domingo, 30 de setembro de 2012

Um Barulho Alegre « Monja Isshin

Um Barulho Alegre

Por Monja Isshin:



toco os instrumentos no templo Ryûzô-ji, do meu Mestre de Transmissão de Darma, Onoda Roshi
Aqui apresentamos a tradução de um texto originalmente publicado em inglês no “The Ino’s Blog”, que é mantido pelo Ino* do San Francisco Zen Center – City Center.


Grande parte da minha primeira semana como Ino foi deliciosamente consumida treinando alunos nos tambores, sinos e vocais que nos “afinam” (literalmente) ao ritmo do nosso zazen e serviço.  Existem religiões de melodia e religiões de harmonia, e do meu ponto de vista, o budismo cai na última categoria.  Realmente, a palavra em sânscrito sama, que é traduzida em inglês como “correto” (como no caminho óctuplo da fala correta, ação correta, etc.) significa “afinado, em sintonia”. 

Harmonizar, alinhar, ressoar.  Estas são as qualidades dos sinos, tambores e vozes que se destacam em nosso serviço.  Mesmo depois de mais de 20 anos nesta prática, eu ainda saio com um sorriso quando o conjunto começa, um pouco timidamente, a recitar numa série de notas frequentemente desafinadas, e, de repente, sem esforço, encontra uma altura do tom em comum e harmonias bem afinadas – mesmo entre pessoas que estão em desarmonia durante o resto do dia. 

Há esperança nesses momentos, uma atração silenciosa em direção a uma ressonância que vence o eu separado.  O interessante é que sentimos um medo tão profundo de perder o nosso eu, mas entramos em harmonia tão rapidamente na recitação, dispostos a abrir mão de nossa própria posição para a recompensa de estar em harmonia.  Não há necessidade de que todos estejam na mesma nota – a harmonia tem uma melhor chance de encontrar mais frequências correspondentes a partir de quando dizemos: “Ah, sim, essa é a minha nota! Posso pertencer.  Eu posso estar em casa com a música no meu coração. “

- Kyosho Valorie Beer, Ino, Sexta-feira, 7 de setembro, 2012
- Tradução e Revisão Final: Monja Isshin

- Revisão do Português: Ananda Feix Ribeiro


*Nota da tradutora: Ino é o “oficial” do mosteiro que é responsável pela supervisão do “samu”, cuida do “zendô” (sala de zazen), entoa as dedicatórias nas cerimônias e supervisiona as pessoas que tocam os vários tipos de sinos e tambores. Na maioria dos mosteiros de treinamento, os oficiais geralmente ocupam os seus cargos durante um “angô” (período de prática intensivo, com duração de aproximadamente 3 meses). O Ino atual do San Francisco Zen Center – City Center , Kyosho Valorie Beer, assumiu o cargo recentemente.


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