segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A mente tem cada idéia...



Este ano que passou, durante a internação de um paciênte grandinho usei do efeito placebo.

Com a devida ciência do médico de plantão apliquei uma dose de soro simples (NaCl 0,9%) como "analgésico" para um menino de 12 anos que parecia mais nervoso que com dor...

Surpriendentemente até para mim o efeito foi rápido e melhor que esperava, pois além da dor relatada ter "sumido" a criança relaxou a ponto de dormir.

Se tem uma coisa realmente maluca na ciência, é o placebo.

Pensa aí: você está doente e toma um comprimido sem qualquer valor terapêutico, sem nenhuma substância curativa em sua composição. Não há remédio ali. Mas, de algum jeito, ele faz você se sentir melhor. A simples sugestão de que a dor vai passar faz a dor, de fato, passar.


Não que a dor seja uma INVENÇÃO. Não é isto. é que a "mente" tem instrumentos que são mais efetivos que muito analgésico... é só saber como fazê-la operar...



Um estudo feito por três economistas da Universidade Duke, na Carolina do Norte, descobriu que nossa cabeça garante a eficácia do produto quando ele é mais caro.

Ou seja... se ascreditarmos que um produto é caro (comparado a outro igual... mas mais barato) ele fica mais eficaz memso. Com a ajuda da nossa cabeça.

Um estudo feito por três economistas da Universidade Duke, na Carolina do Norte, – que vendeu placebos idênticos por U$0,10 e U$2,50 – descobriu que nossa cabeça garante a eficácia do produto quando ele é mais caro.

Os pesquisadores administraram choques de luz elétrica no pulso de participantes para medir seu nível de dor e depois distribuíam os placebos. À metade deles foi dada uma brochura descrevendo que a pílula era um recém-aprovado analgésico que custaria U$ 2,50. A outra parte recebeu a mesma brochura, mas com a informação de que o preço havia baixado para U$ 0,10.

No grupo que recebeu o preço cheio, 85% notaram uma redução da dor depois de tomar o placebo. No segundo grupo, 61% disseram sentir menos dor.
Quem nunca duvidou da eficácia de um genérico põe o dedo aqui.







O australiano Daniel Keogh (vale dar uma olhada no canal dele no YouTube) criou uma animação bem bacana falando sobre alguns dos efeitos particularmente curiosos desse remedinho quase-mágico. Dá uma olhada (em inglês).



Ele conta, por exemplo, que o placebo funciona mais quando o comprimido em si é maior; que a cor do comprimido, o preço e a embalagem em que ele vem podem alterar o efeito; e até que placebo vicia – em um estudo, um grupo de mulheres recebeu o “medicamento” por cinco anos; 40% delas apresentou sintomas de abstinência depois.

Isso mesmo, abstinência de um remédio sem qualquer componente químico que vicie. Loucura, né?
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