sábado, 4 de junho de 2011

"'Unidade dos Veteranos Hábeis'" de Fukushima



Como os "Liquidatários" de Chernobyl (russo: ликвидаторы, ou "clean-up workers", o nome dado na antiga URSS para as pessoas que foram chamadas a colaborar nos esforços para lidar com as consequências do 26 de abril de 1986 desastre de Chernobyl), os trabalhadores da "planta nuclear" de Fukushima, Japão continuam a ser expostos a níveis elevados de radiação, que extravasam dos reatores. Quase três meses depois de as explosões destruírem o complexo nuclear de Fukushima, a usina ainda espalha radiação na área.


A operadora da usina já admite que provavelmente há derretimento em três reatores.


As equipes que lá trabalham sabem da possibilidade de morte por doença da radiação. Mas um grupo de "voluntários" tem surpreendido pela coragem e  abnegação.


Representados por um engenheiro aposentado que levou a sério esses sacrifícios e acha que a "carga Fukushima" deve ser enfrentada por uma geração mais experiente - a sua própria.


Recentemente um grupo de pensionistas idosos se apresentou ao trabalho como voluntários, são trabalhadores qualificados, os "Skilled Veterans Corps" ~  'Unidade dos Veteranos Hábeis', como eles se auto-denominam, é formada por engenheiros e outros profissionais aposentados, todos acima dos 60 anos.


O engenheiro aposentado Yasuteru Yamada, de 72 anos, teve a ideia ao ver pela televisão as imagens do desastre, têm vindo a promover-se como "força de trabalho" a ser enviado para Fukushima.

Yasuteru Yamada, de 72 anos, um dos membros da 'Unidade dos Veteranos Hábeis' (Foto: BBC)

Cerca de 200 engenheiros e ex-trabalhadores idosos da usina se ofereceram seus serviços para tomar o lugar de alguns dos cerca de 1.000 pessoas mais jovens que operam na "planta/usina".


E insiste que o grupo não é suicida. "Mesmo se eu fosse exposto à radiação, o câncer pode levar 20 ou 30 anos ou mais para se desenvolver. Portanto nós, os mais velhos temos menos chances de desenvolver um câncer", disse o organizador de grupos Yasuteru Yamada, disse à BBC.


Quando foram comparados aos Kamikazes o Senhor Yamada disse que ele não estão indo para lá para morrer. Mas para garantir a vida dos demais. 'Não somos kamikazes', diz Yamada se referindo aos pilotos suicidas da Segunda Guerra Mundial. Para ele, 'kamikazes não têm gerenciamento de riscos. Eles morrem, mas nós vamos voltar', disse o aposentado.


Em média, eu provavelmente terei mais 13 a 15 anos de vida', conta Yamada. 'Mesmo se eu for exposto à radiação, o câncer precisará de 20 ou 30 anos para se desenvolver, portanto, nós, mais velhos, temos menos chances de ter câncer', disse o engenheiro aposentado.


O governo já está analisando a oferta, pois, provavelmente, serão necessários mais trabalhadores para a região de Fukushima.


Para fechar e desligar a usina, poderá ser preciso um prazo que vai até janeiro ou mais. A desmontagem pode levar anos.


E, voluntários não devem faltar. O professor aposentado Michio Ito agora trabalha em um café, mas pretende se juntar ao grupo de voluntários.


'Não me acho especial', diz Ito. 'A maioria dos japoneses tem este sentimento, mas a diferença é se a pessoa se oferece para o trabalho ou apenas fica assistindo. Para fazer isso, é preciso muita coragem, mas espero que seja uma grande experiência.'



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