domingo, 24 de junho de 2012

Idolatria no Budismo? ? ? Como assim?


Gyatrul Rinpoche (China, 1924 ~):
Com frequência, a religião budista é vista como um caminho de culto idólatra devido à forte expressão externa da devoção aos objetos de refúgio. Tal devoção é necessária enquanto a consciência dualista existir. Devido ao nosso hábito de agarrar, é necessário cultuar ou venerar os objetos de refúgio fora de nós mesmos. Particularmente nas escolas mais básicas do budismo, isso é essencial.
Por exemplo, como um feto durante os nove meses no útero, você é totalmente dependente de sua mãe, e depois que nascer ainda é dependente dela. Ao crescer e começar a amadurecer, você se torna dependente de seus professores e, eventualmente, se torna dependente de si mesmo. O que você está fazendo é desenvolver essas qualidades dentro de você mesmo. Você não pode esperar que sua mãe ou professor cuide de tudo para você para o resto da vida.
No caminho espiritual — que é o da busca interna — embora, inicialmente, pareça que há um foco externo, eventualmente você precisa reconhecer que todas as qualidades devem surgir e ser desenvolvidas a partir de dentro. Devido à bondade de nossos pais e de nossos professores, você é capaz de vir a reconhecer seu próprio potencial.
Quando se trata da tarefa da liberação ou iluminação, você deve reconhecer que a iluminação já é sua própria natureza. É a essência verdadeira de sua própria natureza, como o sol. De modo similar, a experiência da existência cíclica ocorre devido à nossa própria percepção confusa e aflições mentais. A mente que vai alcançar iluminação é a mesma mente que criou esse estado de confusão. Todas as imagens de budas, todas as thangkas de deidades de meditação, todas as mandalas, estátuas e tudo mais são usadas como suportes com os quais a verdadeira natureza da mente deve ser realizada.
Por exemplo, se quiser cultivar um jardim de flores ou só uma flor, precisa ter água, terra adequada e fertilizante. Contudo, não é a água ou o fertilizante que produz a flor; é a semente, a essência, que tem o potencial de se tornar uma flor. Do mesmo modo, sua própria mente — a natureza de sua mente — tem o potencial de tanto criar samsara, como ela fez, ou estabelecer a liberação, liberdade total de toda dor e sofrimento.
Contudo, um suporte é preciso. Assim como a flor precisa de água e fertilizante, a mente precisa do suporte de um mestre espiritual e práticas para o caminho, para entrar em contato e realizar sua própria natureza.
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