quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?


Qual o significado de Hôkei (Linhagem no Darma)?



fevereiro 22, 2011 às 9:26 am | Publicado em Meditação em Porto AlegrePrática Zen BudistaPreceitos Budistas,Qual o Significado;








Gil "Jikai" Gosch mostra seu rakusu (cerimônia de preceitos leigos 19/12/2010)
Jukai (transmissão dos preceitos) é realizada na cerimônia de Zaike Tokudo (para leigos), como parte da cerimônia de  Shukke Tokudo(ordenação de um monge-noviço) e como parte do processo da Transmissão de Darma (finalização do treinamento formal do monge).

Nestas ocasiões, geralmente é dado um documento de “linhagem de sangue” (kechimyaku 血脈) que simboliza a entrada na “família de Buda”. Neste documento consta a “linhagem no darma” (hôkei, 法系).

A linhagen no darma torna-se especialmente importante no cerimônial de Transmissão de Darma, que finaliza o treinamento formal de um monge, pois a partir deste cerimonial ele torna-se um portador de sua linhagem, com poderes de transmitir esta linhagem para outros, oficiando cerimônias de Zaike Tokudo e Shukke Tokudo.

No serviço matinal diário da escola Soto Zen, recitamos a nossa  linhagem – a nossa “árvore geneológica” – que vem desde o Shakyamuni Buda. Geralmente, a linhagem é recitada até o nome do professor do monge titular do templo ou centro de prática. Nos mosteiros, onde se encontram alunos de muitos professores de linhagens diferentes, esta recitação geralmente termina com o nome do Mestre Keizan, uma vez que a grande maioria dos professores de darma no Japão possui a mesma linhagen até este ponto.

Nesta recitação, relembramos todo o processo da transmissão do Darma de mestre para discípulo – de geração para geração – trazendo os ensinamentos até nós. Relembramos que fazemos parte da grande família de Buda. Hoje em dia, as linhagens completas já constam de mais de 90 nomes, enquanto que a versão curta (cujo título é 57 Budas), que é recitada nos mosteiros, contém 61 nomes (seis Budas anteriores, Shakyamuni Buda e 50 Ancestrais de Índia e China, seguidos dos primeiros quatro Mestres no Japão).

Ao pensar na linhagem, temos que considerar o fato de que, na época de Buda, esta era uma tradição oral, com os sutras passando a ser escritos somente mais ou menos 300 anos depois do parinirvana do Buda. Mesmo depois disto, muitos documentos se perderam e muita informação ficou para trás naquelas nuvens do tempo.

Por isso, não existem documentos suficientes para uma reconstrução precisa dos nomes anteriores do nome do Sexto Ancestral, Daikan Enô Daioshô (Hui Neng).  A partir dele, os nomes tornam-se cada vez mais “documentados” e confiáveis, no sentido acadêmico.

Então, se parte desta linhagem que recitamos é “mítico”, por que motivo fazemos esta recitação?

Não é a precisão histórica documentada que é o aspecto mais importante para a nossa prática.

Ao recitar a nossa linhagem, lembramos que somos parte de uma grande corrente de transmissão dos ensinamentos de Buda, uma corrente que flui já faz 2.600 anos. Lembramos que somos herdeiros de algo “insuperável” – o Caminho de Buda – como dizemos na recitação dos Versos do Bodisatva.
Invocamos a “energia” de nossa linhagem para apoiar a nossa prática. Mais importante de tudo, lembramos que somo todos UM.

Eles estão aqui conosco – não fora de nós, não lá quantos anos atrás no passado. Metaforicamente, é o sangue de todos eles que corre ems nossas veias.

Falando sobre o serviço vespertino da nossa tradição, a Sensei Eve Myonen Marko disse:

“Estamos, na realidade, convidando aquelas manifestações [deles que já estão em nós mesmos] a aparecer. Somos os Budas e Bodisatvas. Somos os Três Tesouros: Buda, Darma e Sanga. Somos as formas sem-forma através do tempo e do espaço.”
“Somos o Manjusri Bodisatva, cortando a delusão. Sendo Avalokitesvara, somos não somente aquele que escuta todos os sons do universo; somos os sons do universo. Escutamos aos sons do universo sendo todos aqueles sons. E sendo com o nosso mestre original, Shakyamuni Buda, Shakyamuni Buda está aqui mesmo – não simplesmente um cara que viveu 2500 anos atrás – e ele mesmo falou isso. Na Sutra da Flor de Lótus, ele fala que quando as pessoas  realmente pratiquem e realmente desejam que isto se manifeste, ‘Eu e toda a minha assembleia aparecemom no Pico dos Abutres’. E isso não significa somente o Pico dos Abutres, significa nós mesmos, aqui em National City, no Sweetwater Zendo [local onde ela estava dando esta palestra]. Quando fazemos aquele serviço, Shakyamuni está presente. E sendo UNO com a linhagem desde Mahakashapa Sonja (Makakashô Daioshô), a linhagem não é simplesmente alguns caras com nomes esquisitos que recitamos de tempos em tempos, ou mulheres cujos nomes estranhos recitamos. É aqui mesmo dentro deste círculo, eles são nós, eles estão aqui mesmo, ouvindo e conversando – agora mesmo – e fazendo aquela cerimônia e sendo servidos quando fazemos aquele serviço.”


Que possamos, junto com todos os seres, vivenciar plenamente esta unidade com todos os mestres – e com todo o universo!



Ler mais do texto de  Sensei Eve Myonen Marko publicado no blog O Pico da Montanha.


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Monja Isshin Havens – Soto Zen Budismo

Aluna de Dosho Saikawa Sokan Roshi, Superior Geral do Soto Zen para América do Sul, a Monja Isshin iniciou a sua prática formal do Zen Budismo com aMonja Coen, em São Paulo, Brasil, em julho, 1996. Atualmente, além de suas atividades com a Sanga Águas da Compaixão,  é orientadora daSanga Aikikai, da Associação RS Aikikai (desde julho, 2008), da Sanga Energia Harmoniosado Centro de Cultura Oriental Tigre Coreano (desde janeiro, 2009) em Porto Alegre e daSanga Soto Zen de Pelotas (desde março 2010), palestrante da Universidade Falada (desde 2006), colaboradora/palestrante da Unipaz-Sul (desde 2009) e em 2011 ajudou a fundar a "Associação Comunidade Soto Zendo Sul” em Porto Alegre.

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