segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Porto Alegre e a Saúde de faz de conta: Flagra de leito vago em UTI da capital e pacientes a até 48H esperando vaga... NO MESMO PRÉDIO ! ! !


O Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre foi alvo de polêmica.
Durante uma vistoria do Sindicato Médico do RS (SIMERS) foi flagrado, no domingo (13/11) ao HPS de Porto Alegre, que há leitos vazios na UTI Clínica, enquanto pacientes TAMBÉM INTERNADOS NO HPS, em estado grave, aguardam por vagas em UTI ! ! ! . . . 

Tudo porquê o HPS recebeu orientação da secretaria para NÃO UTILIZAR OS SEUS LEITOS DE UTI disponíveis (copiada no fim deste artigo).

Pelo menos dois pacientes estavam mantidos na sala de politraumatizados (entrada do HPS) a mais de 48 horas, quando deveriam ocupar duas vagas da UTI DO PRÓPRIO HPS. Mais adequada para a segurança e sobrevida dos pacientes.


Um deles, um senhor de 64 anos, está há 48 horas no local, inclusive entubado, mas não é levado ao andar da UTI Clínica POR ORDENS SUPERIORES, mesmo com pedido dos médicos de plantão. A VERDADEIRA razão para não ocorrer a transferência, apurou o SIMERS, é a falta de técnicos de enfermagem. O fato comprova que, na prática, está ocorrendo bloqueio de vagas, mesmo que a Secretaria da Saúde tente desmentir, como ocorreu no sábado.



A entidade se reunirá nesta segunda (14/11/11) com o Ministério Público Estadual para pedir providências urgentes para que seja suprida a necessidade de pessoal.


O hospital, que há 60 anos atende traumas e demais emergências, precisa imediatamente de 50 técnicos. O secretário da Saúde, Carlos Casartelli, admitiu a carência. Neste domingo, um técnico da UTI Clínica foi deslocado para a de trauma. A medida reduziu a três técnicos para sete pacientes (limite máximo) na UTI Clínica, que não pode receber mais doentes se não tiver mais profissionais. Trata-se de norma da Anvisa e que assegura os cuidados mínimos. O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre tem 27 leitos de UTI adulta - são 12 na de trauma, 9 na clínica e 6 na de queimados e uma UTI Pediátrica, que está fechada até a próxima quinta-feira em decorrência de surto de varicela.  

 
"O problema não chegou ontem ao HPS, mas agora vivemos o ponto crítico. Isso só está ocorrendo porque não foram tomadas medidas a tempo", lamentou o presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes. "A prefeitura está fazendo concurso, mas isso não resolve para hoje. Não é possível ficar sem estas vagas ante hospitais superlotados", reforça Argollo. 



O Sindicato denunciou que uma circular interna, de sexta (11), ONDE A SECRETARIA DE SAÚDE DE PORTO ALEGRE DETERMINA A DESATIVAÇÃO DE LEITOS DA UTI Clínica.


Após a denúncia o secretário voltou atrás e emitiu nova circular, apenas para o HPS, não “desativa leitos”, mas que reforça que o HPS atenderá prioritariamente traumas. "Nunca discutimos a vocação do HPS, e sim o desfalque de pessoal que já era sabido desde 2010




NOTA OFICIAL DO SIMERS:
1. O Sr. Secretário Municipal da Saúde voltou atrás e desmentiu a circular do seu diretor técnico que determinava medidas para a desativação da UTI clínica, para deslocar pessoal à UTI de trauma, com falta crônica de técnicos.

2. O SIMERS fez nova vistoria ao HPS neste domingo (13/11/2011) e constatou que se mantêm bloqueados leitos da UTI Clínica. Às 15h, havia dois leitos vazios. Enquanto isso, eram mantidos na sala de politraumatizados (porta entrada do hospital) dois pacientes com indicação de internação.

3. A falta de 50 técnicos de enfermagem no HPS, admitida em entrevista em 12/11/2011 à Imprensa pelo Sr. Secretário da Saúde, não é um fato súbito. Mesmo assim, as providências para a contratação e reposição das vagas não foram adotadas no devido tempo pelo gestor municipal.  

4. Nitidamente para confundir, o secretário fala sobre a vocação para casos de trauma do HPS, que ninguém contesta. Mas isso não impede que uma pessoa com infarto do miocárdio receba o atendimento adequado, inclusive em UTI, principalmente em um quadro de superlotação dos hospitais (inclusive de UTIs) da Capital.
 
É compreensível que o Sr. Secretário mostre irritação e contrariedade por ter que desdizer o que fora dito (e escrito) por sua equipe de confiança, por ele mesmo indicada. O SIMERS, por seu turno, continuará vigilante e denunciará qualquer agravo à saúde dos porto-alegrenses.

Porto Alegre, 13 de novembro de 2011.
Dr. Paulo de Argollo Mendes
Presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS)


Em entrevista o presidente do Simers, Paulo Argollo, reforça que o mais grave foi o fato de a SMS não ter comunicado a decisão às outras instituições de saúde de Porto Alegre. “A situação é ainda mais delicada porque essa ordem foi tomada de maneira unilateral e na véspera de um feriado prolongado”, criticou Argollo.

O secretário de saúde admitiu que está em debate, internamente, a ideia de recuperar o conceito original de funcionamento do HPS (???).

 “O conceito do hospital é o trauma e não pode ser priorizado o clínico. Isso não significa que o paciente ficará sem atendimento, mas não faz sentido uma criança com amidalite ser levada para o HPS enquanto existem outros locais mais apropriados para isso.” Diz Casartelli, esquecendo que o pronto socorro atende TODO o tipo de PRIMEIRO SOCORRO... não só trauma.
Ele explicou que será feita uma campanha gradativa para esclarecer a população sobre quais os melhores lugares para se buscar atendimento de acordo com a necessidade, evitando esse tipo de situação. Em coletiva, o secretário municipal de Saúde, Carlos Henrique Casartelli, afirmou que as denúncias são infundadas e fazem parte de um jogo político. “O Simers não merece credibilidade, no meu entendimento”, declarou.

A promotora de justiça, Angela Rotunno, que recebeu a denúncia, afirma que vai pedir explicações sobre a implementação do plano de cargos, carreiras e salários do SUS.

Na próxima semana, Ministério Público e Secretaria Municipal da Saúde devem se reunir para prestação de esclarecimentos.

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