, nossas próprias incertezas.
O desafio de nosso trabalho é remover esses temores, para ganhar mais liberdade.
Especificamente, trata-se de tentar, através da prática, comunicar-se para educar-se mutuamente. Neste sentido, a prática deve nos tornar cada vez mais respeitosos.
(continua … 13/06/2012)
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Créditos: Conteúdo autorizado por Bruno Gonzales (Federação Francesa de Aikido, Aikibudo e Afins) para o blog  Conexão Aikido 

Entrevistador: Albert Wrac’h
Texto e Fotos: Aikido Magazine
Tradução: Marisa Rossetto
Revisão: Grazia Maria Quagliara
Diagramação Web: Elena de Carvalho Stellfeld
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