quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

15 anos de Hospital Presidente Vargas . . . . . . . Por Simone.

Gostaria de me despedir do Hospital Presidente Vargas de outra maneira. Dar de ombros e seguir sem olhar para traz não é a forma mais adequada de dar adeus para um lar onde se viveu 15 anos.

Porquê não é um trabalho qualquer, que se sai aliviado quando se deixa... ou aqueles empregos onde se entra e sai sem fazer diferença ou deixar lembranças.

Não é possível sair do HMIPV sem perder uma parte de mim.

Porquê? Bem, nestes 15 anos se misturam uma soma de lembranças que transcendem o profissional... não é apenas o lugar onde trabalhei... é uma segunda casa que me viu chegar, então uma jovem de 23 anos, solteira e cheia de juventude, estimulada em proteger a vida e cuidar de crianças, preocupada em aprender e em me aperfeiçoar... e me viu evoluir profissionalmente e como pessoa, me tornando uma técnica segura e adaptada ao tenso trabalho sem perder a ternura de mãe. 

Não foi o local onde se passaram 15 anos convivendo com colegas de trabalho, foi o lar onde tive o constante encontro com pessoas boas de alma e coração que foram tomando lugar em minha vida como amigas e até irmãs. Vi mulheres que cuidavam das crianças dos outros terem seus próprios filhos... e os vi crescer.

Neste tempo relativamente curto para uns e que parece uma eternidade para outros acompanhamos muito da vida uns dos outros.

Foram tecnologias que evoluiram e mudaram, políticas e sonhos vieram e partiram... profissionais que chegavam como estranhos, tornaram-se amigos que partiram, uns para vida, outros da vida (saudades, Valéria). Em fim, foram anos de “Vida”. Dedicado a vida. A poder cuidar. Continua a paixão pela proteção e carinho dedicado a vida de “nossas crianças”.

“Nossas crianças”! Cada criança que nasceu nestes últimos 15 anos tornou-se um pouco filha “nossa”... e um pedaço “nosso” segue com cada uma delas... Cada colega que participou direta ou indiretamente com cada criança deixa sua presença e recebe em troca um pedaçinho delas também. Sabe que, por cima, ajudamos a trazer ao mundo 36 mil pessoas??? 36 mil pessoas! 36 mil crianças estiveram no colo de algum colega da FUGAST. Técnica, cuidado e carinho. Por 15 anos.

Então deixar para traz estes 15 anos é falar de deixar para traz uma grande parte de minha história como pessoa, como colega, como amiga, como mãe e como profissional que se dedica ao cuidado e a vida. Falar destes 15 anos é falar de vidas que chegaram neste mundo atravéz de muitas mãos. Falar destes 15 anos é falar de vidas que mudaram muitas vidas.

Entende porquê é difícil dizer adeus para estes lugar. Quem olha de fora não vê todas as nossas histórias se cruzando e acontecendo. Não enxerga nosso suor, nossas lágrimas, nossa vida entremeada aos cantos destas paredes.

Quem vê de fora não percebe a simbiose e a constante troca de amor e vida. Não é um emprego que estamos deixando. É uma parte de nós. Uma parte de nossa identidade. Uma parte de nossa vida.

Eu mudei nestes 15 anos. Entrei uma jovem cheia de sonhos. Realizei muitos graças a este Hospital. Conheci o amor das amizades verdadeiras. O amor de meu marido. O amor de ter minha própria minha filha. O amor da gratidão nos olhos de mães e pais que só tinham os nossos olhos e nossas mãos para obter apoio. Tantos tipos de amor.

Este é o hospital Presidente Vargas.







 




 







Por isto é tão difícil dizer "adeus".
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